28 de fevereiro de 2011

Há gente com passatempos muito estranhos # 3

Ou a verdadeira história dos contos infantis. Se sempre acreditaram na versão da Disney, aqui fica uma visão mais realista das histórias que nos contavam em pequeninos. 

Não sei o que é feito dos anões, mas nitidamente a Branca de Neve não ficou a ganhar com a troca. É que o príncipe, afinal, é um gajo inútil que passa o dia sentado em frente à televisão enquanto ela trata dos putos e da casa.

Branca de Neve
A Cinderela não teve melhor sorte e resta-lhe afogar as mágoas numa tasca manhosa com companhia duvidosa. Espero que pelo menos a bebida não se transforme em água ao tocar a meia-noite.

Cinderela
Já o Capuchinho Vermelho adaptou-se muito bem aos novos tempos. É adepta da fast-food e adora fazer piqueniques na floresta com hamburgers e coca-cola. Acho que as associações de defesa dos animais deviam ter uma palavra a dizer, afinal isto pode ser considerado como tentativa de envenenamento do lobo, uma espécie que, ainda por cima, está em vias de extinção.

Capuchinho Vermelho
E finalmente, a explicação que faltava. Ora reflictamos um bocadinho: como é que se compreende que a Bela Adormecida acorde ao fim de 100 anos (e já nem se pergunta como sobrevive, mas pelo menos acorda descansadinha) fresca que nem uma alface e com o corpo e a cara exactamente iguais aos que tinha quando adormeceu? A resposta é simples: Botox e cirurgia plástica, obviamente!

Bela Adormecida
Se quiserem ver mais, a fotógrafa Dina Goldstein dedicou-se a actualizar estas histórias numa série a que chamou adequadamente Fallen Princesses.

27 de fevereiro de 2011

Desvantagens de ter cinco sábados e um domingo

- Amanhã é segunda-feira.

Vantagens de ter cinco sábados e um domingo

- Dormir até (mais) tarde.
- Passar as tardes esticada no sofá, a ver filmes, a vegetar à frente da televisão, ou na Internet. Interromper para dormir.
- (Re)ver episódios antigos do CSI, do CSI: New York, do House, do Lei e Ordem e de tudo o mais que aparecer no ecrã excepto o CSI: Miami porque não gosto do Horatio. Interromper para dormir.
- Passar as manhãs a ver a Praça da Alegria.
- Ver aquele programa do Goucha de que nem sei o nome.
- Ouvir o Manuel Serrão botar faladura e concordar com o que ele diz. (Isto não é propriamente uma vantagem, é mais uma surpresa.)
- Aproveitar para subir os níveis no Farmville, no Cityville, no CSI: Crime City. Interromper para dormir.
- Ver no noticiário o resumo das discussões na Assembleia da República e rir à gargalhada com os insultos mútuos. (Começo a desconfiar que aquela gente toda quer ser eleita porque, vendo bem a coisa, é um emprego onde o pessoal se diverte.)
- Descobrir que o James Franco é descendente de Portugueses, mais propriamente de Açorianos.
- Não precisar de ver o telejornal à noite porque já vi as mesmas notícias repetidas à exaustão durante o dia.
- Comer quando me apetecer.
- Dormir quando me apetecer.
- Nunca saber que horas são (às vezes nem o dia, quanto mais as horas).
- Não aturar chefes e colegas.
- Não trabalhar nem pensar nisso.
...

Programa para hoje

26 de fevereiro de 2011

25 de fevereiro de 2011

Flower Blog XI


24 de fevereiro de 2011

Agora

Resta esperar. E tentar não desesperar...

23 de fevereiro de 2011

21 de fevereiro de 2011

Actualmente

Medo

A inevitabilidade do momento que se aproxima faz crescer o medo, a ansiedade, a angústia. Não pelo que terá de ser feito, já o fiz outras vezes, mas pelo que virá depois. Medo de que o resultado seja novamente o mesmo. Medo de não conseguir aguentar. Medo de que todos os sacrifícios e todas as forças e toda a coragem que fui encontrar no mais profundo do meu ser tenham sido em vão. Medo de que desta vez me afogue nas lágrimas.

