9 de fevereiro de 2011

Pequenas coisas

De repente qualquer coisa sem importância, um pequeno nada, uma insignificância consegue arrasar tudo e deitar por terra o esforço de tantos dias.

Desespero

A cabeça a latejar, como um martelo a bater lá dentro, com força, ritmado, pum, pum, pum. Os olhos semicerrados, a quererem fechar-se, o esforço por mantê-los abertos acelera o ritmo do martelo. Qualquer som incomoda, até o barulho das teclas perturba e faz doer mais. Lá fora uma ambulância, iiiiiiiioooonnn iiiiiiiooonnnn iiiiiiiioooonnn (já não fazem ti-nó-ni ti-nó-ni como antigamente) e o som parece um punhal a espetar-se no cérebro. No gabinete do lado dois colegas falam exaltados, talvez discutam ou talvez seja só impressão sua, e as vozes parecem mais agudas e aumentam ainda mais o ritmo do martelo pum pum pum. Um rádio começa a tocar uma música acelerada e o martelo acompanha a batida, cada vez mais forte, cada vez mais intenso. A dor torna-se quase insuportável, apetece-lhe desligar tudo e ir dormir, descansar os olhos pesados como chumbo. Se pudesse ao menos fechar os olhos por um bocadinho, só uns minutos, tudo seria melhor. Mas não pode, o telefone toca e aquele som estridente parece ferir-lhe o cérebro, atende o mais rapidamente que consegue e ainda assim a voz do outro lado entra-lhe pelo ouvido e explode dentro da sua cabeça, como uma bomba, pum. Fecha os olhos enquanto fala, acaba por desligar e fica a olhar o ecrã do computador sem conseguir concentrar-se, pum pum pum, o martelo insiste naquele prego que ainda não está bem enterrado no seu cérebro, é preciso mais força, continuar a martelar até o prego estar bem preso e não sair, nunca mais, ficar eternamente enfiado no cérebro e o som que não desaparece e a dor que já nem é dor de tão constante que se tornou pum pum pum.

Não acredites em tudo o que lês

8 de fevereiro de 2011

Constatação do dia

Silvio Berlusconi é um Alberto João Jardim italiano.

Com as devidas diferenças, claro, que o tio Alberto não se mete com menores (pelo menos, que se saiba).

Estrangeiro e Estranho # 10 (ao vivo)

Numa aula de um curso de Italiano com alunos de várias nacionalidades, lê-se um texto em voz alta. Trata-se de moda, assunto aparentemente inofensivo. A dada altura, é a vez de a representante portuguesa do grupo ler uma parte do texto onde surge a palavra fodera*.

Não foi fácil explicar aos outros o motivo do ataque de riso que se seguiu.

*Acalmem essas mentes depravadas, significa forro!

7 de fevereiro de 2011

Tecnologia moderna, utilizadores antigos

Depois de encher o quadro branco com explicações de gramática, alguém repara que há um papel cor de laranja colado num canto onde se lê qualquer coisa como "este quadro é electrónico, não escrever". Tarde demais. Apagou-se o que se escreveu e rezou-se aos santinhos todos para que, apesar de tudo, o raio do quadro não esteja estragado. Porque, das sete pessoas presentes, ninguém sabe como utilizá-lo. A única que deveria saber diz que esteve doente no dia em que explicaram como trabalhar com aquilo. Calhou bem, portanto. Daí que se passe a utilizar o quadro do lado, minúsculo, mas onde se pode escrever normalmente com aquelas canetas cuja tinta depois se apaga facilmente.

A fase seguinte é utilizar a televisão e o leitor de DVD, sempre uma aventura. Em cada sala são diferentes, cada um com seu comando próprio. Primeiro passo: encontrar o botão para ligar cada um dos aparelhos. Segundo passo: descortinar qual o telecomando respectivo. Terceiro passo: enfiar o DVD dentro do leitor e rezar para que a imagem surja no ecrã. Inevitavelmente, o volume do som está no máximo. Seis das sete pessoas presentes ficam momentaneamente surdas. A outra está habituada e nem nota que o som está naquele volume. Encontra-se finalmente o botão do volume. Como por milagre, encontra-se também o do menu do DVD. Consegue pôr-se o vídeo a correr, fazer pausa, recomeçar, parar, voltar ao menu e avançar para outro vídeo. Nenhum dos participantes duvida que se trata de intervenção divina.

