13 de dezembro de 2010

Despedidas

Ele a conduzir, ela ao lado, conversando sobre nada a caminho do aeroporto. Ele no balcão do check-in, ela ao lado, despacha a bagagem e marca o lugar. Ele acompanha-a à porta do edifício. Beijam-se, abraçam-se, despedem-se, não querem afastar-se. Beijam-se de novo, sorriem, fazem promessas. Mais um abraço, outro beijo, ainda mais apaixonado, as mãos que não se querem largar. Por fim ela afasta-se, ele promete ficar ali a vê-la ir embora. Contrariada, de aperto no peito e nó na garganta, a refrear as lágrimas, ela vai. Já no carro, sozinha, procura-o desesperada e não o vê. Não acredita que ele tenha saído de onde prometeu ficar, percorre com o olhar todo o espaço em frente ao edifício até que o vê, acenando-lhe, de sorriso no rosto. Aliviada, acena-lhe também um adeus que não é mais do que um até já, os olhos rasos de lágrimas, e acelera. Vê-o ainda por instantes pelo retrovisor do carro a dirigir-se para a porta e desaparecer no interior. Voltarão a ver-se em breve. É só por uns dias, poucos, tão poucos que quase nem se dá pelo passar do tempo e no fim, olhando para trás, ela sabe que vai pensar que foi rápido. Mas até lá…

Até lá, ele faz-lhe falta.

5 comentários:

Ulisses disse...

Asvezes tanta como o ar que se respira...

:)

Tulipa Negra disse...

Ulisses, é isso mesmo. :)

João disse...

bolas mulher puseste-me sem palavras. carga de porrada que me deste. parece que fui atropelado por um camião.
não era bem isto que queria dizer, queria dizer é que está dolorosamente lindo e que apesar de nãos vos conhecer os rostos e só falar com uma das partes -quess who!- ficou-me a doer tudo e gostava de te dar um abraço, mas para te dar eu um abraço era melhor que to desse o "homem" que acenava no aeroporto.
Fico à espera desse sorriso, desse brilho, do rosto rasgado de alegria, mesmo que a crónica de segunda tenha acabado por este ano. Sabes, não sou o homem do aeroporto,mas, infelizmente, há cá dentro uma coisa que é como o senhor que ficou no aeroporto.
acho que era isto que queria dizer.

Vera disse...

E fazem falta mais amores, mais histórias assim.

Tulipa Negra disse...

João, eu é que fiquei sem palavras para te responder! Obrigada pelo abraço virtual e o sorriso vem já aí a seguir. Felizmente, é um afastamento temporário. :)
Beijinhos


Vera, concordo contigo. (Vem aí um cliché!) Se houvesse mais amor no mundo, a vida seria muito melhor.
Beijinhos