29 de novembro de 2010

R.I.P Frank Drebin



Leslie Nielsen (1926-2010)

Constatação da hora de almoço

No trajecto entre a minha casa e o meu local de trabalho não há um único local decente onde parar o carro por dois minutos para tirar umas fotos à maravilhosa paisagem branca com que a meteorologia nos presenteou hoje. Assim sendo, vão ter de acreditar em mim: isto por aqui está mesmo muito bonito!

Estrangeiro e estranho # 7



Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Balada da Neve, Augusto Gil

Ei-la que chegou, ainda assim um pouco mais tarde do que nos últimos anos. A neve. E acho que em português não temos mais palavras para descrever este fenómeno atmosférico. Eventualmente, acrescentamos uns adjectivos, como neve dura ou mole ou derretida. Mas toda a gente já ouviu dizer que os esquimós têm várias palavras para a neve - o que é natural, tendo em conta que vivem com ela diariamente. Pois bem, aqui ficam algumas dessas palavras nas línguas Inuit. Espero que vos sejam úteis, se um destes dias andarem pelo Pólo Norte.

Neve kaniktshaq
Sem neve aputaitok
Nevar qanir, qanunge, qanugglir
Tempo de neve nittaatsuq, qannirsuq
Neve ou chuva fina kanevcir
Primeiro nevão apingaut
Neve leve a cair qannialaag
Molhada e a cair natatgo naq
No ar, a cair qaniit
Ar pesado com neve nittaalaq
Superfície ondulada com neve kiyuglak
Leve, suficientemente espessa para andar katiksugnik
Fresca sem gelo kanut
Estaladiça sillik
Suave para viajar mauyasiorpok
Mole e espessa onde é preciso sapatos de neve para viajar taiga
Neve como pó nutagak
Salgada pokaktok
Batida a vento upsik
Fresca nutaryuk
Compacta aniu
Estaladiça que parte ao andar karakartanaq
Lamacenta no mar qinuq
A melhor para construir um iglu pukaangajuq
A derreter mangokpok
Firme (a melhor para cortar, a mais quente, a preferida) pukajaw
Solta, acabada de cair que não pode ser usada assim mas pode ser um bom material de construção quando compactada ariloqaq
Para derreter e fazer água aniuk
Que os cães comem aniusarpok
A flutuar na água qanisqineq
Para construir auverk
Na roupa ayak
Sacudida da roupa tiluktorpok
Em muita quantidade na roupa aputainnarowok
Formação de neve prestes a cair navcaq
Nos ramos das árvores qali
Soprada para dentro de casa sullarniq
Tempestade de neve que bloqueia alguma coisa kimaugruk
Tempestade de neve com forma de seta kalutoganiq
Neve a flutuar no ar akelrorak
Tempestade de neve pirsuq, pirsirsursuaq, qux
Tempestade de neve violenta igadug
Avalanche sisuuk, aput sisurtuq
Ser apanhado numa avalanche navcite

Da próxima vez que forem para aqueles lados, já sabem dizer o que dizer no rádio quando ficarem presos numa avalanche.

28 de novembro de 2010

26 de novembro de 2010

A todos vocês

A todos os que por aqui passaram e deixaram palavras de coragem e de carinho. Por estranho que possa parecer, ajudam. Muito.


Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill

25 de novembro de 2010

Pequenas coisas que fazem milagres

Conheces-me bem demais.

Como sempre...?

Há dias assim, em que por mais que tente não consigo concentrar-me. Voltar ao local do crime não é fácil, não percebo por que os criminosos insistem em fazê-lo, se acabam sempre por ser apanhados por isso mesmo. Mas eu não tive escolha, tive mesmo de voltar ao local de sempre, ver as pessoas de sempre, ouvir as conversas de sempre, os assuntos de sempre, o trabalho de sempre… Só a concentração e a vontade não são as de sempre. Porque há frases, situações, assuntos que não me saem da cabeça, porque basta olhar em volta e ouvir as conversas. Eu tento. Tenho os papéis na secretária à minha frente, tenho o ecrã do computador ligado, tenho o rádio sintonizado na estação de sempre e já conheço até a sequência das músicas que tocam. Mas olho para os papéis e o que vejo é uma sequência ininteligível de letras, olho para o ecrã e não consigo perceber onde tenho de carregar para avançar, oiço o rádio e nada do que dizem faz sentido. Porque o meu corpo está aqui, mas a minha alma não.