Também há um computador na sala. Ainda ninguém percebeu se funciona. Adivinham-se novos desenvolvimentos nos próximos dias.

Se eu podia dar uma ajudinha, uma vez que até estou mais ou menos à vontade com estas coisas da tecnologia? Podia. Mas depois não tinha assunto para escrever aqui.

Talvez por ser segunda-feira

Não sei se é do sol que decidiu aparecer ao fim de semanas escondido, se é do Inverno que nunca mais acaba, se é deste cansaço acumulado que não há fim-de-semana que consiga destruir, se é de outra coisa qualquer. O que sei é que neste momento, agora mesmo, apetecia-me estar em Lisboa. Com este céu azul e este sol a aquecer-me a pele, passear na cidade, à beira-rio, depois ir até à praia, almoçar com a família, jantar com os amigos, conversar, dizer os disparates do costume.

Isto do telefone e da Internet é muito bonito e muito prático, mas não é a mesma coisa.

6 de fevereiro de 2011

Devaneios da música nacional

Mas é mentiiiiira. Mentiiiii-iiiiira. Irra que a cantiga não me sai da cabeça. E eu nem sequer gosto, ainda se fosse alguma coisa de que gostasse. João Pedro Pais, que enjoo. Do mal o menos, suponho, podia ser a outra que ele canta com a Mafalda Veiga, um dois em um do vómito musical. Ui, do que me fui lembrar! Páááássaros do Suuuul bando de filhos da mãe que agora se me meteram na lembrança e não querem sair. Por associação de ideias tristes, veio-me à cabeça o outro, o Sardet. (Mania que esta gente tem de usar apelidos estrangeiros. É o Sardet, é o Granger... Olha, vou ali e mudo o nome para Tulipe Noire, que tal?) Goooosto de tiiiiiii desde aqui até à luuua, gooooosto de tiiiii desde a luuuuaté aquiiiiii. Ena, que rima difícil! Mas é profundo, tenho de reconhecer. Aliás, profundo nada, o contrário de profundo pois se é até à lua e volta... O que é uma pena, podia ir até à lua e ficar por lá, mas não, prefere voltar para nos atazanar o juizo. Ou isso, ou a nave não tinha combustível suficiente e ao chegar à lua, caiu. Também se compreende, afinal ao preço a que está a gasolina. E isto das cantigas não deve render o suficiente para andar em viagens espaciais que, parecendo que não, ainda são caras. Estou na luuuuua, não me chateies que eu agora estou na luaaaa e em breve vou chegar ao céu. Pára tudo! (Desta eu até gosto, é divertida, acho piada, pronto, vá-se lá compreender estas coisas.) Mas então o gajo está na lua e daqui a pouco vai chegar ao céu? Então a lua fica onde? No mar? Ora que isto...Leva-me contiiiigo. Práooooonde? Passear na praaaaaia. Aproveita e afoga-a, pode ser? É que a cantilena é gira quando se ouve assim uma vez em cada década, mas a voz da menina é do mais irritante que pode haver. Duuuunas. Sssssão como divããã-ãããs. São pois, divãs, cadeiras, camas, estantes, mesas ou qualquer outra peça de mobiliário que o teu cérebro se lembre de ver depois de consumir essas substâncias menos legais que te fazem escrever canções. E esta, apesar de tudo, é das mais normais... Havia aquela outra que falava em pão-de-ló e rimava com avó, dessa é que eu gostava mesmo. Faz-me sempre lembrar a história do Capuchinho Vermelho, não sei porquê. Peguei, trinquei e meti-te na ceeeesta, ris e dás-me a volta à cabeça-a-a. Pronto. Já cá faltava a cantilena da fruta. Ainda se fosse a outra dos sítios tropicais. Jááá fui ao Brasiiiiil, Praaaaia e Bissau, Angoooola, Moçambique, Gooooa e Macau, ai fui até Freixo de Espada a Cinta e voltei porque estava frio. Pois. Isto por aqui já teve dias melhores.

