Está em todo o lado: no trânsito é aquele condutor que vai metendo o nariz do carro à frente dos outros para cortar a fila, no supermercado é a senhora que se faz de distraída para passar à frente na fila da caixa, no posto médico é a velhota que se vale da idade para ser atendida antes dos outros utentes... E no emprego é a colega que pega num trabalho que foi feito por outra pessoa apenas para verificar um ou outro aspecto e tenta apropriar-se e ficar com os créditos.
Mas às vezes os chico-espertos têm o azar de apanhar pela frente alguém que não está lá muito bem disposto. O automobilista vê o outro carro acelerar e atravessar-se para não o deixar entrar no trânsito; a senhora do supermercado ouve bem alto que a fila começa lá atrás e que já havia gente à frente; a velhota do posto médico recebe uma lição de cidadania para aprender que há uma ordem de chegada a respeitar. A colega leva uma resposta que, obviamente, não esperava, num tom muito desagradável, e pode ser que da próxima vez pense duas vezes antes de achar que os outros andam aqui a ver passar os comboios.
Eu não queria chatear-me. A sério que não. Nem devia, aliás, faz-me mal à saúde, o fígado queixa-se e os nervos saltam. Mas obrigam-me... E depois dizem que tenho mau feitio. Por que será?



















