3 de novembro de 2010

Pensamento do dia

It's called mind over matter. If we don't mind, it doesn't matter.

Emma Donoghue, Room

No rádio

- Já de seguida, os És Especial, com "Deixas Saudade".

Identificaram? Pois. Era disto que ele falava:



E aprender os nomes dos cantores e das canções antes de os anunciar, não?

2 de novembro de 2010

Bom, bom...

...é não trabalhar no dia a seguir a um feriado que até calhou à segunda-feira.

Leituras

My favorite bit of Outside is the window. It's differente every time. A bird goes right by zoom, I don't know what it was. The shadows are all long again now, mine waves right across our room on the green wall. I watch God's face falling slow slow, even orangier and the clouds are all colors, then after there's streaks and dark coming up so bit-at-a-time I don't see it till it's done.

Há muito que um livro não me prendia como este, a ponto de, por várias vezes, ter de me obrigar a largá-lo por já passar das 2h da manhã.

Mais do que a história, é a forma como é contada. Jack é um menino que acaba de fazer 5 anos. Vive com a mãe num quarto pequeno, com uma clarabóia e uma porta trancada. Para ele, o Mundo é isto. Embora tenha uma televisão, sabe que tudo o que aí vê é fantasia, as únicas coisas reais são o que existe dentro do quarto. Jack descreve o que vê e o que sente com a inocência e incompreensão próprias de uma criança curiosa e inteligente. E é pela sua voz que vamos percebendo a história, os acontecimentos terríveis que o colocaram a ele e à mãe naquela situação, e toda a coragem necessária para sair dela.

Jack faz-nos olhar para o que nos rodeia de uma forma nova. O Mundo, visto pelos olhos de uma criança que viveu sempre fora dele, é um lugar simultaneamente maravilhoso e assustador.

Segundo o site oficial, a tradução portuguesa está em preparação. A não perder!

1 de novembro de 2010

Estrangeiro e estranho # 3

I see dead people.

Tendo em conta que ontem foi Halloween, hoje é dia de Todos-os-Santos e amanhã é dia dos fiéis defuntos (mais conhecido por dia de finados), vamos falar de fantasmas, aparições e companhia.

A crença de que depois de morrer há mais qualquer coisa está presente em quase todas as culturas e é expressa de várias formas em cada língua. Na Nicarágua (Ulwa), aparentemente acreditam que quando uma pessoa morre liberta um iwang wayaka, espírito invisível que faz barulho. Certo. Invisível até entendo, fazer barulho é que se dispensava porque nestas alturas os vivos precisam de descansar. Já no Nepal (Sherpa) usam a técnica hrendi thenok para contactar a alma de um morto, que pelos vistos não é barulhenta como na Nicarágua, caso contrário seria fácil contactá-la.

Os nossos amigos esquimós (Inuit) tentam a tarniqsuqtuq, a comunicação com um espírito que não consegue partir. E como é que eles sabem disso? Provavelmente, o espírito é barulhento e diz-lhes. Os persas, por seu lado, falam de raskh, ou seja, a transmigração da alma humana para uma árvore ou planta. Não é por nada, mas assim como assim preferia ser um passarito, sempre dava para viajar.

Mas o mundo do além é tema de muitos filmes de terror, sentimento também reflectido nas línguas. Os campeões neste campo são os indonésios. Vejam só estes três exemplos:

- wewe é o fantasma de uma mulher feia com seios descaídos (pois… cada um tem medo do que tem e nada a fazer);

- keblak é um galo fantasma que assusta as pessoas à noite com o barulho das suas asas (não conhecem a lenda do galo de Barcelos, com certeza, porque mais assustador do que o barulho das asas de um galo é um galo morto que desata a cantar);

- kuntilanak é um fantasma disfarçado de mulher bonita para seduzir os homens, que depois ficam horrorizados ao descobrir que, na verdade, ela tem um grande buraco nas costas (bem feita, ninguém os manda pensar com a cabeça errada e além disso é escolher entre o buraco nas costas desta e os seios descaídos da outra).

Para terminar, agora que se aproxima o Natal, nada melhor do que uma figura do gaélico escocês que, desconfio, deve ter influenciado em muito a ideia que temos do Pai Natal, mas ao contrário: bodach é o fantasma de um homem velho que desce pela chaminé para aterrorizar as crianças que se portaram mal. Pais que por aí andam, parece-me que deve ser mais eficaz do que simplesmente ameaçar que não levam prenda!

