15 de julho de 2010

Hipocondríacos cibernéticos

Antigamente, quando estávamos doentes, íamos ao médico (não sem antes passar pela farmácia, não fosse o farmacêutico de serviço conhecer a cura, vender-nos logo ali o remédio e poupávamos uma horas no centro de saúde). Depois, quando um médico nos diagnosticava uma qualquer doença, mais ou menos grave, limitávamo-nos a confiar e a acreditar no que ele dizia. Se o tratamento prescrito é este, nada a fazer, segue-se à risca. Quanto muito, em casos mais graves, pensávamos em pedir uma segunda ou terceira opinião (normalmente, até encontrar uma que estivesse mais de acordo com o que desejávamos). De resto, ninguém sonhava sequer em pôr em causa o que o médico dizia. Ele é que estudou, ele é que sabe. E resignávamo-nos ao destino que aquele médico nos traçava.

Hoje em dia, quando estamos doentes, consultamos a Internet para ver a que doença fatal correspondem os sintomas. Depois, já aterrorizados, em pânico, convencidos de que a qualquer segundo vamos cair para o lado, decidimos ir ao médico. Quando este nos diagnostica uma doença, mais ou menos grave, vamos direitinhos ao computador procurar novamente na Internet tudo e mais alguma coisa sobre essa doença. Em várias línguas, de preferência, porque no estrangeiro eles estão mais avançados e sabem mais do que os portuguesinhos. E qual é o resultado de horas e horas de pesquisa? Dos estudos aparentemente científicos realizados por uma universidade perdida no meio do deserto, aos artigos publicados em jornais e revistas ditos científicos que só um especialista na matéria consegue compreender, passando pelas histórias “verídicas” de quem tem ou teve a mesma doença (algumas são verdadeiros filmes de terror) e terminando nos tratamentos convencionais, alternativos, experimentais... Basicamente, uma grandessíssima confusão. Seguem-se a angústia e o medo provavelmente infundados, acompanhados por um estado depressivo, que de certeza só ajuda a piorar a situação.

Há alturas em que preferia voltar a ter só dois canais de televisão, jornais e telefonia para me informar.

9 comentários:

Vera, a Loira disse...

E é mesmo verdade, mas se voltasse esse tempo não tinhas um blog e era uma tristeza.

Tulipa disse...

Nem imaginas como me identifiquei com este post, aliás foi o tema de conversa ao longo do almoço de hoje :). Mas agora que temos a internet não podemos fugir dela, nem da informação que ela nos dá, resta-nos saber lidar com ela. Muita Saúde! Kiss

Vício disse...

coitados dos que não têm computador! vão ter de ficar doentes com uma doença que o médico escolheu...

cai de costas disse...

Eu volto a sugerir um atestado - genuíno...

Tulipa Negra disse...

Vera, isso também é verdade. E não falava contigo e com os outros que por aqui passam, o que era mesmo uma tristeza.
Beijinhos


Tulipa, de facto hoje em dia é impossível fugir da informação e da tentação que temos em procurá-la, por estar tão acessível.
Beijinhos


Vício, os que não têm computador, podem ir a um cibercafé, ou usar um telemóvel com acesso à net. Conhececes? É tecnologia relativamente recente... :)
Beijinhos


Cai de costas, obrigada, dava jeito...
Beijinhos


Aproveito para esclarecer que eu não estou doente (enfim, não mais do que o normal), foi só uma coisa que me passou pela cabeça. Mas obrigada pela preocupação!

Vício disse...

e dá para termos doenças novas?

Tulipa Negra disse...

Vício, então não dá! Agora a moda são as doenças virtuais, só se apanham na net. Pelo pouco que já percebi desde que aqui ando, doentes é o que não falta para aí! :)

viajanteintemporal disse...

Como eu me identifico com o teu post! Até estudos de Univ. Italianas já li. Pelo menos quando vamos ao médico já sabemos alguma coisa. beijinhos

Tulipa Negra disse...

viajanteintemporal, é verdade que já sabemos alguma coisa, o problema é que muitas vezes a informação que obtemos não é a mais fidedigna. E nisto das doenças cada caso é um caso. Não sei se não será melhor ir na ignorância...
Beijinhos