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11 de março de 2011

Estranha forma de terminar a semana

Numa gaveta da secretária do chefe, que ele abre durante uma reunião, aparece uma caixa de preservativos.

14 de janeiro de 2011

Quem manda no corredor?

Nos gabinetes individuais, cada um é responsável pelo espaço e organiza-se como bem entender. Claro que há regras básicas a respeitar, como não fazer fogueiras ou não deixar a janela aberta ao fim do dia, mas tirando isso, cada um trata de si. Já os corredores são uma espécie de terra de ninguém: todos os usam, mas ninguém é responsável por eles. Daí que depois haja situações como a da colega do gabinete em frente ao meu que, sempre que chove, deixa o guarda-chuva aberto no corredor, encostado à parede do meu gabinete (diga-se de passagem que o gabinete dela tem o triplo do tamanho do meu porque ela é chefe e o raio do guarda-chuva cabia lá à vontade). De maneira que, sempre que quero sair, tropeço numa combinação de metal e tecido rosa choque. Reparei hoje que está ligeiramente torto de um lado. Não deve ter sido por causa do pontapé propositado que levou um destes dias…

5 de outubro de 2010

Estranho é

receber um e-mail do chefe não só a agradecer um trabalho feito mas também a despedir-se com smiles.

Welcome to the Twilight Zone!

16 de julho de 2010

Ser ou não estar, eis a questão

Explicar a um estrangeiro a diferença entre ser e estar é uma tarefa quase impossível. No mínimo, é difícil. Isto porque essa diferença não existe na maioria das línguas europeias (das que eu conheço, pelo menos, que eu não falo do que não sei, portanto não me perguntem se em letão, checo, húngaro ou outra do género também é assim que eu não vos sei responder - mas posso tentar informar-me, se estiverem mesmo muito interessados. Não? Óptimo.). Esta situação pode complicar a vida a um estrangeiro que se esforce por falar português - e cada vez são mais, acreditem, vá-se lá saber porquê. Só mesmo um povo complicadinho como o português para se lembrar de distinguir entre um estado permanente e um estado passageiro, mas o que se vai fazer?

Ora bem, depois da cena que o meu chefe fez aqui logo pela manhã, posso dizer com toda a certeza: eu estou parva; o meu chefe é.

5 de julho de 2010

Afinal é segunda-feira

Não que eu tivesse dúvidas, atenção. Mas o dia até estava a correr bem e tudo e convenci-me que podia não ser a típica segunda-feira. Otária. Ingénua. É que neste momento, a única pessoa que não tem trabalho (literalmente) é o chefe. Estão a chegar 27 (vinte e sete, sim!) trabalhos novos. Felizmente, são coisas pequenas, mas ainda assim são 27. E o que decide o supra-sumo da beterraba? Pois claro: chuta para a Tulipa Negra, que afinal só tem mais 3 coisas em mãos ao mesmo tempo, mas é jovem, esperta, gira e desenrascada (ok, esta parte ele não disse - e ainda bem! - mas deve ter pensado), portanto não há problema e afinal é para isso que lhe pagam. 27. Esta semana promete…

2 de julho de 2010

Assim é que eu gosto!

Ando há semanas a ouvir o chefe (e os colegas, mas principalmente o chefe) a queixar-se que tem muito trabalho, que não tem tempo para respirar, que não pode fazer mais nada, ai ai ai o que é que eu faço à minha vida e nem sei para onde me virar!
E de repente, sexta-feira, ainda nem são 15h (três da tarde, para os mais distraídos) e aí vai ele, todo pimpão, de fim-de-semana. Pois sim senhor, que os escravos cá ficam para tocar o burro para a frente. Ora que tenha um excelente fim-de-semana, chefe! E já agora, aproveite para pôr em prática as sugestõezinhas que lhe demos esta manhã, sim?

Carta ao chefe

Querido Chefe,

Todos sabemos que não é por maldade, nem por defeito, nem por má vontade. Todos sabemos que cada um é como é, e pouco ou nada pode fazer para mudar. Todos sabemos que o querido chefinho sempre foi assim e que não é agora, quase na reforma, que vai mudar. Todos sabemos que, no seu caso, a estupidez, a parvoíce, a burrice e a inconveniência são inatas. Todos sabemos que a incompetência constitui uma característica profundamente enraizada no seu carácter. Todos sabemos que complica as situações mais simples e gosta de armar confusão. Todos sabemos que entra em pânico quando lhe pedem um trabalhito com mais urgência. Todos sabemos que é picuinhas até mais não. Todos sabemos que adora ver-nos a stressar. Todos sabemos que gosta mesmo é de nos irritar e aborrecer com esse feitio insuportável. Todos sabemos que se acha o maior da sua rua e arredores, que é o único que está sempre certo e que tem sempre razão. Todos sabemos que adora fazer-nos perder tempo e repetir até à exaustão os mesmos assuntos. Todos sabemos que gosta muito de se ouvir, nesse tom monocórdico que ninguém aguenta por mais de dois minutos. Todos sabemos que adora ter uma plateia atenta a escutá-lo, a beber cada uma das suas palavras. Todos sabemos que não é isso que acontece, mas não há nada a fazer. A única coisa que não sabemos é como ainda tem quem o ature em casa, mas isso também não nos diz respeito.

Todos sabemos que tudo isto é verdade. Mas nem por isso temos mais paciência para o aturar. Assim sendo, sugerimos que vá ali atirar-se da ponte ou para debaixo do comboio ou que dê um tiro nos miolos. Era um favor tão grande que nos fazia! Acredite, ficar-lhe-íamos eternamente gratos.

Atenciosamente,

Tulipa Negra e colegas

17 de junho de 2010

Mais papista que o Papa

Aparece um trabalho urgente. A pessoa mais disponível para o fazer sou eu, desde que possa ser para o fim do dia seguinte. O chefe diz que sim. No dia seguinte, de manhã, o chefe diz que nos pediram o especial favor de tentar fazer o trabalho para antes da hora de almoço, porque é mesmo muito urgente, porque faz muita falta, porque nos ficarão eternamente agradecidos. Não é por ele, são os outros que pedem. OK, vou tentar. Acelero um bocadito e lá consigo despachar a coisa, que afinal nem era tão complicada como parecia. Ligo a dizer que está pronto, porque tinham pedido para avisar. Resposta do outro lado:

- Obrigado, mas podia ser para o fim do dia, não havia problema. O teu chefe é que disse que queria fazê-lo para antes da hora do almoço.

Ó meu grandessíssimo filho duma senhora muito séria, e se fosses para um sítio que eu cá sei e me deixasses em paz?

11 de junho de 2010

Regime de voluntariado

Sou só eu que tenho chefes estranhos? Começo a achar que atraio os incompetentes todos. Agora aqui o maioral decidiu deixar de distribuir trabalho e passou a perguntar quem se oferece para o fazer. Assim que aparece qualquer coisa, lá vem o e-mail da praxe. Ora a distribuição do trabalho faz parte das funções do chefe, que eu saiba. E é como diz o outro, voluntário só à força!

É que se for para eu decidir, pois com certeza, terei muito gosto. Desde que o meu salário passe a ser equivalente ao dele…