Inspirado por The Meaning of Tingo and Other Extraordinary Words from Around the World, Adam Jacot de Boinod.
Expirado e respirado por Tulipa Negra.

31 de outubro de 2010

Diz que hoje é Halloween

Cuidado!
 Elas andam aí...

30 de outubro de 2010

Saturday Night

29 de outubro de 2010

A melhor prenda

Não é material. Não é um carro, uma casa, uma viagem a um lugar paradisíaco. Não é sequer um par de sapatos, aquele vestido ou uma jóia. A melhor prenda é poder passar o dia rodeada das pessoas de quem mais gosto no mundo. São as mensagens de todos os outros, que por estarem longe não podem estar comigo fisicamente. E, claro, é a surpresa de perceber que mesmo aqueles que mal "conheço", se dão ao trabalho de me deixar uma mensagem simpática.

28 de outubro de 2010

Oktoberfest

É hoje.

27 de outubro de 2010

Luxos

Almoçar em casa, uma refeição preparada pela mãe, na companhia dos pais e do marido, num dia de semana. E depois não trabalhar de tarde.

26 de outubro de 2010

Relatividade

urgente
adjectivo uniforme

1. que urge; que não admite delongas
2. iminente
3. indispensável

(Do lat. urgente-, «id.», part. pres. de urgére, «apertar; urgir»)

em http://www.infopedia.pt/


O que é urgente ou não? O que constitui uma urgência? E quem decide? O que para uns é urgente, indispensável, tem de ser resolvido de imediato, para outros pode esperar dias, semanas, anos, até. Tudo depende da perspectiva. Obviamente que o facto de outra pessoa precisar de usar a casa de banho para mim não é urgente, mas imagino que para a pessoa possa ser. Agora quem tem o direito de me dizer que aquilo que eu considero urgente não o é? Quem? A que propósito? Quem lhe deu essa autoridade? Como é que me respondem que agora não pode ser porque estão em greve, que se pode prolongar até 8 semanas (!!), portanto que ligue quando terminar a greve para resolver o assunto, porque de momento só tratam de urgências? COMO? E o meu assunto não é urgente porquê? Para mim é, e muito!

P**a que os p***u a todos.

25 de outubro de 2010

Estrangeiro e estranho # 2


Zezé: O gajo era romancionista.
Tóni: Arrumava carros? Toxico-independente?
Zezé: Romancionista! Escrevia poemas!

A comunicação é essencial entre as pessoas, mas por vezes é dificultada por vários factores. Algumas línguas têm expressões muito úteis que descrevem essas situações específicas. Na Indonésia, por exemplo, suponho que seja complicado conviver com quem sofre de latah, o hábito incontrolável de dizer coisas embaraçosas (não confundir com lata em português que significa, basicamente, descaramento). Além disso, começo a achar que os indonésios não devem ser muito educados, se têm uma palavra específica para quem interrompe sem pedir desculpa: nyelonong. Piores do que os indonésios, só os falantes das línguas Inuit (vulgo, Esquimós), que até têm uma palavra para quem nunca responde: akkisuitok.

Já na China, terra com tantos milhões de habitantes, é natural que alguns toquem alaúde a uma vaca (dui niu tanqin - parece que é no sentido de falar por cima de outra pessoa ou dirigir-se ao público errado). Mais estranho é que haja quem hesite e murmure sozinho (chenyin), mas imagino que com tanta gente à volta seja a única forma de conseguirem ouvir os próprios pensamentos.

Os turcos, por seu lado, têm a expressão catra patra que designa o acto de falar uma língua incorrectamente, como os nossos Tóni e Zéze ou alguém que está a aprender a língua. E quando estamos a falar uma língua que não conhecemos bem, temos tendência para, além de falar mais alto, responder sim a tudo, especialmente se não percebemos o que nos disseram. Chama-se a isso, em russo, dakat'.

Eu nunca estive nas Ilhas Cook, mas desconfio que por lá deve haver muita coscuvilhice entre os Maori. É a única explicação para a existência da palavra 'o'onitua, que significa falar mal de alguém na sua ausência. Na Jamaica, terra conhecida por ser bem mais descontraída tendo em conta vários produtos naturais que por lá usam e abusam, a mesma palavra em patois serve para coscuvilhice e anedotas ou canções e memórias nostálgicas da escola: labrish.