20 de fevereiro de 2011

Fim-de-semana

Anseio por estes dois dias durante os restantes cinco. Deveriam servir para descansar o corpo e a cabeça,  que bem precisam. Mas (há sempre um mas) não durmo o suficiente o que, aliado ao céu cinzento e ao frio, contribui para um estado depressivo agravado pela certeza da incerteza do momento que se aproxima a passos largos. As mudanças repentinas do pouco que estava confirmado também não ajudam. É hoje, afinal não, é amanhã, mas vendo bem é melhor ser hoje e dou por mim numa roda-viva de emoções, sem saber bem para que lado me virar, o que fazer, o que decidir, com quem falar sobre tudo o que tem de ser resolvido. Sem saber sequer o que resolver e como. Procuro anestesia na televisão mas não encontro. E no meio de tudo isto, ainda é preciso ir buscar coragem nem sei onde para mais um esforço, antes do esforço supremo que ainda está para vir.

Flower Blog X

 




19 de fevereiro de 2011

18 de fevereiro de 2011

Finalmente um motivo de orgulho!

Pertencemos ao grupo dos mais bêbedos do mundo. A culpa também deve ser da crise: bebe-se para esquecer!

Daqui
Os números são da Organização Mundial de Saúde, referem-se a 2005 e não incluem os turistas nas estatísticas, portanto não podemos culpar os alemães nem os ingleses.

17 de fevereiro de 2011

Futebol e outros espectáculos

Eu não sou grande adepta (nem pequena, aliás) do futebol. Em toda a minha vida vi dois jogos ao vivo (um da selecção nacional contra o Liechtenstein nos tempos da universidade e o outro este Verão do clube do periquito contra uns ingleses). Mas imagino que ir ao estádio ver um jogo seja mais ou menos como ir ao teatro (com as devidas e reconhecidas diferenças de nível intelectual dos participantes). Ou a um concerto, vá, talvez as semelhanças sejam maiores, afinal até já fui a concertos em estádios de futebol. Comparações idiotas à parte, o que quero dizer é que quem vai assistir a um espectáculo ao vivo, fá-lo para viver a experiência em primeira mão, para vibrar de emoção... Enfim, basicamente, e falo por mim, numa situação dessas ficamos de tal forma envolvidos no que nos rodeia que esquecemos o resto. Acho, aliás, que é essa uma das funções dos espectáculos ao vivo, alienarem-nos da realidade. Mas adiante. Por isso, estranho quando acontecem situações como a de hoje (e já vi acontecer noutras ocasiões) durante o jogo do clube do periquito contra os alemães. Sempre que acontecia alguma coisa, fosse um golo ou um jogador com um ataque de caspa nas unhas, lá apareciam actualizações de estados do Facebook, enviadas directamente dos telemóveis, quais Jorges Perestrelos da Internet. Mas então um gajo que é gajo vai ver um jogo da bola ao vivo e depois está preocupado em comunicar aos outros o que aconteceu? Então não devia estar entretido a ver o jogo, a chorar quando os outros marcam, a pular quando os dele ganham, a insultar o árbitro? Um dia destes, ainda vamos ver no Facebook coisas como "Julieta desmaiou", "Romeu suicidou-se", "Os bailarinos do La Féria são mesmo bons"... É que por muita destreza que se tenha nos polegares, sempre tem de se olhar para o telemóvel enquanto se escreve. E eu, quando pago bilhete para ver um espectáculo, não gosto de perder nem um segundo.

Tecnologia moderna, utilizadores antigos - parte 5

Afinal, a password do computador está onde sempre esteve: num papel colado na mesa ao lado do ecrã do PC.

Houve mais aventuras que envolveram o leitor de DVD, a utilização do PC, etc. Mas depois desta, nem tenho forças para contar o resto...