O dia seguinte

Depois dos murros no estômago preciso de me afastar, sempre. Não falo, escondo-me no meu canto, isolo-me e rezo para que não me procurem - principalmente porque reajo mal a qualquer mínima contrariedade. Trato mal quem me rodeia, respondo torto, chego mesmo a gritar, dizem, não que me aperceba disso. Trata-se de um escape, apenas isso, estes conflitos que invento onde não existem. Servem simplesmente para desabafar, para deitar fora tudo o que estava preso cá dentro. E na verdade aliviam, de facto, embora depois fique de rastos por ter reagido assim com quem não merece. Desta vez... Desta vez foi como de todas as outras vezes. Descarreguei na pessoa errada, mesmo tentando não o fazer. Mas decidi afastar-me durante mais tempo daquilo que me fez mal. Um dia inteiro longe, sem ver, sem ouvir, sem pensar. Serviu, pelo menos, para acalmar, para corrigir o mal feito no dia anterior, para descansar a cabeça e o corpo. Agora... Agora é outro dia. Agora é ter Compensan à mão para as dores de estômago que se vão seguir.

23 de novembro de 2010

Difícil

Difícil é ter de fazer cara alegre quando me apetece chorar. Difícil é lutar durante anos e não ter resultados. Difícil é levantar a cabeça depois. Difícil é arranjar coragem para continuar a tentar. Difícil é ouvir que alguém fez tudo o que eu mais quero fazer e não consigo. Difícil é mostrar-me feliz por terem conseguido o que eu tanto desejo. Difícil é não sentir inveja. Difícil é não sentir a injustiça. Difícil é não pensar que o universo está todo contra mim. Difícil é encontrar o lado positivo. Difícil é não desabar quando estou sozinha.

Difícil é ter um sorriso no rosto quando por dentro…

A propósito de nada # 3

Já aqui disse que trabalhei como jornalista. Pois bem, a certa altura precisávamos de mais colaboradores para a publicação e colocámos anúncio nesse sentido. Entre os vários candidatos que se apresentaram, recordo um que destacava no Curriculum Vitae um curso de criação de avestruzes. Suponho que enquanto as aves enfiavam a cabeça na areia ele tinha tempo para praticar a arte da escrita...

Agradar aos leitores tem limites!

Tenho todo o gosto em tentar ajudar quem veio procurar saber quantos segundos são 3 horas, 20 minutos e 15 segundos. Se não me enganei nas contas, são 12015 segundos (mas eu sou mesmo é de letras, portanto é possível que os cálculos estejam errados).

Agora quem aqui chegou à procura de "cachorro f*dendo mulher" vai ter uma grande desilusão!

22 de novembro de 2010

Eu gosto de agradar aos leitores

E o João pediu, por isso eu dou. Porque não quero que lhe falte nada!

Estrangeiro e estranho # 6

Um palíndromo é uma palavra, frase ou qualquer outra sequência de unidades que pode ser lida tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita, como por exemplo as palavras osso ou sopapos. Esta característica não é exclusiva do português e em finlandês encontramos alguns dos palíndromos mais longos do mundo:

saippuakivikauppias - vendedor de pedra-sabão
solutomaattimittaamotulos - o resultado de uma medição em laboratório para tomates

Há até quem se entretenha a inventar palíndromos mais complexos, muitas vezes sem sentido, como estes:

Anotaram a data da maratona
Assim a aia a missa
A droga da gorda
A mala nada na lama
A torre da derrota

Não que em estrangeiro façam mais sentido, atenção! Vejam, por exemplo, o que os finlandeses são capazes de fazer por uma cerveja: neulo taas niin saat oluen (tricota novamente para teres uma cerveja). Ou o que os alemães consideram uma mulher fina: Nie fragt sie: ist gefegt? Sie ist gar fein (ela nunca pergunta: foi varrido? Ela é muito fina).

Não pensem que este tipo de jogo de palavras é novidade, porque já os gregos antigos o usavam: 

ΝΙΨΟΝ ΑΝΟΜΗΜΑΤΑ ΜΗ ΜΟΝΑΝ ΟΨΙΝ (Lava também teus pecados, e não só o rosto)

Aliás, um famoso palíndromo bi-dimensional é uma inscrição latina que foi encontrada nas ruínas de Herculano e Pompeia. O quadrado é absolutamente simétrico - pode ser lido da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, de cima para baixo e de baixo para cima. Existem duas alternativas propostas para a tradução, que não é consensual: "O semeador Arepo conduz cuidadosamente o arado" e "O criador mantém o mundo em sua órbita".

