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7 de fevereiro de 2011

Talvez por ser segunda-feira

Não sei se é do sol que decidiu aparecer ao fim de semanas escondido, se é do Inverno que nunca mais acaba, se é deste cansaço acumulado que não há fim-de-semana que consiga destruir, se é de outra coisa qualquer. O que sei é que neste momento, agora mesmo, apetecia-me estar em Lisboa. Com este céu azul e este sol a aquecer-me a pele, passear na cidade, à beira-rio, depois ir até à praia, almoçar com a família, jantar com os amigos, conversar, dizer os disparates do costume.

Isto do telefone e da Internet é muito bonito e muito prático, mas não é a mesma coisa.

4 de fevereiro de 2011

Ainda Porto Covo

Confessem: pensaram que a letra em falta era um O!

Especialmente a pensar na Inês, que gosta de memés, e no João, que gosta de os fotografar.

E esta a pensar no Imperator que gosta dos gelados da Prime.
  
Esta é mesmo para mim, que gosto do gato no telhado.
 
Burros e avestruzes, não menti.

Só o burro...

...e só a avestruz.
Abril de 2007

3 de fevereiro de 2011

Coincidências

Acordei a pensar nos dias que passei em Porto Covo há uns anos. Assim, sem motivo, lembrei-me de como gostei de tudo: da praça central, das praias (embora não as tenha experimentado porque era Abril e chovia), dos passeios pela costa alentejana até ao Algarve (chegámos a Lagos e voltámos para trás), dos restaurantes, das avestruzes e dos burros, das falésias, da Ilha do Pessegueiro... Depois, entrei no carro e no rádio ouvi isto:


Se eu fosse supersticiosa, diria que era um sinal qualquer para lá voltar.

17 de dezembro de 2010

A minha prima

Conheci-a apenas com alguns dias de vida, quando veio para casa da maternidade. Diziam que era igualzinha a mim, em bebé, e mostravam-me fotografias a comprovar. Era verdade, parecia um clone: loira, olhos azuis, muito branca, sempre a rir (eu, entretanto, mudei muito; ela não). Vi-a crescer, aprender a andar, aprender a falar, sobreviver ao divórcio dos pais e a tantas outras dificuldades que a marcaram para sempre e lhe foram roubando o sorriso, pouco a pouco. Excepto quando estava comigo ou com os meus pais. Passava dias inteiros na minha companhia, era praticamente a minha irmã mais nova, eu que nunca tive irmãos. De tal forma que me lembro de, certo dia na fase em que começava a falar, a mãe vir com ela pela mão perguntar-me o que ela queria porque não a entendia. Tratou-me (trata-me) sempre por Prima, nunca pelo meu nome próprio. Tem mais primos, naturalmente, mas esta forma de tratamento está reservada para mim. Ninguém tem dúvidas de quem ela fala quando fala da prima.

Naturalmente, com a idade afastou-se um pouco mais, depois a minha vida deu uma volta radical e deixámos de estar juntas tantas vezes. Na verdade, quase nem falamos durante o ano todo. Mas quando nos vemos... Aquele sorriso é sincero, não deixa margem para dúvidas, e as lágrimas que lhe/me surgem nos olhos também não. Há uns anos, surpreendemo-la no dia de aniversário e aparecemos na festa sem que ela soubesse. Chorou mais do que se lhe tivesse morrido alguém. Aparentemente, tem um ar duro, frio e infeliz. Mas na verdade é um coração mole que chora por tudo e por nada (talvez até nisto seja parecida comigo...).

A minha prima preferida nasceu há 25 anos.

15 de dezembro de 2010

Ainda a festa de Natal do escritório

Estar longe, bem longe de Portugal, e ouvir dezenas de pessoas de outras nacionalidades ficar em silêncio porque se vai cantar o fado.

Melhor ainda: vê-los tentar acompanhar com palmas e um lá-lá-lá incentivado pela fadista, ver chegar outros que não estavam ainda na festa mas não quiseram perder o espectáculo, ver um búlgaro baloiçar o corpo ao ritmo de "Uma casa portuguesa", ouvir uma finlandesa repetir "Mais! Mais!" no fim de cada canção, uma holandesa dizer-me "Esta canção chama-se Abril em Portugal, é muito conhecida na Holanda!", explicar a uma grega o que significa "com certeza"...

Arrepiante.

