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1 de abril de 2011

Será que sim, será que não...?

Dias e dias, meses, anos até a pensar no mesmo, a desejar, a querer muito, a fazer tudo o possível e impossível, imaginável e inimaginável para conseguir o objectivo. E sempre que há uma ínfima possibilidade de se concretizar, o medo de perder tudo, de não correr bem, de não acontecer. Medo até de pensar ou de falar no assunto, para não agoirar, eu que nem me considero supersticiosa. Ansiedade, angústia, inquietação, um aperto no coração. Dias sem descanso, noites sem dormir. O não é sempre certo e confortável, mas dói muito e essa dor custa a passar. Num segundo, tudo parece ter desabado para, no segundo seguinte, renascer a esperança de que talvez não seja assim.

Incerteza. O pior de tudo é a incerteza.

Mas desta vez foi diferente. Desta vez confirmou-se. É oficial. Correu bem, funcionou, deu tudo certo e agora é só esperar pelo melhor, pensamento positivo - o tal que às vezes custa, mas que assim é até mais fácil. Agora? Agora é seguir em frente, com um sorriso estúpido na cara, até ao desfecho final que trará certamente ainda mais sorrisos, apesar das dificuldades.

16 de março de 2011

Pensamento destes dias

24 de fevereiro de 2011

Agora

Resta esperar. E tentar não desesperar...

21 de fevereiro de 2011

Actualmente

Medo

A inevitabilidade do momento que se aproxima faz crescer o medo, a ansiedade, a angústia. Não pelo que terá de ser feito, já o fiz outras vezes, mas pelo que virá depois. Medo de que o resultado seja novamente o mesmo. Medo de não conseguir aguentar. Medo de que todos os sacrifícios e todas as forças e toda a coragem que fui encontrar no mais profundo do meu ser tenham sido em vão. Medo de que desta vez me afogue nas lágrimas.

20 de fevereiro de 2011

Fim-de-semana

Anseio por estes dois dias durante os restantes cinco. Deveriam servir para descansar o corpo e a cabeça,  que bem precisam. Mas (há sempre um mas) não durmo o suficiente o que, aliado ao céu cinzento e ao frio, contribui para um estado depressivo agravado pela certeza da incerteza do momento que se aproxima a passos largos. As mudanças repentinas do pouco que estava confirmado também não ajudam. É hoje, afinal não, é amanhã, mas vendo bem é melhor ser hoje e dou por mim numa roda-viva de emoções, sem saber bem para que lado me virar, o que fazer, o que decidir, com quem falar sobre tudo o que tem de ser resolvido. Sem saber sequer o que resolver e como. Procuro anestesia na televisão mas não encontro. E no meio de tudo isto, ainda é preciso ir buscar coragem nem sei onde para mais um esforço, antes do esforço supremo que ainda está para vir.

11 de fevereiro de 2011

Pequenas coisas que fazem milagres # 6

Aquele abraço, aquele beijo, aquelas palavras quando a dor é demasiado forte e as lágrimas caem.

10 de fevereiro de 2011

...

9 de fevereiro de 2011

Pequenas coisas

De repente qualquer coisa sem importância, um pequeno nada, uma insignificância consegue arrasar tudo e deitar por terra o esforço de tantos dias.

Desespero

A cabeça a latejar, como um martelo a bater lá dentro, com força, ritmado, pum, pum, pum. Os olhos semicerrados, a quererem fechar-se, o esforço por mantê-los abertos acelera o ritmo do martelo. Qualquer som incomoda, até o barulho das teclas perturba e faz doer mais. Lá fora uma ambulância, iiiiiiiioooonnn iiiiiiiooonnnn iiiiiiiioooonnn (já não fazem ti-nó-ni ti-nó-ni como antigamente) e o som parece um punhal a espetar-se no cérebro. No gabinete do lado dois colegas falam exaltados, talvez discutam ou talvez seja só impressão sua, e as vozes parecem mais agudas e aumentam ainda mais o ritmo do martelo pum pum pum. Um rádio começa a tocar uma música acelerada e o martelo acompanha a batida, cada vez mais forte, cada vez mais intenso. A dor torna-se quase insuportável, apetece-lhe desligar tudo e ir dormir, descansar os olhos pesados como chumbo. Se pudesse ao menos fechar os olhos por um bocadinho, só uns minutos, tudo seria melhor. Mas não pode, o telefone toca e aquele som estridente parece ferir-lhe o cérebro, atende o mais rapidamente que consegue e ainda assim a voz do outro lado entra-lhe pelo ouvido e explode dentro da sua cabeça, como uma bomba, pum. Fecha os olhos enquanto fala, acaba por desligar e fica a olhar o ecrã do computador sem conseguir concentrar-se, pum pum pum, o martelo insiste naquele prego que ainda não está bem enterrado no seu cérebro, é preciso mais força, continuar a martelar até o prego estar bem preso e não sair, nunca mais, ficar eternamente enfiado no cérebro e o som que não desaparece e a dor que já nem é dor de tão constante que se tornou pum pum pum.