E como por esta semana a lição já vai longa, despeço-me na língua do vulcão que nos atazanou a vida este Verão:  

bless!

Inspirado por The Meaning of Tingo and Other Extraordinary Words from Around the World, Adam Jacot de Boinod.
Expirado e respirado por Tulipa Negra.

24 de outubro de 2010

Para vossa segurança

23 de outubro de 2010

Pagar para poder... pagar!

Contribuinte: Gostava de comprar um carro.
Estado: Muito bem. Faça o favor de escolher.
Contribuinte: Já escolhi. Tenho que pagar alguma coisa?
Estado: Sim. Imposto sobre Automóveis (ISV) e Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA).
Contribuinte: Ah... Só isso.
Estado: E uma coisinha para o pôr a circular: o selo.
Contribuinte: Ah!..
Estado: E mais uma coisinha na gasolina necessária para que o carro efectivamente circule. O ISP.
Contribuinte: Mas... sem gasolina eu não circulo.
Estado: Eu sei.
Contribuinte: Mas eu já pago para circular...
Estado: Claro!
Contribuinte: Então... vai cobrar-me pelo valor da gasolina?
Estado: Também. Mas isso é o IVA. O ISP é uma coisa diferente.
Contribuinte: Diferente?!
Estado: Muito. O ISP é porque a gasolina existe.
Contribuinte: Porque existe?!
Estado: Há muitos milhões de anos os dinossauros e o carvão fizeram petróleo. E você paga.
Contribuinte: ... Só isso?
Estado: Só. Mas não julgue que pode deixar o carro assim como quer.
Contribuinte: Como assim?!
Estado: Tem que pagar para o estacionar.
Contribuinte: Para o estacionar?
Estado: Exacto.
Contribuinte: Portanto, pago para andar e pago para estar parado?
Estado: Não. Se quiser mesmo andar com o carro precisa de pagar seguro.
Contribuinte: Então, pago para circular, pago para poder circular e pago por estar parado.
Estado: Sim. Nós não estamos aqui para enganar ninguém. O carro é novo?
Contribuinte: Novo?
Estado: É que se não for novo tem que pagar para vermos se ele está em condições de andar por aí.
Contribuinte: Pago para você ver se pode cobrar?
Estado: Claro. Acha que isso é de borla? Só há mais uma coisinha...
Contribuinte: Mais uma coisinha?
Estado: Para circular em auto-estradas...
Contribuinte: Mas... mas eu já pago imposto de circulação.
Estado: Pois. Mas esta é uma circulação diferente.
Contribuinte: Diferente?
Estado: Sim. Muito diferente. É só para quem quiser.
Contribuinte: Só mais isso?
Estado: Sim. Só mais isso.
Contribuinte: E acabou?
Estado: Sim. Depois de pagar os 25 euros, acabou.
Contribuinte: Quais 25 euros?!
Estado: Os 25 euros que tem de pagar para andar nas auto-estradas.
Contribuinte: Mas não disse que as auto-estradas eram só para quem quisesse?
Estado: Sim. Mas todos pagam os 25 euros.
Contribuinte: Quais 25 euros?
Estado: Os 25 euros é quanto custa o chip.
Contribuinte: ... Custa o quê?
Estado: Pagar o chip. Para poder pagar.
Contribuinte: Não percebi...
Estado: Sim. Pagar custa 25 euros.
Contribuinte: Pagar custa 25 euros?
Estado: Sim. Paga 25 euros para pagar.
Contribuinte: Mas eu não vou circular nas auto-estradas.
Estado: Imagine que um dia quer? Tem que pagar.
Contribuinte: Tenho que pagar para pagar porque um dia posso querer?
Estado: Exactamente. Você paga para pagar o que um dia pode querer.
Contribuinte: E se eu não quiser?
Estado: Paga multa!