Esta foi a cereja no topo do bolo. Gostava de ter tirado uma foto para poderem ver o ar estupefacto e incrédulo dos participantes. E depois o esforço sobre-humano para conter as gargalhadas.

16 de fevereiro de 2011

Tecnologia moderna, utilizadores antigos - parte 4

Afinal, só há um cabo scart portanto, quando se quer usar o leitor de VHS, desliga-se do DVD, liga-se no leitor de vídeo, e depois volta-se a ligá-lo ao DVD quando já não for preciso. Quanto às pilhas do telecomando da televisão, apareceu num canto a que faltava, seguramente foi alguma alma penada que a escondeu. Mas antes disso, a solução proposta tinha sido... nenhuma. Certo. Mas ao menos temos um quadro electrónico todo xpto que ninguém sabe utilizar.

Quanto ao DVD, seis das sete pessoas envolvidas nesta história começam a desconfiar que o mal não é da máquina nem da cor dos discos, é mesmo do utilizador que não percebe nada do assunto, o que não o impede de continuar a gravar diariamente tralhas da televisão e/ou do youtube (não, não é sexo, antes fosse!), passando depois loooooongos minutos a tentar trabalhar com o bicho. Da última vez, até deu direito a ir experimentar o leitor de DVD de outra sala. O resultado foi o mesmo.

E eis que quando eu já pensava não ser possível acontecer mais nada se descobre ainda um leitor de cassetes (sim, não me enganei) com um ar todo modernaço. Passada a aventura de encontrar o botão para o ligar e o outro para mudar para a função cassete, consegue-se abrir o leitor e enfiar a cassete lá dentro. Mas depois era preciso colocar a fita no início da cassete, só que o botão de rewind fazia andar a fita na direcção contrária. Nova ladainha: mas por que é que não anda, por que é que funciona ao contrário? Alguém repara que a cassete é vermelha e sugere que também o leitor de cassetes seja anti-comunista. Faz-se luz na cabeça do utilizador do aparelho que retira a cassete e volta a colocá-la do lado contrário. Funciona. Mas, como a cassete é uma invenção recente, o som que sai das colunas é completamente distorcido. Digamos que não ficaria atrás de alguns dos cromos do Ídolos. Mais tarde foi preciso utilizar como leitor de CD. Fiquei sem palavras. A sério, ultrapassou qualquer expectativa.

O computador afinal funciona. Mas a password para o ligar está no segredo dos deuses.Verdade seja dita, fizeram-se várias tentativas com as passwords de algumas pessoas presentes, mas não funcionaram. Obviamente, digo eu.

Entretanto, eu já nem tento manter-me séria e assim que se fala em usar um dos aparelhos electrónicos dão-me ataques de riso incontroláveis...

It's so fluffyyyyyyy!!!



Ri do princípio ao fim, os amarelinhos são o máximo, as meninas são adoráveis (especialmente a mais nova) e até o vilão é amoroso. Obviamente, a lição do costume: só é vilão quem não teve amor e atenção dos pais em pequenino e basta-lhe um bocadinho de carinho para passar a ser boa pessoa. Mas mesmo assim, adorei!

Acho que em português lhe chamaram Gru, o Maldisposto ou qualquer coisa do género.

15 de fevereiro de 2011

Felicidade

Foto de Rui Calçada, no site http://www.olhares.com/
Esqueceu-se de tudo. Esqueceu-se até de quem era, de como se chamava, de onde morava, do que fazia. Tivesse alguém feito uma dessas perguntas e a resposta seria certamente um olhar de incompreensão acompanhado de uma gargalhada sonora. Seguia pela rua cantarolando, ora correndo, ora dançando como sabia, mas sempre a sorrir, de braços abertos, os olhos brilhantes e os cabelos desalinhados. Gostava de sentir o vento no rosto e as roupas a esvoaçarem. Sentia-se livre, só lhe faltava voar. No seu caminho sem destino cruzou-se com pessoas que lhe falavam, com ar preocupado. Talvez os conhecesse, não sabia. Pareciam-lhe seres de outro mundo, não compreendia as suas palavras, os gestos eram-lhe estranhos. Continuava a rir, acenava-lhes em jeito de despedida, e seguia sem olhar para trás.