7 de fevereiro de 2011

Talvez por ser segunda-feira

Não sei se é do sol que decidiu aparecer ao fim de semanas escondido, se é do Inverno que nunca mais acaba, se é deste cansaço acumulado que não há fim-de-semana que consiga destruir, se é de outra coisa qualquer. O que sei é que neste momento, agora mesmo, apetecia-me estar em Lisboa. Com este céu azul e este sol a aquecer-me a pele, passear na cidade, à beira-rio, depois ir até à praia, almoçar com a família, jantar com os amigos, conversar, dizer os disparates do costume.

Isto do telefone e da Internet é muito bonito e muito prático, mas não é a mesma coisa.

3 de fevereiro de 2011

Coincidências

Acordei a pensar nos dias que passei em Porto Covo há uns anos. Assim, sem motivo, lembrei-me de como gostei de tudo: da praça central, das praias (embora não as tenha experimentado porque era Abril e chovia), dos passeios pela costa alentejana até ao Algarve (chegámos a Lagos e voltámos para trás), dos restaurantes, das avestruzes e dos burros, das falésias, da Ilha do Pessegueiro... Depois, entrei no carro e no rádio ouvi isto:


Se eu fosse supersticiosa, diria que era um sinal qualquer para lá voltar.

2 de fevereiro de 2011

Apetece-me

Ir para casa. Aninhar-me no sofá, com uma manta quente, encostar-me a ti, ver um filme e adormecer. Acordar contigo num sonho longe da realidade.

1 de fevereiro de 2011

Recomeçar

Sísifo


Recomeça....

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga

31 de janeiro de 2011

Há dias e dias

E há dias como este, em que o sol brilha a lembrar a Primavera ou o Verão, o mar azul, o calor, as árvores frondosas e as flores de todas as cores, olha-se da janela para a rua e imagina-se que é Agosto, aflora um sorriso aos lábios com a lembrança das férias, mas ao sair de casa o sol não aquece, este sol não é o meu sol, é outro, é frio, demasiado frio, o céu azul, a claridade que fere os olhos há semanas habituados ao cinzento e à escuridão, e o frio que enregela até os ossos, respirar faz doer os pulmões, afunda-se o gorro na cabeça e aperta-se mais o nó do cachecol, quase sufoca, mãos nos bolsos, com luvas, e ainda assim geladas, os dedos vão cair a qualquer momento, tal como o nariz, vem-me à lembrança João Garcia, o alpinista, bem sei que não estou no Everest, mas não gosto de hospitais nem de cirurgias e tenho medo de agulhas.

28 de janeiro de 2011

Hoje


Felizmente, é sexta-feira.

18 de janeiro de 2011

Cores

O branco derreteu, o azul escondeu-se, o amarelo, envergonhado, não tem forças para romper o cinzento, o verde há muito deu lugar ao castanho. Sobrevive apenas o negro da noite, sempre igual a si próprio, imutável de Janeiro a Dezembro. Entre o cinzento-claro e o cinzento-escuro vão passando os dias. Sem cor, sem luz, pardacentos, sonolentos, cansados, arrastam-se languidamente de manhã à noite, do negro ao cinzento ao negro. Até o amarelo recuperar forças e transformar o cinzento em azul, o castanho em verde, vermelho, laranja, rosa, violeta. Até lá…

