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31 de março de 2011

Em busca da felicidade


They both knew that it was borrowed: the view of hills; even the sunsets and the clarity of the stars. Somewhere, they knew it didn't belong to them. Because if you left your own country, if you left it late, and made your home in someone else's country, there was always a feeling that you were breaking an invisible law, always the irrational fear that, one day, some "rightful owner" would arrive to take it all away, and you would be driven out - back to London or Hampshire or Norfolk, to whatever place you could legitimately claim.

Descobri primeiro Restoration, ainda nos tempos da universidade. Lembro-me de ter sido dos poucos livros estudados que realmente gostei de ler - e isto num curso de Letras significa muito! Depois fizeram o filme e quando vi pensei que mais valia o argumentista, o realizador, os actores e toda a equipa que trabalhou arduamente para fazer aquela obra terem ficado quietinhos em vez de fazer asneiras. Entretanto, fui lendo outros livros da autora. Neste momento, acho que já não me falta nenhum.

Este é o mais recente e, tal como os outros, agarrou-me da primeira à última página. Histórias da vida, paralelos entre dois países, duas famílias, dois mundos distintos que se cruzam e que, afinal, não são assim tão diferentes. Histórias também de mudanças, de preconceitos, dos extremos a que chegamos quando estamos em risco de perder o que temos de mais precioso. E de tudo o que somos capazes de fazer em busca da felicidade.

25 de janeiro de 2011

Julieta, sem Romeu



Uma pessoa pega no livro e lê este resumo na contracapa:

"Annie lives in a dull town on England's bleak east coast and is in a relationship with Duncan which mirrors the place; Tucker was once a brilliant songwriter and performer, who's gone into seclusion in rural America - or at least that's what his fans think. Duncan is obsessed with Tucker's work, to the point of derangement, and when Annie dares to go public on her dislike of his latest album, there are quite unexpected, life-changing consequences for all three."

E pensa, ok, parece engraçado, divertido, Nick Hornby no seu melhor, a música e as relações complicadas e tal e coiso, está bem, costumo gostar, a Julieta não é a de Shakespeare mas dá para o gasto, ao menos uma pessoa distrai-se e diverte-se e ainda solta umas gargalhadas e/ou umas lágrimas pelo meio, deixa cá ver o que daqui sai. E vai daí, uma pessoa abre o livro e a primeira frase que lê é esta:
 
"They had flown from England to Minneapolis to look at a toilet."
 
E nem precisa de ler mais nada, compra o livro sem pensar mais no assunto e começa a lê-lo em casa e mal pode esperar para acabar.

5 de novembro de 2010

Cores


Dr. Clay's crayons live in a special box of cardboard that says 120 on it, that's how many all different. They've got amazing names written small up the sides like Atomic Tangerine and Fuzzy Wuzzy and Inchworm and Outer Space that I never knew had a color, and Purple Mountain's Majesty and Razzmattazz and Unmellow Yellow and Wild Blue Yonder. Some are spelled wrong on purpose for a joke, like Mauvelous, that's not very funny I don't think. (...) There's even a white crayon, wouldn't that be invisible?
Emma Donoghue, Room

Prometo que é o último post relacionado com este livro, acaba aqui a publicidade gratuita, mas encontrei a imagem e lembrei-me desta passagem. É mesmo muito bom!

2 de novembro de 2010

Leituras

My favorite bit of Outside is the window. It's differente every time. A bird goes right by zoom, I don't know what it was. The shadows are all long again now, mine waves right across our room on the green wall. I watch God's face falling slow slow, even orangier and the clouds are all colors, then after there's streaks and dark coming up so bit-at-a-time I don't see it till it's done.

Há muito que um livro não me prendia como este, a ponto de, por várias vezes, ter de me obrigar a largá-lo por já passar das 2h da manhã.

Mais do que a história, é a forma como é contada. Jack é um menino que acaba de fazer 5 anos. Vive com a mãe num quarto pequeno, com uma clarabóia e uma porta trancada. Para ele, o Mundo é isto. Embora tenha uma televisão, sabe que tudo o que aí vê é fantasia, as únicas coisas reais são o que existe dentro do quarto. Jack descreve o que vê e o que sente com a inocência e incompreensão próprias de uma criança curiosa e inteligente. E é pela sua voz que vamos percebendo a história, os acontecimentos terríveis que o colocaram a ele e à mãe naquela situação, e toda a coragem necessária para sair dela.