Chegou à margem do rio e parou. Ficou imóvel como uma estátua a olhar as águas paradas, as aves, cujo nome esquecera também, a voar em círculos, um ou outro peixe que via passar, os pescadores nos barcos e os outros, na margem, olhando o horizonte enquanto esperavam pacientemente que um peixe mais curioso mordesse o isco. Girou sobre si própria, olhou à volta, queria guardar toda aquela imagem para sempre na memória.

Recomeçou a rir, soltou gargalhadas sem fim, enquanto tirava os sapatos e o vestido leve de Verão com que tinha saído nessa manhã. Os pescadores, alarmados, chamavam-na, gesticulavam, mas ela não os ouvia. Recuou alguns passos, ganhou balanço e correu veloz, mergulhando de cabeça nas águas do rio. Ouviram-se gritos, apareceu gente nem se sabe de onde, correram todos na direcção daquela rapariga louca que se atirara ao rio. Alguém ligou para a polícia e chamou os bombeiros. Ela desaparecera nas águas turvas, para voltar a aparecer na outra margem, de sorriso no rosto. Sentiu-se uma onda de alívio percorrer os espectadores daquela cena quando a viram acenar-lhes, voltar costas e seguir o seu caminho, feliz.

14 de fevereiro de 2011

Já deixei de procurar há muito tempo


Sim, já sei, o dia dos namorados é uma treta inventada pelos americanos para vender postais e foleirices cheias de corações made in China, mas apeteceu-me, pronto.

13 de fevereiro de 2011

Tati, o ilusionista

Gosto dos filmes de animação da Disney, da Fox e da Dreamworks, pois gosto, mas parece-me que este tal de Chomet teria umas coisinhas a ensinar-lhes. E começo a desconfiar que ele não é capaz de fazer filmes de que eu não goste...

Não é um filme feliz, não é animação para nos fazer rir à gargalhada embora tenha os seus momentos divertidos, não é um filme para crianças. É uma história séria sobre as dificuldades da vida de um artista envelhecido, sobre um amor incondicional e tudo o que se faz para manter as ilusões das pessoas que se amam. Simplesmente delicioso.

Conselhos de fim-de-semana # 2

Por isso é que eu tenho um do Lobo Antunes na mesa de cabeceira há mais de um ano...

12 de fevereiro de 2011

11 de fevereiro de 2011

Pequenas coisas que fazem milagres # 6

Aquele abraço, aquele beijo, aquelas palavras quando a dor é demasiado forte e as lágrimas caem.

Tecnologia moderna, utilizadores antigos - parte 3

Afinal o leitor de DVD não está possuído pelo demo, é só anti-comunista: recusa-se a ler discos vermelhos, os de outra cor funcionam perfeitamente. Alguém sugeriu pintar os discos, mas parece que a solução vai ser gravar outros.

Entretanto, também há por lá uma peça de museu em que eu ainda não tinha reparado: um leitor de VHS. Consta que a princípio não funcionava, mas depois percebeu-se que estava desligado da electricidade. Resolvido este problema, enfia-se a cassete lá dentro e vê-se chuva no ecrã da televisão. Passa quase um minuto e imagem, nem vê-la. Volta a ladainha "por que é que não funciona, mas por que é que não funciona?". Alguém sugere mudar o canal da televisão. Só há um problema: o telecomando só tem uma pilha, quando devia ter duas. O mesmo se passa com o do leitor de vídeo. A alma caridosa do outro dia levanta-se e muda o canal da televisão manualmente. Continua tudo na mesma. Até que eu, confesso, já desesperada por não conseguir conter o riso, sugiro que talvez o cabo que liga o leitor de vídeo à televisão também esteja desligado. Confirma-se. Aliás, não só está desligado como nem sequer existe. Aguarda-se actualmente que caia um cabo scart do céu. Seis das sete pessoas desistem de tentar controlar as gargalhadas.

