Mostrar mensagens com a etiqueta língua portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta língua portuguesa. Mostrar todas as mensagens

29 de setembro de 2010

Palavras

enfoque, focalizar, focar, foco

(como traduções mal amanhadas do inglês "focus / to focus")

Odeio, simplesmente. E não percebo por que raio de motivo, numa língua tão rica quanto o português, muito mais do que o inglês digam o que disserem, havemos de nos sujeitar à tirania anglo-saxónica e nem sequer fazer um esforço para procurar um termo mais adequado. Camões e Pessoa às voltas nos respectivos túmulos, imagino.

Eu sei que estas palavras existem, sei até que se calhar já são aceites com o sentido de "to focus" (embora, a meu ver, erradamente, mas quem sou eu para falar). Porém, naquilo que depender de mim, vão continuar a ser banidas de todo e qualquer texto que me apareça pela frente.

Pronto, era só isso. Podem ir à vossa vida.

22 de setembro de 2010

Expliquem-me como se eu tivesse 6 anos

Esta notícia do DN deixa-me sem palavras – se calhar, porque não comprei o dito dicionário. Sinceramente, não entendo a polémica. Os "vulgarismos" não existem na língua? Existem. Só por isso, justificam a entrada no dicionário. Que se queira poupar as crianças em tenra idade ao contacto com essas palavras, eu até entendo. Mas isso faz-se em casa, em família, não se faz num dicionário, que deve ser o repositório de todos os vocábulos da língua*. Aliás: quem “descobriu” este facto? Seja quem for, só encontrou os palavrões porque foi à procura deles. Eu sempre tive dicionários, até preciso deles para trabalhar todos os dias, e nunca lá fui procurar essas palavras. De resto, aposto o que quiserem que qualquer puto de 6 anos conhece tudo quanto são palavrões, mesmo que não os use por uma questão de educação – mas essa, lá está, começa em casa. E mais: com esta polémica toda, estou mesmo a ver as crianças, mesmo as mais inocentes, a pegarem no dicionário às escondidas e a procurarem as palavras proibidas. Sempre tem a vantagem de as ensinar a utilizar o bicho, porque conheço muito boa gente bem mais crescida que não o sabe fazer…

*Isto, claro, se não tivermos em conta o tal da Academia de Ciências que até o robalo ignora…

22 de julho de 2010

A parvoíce continua, agora na TV

Eu não dizia que isto tinha saído da mente brilhante de um publicitário?



Gosto especialmente do ar convincente do senhor com idade para ser meu avô, representante de uma geração que provavelmente nunca bebeu um chá (nem quente, quanto mais gelado!) que isso é coisa de meninos, tragam-lhe mas é uma mine e uma sandes de torresmos. Foi com esta que me convenceram a assinar a petição.

19 de julho de 2010

Sai um dicionário prá mesa do canto!

Se calhar isto já não é novidade para ninguém, mas eu acabei de descobrir que há por aí um movimento que quer incluir no dicionário de língua portuguesa a palavra Mudasti. Até têm uma petição online e tudo (no momento em que escrevo, tem 113 assinaturas - vá lá, os doidos ainda não são assim tantos).
Pelo que me lembro, isto foi um termo inventado por uma marca de refrigerantes para uma campanha publicitária. Evitavam dizer Iced Tea (a marca concorrente) e incentivavam à mudança. Pronto, percebe-se. Sinceramente, sempre achei a palavra perfeitamente idiota, mas pronto, é publicidade e de vez em quando aparecem uma coisas parvas. Tudo bem até aqui.
Só que agora, não contentes com a publicidade, que é paga, e talvez aproveitando a onda do novo acordo ortográfico, lembraram-se que afinal a palavra já é tão usada que até deve figurar no dicionário. Ora, é certo que eu já não pertenço à geração mais jovem, mas conheço alguns elementos e nunca, mas nunca em ocasião nenhuma, os ouvi usar tal palavra. De resto, o texto da petição reza o seguinte:

Somos o “Movimento Mudasti no Dicionário”.
Representamos todos os portugueses que desejam ver definido nos dicionários da Língua Portuguesa - começando por aquele compilado pela Academia de Ciências de Lisboa - o significado desta nova palavra já utilizada por grande parte dos cidadãos nacionais, independentemente da região de onde são naturais.
Defendemos que a palavra “MUDASTI” merece uma chamada no dicionário.
Trata-se, de facto, de uma palavra que se impôs no léxico da nova geração e cujo significado já está enraizado na cultura popular portuguesa.
Como novo termo do Português moderno, “MUDASTI” começou a ser utilizada em 2005, a partir de um repto publicitário que incitava todos os portugueses a mudar de iced tea (chá gelado).
Mas, rapidamente os portugueses se apoderaram da palavra, encontrando nela a definição ideal para incentivar a mudança de um modo geral. Uma palavra curta e facilmente mnemonizável, que se converteu num incentivo ao abandono de um passado pouco memorável e ao agarrar de um futuro digno dos sonhos de cada um.
Hoje, são imensas as palavras insignificantes com sentidos imperceptíveis como “opidano”, “ingresia” ou “exaurir” que se mantêm presentes nos dicionários da Língua Portuguesa.
Ao mesmo tempo, encontramos nos mesmos dicionários palavras que há muito gostaríamos de ter deixado de utilizar como “crise”, “imposto”, “desemprego” ou “pobreza”.
Se palavras como estas têm um espaço no dicionário, “MUDASTI” merece o seu lugar. 