Quadrado Sator, também conhecido como quadrado mágico,
quadrado latino ou fórmula Sator
Em português, um dos maiores que encontrei foi este:

É volitar ter a ave... Lico domina e lê. Ática, Ana Morale, a ti, Paolo, todavia, relê. Assinada, ela fala: ‘– Sai, cala, foge, retrata, vá, ó Satim! (repetem o nosso nome). Te permitas o avatar ter ego. Falácias, Alá, fale à Danissa!’ Ele, raiva do tolo, apita... Ela, romana, a cita. Ele, ânimo dócil... Eva, a retrátil, o vê!

De onde se depreende que há por aí muita gente desocupada...

Inspirado por The Meaning of Tingo and Other Extraordinary Words from Around the World, Adam Jacot de Boinod.
Expirado e respirado por Tulipa Negra.

21 de novembro de 2010

Finalmente percebo

Pensava eu que os macarons eram assim uma espécie de bolacha recheada com mania das grandezas, a que nem sequer achava grande piada. Eram doces e pronto, comiam-se, mais nada. Até provar estes:


Admito: são uma delicia! Principalmente acompanhados por um chocolate quente, a um domingo à tarde, quando lá fora está um frio insuportável.

Felicidade

Adormecer nos teus braços, a cabeça no teu peito, ouvir o bater do teu coração embalar-me, sentir o teu cheiro e o calor do teu corpo. Sempre.

20 de novembro de 2010

19 de novembro de 2010

Apresento-vos o velho Sheldon...

...ou será o novo?



The Big Bang Theory. Nunca imaginei que a física pudesse ser tão divertida!

Para reflectir nos próximos dias

Deves desconfiar do cavalo quando estás atrás dele; do touro quando estás à frente; e dos políticos em todos os lados.

Paul Valéry

18 de novembro de 2010

Ainda se fosse uma caixa de pastéis de Belém...

Sou só eu que acho uma foleirada pegada os objectos em cortiça que o Estado Saloio Português vai oferecer às altas individualidades que vão participar na cimeira da NATO? Até já estou mesmo a ver o Obama a usar a bela da gravata de cortiça, ou a Hillary Clinton de mala de cortiça no braço enquanto vai ao supermercado. Quanto muito, pode ser que o cão, por patriotismo canino, não se recuse a usar a coleira...

Uma boa causa

Anjinhos de Natal

É certo que na época do Natal aparecem mil e uma campanhas de solidariedade, é certo que não podemos contribuir para todas. Mas também é certo que nesta altura as pessoas estão mais predispostas a dar, por muito pouco que seja. Por isso mesmo, o melhor é escolher uma ou duas causas e contribuir como pudermos. Descobri esta há uns dias e pareceu-me interessante. Primeiro, porque não me pedem dinheiro sabe-se lá para quê em troco de um boneco de feltro que acaba por ir parar ao fundo de um baú. Depois porque a oferta é feita directamente a uma criança específica e não a uma organização sem rosto que nunca temos a certeza de entregar o que demos com tanto carinho. E finalmente porque permite ajudar crianças desfavorecidas a terem um Natal um bocadinho melhor. Não devia ser só no Natal, devia ser o ano todo? Devia. Mas gosto de pensar que com a minha ajuda contribuo para que pelo menos um dia da vida destas crianças seja mais feliz. Segue-se a explicação por quem está a organizar tudo.

Os anjinhos são crianças desfavorecidas, às quais o Exército de Salvação, com a nossa participação e de colaboradores de muitas outras empresas, ajuda a ter um Natal mais alegre. As crianças mais carenciadas são seleccionadas pelo Exército de Salvação, que faz a pesquisa no terreno junto das famílias mais necessitadas.
Depois de seleccionados os nomes e idades das crianças são colocados num cartão com o pedido da prenda. O anjinho é o cartão onde vêm mencionados a idade e o presente da criança em causa: um brinquedo e um fato de treino para a idade. Todos os anjinhos correspondem a uma criança específica, por esse motivo em todos os presentes deve ser colocado o número correspondente à criança, este número vem mencionado no cartão-anjinho.

Quem quiser contribuir pode solicitar o número de anjinhos que pretende através do mail: fiosoltos@gmail.com e eu enviarei toda a informação do anjinho o mais rápido possível.

Estes pedidos devem ser feitos no máximo até dia 30 de Novembro e a entrega dos presentes será feita entre os dias 2 e 7 de Dezembro nas instalações da TVI, ao cuidado de Ana Almeida ou contactar-me para que eu possa indicar outro local ou mesmo ir levantar os presentes, nenhum anjinho ficará sem presente por motivos logísticos.

É muito importante que todos os presentes sejam entregues devidamente identificados com o número do anjinho.

Um grande OBRIGADA a todos os que acolherem esta acção.
Os Anjinhos no Facebook: LINK