O computador continua no mesmo sítio. Ainda não se sabe se é possível ligá-lo.

Mesmo com sugestões de almas caridosas, desconfio que vou continuar a ter assunto.

10 de fevereiro de 2011

...

9 de fevereiro de 2011

Tecnologia moderna, utilizadores antigos - parte 2

Por artes mágicas, o papel cor de laranja apareceu agora colado mesmo no meio do quadro electrónico, para não haver dúvidas. Assunto resolvido, portanto, embora continuem visíveis os traços da caneta utilizada para lá escrever da outra vez.

Entretanto, o leitor de DVD foi possuído pelo demónio e ganhou vida própria. O primeiro disco que se lhe enfiou lá dentro ainda leu, do segundo mostrou o menu mas não avançou, do terceiro nem sequer apareceu a imagem. Seguiram-se momentos angustiantes, com os botões do telecomando a serem pressionados com força extrema, as pilhas a saltarem da caixa e a voltarem a ser lá metidas, as habituais batidelas do telecomando na mesa, tudo acompanhado pela ladainha "não percebo por que não funciona, mas por que é que não funciona?". Alguém possuído por um demónio rival sugere que há um erro porque na televisão se vê um E no sítio onde devia aparecer indicado o canal. Seis das sete pessoas presentes tentavam conter as gargalhadas, agradecendo simultaneamente aos santinhos todos por o aparelho se recusar a funcionar, já que o filme que se adivinhava não seria de todo interessante.

O computador continua por ligar e também ainda não se sabe se é possível ligá-lo.

Desta vez, uma alma caridosa ofereceu-se para ajudar a fazer funcionar o aparelho. Boa ideia, tendo em conta que percebia pouco mais do que a primeira e não conseguiu obter melhor resultado. Eu continuo quieta e calada a observar. Parecendo que não, devo ter assunto para muitos posts.

Pequenas coisas

De repente qualquer coisa sem importância, um pequeno nada, uma insignificância consegue arrasar tudo e deitar por terra o esforço de tantos dias.

Desespero

A cabeça a latejar, como um martelo a bater lá dentro, com força, ritmado, pum, pum, pum. Os olhos semicerrados, a quererem fechar-se, o esforço por mantê-los abertos acelera o ritmo do martelo. Qualquer som incomoda, até o barulho das teclas perturba e faz doer mais. Lá fora uma ambulância, iiiiiiiioooonnn iiiiiiiooonnnn iiiiiiiioooonnn (já não fazem ti-nó-ni ti-nó-ni como antigamente) e o som parece um punhal a espetar-se no cérebro. No gabinete do lado dois colegas falam exaltados, talvez discutam ou talvez seja só impressão sua, e as vozes parecem mais agudas e aumentam ainda mais o ritmo do martelo pum pum pum. Um rádio começa a tocar uma música acelerada e o martelo acompanha a batida, cada vez mais forte, cada vez mais intenso. A dor torna-se quase insuportável, apetece-lhe desligar tudo e ir dormir, descansar os olhos pesados como chumbo. Se pudesse ao menos fechar os olhos por um bocadinho, só uns minutos, tudo seria melhor. Mas não pode, o telefone toca e aquele som estridente parece ferir-lhe o cérebro, atende o mais rapidamente que consegue e ainda assim a voz do outro lado entra-lhe pelo ouvido e explode dentro da sua cabeça, como uma bomba, pum. Fecha os olhos enquanto fala, acaba por desligar e fica a olhar o ecrã do computador sem conseguir concentrar-se, pum pum pum, o martelo insiste naquele prego que ainda não está bem enterrado no seu cérebro, é preciso mais força, continuar a martelar até o prego estar bem preso e não sair, nunca mais, ficar eternamente enfiado no cérebro e o som que não desaparece e a dor que já nem é dor de tão constante que se tornou pum pum pum.