Definitivamente, no estrangeiro aprecia-se melhor o que é Português.


[Devo dizer que não gosto de fado. Ou antes, sou capaz de ouvir um ou outro, consigo até cantarolar alguns à conta da minha memória que regista tudo quanto são letras de canções, mas não perco o meu tempo nem gasto o meu dinheiro para ouvir fado.]

14 de novembro de 2010

Os cinco sentidos da saudade


Sempre dá para enganar a saudade...

A Vera perguntou, a Malena também, depois foi o João e, finalmente, a Malena voltou à carga com o mesmo assunto: Saudade. O cheiro, o sabor, o som, o toque da saudade. Fui deixando comentários a uns e a outros, por ser um tema que me afecta de forma especial, talvez por estar longe, acredito que sim, mas não só: por ser portuguesa, e basta. E por saber que há por aí mais gente a quem as saudades batem, e forte, em alguns momentos, e que talvez não leiam a Vera, a Malena ou o João (fazem mal!), e também por querer guardar aqui, no meu canto, o que deixei nos cantos deles, aqui fica o que por lá disse, mas não só.

Olfacto

A saudade cheira bem, cheira a Lisboa... 

Cheira a Tejo; a mar; ao escape dos carros no Rossio; às bifanas afogadas em molho com mais de um mês na tasca; ao metropolitano (especialmente em hora de ponta); a castanhas assadas no carvão; a imperiais e caracóis; ao after-shave do meu pai; à naftalina do baú da minha avó; ao sabonete da minha mãe; aos perfumes dos amigos; ao bolo no forno; a pão quente; a pão com chouriço; a pastéis de Belém e travesseiros de Sintra. Cheira a sardinha assada e vinho tinto e às marchas populares na avenida, no Santo António.

Paladar

A saudade sabe a refresco de groselha e capilé; a arroz de grelos e iscas (duas coisas que odeio, mas o sabor é inesquecível); a bolachas comidas na cama ao domingo de manhã enquanto lia um livro; às caipirinhas e à sangria do jantar com os amigos; ao chocolate que a dona da mercearia me dava quando eu lá ia e me perguntava por que é que eu gostava dela (resposta pronta: porque me dás chocolates); aos gelados na praia; a feijoada e ao creme das bolas de Berlim; a pastilhas Gorila e a Flocos de Neve; ao leite com chocolate Ucal; a caramelos Peña comprados em Badajoz; ao teu beijo.

Audição

Soa aos discos do Marco Paulo com que a vizinha de cima fazia o favor de me acordar; aos gritos da mesma vizinha para acordar os filhos (como se calcula, odiava-a!); à voz da vizinha das traseiras a chamar pelo cão logo de manhã (Pilooooooto!); aos ruídos do rádio que não apanhava bem "aquela" estação da moda que eu queria ouvir; ao Quando o Telefone Toca; aos Parodiantes de Lisboa à hora do almoço; ao Pólo Norte, Pólo Sul e Polilon e às Meias CD ("com CD quem ganha é você"); ao Bacalhau da Maria que ouvi o dia inteiro na praxe da faculdade; à MTV o dia todo no bar da faculdade; às músicas dos concertos a que assisti; aos concertos da semana académica; à música insuportável durante a bênção das fitas no único ano em que tiveram a triste ideia de a fazer em Fátima (Viiiiiinde e louvai-o, viiiiiiinde e louvai-o, viiiiiiiiinde e louvai o Senhooooooor); ao pregão do vendedor de nougat na praia da Costa de Caparica ("É quatro ceeeeeem, quatro ceeeeeem!"); à campainha do carrinho dos gelados no Verão; às músicas no rádio enquanto estudava; à voz dos meus pais ao telefone; às vozes dos amigos que estão longe; ao zurrir do burro na casa onde passava férias em Monsanto (que não sendo a minha terra verdadeira, é o que tenho de mais parecido); à música do Indiana Jones; e, para não destoar, ao barulho dos motores do avião.

Tacto

Tem o toque do teu corpo no meu; do abraço apertado; da mão na testa quando estou doente; das mãos dadas e dos dedos entrelaçados; dos beijos no rosto; dos carinhos dos meus pais; da pele macia; o calor da lareira; a cadeira de palha desconfortável mas tão minha que ninguém se sentava ali quando eu estava; do vento nos cabelos; das picadas de mosquitos; da pedra da calçada; do pêlo do burro (sempre em Monsanto).