6 de janeiro de 2011

Estranho

Apesar da pouca vontade de regressar, desta vez está a ser mais fácil. A angústia esgotou-se na véspera da viagem. A tristeza não embarcou comigo no avião. Ou talvez o stress provocado pelos funcionários hiper-competentes da TAP [que não sabiam se eu devia embarcar no Terminal 1 (voos internacionais) ou no 2 (voos domésticos) já que o voo internacional incluía paragem no Porto para encher a lata com mais sardinhas, quem me manda andar em voos complicados, a culpa é minha de certeza, e além disso ainda me fizeram pagar excesso de bagagem por uns míseros 5 quilos, a mim, que já vi gente entrar no avião praticamente com a casa às costas, e não me venham com a história da segurança e coiso e tal, porque depois de pagar a fortuna que me exigiram os 5 quilos já puderam vir lá dentro, isto em Lisboa, porque já no Porto fizeram-me desembarcar para voltar a embarcar no mesmo avião daí a meia hora, passando por um processo de embarque tão artesanal que devia ser considerado património cultural imaterial, vou só ali dar uma palavrinha à Unesco e já volto] e a dor de cabeça provocada pela magnífica e opulenta refeição servida a bordo [uma sandes que, além de horrível, é cada vez mais pequena, um "bolo" de chocolate que sabia a plástico e, vá lá, chá que eu não gosto de café, isto às 14h, tendo em conta que o voo foi às 10h mais o atraso da praxe, o que fez com que decorressem mais ou menos 7 horas entre o pequeno-almoço em casa e o "almoço" no avião] tenham conseguido abafar tudo o resto. Agora, finalmente, a calma. Pelo menos, até perceber quanto tempo são quatro meses...

13 de dezembro de 2010

Despedidas

Ele a conduzir, ela ao lado, conversando sobre nada a caminho do aeroporto. Ele no balcão do check-in, ela ao lado, despacha a bagagem e marca o lugar. Ele acompanha-a à porta do edifício. Beijam-se, abraçam-se, despedem-se, não querem afastar-se. Beijam-se de novo, sorriem, fazem promessas. Mais um abraço, outro beijo, ainda mais apaixonado, as mãos que não se querem largar. Por fim ela afasta-se, ele promete ficar ali a vê-la ir embora. Contrariada, de aperto no peito e nó na garganta, a refrear as lágrimas, ela vai. Já no carro, sozinha, procura-o desesperada e não o vê. Não acredita que ele tenha saído de onde prometeu ficar, percorre com o olhar todo o espaço em frente ao edifício até que o vê, acenando-lhe, de sorriso no rosto. Aliviada, acena-lhe também um adeus que não é mais do que um até já, os olhos rasos de lágrimas, e acelera. Vê-o ainda por instantes pelo retrovisor do carro a dirigir-se para a porta e desaparecer no interior. Voltarão a ver-se em breve. É só por uns dias, poucos, tão poucos que quase nem se dá pelo passar do tempo e no fim, olhando para trás, ela sabe que vai pensar que foi rápido. Mas até lá…

Até lá, ele faz-lhe falta.

10 de dezembro de 2010

Difícil também

...é quando finalmente está tudo a voltar ao normal alguém falar de assuntos que me incomodam, me perturbam e me deixam deprimida e ir buscar forças sei lá onde e sorrir, ainda que seja um sorriso triste e falso, mas é o suficiente, dá para o gasto, engana quem não presta atenção, que é o caso, afinal é alguém de tal forma egocêntrico que nem se apercebe de que estão outras pessoas à volta, basta-lhe ouvir o som da própria voz para estar feliz, e ter de preparar as frases de circunstância e as felicitações da praxe e engolir as lágrimas que tentam sair e a vontade de dizer a toda a gente, de gritar bem alto que é injusto, que a conquista, embora motivo de felicidade, não foi assim tão difícil como pensam, que há bem pior e bem mais complicado e que o tanto tempo não foi tanto assim e que o meu tanto tempo afinal é já muito mais e resta-me já tão pouco embora insistam em dizer-me que não.

E poucos dias depois repetir tudo de novo e não conseguir, por mais que tente, ficar verdadeiramente feliz com a felicidade dos outros.