Não acredites em tudo o que lês

8 de fevereiro de 2011

Constatação do dia

Silvio Berlusconi é um Alberto João Jardim italiano.

Com as devidas diferenças, claro, que o tio Alberto não se mete com menores (pelo menos, que se saiba).

Estrangeiro e Estranho # 10 (ao vivo)

Numa aula de um curso de Italiano com alunos de várias nacionalidades, lê-se um texto em voz alta. Trata-se de moda, assunto aparentemente inofensivo. A dada altura, é a vez de a representante portuguesa do grupo ler uma parte do texto onde surge a palavra fodera*.

Não foi fácil explicar aos outros o motivo do ataque de riso que se seguiu.

*Acalmem essas mentes depravadas, significa forro!

7 de fevereiro de 2011

Tecnologia moderna, utilizadores antigos

Depois de encher o quadro branco com explicações de gramática, alguém repara que há um papel cor de laranja colado num canto onde se lê qualquer coisa como "este quadro é electrónico, não escrever". Tarde demais. Apagou-se o que se escreveu e rezou-se aos santinhos todos para que, apesar de tudo, o raio do quadro não esteja estragado. Porque, das sete pessoas presentes, ninguém sabe como utilizá-lo. A única que deveria saber diz que esteve doente no dia em que explicaram como trabalhar com aquilo. Calhou bem, portanto. Daí que se passe a utilizar o quadro do lado, minúsculo, mas onde se pode escrever normalmente com aquelas canetas cuja tinta depois se apaga facilmente.

A fase seguinte é utilizar a televisão e o leitor de DVD, sempre uma aventura. Em cada sala são diferentes, cada um com seu comando próprio. Primeiro passo: encontrar o botão para ligar cada um dos aparelhos. Segundo passo: descortinar qual o telecomando respectivo. Terceiro passo: enfiar o DVD dentro do leitor e rezar para que a imagem surja no ecrã. Inevitavelmente, o volume do som está no máximo. Seis das sete pessoas presentes ficam momentaneamente surdas. A outra está habituada e nem nota que o som está naquele volume. Encontra-se finalmente o botão do volume. Como por milagre, encontra-se também o do menu do DVD. Consegue pôr-se o vídeo a correr, fazer pausa, recomeçar, parar, voltar ao menu e avançar para outro vídeo. Nenhum dos participantes duvida que se trata de intervenção divina.

Também há um computador na sala. Ainda ninguém percebeu se funciona. Adivinham-se novos desenvolvimentos nos próximos dias.

Se eu podia dar uma ajudinha, uma vez que até estou mais ou menos à vontade com estas coisas da tecnologia? Podia. Mas depois não tinha assunto para escrever aqui.

Talvez por ser segunda-feira

Não sei se é do sol que decidiu aparecer ao fim de semanas escondido, se é do Inverno que nunca mais acaba, se é deste cansaço acumulado que não há fim-de-semana que consiga destruir, se é de outra coisa qualquer. O que sei é que neste momento, agora mesmo, apetecia-me estar em Lisboa. Com este céu azul e este sol a aquecer-me a pele, passear na cidade, à beira-rio, depois ir até à praia, almoçar com a família, jantar com os amigos, conversar, dizer os disparates do costume.

Isto do telefone e da Internet é muito bonito e muito prático, mas não é a mesma coisa.

