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5 de janeiro de 2011

As viagens de avião já não são o que eram

Então agora já ninguém aplaude quando o avião aterra???

23 de novembro de 2010

A propósito de nada # 3

Já aqui disse que trabalhei como jornalista. Pois bem, a certa altura precisávamos de mais colaboradores para a publicação e colocámos anúncio nesse sentido. Entre os vários candidatos que se apresentaram, recordo um que destacava no Curriculum Vitae um curso de criação de avestruzes. Suponho que enquanto as aves enfiavam a cabeça na areia ele tinha tempo para praticar a arte da escrita...

17 de novembro de 2010

A propósito de nada # 2

Em tempos trabalhei no atendimento telefónico de uma operadora de telemóveis. Não via o público e o público não me via. Mas tínhamos de obedecer a um dress code. A regra básica era não usar calças de ganga, excepto à sexta-feira (sempre perguntei se à sexta não se trabalhava como nos outros dias, nunca me souberam responder). Os homens não eram obrigados a usar fato, mas eram encorajados a isso. Diziam que era por causa da imagem da empresa. Repito: não víamos ninguém, ninguém nos via (especialmente se tivermos em conta que trabalhávamos por turnos e muitas vezes entrávamos e saíamos das instalações durante a noite ou ao fim-de-semana).

Lembro-me de um colega, jovem e de cabelo comprido, que começou por apanhar o cabelo num rabo-de-cavalo até que acabou por cortá-lo, tal não era a pressão. Continuou a fazer o mesmo trabalho, da mesma forma que até aí. Mas provavelmente com a cabeça mais leve, sem o peso do cabelo...

12 de novembro de 2010

A propósito de nada

Tive uma colega que aquecia as luvas no microondas de manhã, antes de sair de casa. E um dia lembrou-se de pôr um hambúrguer congelado na torradeira, para ser mais rápido. Correu mal…

8 de novembro de 2010

Onde estás que não te vejo?

Este post do Rafeiro mais bem-cheiroso da blogosfera nacional (se não mundial), a propósito da problemática de dar indicações idiotas às pessoas, lembrou-me de quando eu trabalhava num sítio onde tínhamos um intercomunicador com visor para responder a quem tocava à campainha. Trabalhávamos num open space no último andar e na entrada não havia espaço para ter uma recepção, sendo que nos andares intermédios estavam outras empresas, pelo que convinha ter atenção a quem se deixava entrar nas instalações. Acontece que o aparelhómetro (e respectiva câmara, claro) ficava ligeiramente à direita da porta de entrada e, depois de tocar à campainha, as pessoas naturalmente chegavam-se à porta, não aparecendo no ecrã.

Ora a primeira secretária/recepcionista que tivemos não primava pela inteligência era um bocadinho limitada (a segunda também, mas isso não vem agora ao caso). De maneira que, de cada vez que alguém tocava à campainha, ouvíamos a rapariga literalmente aos gritos, com uma voz irritante e esganiçada:

“Chegue-se um bocadinho mais para trás, mais para tráááás. Mais para a esquerda, para a esqueeeeerda. Não, agora foi demais. Mais para a direeeeeeita!”

Até que um dia um colega, farto de a ouvir guinchar, responde do fundo da sala:

“Mais para ciiiima, que o gajo é anão!”

8 de junho de 2010

Quando o tecto nos caiu em cima da cabeça

Hoje lembrei-me de mais uma história do antigamente, dos tempos em que tudo corria mal, mas nos divertíamos à brava. Pelo mesmo motivo que nos rimos quando alguém cai, naquele tempo achávamos piada à nossa desgraça e a tudo o que nos acontecia. Das duas, uma: ou éramos uma cambada de inconscientes (provável) ou era um mecanismo de defesa para não darmos em doidos (mais provável). Seja como for…

Certo dia, começámos a ouvir uns ruídos estranhos por cima das nossas cabeças. Olhando para cima, só se via o tecto falso, mas nitidamente andava por ali algum animal. De repente, o barulho aumentou e percebemos que se tratava de felinos de rua assanhados, furiosos, que entraram por engano pela janela minúscula ao nível do passeio (trabalhávamos na cave que deveria servir de garagem a um prédio em Lisboa, cujo senhorio, típico xico-esperto tuga, decidira alugar para ganhar mais uns trocos). Os gatos corriam, lutavam, berravam, dando a volta à sala por dentro do tecto falso. Conforme se deslocavam, nós íamo-nos encolhendo e desviando, por via das dúvidas.