Posto isto, só me resta acrescentar duas ou três coisinhas:

A primeira é que o dicionário da Academia de Ciência de Lisboa é uma bela mer... porcaria. Se nem "robalo" lá vem mencionado, havia de vir agora o mudasti! (Se não acreditam, vão lá ver.)
A segunda é que um dicionário não é um repositório de palavras agradáveis. Por muito que nos custe, a crise, o imposto, o desemprego, a pobreza, e eu acrescentaria a guerra, a fome, a miséria, a catástrofe, entre tantas outras, irão continuar a aparecer em todos os dicionários pelo simples motivo de serem palavras da língua portuguesa.
A terceira é que os dicionários existem também para ajudar a perceber essas palavras com sentidos imperceptíveis. 

Alguém devia informar disto os senhores da agência publicitária da Nestea - sim, porque esta ideia brilhante só pode ter saído da cabeça de um publicitário.

16 de julho de 2010

Ser ou não estar, eis a questão

Explicar a um estrangeiro a diferença entre ser e estar é uma tarefa quase impossível. No mínimo, é difícil. Isto porque essa diferença não existe na maioria das línguas europeias (das que eu conheço, pelo menos, que eu não falo do que não sei, portanto não me perguntem se em letão, checo, húngaro ou outra do género também é assim que eu não vos sei responder - mas posso tentar informar-me, se estiverem mesmo muito interessados. Não? Óptimo.). Esta situação pode complicar a vida a um estrangeiro que se esforce por falar português - e cada vez são mais, acreditem, vá-se lá saber porquê. Só mesmo um povo complicadinho como o português para se lembrar de distinguir entre um estado permanente e um estado passageiro, mas o que se vai fazer?

Ora bem, depois da cena que o meu chefe fez aqui logo pela manhã, posso dizer com toda a certeza: eu estou parva; o meu chefe é.

2 de julho de 2010

Também tu?

O Expresso decidiu começar a escrever segundo as regras do malfadado acordo ortográfico (parece que desde a edição da semana passada, mas só dei por isso agora, ando tão actualizada que eu sei lá!). Eu já não o lia muitas vezes, principalmente por falta de tempo e paciência para tanto papel, mas agora então ainda vou ler menos. Chamem-me o que quiserem, mas para mim este acordo é uma pura aberração, que até pode simplificar algumas coisas, mas harmonizar, que era em princípio o objectivo, não harmoniza nada. Tenho a sorte ou o azar de trabalhar com a língua - a portuguesa, suas mentes indecentes! E no emprego, mais cedo ou mais tarde, serei obrigada a adoptar a nova ortografia. Não terei remédio, ordens são ordens, a lei é a lei, e nada a fazer quanto a isso. Por enquanto, vamos protelando a mudança até ser de todo impossível continuar a insistir na ortografia que aprendemos na escola.
Mas, por aqui, vou continuar a escrever como sempre. É que neste cantinho, quem manda sou eu.

2 de junho de 2010

É mau demais

Estava sem nada para fazer e decidi distrair-me com os quizzes do Facebook. Não devia, está visto. Transcrevo na íntegra a pérola que encontrei. Além do conteúdo (mas nestas coisas ninguém espera um estudo científico, portanto tudo bem), o que mais me impressionou foi o talento do autor para a escrita. Sim, porque só pode ser talento. Desafio-vos a encontrarem uma frase correcta de princípio ao fim...
qual a palavra para te caracterizar?
podes ser muita coisa,mas soa uma que te caracteriza
1. se encntrasses um cao perdido na rua,o que fazias?
  • levava-o a um canil ou um sitio do genero onde os donos o pudessem encontrar rapidamente
  • de certeza que os donos oencontraam rapidamente,eu so ndo em ruas pequenas
  • dava-lhe um pontape e escarravalhe em cima!
  • levaa o cao para casa e ficava cm ele,claro que os meus pais nao podiam saber!
  • pegava nele e depois metiao dentro de um jardim de alguem que tambem tivesse cao
  • nao podia fazer nada,porque quando ando na rua e porque tenho que ir algum sitio,e nao posso chegar tarde
  • levavao ara casa ,davalhe de comer, abrigo,e depois procurava o seu dono
  • ficava lá a espera que alguem fosse buscalo
2. se algum colega te pedisse as canetas de filtro que os teus pais te compraram ontem,tu emprestavas?
  • claro que sim!tambem gostava que me emprestassem se eu precisasse!
  • claro!eu sei que esse colega nao me iria estragar as canetas
  • claro e ainda lhe dava o corrector se essa pessoa precisasse!
  • por mim podia ficar com elas!
  • nao!ele que va enfiar enfiar canetas no cu!!
  • atiravalhe a caneta a cabeca
  • canetas?!nem me lembro onde as pus...
  • claro que nao!!essas bestas ainda me estragavam as canetas!
3. o que farias para mudar este mundo?
  • ajudava as pessoas com problemas(pobreza,doença,etc....)
  • nao tenho medo deste mundo,o que tiver que vir,que venha
  • tudo o que fosse preciso
  • mmmmm....mudar o mundo?porque?
  • peace & love ^_^
  • fazia ganda fogueira e queimava todos os plasticos
  • acabava com os que estao a mais!
  • nada,desde que eu esteja bem...
4. a/o tua/o namorada/o chegasse tarde a um encontro ,o que fazias?
  • nem esperava por ela/e,ia-me logo embora!
  • acabava com ela/e,nem queria desculpas
  • nada,é na boa ; )
  • comprimenta-va??????????
  • namorada/o?! isso nao e comigo!
  • ficava preocupado/a,e preguntavalhe porque e que se tinha atrasado
  • acho que seria eu a fazer esse papel
  • ah!ja nem me lembrava!
5. cual destas cores gostas mais?
  • branco
  • verde
  • laranja
  • amarelo
  • bege
  • roxo
  • dourado
  • vermelho