6 de fevereiro de 2011

Devaneios da música nacional

Mas é mentiiiiira. Mentiiiii-iiiiira. Irra que a cantiga não me sai da cabeça. E eu nem sequer gosto, ainda se fosse alguma coisa de que gostasse. João Pedro Pais, que enjoo. Do mal o menos, suponho, podia ser a outra que ele canta com a Mafalda Veiga, um dois em um do vómito musical. Ui, do que me fui lembrar! Páááássaros do Suuuul bando de filhos da mãe que agora se me meteram na lembrança e não querem sair. Por associação de ideias tristes, veio-me à cabeça o outro, o Sardet. (Mania que esta gente tem de usar apelidos estrangeiros. É o Sardet, é o Granger... Olha, vou ali e mudo o nome para Tulipe Noire, que tal?) Goooosto de tiiiiiii desde aqui até à luuua, gooooosto de tiiiii desde a luuuuaté aquiiiiii. Ena, que rima difícil! Mas é profundo, tenho de reconhecer. Aliás, profundo nada, o contrário de profundo pois se é até à lua e volta... O que é uma pena, podia ir até à lua e ficar por lá, mas não, prefere voltar para nos atazanar o juizo. Ou isso, ou a nave não tinha combustível suficiente e ao chegar à lua, caiu. Também se compreende, afinal ao preço a que está a gasolina. E isto das cantigas não deve render o suficiente para andar em viagens espaciais que, parecendo que não, ainda são caras. Estou na luuuuua, não me chateies que eu agora estou na luaaaa e em breve vou chegar ao céu. Pára tudo! (Desta eu até gosto, é divertida, acho piada, pronto, vá-se lá compreender estas coisas.) Mas então o gajo está na lua e daqui a pouco vai chegar ao céu? Então a lua fica onde? No mar? Ora que isto...Leva-me contiiiigo. Práooooonde? Passear na praaaaaia. Aproveita e afoga-a, pode ser? É que a cantilena é gira quando se ouve assim uma vez em cada década, mas a voz da menina é do mais irritante que pode haver. Duuuunas. Sssssão como divããã-ãããs. São pois, divãs, cadeiras, camas, estantes, mesas ou qualquer outra peça de mobiliário que o teu cérebro se lembre de ver depois de consumir essas substâncias menos legais que te fazem escrever canções. E esta, apesar de tudo, é das mais normais... Havia aquela outra que falava em pão-de-ló e rimava com avó, dessa é que eu gostava mesmo. Faz-me sempre lembrar a história do Capuchinho Vermelho, não sei porquê. Peguei, trinquei e meti-te na ceeeesta, ris e dás-me a volta à cabeça-a-a. Pronto. Já cá faltava a cantilena da fruta. Ainda se fosse a outra dos sítios tropicais. Jááá fui ao Brasiiiiil, Praaaaia e Bissau, Angoooola, Moçambique, Gooooa e Macau, ai fui até Freixo de Espada a Cinta e voltei porque estava frio. Pois. Isto por aqui já teve dias melhores.

5 de fevereiro de 2011

Produtividade

4 de fevereiro de 2011

Ainda Porto Covo

Confessem: pensaram que a letra em falta era um O!

Especialmente a pensar na Inês, que gosta de memés, e no João, que gosta de os fotografar.

E esta a pensar no Imperator que gosta dos gelados da Prime.
  
Esta é mesmo para mim, que gosto do gato no telhado.
 
Burros e avestruzes, não menti.

Só o burro...

...e só a avestruz.
Abril de 2007

3 de fevereiro de 2011

Coincidências

Acordei a pensar nos dias que passei em Porto Covo há uns anos. Assim, sem motivo, lembrei-me de como gostei de tudo: da praça central, das praias (embora não as tenha experimentado porque era Abril e chovia), dos passeios pela costa alentejana até ao Algarve (chegámos a Lagos e voltámos para trás), dos restaurantes, das avestruzes e dos burros, das falésias, da Ilha do Pessegueiro... Depois, entrei no carro e no rádio ouvi isto:


Se eu fosse supersticiosa, diria que era um sinal qualquer para lá voltar.

2 de fevereiro de 2011

Apetece-me

Ir para casa. Aninhar-me no sofá, com uma manta quente, encostar-me a ti, ver um filme e adormecer. Acordar contigo num sonho longe da realidade.

1 de fevereiro de 2011

Recomeçar

Sísifo


Recomeça....

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga

Sinais dos tempos