Até que o inevitável acabou por acontecer: uma da placas do tecto partiu-se, os gatos caíram embrulhados e em pânico em cima de uma secretária, falhando por pouco o ocupante da dita, e dispararam que nem setas na direcção da porta. Só tivemos tempo de nos afastar para os deixar passar e nunca mais os vimos.

26 de maio de 2010

Se não tivesse visto, não acreditava

Mais uma história incrível da empresa onde trabalhei, neste caso a que viria a falir, com o patrão como protagonista.

Nos últimos tempos de vida da empresa, o clima de ansiedade e de revolta entre os funcionários era evidente - e justificado, também. A partir do dia 24 de cada mês o patrão desaparecia, para apenas voltar a ser visto depois do dia 4 do mês seguinte. Comunicava com o pessoal através de recados deixados nas respectivas secretárias durante a noite, a que cada um respondia com outro recado colocado na secretária do patrão durante o dia. Tudo isto porque ele, que nunca gostara de pagar os ordenados, agora não tinha sequer dinheiro para o fazer e o seu orgulho de macho latino, pois assim se considerava e comportava, não lhe permitia admitir tal situação perante os funcionários.
Ora calhou que em certo mês o patrão, que já nem cheques tinha, tivesse conseguido juntar uns trocos para pagar ao pessoal, tarde e a más horas, mas sempre era melhor que nada. E aí entrou ele na sala de trabalho (um espaço aberto sem divisórias físicas), todo pimpão, inchado que nem um peru como se fosse o maior feito da humanidade pagar ordenados a quem trabalhou um mês inteiro no duro, fazendo até horas extraordinárias, sem reclamar nem ser compensado por isso. Trazia na mão um envelope recheado, viemos depois a perceber que de notas (ainda de escudos), e falava e ria como há muito ninguém o via fazer.
Já diz o povo que quando a esmola é muita o pobre desconfia, pelo que na sala onde trabalhávamos o ambiente ficou bem pesado, fez-se um silêncio sepulcral, trocámos olhares desconfiados, franzimos as testas e sentámo-nos, à espera da bomba que iria certamente rebentar.
Qual não foi o espanto geral quando, inesperadamente, o patrão começou a dar a volta pelos vários lugares e, tirando notas de dentro do envelope, ia pagando o ordenado a cada um. Parecia inacreditável e, se algum de nós tivesse um aparelhómetro daqueles que permitem detectar notas falsas, certamente tê-lo-ia utilizado. Mas não era preciso, era mesmo verdade. Até que chegou a vez dos últimos, cujas secretárias ficavam do lado contrário àquele por onde o patrão tinha iniciado o seu périplo. Sorridente, tirou as últimas notas do envelope, pagou a mais um funcionário e deu por terminada a sua função. Voltou costas e... deu de caras com alguém que ainda não tinha recebido. Sem perder tempo, sem pestanejar, sem sequer se atrapalhar, dirigiu-se ao último funcionário a quem tinha pago (e que ainda estava a contar as notas, não fosse haver enganos) e disse, alto e em bom som:
- R., empresta aí cem contos para pagar ao S.
...

21 de maio de 2010

E um chazinho quando era pequenino, não?

Em tempos trabalhei numa empresa onde aconteciam as situações mais incríveis que se possam imaginar. (Um parênteses para explicar que, na verdade, foram duas empresas, sendo que a primeira faliu tendo sido comprada pela segunda, mas as personagens e as situações mirabolantes mantiveram-se.) Alguns desses acontecimentos, contados, será difícil de acreditar, mas o certo é que foram verdade e aconteceram mesmo. E tudo porque as pessoas que lá trabalhavam, começando no patrão, passando pelo Director-Geral e acabando na secretária, pareciam tiradas de um filme do Tim Burton, escolhidas a dedo, cada qual com uma mania diferente, mas todas, sem excepção, digamos assim, doidas (sem ofensa para os doidos de papel passado, claro).
Certo dia, visitou-nos um colega de uma outra empresa que pertencia ao mesmo grupo. Eu, que já o conhecia, vim recebê-lo à área da recepção (trabalhávamos num espaço aberto, portanto as várias zonas não estavam fisicamente delimitadas). Estava a fazer aquela converseta de circunstância que se impõe, quando aparece o Director-Geral, relativamente novo na empresa, com o seu ar aluado de quem não sabe muito bem a quantas anda mas se acha o maior lá da rua dele e protagonista desta história (e de outras que, a seu tempo, contarei). Ora mandam as regras da boa-educação que os apresentasse, e assim fiz:
- Sr. Director, conhece Fulano de Tal? É nosso colega da empresa XPTO e…
- Não, ainda não nos conhecemos. É director de quê?