8 de dezembro de 2010

Os pneus de neve são para meninos - a sequela

Só pode ter sido castigo divino! Sim, porque isto das coincidências já diz a outra que não existem, portanto foi castigo. Andei a falar demais, ainda por cima a chamar Messias a quem não o é, e etecetera e tal, e vai daí o Big Guy lá de cima irritou-se e pimba! Vingou-se. E como? Com uma tempestade de neve, pois claro. Mas não foi uma tempestade qualquer, não. Foi daquelas mesmo boas, que começam dez minutos antes da hora de ponta e em cinco minutos conseguem cobrir tudo de branco, incluindo as estradas. Ora como por aqui a meteorologia tem tanto de ciência como a astrologia, tinham dito que ia haver chuva (check!) e queda de neve fraca (pois... a neve até podia ser fraca, a queda é que nem por isso). De maneira que, como é bom de ver, não se tomaram precauções (sal? o que é isso?) e a estrada passou a ser um trajecto mais ou menos instintivo, assim do tipo "parece que é por aqui que costumo passar, deixa cá ver se dá". Giro, giro é ver carros a subir a estrada de lado (os que sobem!), outros a encostarem à berma, filas de trânsito intermináveis, autocarros parados, pessoas a pé que chegam ao destino mais depressa do que eu de carro... Mas a verdade é que desta vez não houve curvas "à rally", piões, dificuldades de travagem, nem nada do género. Demorei mais de uma hora a chegar, mas sem problemas. E tive sorte, porque mesmo agora, mais de quatro horas depois, continua o trânsito parado aqui na rua à conta da brincadeira. Ah e tal, a neve, que giro. É, é. Então não!



As fotos não têm muita qualidade, mas o telemóvel não dá para mais...
Portanto, Big Guy, reconheço: os pneus de neve não são para meninos; são a melhor compra dos últimos tempos! Perde-se em emoção, mas ganha-se em segurança.

[Satisfeito? Então mete aí uma cunha ao Teu amiguinho Pedro e pára lá com a porra da neve que já chega!]

Apresento-vos o Messias, o tal que está quase, quase a fazer anos...

...que afinal não o é! São os Monty Python como nunca antes vistos.



Ao vivo, a cores e a comemorar 40 anos de existência, acompanhados por orquestra e coro e tudo! Chama-se Not the Messiah (He's a Very Naughty Boy) e tenho mesmo de comprar o DVD disto. 

[Ou alguém pode oferecer-mo no Natal, por exemplo, é só uma sugestão...]

Os pneus de neve são para meninos

Resisti enquanto pude, mas acabei por me resignar. Durante anos não troquei os pneus do carro no Inverno. Que disparate, que mariquice! Afinal, mesmo quando neva, as estradas normalmente estão limpas, o carro anda, qual é a necessidade? A primeira vez que conduzi com neve não consegui parar onde queria porque o bicho ganhou vontade própria e seguiu em frente. Uma outra ocasião, a neve era tanta na rampa de saída da garagem, que a viatura simplesmente se recusou a subir, mais parecendo uma criança a fazer birra: andava para todos os lados, menos em frente. Depois houve aquela outra vez em que consegui chegar ao destino, estacionei no parque e já não saí – a neve tapava os pneus e nem os autocarros andavam. Voltei perto da meia-noite para ir buscar o carro e, no regresso a casa, tive direito a meio pião (felizmente a estrada estava deserta). Isto para não falar da traseira a abanar constantemente, tal e qual um dançarino sul-americano, e das muitas curvas "à rally" – as rotundas eram especialmente interessantes. Qual montanha-russa, qual quê! Andar no gelo com pneus de Verão é que é! A aventura, a emoção, a adrenalina…

Mesmo assim, acho que não vou ter saudades.

7 de dezembro de 2010

Uma canção de Natal por dia

Mais uma versão alternativa de um clássico. Aposto que há por aí muito boa gente que preferia esta...



On the 12th day of Christmas, my true love gave to me
12 kids of popping
11 magic mushrooms
10 yolli buttons
9 caps of dropping
8 spoons of snorting
7 whites of buzzing
6 joints of smoking
5 valiums
4 grams of hash
3 pounds of grass
200 reds
and a tab of yellow sunshine LSD

Agora sem fios...


recebido por e-mail.