31 de maio de 2010

Inacreditável

Aqui neste canto onde me encontro existe uma rádio portuguesa - o número de tugas e seus descendentes justifica essa existência e, verdade seja dita, não é má de todo. Lembra um bocadinho as rádios locais em Portugal, não é propriamente uma Rádio Comercial, Antena 3 ou outra do género, mas esforça-se por divulgar a cultura e as notícias lusas, e fá-lo com alguma qualidade (se exceptuarmos a hora de almoço de domingo e o programa de discos pedidos ao fim do dia onde passam exclusivamente pimbalhada do melhor gabarito).
Ora bem, esta tarde uma locutora da dita rádio entrevistava uma jovem luso-descendente que trabalha como dietista. A jovem, que sempre estudou numa língua que não o português, mostrava por vezes algumas dificuldades em expressar-se, o que é até compreensível, visto que só fala a língua em casa, com os pais. Ainda assim, desenrascava-se bastante bem. Já a locutora passa o dia a falar português, não sei se em casa, mas pelo menos no trabalho - eu sei, porque a oiço com frequência. Portanto, não há desculpas para não saber o que diz.
A certa altura, a entrevistada falava dos benefícios do azeite na alimentação:
- É a dieta medit..., medi...
- Mediterraneana - interrompeu, convicta e peremptória, a locutora.
...

20 de maio de 2010

Eu ainda sou do tempo em que na escola se aprendia a escrever

É mais forte do que eu. Por mais que tente, não consigo. Até me esforço, às vezes, quando acho que o conteúdo pode valer o esforço, mas acabo sempre por desistir. Falo de ler textos mal escritos, com abundância de erros ortográficos (ou outros, mas estes perturbam-me de uma forma especial). Acontece com frequência andar a navegar na Internet, a ler opiniões, comentários, blogues pessoais e até - mais grave! - notícias em jornais e deparar-me com disparates que nunca passariam pelo crivo da D. Maria Amélia Castro, minha muito ilustre e excelente professora da instrução primária.
Aberrações como "permaneçe", "comes-te" (deve ser canibal, com certeza), a ignorância ao utilizar "à" ou "há". Sobre os acentos, então, dava para escrever um livro: omitidos, colocados em palavras onde não deviam, o acento grave trocado com o agudo, simplesmente errados. Depois há quem não distinga "folhear" de "desfolhar", quem diga "eu sou suposto", os homens que dizem "obrigada" e as mulheres que respondem "obrigado" (não saberão a que sexo pertencem, terão alguma questão existencial mal resolvida?). Isto para já não falar da moda da escrita SMS (acho que é assim que se chama) em que, a bem da rapidez e da economia de letras, se escrevem coisas como “kero” e “kom” (esta não entendo, sinceramente: o que é que se ganha em usar “k” em vez de “c”?).
São coisinhas pequeninas, dirão, piquinhices. Talvez, mas complicam-me com os nervos de uma forma que só eu sei! Começo a sentir uma coisinha má a crescer cá dentro, uns calores a subirem-me do estômago, o coração a acelerar de raiva e, antes de explodir, deixo de ler e passo à frente. Estes pequenos pormenores ferem-me a vista, fazem-me mal, sinto um murro no estômago quando estou a ler um texto que até acho interessante, escrito por alguém que até parece saber do que fala, e de repente lá vem o “tivesse” em vez de “estivesse” – raios vos partam, são dois verbos diferentes, caramba!
É que se já se esqueceram do que aprenderam na escola - se é que a fizeram, ou se calhar já passaram por lá depois de todas as reformas dos últimos anos e estas coisas já não se ensinam, sei lá eu! - a tecnologia hoje em dia está aí para vos ajudar: qualquer processador de texto tem um corrector ortográfico que, por muito básico que seja, detecta pelo menos estes erros mais gritantes. Façam um favor a vós próprios e a quem vos lê: usem-no!
Já que querem escrever, ao menos façam-no correctamente.