recebido por e-mail

22 de outubro de 2010

Ansiedade

Imagino situações, diálogos, pessoas, tenho o mau hábito de fantasiar que aquilo que imagino pode ser real. Mas como nem sempre o que imagino é agradável, dou por mim a viver estados de ansiedade que muitas vezes não são justificados. Ouvi dizer que não vale a pena sofrer por antecipação. É verdade que não, mas eu não consigo fazê-lo de outra forma – e invejo quem consegue, confesso. Nessas alturas preciso de ficar sozinha, sem ter de falar com ninguém, até porque tudo o que me possam dizer serve apenas de motivo de discussão, de veículo para descarregar a tensão acumulada. Chego ao fim do dia cansada mas, olhando para trás, não consigo vislumbrar nada de útil que tenha feito. A concentração voou para longe, não há nada que me prenda a atenção e a ansiedade prolonga-se pela noite dentro e tira-me o sono, acorda-me de madrugada e não me deixa dormir mais. Enquanto aquilo que imagino não se resolve, não tem uma conclusão, seja positiva ou negativa, não descanso. Tenho medo de ter esperança. Porque sempre que a tenho, sempre que acredito que desta vez é que vai ser, que tudo vai correr bem... tenho desilusões. Daquelas grandes, de me deixar de rastos durante dias e dias, sem conseguir fazer nada, pensar em nada... Não consigo ser paciente e ter calma e cabeça fria, ou morna sequer, e preciso de resolver tudo, logo. Irrito-me por tudo e por nada, sem motivo, com a pessoa errada, porque quando quero alguma coisa quero mesmo, com força, com todas as minhas forças, que às vezes são tão poucas! Talvez deseje o impossível.

E as lágrimas caem pelo rosto, incontroláveis.

21 de outubro de 2010

Já começa

8h da manhã
Temperatura dentro da garagem: 15,5ºC
Temperatura exterior: 1ºC

7h da manhã, no Funchal (menos uma hora do que aqui)
Temperatura exterior: 21ºC

...
...

Falta muito para o Verão?

20 de outubro de 2010

3 minutos e 15 segundos

É o tempo que separa a possibilidade de felicidade extrema da mais profunda tristeza.

Medos

Do futuro. Do que poderá ser, do que poderá não ser, do desconhecido, sobretudo. Medo de que os desejos não se concretizem, mas principalmente do contrário. Porque não se realizando os desejos, é fácil viver. Estou habituada a viver sendo os desejos apenas isso mesmo, desejos. E um não é sempre certo, pode até doer mas é confortável. Ao fim de um tempo, volto à vidinha de sempre e, afinal, nada mudou, tudo continua igual. O contrário é assustador. A possibilidade de se concretizar um desejo aterroriza-me. Porque se o desejo o é realmente, é de tal forma ansiado que tenho até medo do que virá a seguir. Be careful what you wish for, dizem os americanos com razão. Concretizando-se esse desejo, especificamente, nada será como antes. Tudo mudará, de um dia para o outro. Espero sempre que mude para melhor, porque para pior antes assim, mas a verdade é que não o sei. Não tenho a certeza. E assusta-me. Muito.

19 de outubro de 2010

Hoje

Não sai nada de jeito desta cabeça. Ou antes, há qualquer coisa que não me sai da cabeça e me impede de fazer seja o que for. Assim sendo, mais vale ficar quietinha no meu canto.
Pode ser que amanhã seja melhor.

18 de outubro de 2010

Estrangeiro e estranho # 1

 You had me at "Hello".

Nada como começar pelo início. Uma das palavras mais úteis e das primeiras a aprender numa língua estrangeira é, claro está, a forma de cumprimento. Um "olá" ou "bom dia" bastam, em português. Mas nem sempre é assim.

Se forem ao Senegal não se admirem de ouvir um simples aa (Diola), mas na Rússia podem ser surpreendidos por um khaumykhyghyz (Bashkir). Já na Serra Leoa, podem pensar que finalmente encontraram o Wally quando ouvirem wali-wali, mas é apanas uma forma de cumprimento. E no Canadá não voltou a moda do iô-iô, que se saiba, mas é natural ser saudado com um yoyo (tribos Kwakiutl). Já no Sri Lanka a economia de palavras ditou que se use ayubowan para bom dia, boa tarde, boa noite e adeus. Nada que os italianos não façam também com ciao, que tanto significa olá como adeus. É tão simples. Para quê complicar?

Para começar, chega. E agora vou-me embora sem dizer a ninguém onde vou, como fazem os índigenas Wagiman da Austrália:
Allahaismarladik

Inspirado por The Meaning of Tingo and Other Extraordinary Words from Around the World, Adam Jacot de Boinod.
Expirado e respirado por Tulipa Negra.