15 de março de 2011

A fábrica das nuvens

Um dia, ao chegar a casa, encontrei um folheto na caixa do correio. Falava do que fazer em caso de acidente nuclear e estava escrito em várias línguas, incluíndo português. E eu, ingénua, pensei a que propósito me tinham deixado um folheto daqueles no correio. Até que percebi que, a uns meros 35 km de distância, existe uma central nuclear*. Entre as recomendações, lembro-me de ler que, caso soasse o alarme, deveria fechar-me na arrecadação da cave, com água engarrafada, alimentos em conserva, uma lanterna e um rádio a pilhas, para poder ouvir as notícias e saber quando seria seguro sair. E depois pensei que sim, realmente, em caso de acidente nuclear, deve ser a porta da arrecadação da cave que vai impedir a passagem das partículas radioactivas.

Lembrei-me disto já há uns dias, a propósito das notícias do Japão que, apesar de toda a catástrofe, tem a sorte de ser habitado por um povo disciplinado e organizado. Por lá, evacuam-se cidades inteiras; por aqui, trancam-se as pessoas nas arrecadações. Está certo.

*a que uma vez alguém chamou, sem saber do que se tratava, fábrica das nuvens, pois está sempre a deitar fumo branco pelas chaminés que, em dias mais enevoados (ou seja, quase diariamente) se confunde com as nuvens.

5 comentários:

João(mais nada) disse...

não não melhor! a coisa aqui é muito mais fina, muito mais subtil! nós é que nos fechamos! não os podemos acusar de nos fecharem uma vez que fomos nós que fomos para lá de livre vontade!

Manuela disse...

Querida Tulipa, medo...

Tulipa Negra disse...

João, é verdade, fomos de livre vontade mas porque não havia alternativa...


Manuela, é um bocadinho assustador quando se ouvem estas notícias, mas durante o resto do tempo nem pensamos no assunto. :)

Giuseppe Pietrini disse...

Com que então estamos a viver ao pé da Central do Pego... já me cheirava isto por outros posts... como aquele das vizinhas. Só podia ser! Beijim. Giuseppe

Tulipa Negra disse...

Giuseppe, pronto, fui apanhada! :D
Beijinhos