Jack faz-nos olhar para o que nos rodeia de uma forma nova. O Mundo, visto pelos olhos de uma criança que viveu sempre fora dele, é um lugar simultaneamente maravilhoso e assustador.

Segundo o site oficial, a tradução portuguesa está em preparação. A não perder!

17 de outubro de 2010

Mais do mesmo... mais chato!

***Spolier alert! ***

"The secret is how to die."
I'd say, the secret is how to create an interesting story...

Acabei finalmente de ler The Lost Symbol (ou o Código Da Vinci 3, como é conhecido cá por casa). Tinha lido as outras duas aventuras de Robert Langdon e confesso que tinha gostado. Não sendo obras-primas da literatura, cumprem aquilo a que se propõem: entreter o leitor, criar um mistério que o prende até às últimas linhas, cheio de reviravoltas inesperadas... Enfim, dentro do género em que se encaixam, considerei na altura que eram até bons livros. Lembro-me de ficar agarrada à história e de não conseguir pousar os livros enquanto não os terminei. As polémicas com o Vaticano foram, a meu ver, acessórios que em muito contribuíram para aumentar as vendas - assim uma espécie de estratégia de marketing bem montada.

Por tudo isto, esperava que este novo episódio fosse, pelo menos, tão interessante como os dois anteriores. Pois não é. A história até começa bem, o mistério está bem construído, mas rapidamente se torna tão maçador que a certa altura dei por mim a pensar se ainda faltaria muito para acabar. As soluções dos códigos que vão surgindo, e que nos outros livros eram dos aspectos mais intrigantes e engraçados de resolver, são em alguns casos de tal forma óbvias que não sei como Robert Langdon, supostamente especialista na coisa, demora quase vinte páginas para as perceber. Isto para já não falar de algumas soluções que o autor encontrou para outras situações. Refiro-me, por exemplo, à morte de uma personagem importante que mais tarde reaparece, assim uma espécie de Lázaro ressuscitado. A explicação até pode ter bases científicas, não faço ideia porque não me informei sobre isso, agora que é rebuscada, disso não tenho dúvidas.

Já não me lembrava de um livro do género policial/mistério que me aborrecesse tanto, ao ponto de ser quase um sacrifício terminar de o ler. Decepcionante, é o adjectivo que procurava. Espero que o filme seja mais interessante...

28 de maio de 2010

Leituras e literatura

Tendo feito um curso de letras, fui obrigada a ler muitas obras consideradas clássicos da literatura. No caso, tratou-se essencialmente de textos em inglês e em francês. Algumas das coisas que li eram interessantes, cativaram-me e levaram-me a procurar posteriormente, por gosto e já não por obrigação, outras obras dos mesmos autores. Infelizmente, estes casos foram poucos. Na sua maioria, os considerados clássicos são, na verdade, uma grande estopada. Ainda assim, resistente como sou, consegui ler tudo o que me puseram à frente. Tudo? Bem, na realidade, não... Ainda aguentei Balzac e Flaubert, mais uns quantos americanos de cujo nome não me recordo (tão boa impressão deixaram), mas Oscar Wilde só houve um, Shakespeare também (quer dizer, deste ninguém sabe ao certo, mas avancemos com a teoria de que o homem de facto existiu e era mesmo só uma pessoa por ser mais fácil), dos contemporâneos, por sinal muito maltratados nestes cursos, ficaram David Lodge e Rose Tremain, além de Sartre e Daniel Pennac nos franceses. E pronto.
Mas quando me deram Proust e o seu Em Busca do Tempo Perdido para ler... foi a desgraça completa! De facto, o título assenta muito bem na obra, composta por nem sei já quantos volumes dos quais eu apenas deveria ter lido o primeiro. É mesmo de perda de tempo que se trata! Sei que comecei a ler o livro, como sempre na expectativa do que dali sairia, e a pouco e pouco o interesse foi-se esfumando. No fim da primeira página já não sabia se o protagonista estava acordado, a dormir, a sonhar, a delirar... Eu, sem dúvida, estava a adormecer. E pensar que tudo aquilo era por causa de uma madalena (o bolo)! Se ainda fosse por um belo bolo de chocolate, cheio de creme... Sei que consegui ler 4 páginas. Quatro. Nem mais uma. Sei que, entre os meus colegas, houve alguém que leu 40 - foi um recorde absoluto!
Anos mais tarde, num dia em que me dedicava a arrumar os livros em casa, encontrei novamente Proust. Pensando que talvez o problema tivesse sido da idade, que aos 20 anos não tivesse paciência para coisas assim, sérias, arranjei coragem e peguei-lhe novamente. Em vão. Voltei a não passar da página 4. É frustrante pensar que de tantos livros que tenho este foi, até agora, o único que não consegui mesmo ler. Infelizmente, acho que lhe encontrei um companheiro no último de António Lobo Antunes (Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?). Reconheço que o senhor até escreve bem, mas para deprimente já basta a vida!