5 de fevereiro de 2011

Produtividade

4 de fevereiro de 2011

Ainda Porto Covo

Confessem: pensaram que a letra em falta era um O!

Especialmente a pensar na Inês, que gosta de memés, e no João, que gosta de os fotografar.

E esta a pensar no Imperator que gosta dos gelados da Prime.
  
Esta é mesmo para mim, que gosto do gato no telhado.
 
Burros e avestruzes, não menti.

Só o burro...

...e só a avestruz.
Abril de 2007

3 de fevereiro de 2011

Coincidências

Acordei a pensar nos dias que passei em Porto Covo há uns anos. Assim, sem motivo, lembrei-me de como gostei de tudo: da praça central, das praias (embora não as tenha experimentado porque era Abril e chovia), dos passeios pela costa alentejana até ao Algarve (chegámos a Lagos e voltámos para trás), dos restaurantes, das avestruzes e dos burros, das falésias, da Ilha do Pessegueiro... Depois, entrei no carro e no rádio ouvi isto:


Se eu fosse supersticiosa, diria que era um sinal qualquer para lá voltar.

2 de fevereiro de 2011

Apetece-me

Ir para casa. Aninhar-me no sofá, com uma manta quente, encostar-me a ti, ver um filme e adormecer. Acordar contigo num sonho longe da realidade.

1 de fevereiro de 2011

Recomeçar

Sísifo


Recomeça....

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga

Sinais dos tempos

31 de janeiro de 2011

Há dias e dias

E há dias como este, em que o sol brilha a lembrar a Primavera ou o Verão, o mar azul, o calor, as árvores frondosas e as flores de todas as cores, olha-se da janela para a rua e imagina-se que é Agosto, aflora um sorriso aos lábios com a lembrança das férias, mas ao sair de casa o sol não aquece, este sol não é o meu sol, é outro, é frio, demasiado frio, o céu azul, a claridade que fere os olhos há semanas habituados ao cinzento e à escuridão, e o frio que enregela até os ossos, respirar faz doer os pulmões, afunda-se o gorro na cabeça e aperta-se mais o nó do cachecol, quase sufoca, mãos nos bolsos, com luvas, e ainda assim geladas, os dedos vão cair a qualquer momento, tal como o nariz, vem-me à lembrança João Garcia, o alpinista, bem sei que não estou no Everest, mas não gosto de hospitais nem de cirurgias e tenho medo de agulhas.

30 de janeiro de 2011

29 de janeiro de 2011

28 de janeiro de 2011

Hoje


Felizmente, é sexta-feira.

27 de janeiro de 2011

Há gente com passatempos muito estranhos # 2

Isto ameaça tornar-se uma rubrica habitual...

Então agora dou com este que decidiu experimentar uma coisa nova todos os dias, durante um ano, e cronometrar o feito. Parece que a ideia é perceber a diferença entre o tempo real que demoramos a realizar uma acção e o tempo que percepcionamos. Ou seja, quer provar que time flies when you're having fun.

As experiências incluem tentar andar em cima de andas feitas em casa (ontem), cozinhar uma refeição numa lareira (dia 21), jantar com um sem-abrigo (dia 18), aprender Swahili sozinho, em casa (dia 14) ou ver tinta a secar (dia 11). No fim da experiência, o autor indica o tempo que lhe pareceu demorar e depois o tempo real. Se quiserem, também podem sugerir coisas que gostariam de o ver fazer.

26 de janeiro de 2011

Pequenas coisas que fazem milagres # 5

É chocolate do bom e café. Não pode haver combinação melhor!
Torna mais fácil o difícil recomeço de qualquer caminhada. Acho que já disse, mas repito: conheces-me bem demais!