6 de dezembro de 2010

Uma canção de Natal por dia

Para quem prefere as versões alternativas dos clássicos de Natal.

(A qualidade do vídeo não é a melhor, mas foi o único que encontrei.)



Joy to the world, the teacher's dead
We barbecued her head
What happened to her body?
We flushed it down the potty
And round and round it goes
And round and round it goes

Estrangeiro e estranho # 8


Depois dos esquimós e das muitas palavras para neve, esta semana dedicamo-nos aos albaneses. Não conheço nenhum, que me lembre, mas imagino que sejam homens de barba rija. Ou de bigode, pelo menos, tendo em conta as várias palavras que utilizam para descrever esse tipo de pilosidade facial (espero bem que se refiram só aos homens...). Parece que existem 27 palavras diferentes, aqui ficam apenas algumas:

mustaqe - bigode
madh - farto
holl - fino
varur - com as pontas a cair
big - de pontas reviradas, tipo guiador de bicicleta
kacadre - com pontas viradas para cima
glemb - com pontas afuniladas
fshes - comprido, tipo vassoura, com pêlos hirsutos
dirs ur - bigode de adolescente, que começa a aparecer
rruar - de bigode rapado

Será albanês?

E que nome terá este bigodinho?
A obsessão dos albaneses com a pilosidade não se fica pelo bigode. Aparentemente, também possuem outras 27 palavras para descrever as sobrancelhas (e desconfio que também tenham uma mania qualquer com o número 27). Não sei porquê, mas fiquei sem vontade de os conhecer...

Inspirado por The Meaning of Tingo and Other Extraordinary Words from Around the World, Adam Jacot de Boinod.
Expirado e respirado por Tulipa Negra.

4 de dezembro de 2010

Uma canção de Natal por dia



Por aqui ainda está tudo branco e muito frio, portanto a continuar assim vamos mesmo ter um White Christmas.

And may all your Christmases be white...

2 de dezembro de 2010

Sugestões de prendas para o Natal

Se, como eu, costumam deixar as prendas de Natal para a última hora e não têm a mínima ideia do que comprar, aqui ficam duas sugestões*. São o presente ideal para a menina mulher moderna. Os acessórios estão todos incluídos, mesmo o companheiro.

Barbie mulher-a-dias
Barbie cozinheira
*inspiradas por este post do João.

Uma canção de Natal por dia*



E como the weather outside is frightful, e a neve continua a cair por estes lados, começamos com esta.


*enfim, mais ou menos, enquanto me apetecer.

1 de dezembro de 2010

A reportagem fotográfica possível

Durante:


Depois:





1 de Dezembro de 1640

Dia da Restauração da Independência.

(Ou, dito de outra forma, dia em que corremos com os espanhóis daqui para fora. Claro que agora dá jeito que cá venham às compras no Natal e na Páscoa, mas isso é outra conversa...)

29 de novembro de 2010

R.I.P Frank Drebin



Leslie Nielsen (1926-2010)

Constatação da hora de almoço

No trajecto entre a minha casa e o meu local de trabalho não há um único local decente onde parar o carro por dois minutos para tirar umas fotos à maravilhosa paisagem branca com que a meteorologia nos presenteou hoje. Assim sendo, vão ter de acreditar em mim: isto por aqui está mesmo muito bonito!

Estrangeiro e estranho # 7



Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Balada da Neve, Augusto Gil

Ei-la que chegou, ainda assim um pouco mais tarde do que nos últimos anos. A neve. E acho que em português não temos mais palavras para descrever este fenómeno atmosférico. Eventualmente, acrescentamos uns adjectivos, como neve dura ou mole ou derretida. Mas toda a gente já ouviu dizer que os esquimós têm várias palavras para a neve - o que é natural, tendo em conta que vivem com ela diariamente. Pois bem, aqui ficam algumas dessas palavras nas línguas Inuit. Espero que vos sejam úteis, se um destes dias andarem pelo Pólo Norte.