Visão

É a última curva do avião ao chegar a Lisboa, em direcção ao Cristo Rei, por cima da ponte 25 de Abril, o Tejo lá em baixo, a mata de Monsanto (esta em Lisboa, não a aldeia da Beira Baixa) do lado esquerdo (tento sempre ter lugar do lado esquerdo do avião só por estes últimos minutos de viagem), a ponte Vasco da Gama lá ao fundo, Sintra e Cascais à direita, e depois sobrevoar a cidade inteira e procurar reconhecer todos aqueles sítios lá do alto. E é o aeroporto e o avião do Zaire que lá está parado há anos a acumular pó. São os sorrisos sinceros nos rostos dos amigos, são as letras no ecrã quando conversamos. São os cabelos brancos da minha avó. São os pedregulhos da aldeia de Monsanto, a paisagem árida. É a praia e o campo, é o Gerês e o Algarve, é Portugal inteiro. É principalmente, e acima de tudo, Lisboa, o rosto dos meus pais e os dos amigos. É para isso que tenho uma estante cheia de álbuns de fotografias.

Sexto sentido

Saudade é a luz e o calor do sol, a cor e o cheiro do mar, a gargalhada da minha prima, o sabor a sal das lágrimas e o rosto dos que já não são.

10 de julho de 2010

Hoje apetecia-me

Almoçar um pastel de massa tenra do Frutalmeidas. Seguido de uma fatia de bolo de morango com chantilly.

9 de julho de 2010

Longe

Eu costumo dizer que só quem passa por elas é que sabe o que custa. Visto de fora, é tudo muito bonito, parece um mar de rosas. Desenganem-se: não é. De todo. Simplesmente, colocamos um sorriso no rosto a disfarçar a dor que vai cá dentro e seguimos em frente. Fazemos de conta que está tudo bem, que corre tudo às mil maravilhas, para não preocupar os outros, porque não queremos sentir-nos culpados pelas suas angústias. Brincamos, dizemos disparates e rimos à gargalhada, mas na verdade somos como o palhaço que tem um sorriso gigante pintado no rosto, enquanto a alma está triste. Por isso ninguém compreende o que sentimos, acham estranho quando dizemos que estamos fartos e não acreditam que possa ser verdade. De vez em quando, muito raramente, descaímo-nos e confessamos que há qualquer coisa que não está bem – porque também precisamos de desabafar. Mas lembramo-nos subitamente que não queremos preocupar aquela pessoa e acabamos por dizer que é só uma dor de estômago, nada de especial. Não é nada. Nunca é. O que dói não é o estômago, é a alma e o coração. O que dói é não estar lá, naquele lugar especial, com aquelas pessoas. O que dói é a saudade. O que dói é estar longe.

13 de junho de 2010

Santo António

E eu aqui tão longe... 
Lisboa nasceu, pertinho do céu
Toda embalada na fé
Lavou-se no rio, ai ai ai menina
Foi baptizada na Sé !

Já se fez mulher e hoje o que ela quer
É bailar e dar ao pé
Vaidosa varina, ai ai ai menina
Mas que linda que ela é!

7 de junho de 2010

A minha terra

Em criança, Lembro-me de os meus amigos irem “à terra” nas férias de Verão e de ficar triste por não ter terra para onde ir. E a terra deles parecia um sítio mágico, algures noutro mundo, numa outra dimensão, assim uma coisa saída de um filme da Disney, com fadas, duendes, gente boa, para onde se ia no fim de Junho e de onde só se regressava em Setembro. Mas eu, nascida em Lisboa, assim como os meus pais, era uma sem-terra. Não é bem verdade, porque Monsanto, na Beira Baixa, sempre foi um bocadinho a minha terra - ia para lá desde muito pequena, tínhamos lá amigos que eram (ainda são) mais família do que alguns familiares. Mas terra, terra mesmo, oficial, onde os pais nasceram e onde ainda viviam os avós, os tios e os primos, isso não tinha.

Tudo isso mudou quando, quase aos 30 anos, emigrei. De repente, sem dar por isso, passei a ter uma terra onde regressar nas férias. Fica ali a pouco mais de 2 horas de avião, num cantinho junto ao mar, com um clima estupendo de fazer inveja a muitos países. Não tem fadas nem duendes, mas tem família, amigos e gente muito boa.

Mais duas semanas e vou à terra.