1 de outubro de 2010

A cadeira do escritório


A cadeira do escritório é reclinável. Ou era, deveria antes dizer. Não há muito tempo, o mecanismo ter-se-á estragado, deixando o encosto da dita cadeira preso sempre na mesma posição, imóvel. Quando se tentava recliná-la, forçando as costas do corpo nas costas da cadeira, sentia-se qualquer peça presa, a impedir o movimento desejado. Durou meses a imobilidade das costas da cadeira do escritório. Meses durante os quais, quem ali se sentasse, ficaria limitado à posição ergonomicamente recomendável de costas direitas.

Até que um dia, sem explicação alguma, sem intervenção de qualquer espécie a não ser divina para quem acreditar nessas coisas, a peça ter-se-á desprendido ou partido ou soltado e o encosto da cadeira voltou a mover-se. A cadeira voltou a ser reclinável, tornou-se mais flexível e permitiu maior conforto aos seus utilizadores. Um conforto que será talvez passageiro, por provocar eventualmente danos futuros na anatomia, mas que é também imediato. E como vivemos no imediato, no hoje, mesmo que a lembrar demasiado o ontem e a pensar excessivamente no amanhã, o conforto proporcionado pelo encosto reclinável não só é desejado, como é o único que temos capacidade para contemplar devidamente. Por isso é o mais importante. Até porque amanhã este ou outro mecanismo pode voltar a estragar-se.

10 comentários:

Vício disse...

a minha não inclina, mas também não me dá muito jeito trabalhar deitado...

Vera, a Loira disse...

Aquela que temos cá parecida com essa não me posso sentar lá, senão adormeço.

Tulipa Negra disse...

Vício, depende do trabalho... :)


Vera, esse é o problema destas cadeiras. Aquela de que falo fica quase deitada! :)

Tulipa disse...

Olha, a que tenho no local de trabalho não reclina...mas que precisava de descansar um pouco por aqui, precisava :)

Vício disse...

acho que não porque as coisas que normalmente faço deitado não me dão trabalho nenhum

Tulipa Negra disse...

Tulipa, exige uma cadeira nova, já! Ou um cadeirão, se é para exigir, que seja em grande. :D


Vício, tens sorte.

Malena disse...

O acessório, por vezes, é tão ou mais importante do que o principal! :)

Tulipa Negra disse...

Malena, neste caso, embora não seja essencial, o acessório faz toda a diferença.

Kawamura disse...

Este blogue está cada vez mais profundo... Parece um post inocente mas não é... Há aqui uma agenda psicológica escondida...

Tulipa Negra disse...

Kawamura, profunda, eu??? Nunca! ;)