Neve kaniktshaq
Sem neve aputaitok
Nevar qanir, qanunge, qanugglir
Tempo de neve nittaatsuq, qannirsuq
Neve ou chuva fina kanevcir
Primeiro nevão apingaut
Neve leve a cair qannialaag
Molhada e a cair natatgo naq
No ar, a cair qaniit
Ar pesado com neve nittaalaq
Superfície ondulada com neve kiyuglak
Leve, suficientemente espessa para andar katiksugnik
Fresca sem gelo kanut
Estaladiça sillik
Suave para viajar mauyasiorpok
Mole e espessa onde é preciso sapatos de neve para viajar taiga
Neve como pó nutagak
Salgada pokaktok
Batida a vento upsik
Fresca nutaryuk
Compacta aniu
Estaladiça que parte ao andar karakartanaq
Lamacenta no mar qinuq
A melhor para construir um iglu pukaangajuq
A derreter mangokpok
Firme (a melhor para cortar, a mais quente, a preferida) pukajaw
Solta, acabada de cair que não pode ser usada assim mas pode ser um bom material de construção quando compactada ariloqaq
Para derreter e fazer água aniuk
Que os cães comem aniusarpok
A flutuar na água qanisqineq
Para construir auverk
Na roupa ayak
Sacudida da roupa tiluktorpok
Em muita quantidade na roupa aputainnarowok
Formação de neve prestes a cair navcaq
Nos ramos das árvores qali
Soprada para dentro de casa sullarniq
Tempestade de neve que bloqueia alguma coisa kimaugruk
Tempestade de neve com forma de seta kalutoganiq
Neve a flutuar no ar akelrorak
Tempestade de neve pirsuq, pirsirsursuaq, qux
Tempestade de neve violenta igadug
Avalanche sisuuk, aput sisurtuq
Ser apanhado numa avalanche navcite

Da próxima vez que forem para aqueles lados, já sabem dizer o que dizer no rádio quando ficarem presos numa avalanche.

28 de novembro de 2010

Pequenas coisas que fazem milagres # 2

Oficialmente, é Natal.

26 de novembro de 2010

A todos vocês

A todos os que por aqui passaram e deixaram palavras de coragem e de carinho. Por estranho que possa parecer, ajudam. Muito.


Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill

25 de novembro de 2010

Pequenas coisas que fazem milagres

Conheces-me bem demais.

Como sempre...?

Há dias assim, em que por mais que tente não consigo concentrar-me. Voltar ao local do crime não é fácil, não percebo por que os criminosos insistem em fazê-lo, se acabam sempre por ser apanhados por isso mesmo. Mas eu não tive escolha, tive mesmo de voltar ao local de sempre, ver as pessoas de sempre, ouvir as conversas de sempre, os assuntos de sempre, o trabalho de sempre… Só a concentração e a vontade não são as de sempre. Porque há frases, situações, assuntos que não me saem da cabeça, porque basta olhar em volta e ouvir as conversas. Eu tento. Tenho os papéis na secretária à minha frente, tenho o ecrã do computador ligado, tenho o rádio sintonizado na estação de sempre e já conheço até a sequência das músicas que tocam. Mas olho para os papéis e o que vejo é uma sequência ininteligível de letras, olho para o ecrã e não consigo perceber onde tenho de carregar para avançar, oiço o rádio e nada do que dizem faz sentido. Porque o meu corpo está aqui, mas a minha alma não.

O dia seguinte

Depois dos murros no estômago preciso de me afastar, sempre. Não falo, escondo-me no meu canto, isolo-me e rezo para que não me procurem - principalmente porque reajo mal a qualquer mínima contrariedade. Trato mal quem me rodeia, respondo torto, chego mesmo a gritar, dizem, não que me aperceba disso. Trata-se de um escape, apenas isso, estes conflitos que invento onde não existem. Servem simplesmente para desabafar, para deitar fora tudo o que estava preso cá dentro. E na verdade aliviam, de facto, embora depois fique de rastos por ter reagido assim com quem não merece. Desta vez... Desta vez foi como de todas as outras vezes. Descarreguei na pessoa errada, mesmo tentando não o fazer. Mas decidi afastar-me durante mais tempo daquilo que me fez mal. Um dia inteiro longe, sem ver, sem ouvir, sem pensar. Serviu, pelo menos, para acalmar, para corrigir o mal feito no dia anterior, para descansar a cabeça e o corpo. Agora... Agora é outro dia. Agora é ter Compensan à mão para as dores de estômago que se vão seguir.