9 de abril de 2010

Discworld

Descobri esta série de livros há uns anos. Não conhecia Terry Pratchett, o autor, nem o universo, nem a mitologia subjacente. Mas assim que comecei a ler o primeiro livro (The Colour of Magic) nunca mais consegui parar. A primeira dificuldade foi encontrar todos os livros em Portugal – no original, porque nem sequer existiam traduções. E já havia pelo menos uns 15 editados. Entre o Amazon.co.uk e a Fnac, lá consegui comprar o que havia. E li tudo de seguida. Depois, foi a espera pelos novos livros da série. Felizmente, consegui lê-los todos, faltando-me apenas o mais recente (The Unseen Academicals), porque ainda não saiu em livro de bolso. E pelo caminho converti alguns amigos a esta série. :-)


Para quem não conhece, um resumo muito simplificado: tudo se passa num universo paralelo ao nosso – e reflexo do nosso. Só que o mundo não é redondo, é plano; não gira à volta do Sol, mas vagueia pelo espaço assente nas costas de quatro elefantes que, por sua vez, estão sobre a carapaça de uma tartaruga gigante - a Great A'Tuin. A cidade principal é Ankh-Morpork e aí encontramos todas as raças e espécies fantásticas que possamos imaginar: humanos, anões, trolls, dragões, bruxas, feiticeiros, golems… entre muitos outros, criados consoante as necessidades narrativas. (É verdade que se nota a influência de Tolkien, mas que livro passado num universo fantástico não revela essa influência?) As histórias prendem-nos pelo humor e pela sátira a todos os usos e costumes da sociedade moderna. A religião, a política, a polícia, o ensino, a ciência, a economia, a organização social – tudo, mas mesmo tudo, é um reflexo distorcido da realidade do mundo ocidental que conhecemos.

Great A'Tuin

As personagens são qualquer coisa de extraordinário. Embora algumas apareçam apenas em determinado livro, outras há que são recorrentes, dando mesmo origem a mini-séries dentro do Discworld. É o caso das bruxas, por exemplo, ou da polícia. Mas para mim, a melhor personagem, é a Morte. Até agora, aparece em todos os livros, sem excepção. Fisicamente, tem o aspecto habitual: um esqueleto com uma capa negra e uma foice. Fala sempre em letras maiúsculas. Tem um cavalo branco chamado “Binky”. Tem uma filha adoptiva (Ysabell) e uma neta (Susan). A certa altura, tem de fazer o trabalho do Hogfather (correspondente ao Pai Natal). E tem, principalmente, o melhor sentido de humor de todas as personagens.

Death

Por todas estas razões, e outras que não cabem agora aqui, recomendo vivamente que leiam pelo menos um livro desta série. Agora até já há alguns traduzidos em português.

31 de março de 2010

Finnegans Wake legível?

Uma boa notícia para os amantes de literatura, e de James Joyce em especial. Ainda não tive coragem de me lançar nesta aventura, mas com as correcções agora introduzidas talvez me entusiasme.