22 de novembro de 2010

Estrangeiro e estranho # 6

Um palíndromo é uma palavra, frase ou qualquer outra sequência de unidades que pode ser lida tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita, como por exemplo as palavras osso ou sopapos. Esta característica não é exclusiva do português e em finlandês encontramos alguns dos palíndromos mais longos do mundo:

saippuakivikauppias - vendedor de pedra-sabão
solutomaattimittaamotulos - o resultado de uma medição em laboratório para tomates

Há até quem se entretenha a inventar palíndromos mais complexos, muitas vezes sem sentido, como estes:

Anotaram a data da maratona
Assim a aia a missa
A droga da gorda
A mala nada na lama
A torre da derrota

Não que em estrangeiro façam mais sentido, atenção! Vejam, por exemplo, o que os finlandeses são capazes de fazer por uma cerveja: neulo taas niin saat oluen (tricota novamente para teres uma cerveja). Ou o que os alemães consideram uma mulher fina: Nie fragt sie: ist gefegt? Sie ist gar fein (ela nunca pergunta: foi varrido? Ela é muito fina).

Não pensem que este tipo de jogo de palavras é novidade, porque já os gregos antigos o usavam: 

ΝΙΨΟΝ ΑΝΟΜΗΜΑΤΑ ΜΗ ΜΟΝΑΝ ΟΨΙΝ (Lava também teus pecados, e não só o rosto)

Aliás, um famoso palíndromo bi-dimensional é uma inscrição latina que foi encontrada nas ruínas de Herculano e Pompeia. O quadrado é absolutamente simétrico - pode ser lido da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, de cima para baixo e de baixo para cima. Existem duas alternativas propostas para a tradução, que não é consensual: "O semeador Arepo conduz cuidadosamente o arado" e "O criador mantém o mundo em sua órbita".

Quadrado Sator, também conhecido como quadrado mágico,
quadrado latino ou fórmula Sator
Em português, um dos maiores que encontrei foi este:

É volitar ter a ave... Lico domina e lê. Ática, Ana Morale, a ti, Paolo, todavia, relê. Assinada, ela fala: ‘– Sai, cala, foge, retrata, vá, ó Satim! (repetem o nosso nome). Te permitas o avatar ter ego. Falácias, Alá, fale à Danissa!’ Ele, raiva do tolo, apita... Ela, romana, a cita. Ele, ânimo dócil... Eva, a retrátil, o vê!

De onde se depreende que há por aí muita gente desocupada...

Inspirado por The Meaning of Tingo and Other Extraordinary Words from Around the World, Adam Jacot de Boinod.
Expirado e respirado por Tulipa Negra.

11 comentários:

Vício disse...

e tu? tens muito que fazer?

João disse...

nomeadamente tu e os que lêm isto de cima abaixo.eu não li:P

tu á segunda vens sempre armada em intelectual:P

pra terminar: os gregos, sempre os gregos. esses im não faziam puto ao ponto de inventarem a treta da filosofia e o quadrado sator.

Rafeiro Perfumado disse...

Especialmente os romanos, mentem-se a inventar estas cenas e depois não ouviram o vulcão.

Tulipa Negra disse...

Vício, tenho... mas não faço! :P


João, não pode uma pessoa tentar incutir um bocadinho de cultura que há logo quem venha reclamar! Aposto que preferias o Graciano Saga... :D


Rafeiro, estavam distraídos, não ouviram, mas aposto que sentiram!

Vera, a Loira disse...

Está ali um palíndromo que para mim faz todo o sentido "Anotaram a data da maratona"

João disse...

OOOHHH de longe, muito melhor o Graciano Saga!!!!

Tulipa Negra disse...

Vera, é verdade, esse faz sentido. Os outros devem ser poesia... :D


João, não seja por isso!

Malena disse...

Deixo uma das minhas expressões favoritas de admiração: Ai cum caraças! :P

Tulipa Negra disse...

Malena, mas essa não se lê da mesma maneira de trás para a frente... :P

Malena disse...

Então não lê??
"saçarac muc ia"
Ahahah! Até parece uma expressão saida de um feitiço!! :))

Tulipa Negra disse...

Malena, nem quero pensar no que faz um feitiço desses! ;D
Beijinhos