11 de outubro de 2010

Alucinações

Encontro-me numa praia deserta, paradisíaca. O sol alto aquece-me a pele, o mar azul-turquesa ao fundo confunde-se com o céu no horizonte. As palmeiras proporcionam-me a sombra necessária. Ao meu lado, uma mesa onde está pousado um copo alto com uma bebida colorida enfeitado com um pedaço de ananás e um chapelinho de papel. Estou de férias, penso. Fecho os olhos e sorrio, feliz.

Inesperadamente, ao som do mar sobrepõe-se um ruído muito forte, um estrondo que se prolonga durante alguns segundos. Abro os olhos e vejo um clarão ao longe, em tons amarelos e vermelhos, uma chama que atinge a altura de vários arranha-céus. Sinto uma onda de choque que me atira ao chão de pedra e faz estremecer tudo à minha volta. Já não estou na praia e não percebo o que se passa. Levanto-me e começo a andar na direcção da luz, agora azulada, desviando-me de outras pessoas e dos carros que travam a fundo e buzinam, num súbito caos.

Consigo finalmente aproximar-me e vejo que a luz diminuiu de intensidade e de tamanho. Sem saber como, chego muito perto e estou afinal em casa, a olhar para dentro do forno cuja luz está acesa e onde vejo um bolo a cozer. Toca uma campainha, indicando que o bolo está pronto. Abro o forno, tiro a forma sem usar pegas nem qualquer espécie de protecção, mas não me queimo, e olho incrédula para as minhas mãos, imaculadas.

Não sei onde pus a forma, mas as minhas mãos, agora vazias, parecem-me gigantes. Sou tão pequenina! Tenho apenas cinco anos, estou na rua a brincar com outras crianças da minha idade. A minha avó chama-me, à janela: são horas de jantar. Olho e vejo-a sorrir.

Subo apressada as escadas do prédio onde moro e entro numa sala que não reconheço. Paredes e chão em metal, uma luz fria proveniente das lâmpadas fluorescentes do tecto alto, macas de hospital encostadas às paredes e, ao fundo, uma mesa enorme cheia de instrumentos cirúrgicos. Sou novamente adulta e estou assustada. Abre-se uma porta que até aí não tinha visto, na parede do lado direito. Oiço uma voz gritar, enérgica "Goooooood Morning, Vietnaaaaaam!" ao mesmo tempo que entra na sala o E.T. com um vestido de menina e um chapéu enfeitado com frutas e flores.

Sinto um cheiro intenso a pinho. Olho em volta. Estou no meio de um pinhal imenso, árvores de copas gigantes, a caruma pica-me os pés descalços. Oiço música a tocar mas não identifico de onde vem. Resolvo seguir o urso que me acena e sorri, mostrando-me um pote de mel enquanto se afasta na direcção de uma clareira. Quatro músicos tocam uma melodia alegre. Ao aproximar-me, vejo que não são humanos: um tigre, um elefante, um golfinho e o urso. Acho estranho encontrar ali um golfinho, que se oferece para me dar boleia assim que terminar o espectáculo, falando numa língua que não conheço, mas compreendo.

Aceito. Levantamos voo quase de imediato, uma hospedeira oferece-me uma lata de feijão, um copo de água e um livro. Começo a ler as páginas em branco, mas percebo a história que me envolve de uma forma pouco habitual. Deitada na minha cama, tapada com o edredão porque é Inverno e está frio, viro as páginas enquanto como bolachas de chocolate e carrego no acelerador.

A estrada está deserta, conduzo um carro que não é meu e onde sigo sem companhia. Acelero cada vez mais, atinjo uma velocidade que me parece irreal, deveria estar a voar! Oiço a sirene do carro da polícia que me persegue, não conseguindo contudo acompanhar-me. Ao meu lado, no lugar do morto, o Calimero, de casca de ovo na cabeça, queixa-se continuamente. Perco a paciência, abro a porta e empurro-o para fora com o carro em andamento. Oiço apenas um grito cada vez mais afastado. Buzino em resposta. Volto a buzinar, uma e outra vez, e mais outra e ainda outra. Estou a ficar com dores de cabeça mas não paro de buzinar.

Abro os olhos. Encontro-me numa praia deserta, paradisíaca…

9 de outubro de 2010

8 de outubro de 2010

O banco de jardim

(Fotografia de FJPR em Olhares.com)

A meio da subida, na berma da estrada, há um banco de jardim (ainda se chamará banco de jardim não estando num jardim?). Vi-o hoje pela primeira vez, nunca antes tinha reparado nele apesar de ali passar todos os dias, duas vezes por dia. Nunca lá vi ninguém sentado, também. Suponho que é possível que alguém se lá sente, de outra forma não passa de um banco de jardim na berma da estrada, sem qualquer utilidade. E se não tem utilidade, para quê existir? Um objecto tem uma utilidade definida, foi criado com um propósito e quando não o serve, quando deixa de nos servir, torna-se inútil, portanto supérfluo, e logo deixa de ter razão de existir.

Sempre achei os bancos de jardim tristes, quando vazios. Como se estivessem incompletos sem alguém lá sentado, como se lhes faltasse uma parte da sua essência. Como se o velho que ali descansa os ossos por uns minutos antes de continuar o seu caminho vagaroso ou o casal de namorados que se beija apaixonadamente lhe conferissem toda a razão da sua existência. Servir. É para isso que existem os bancos de jardim. Para proporcionar uns minutos de descanso à sombra das árvores num dia quente de Verão, para dar dois dedos de conversa com um amigo, para ler um livro, para esperar alguém que teima em chegar sempre atrasado.

Tal como as pessoas que vamos encontrando ao longo da vida. Também elas têm um propósito, uma razão de existir, que é diferente para cada um. Aquela pessoa, por exemplo, que para mim não passa de um conhecido com quem troco uns cumprimentos por obrigação mais do que por prazer, para alguém será certamente muito mais importante: pai, marido, irmão, filho… Certas pessoas têm uma utilidade limitada no tempo, uma espécie de prazo de validade. Entram na nossa vida no momento certo, cumprem determinada função essencial, ajudam-nos a crescer e a evoluir - mesmo aquelas de quem não gostamos ou que nos fazem mal. E quando deixam de nos servir, quando já não nos fazem falta, quando começam a apodrecer, desaparecem. Simplesmente. E é assim que deve ser. Sempre.

Por mais que os bancos de jardim pareçam tristes quando estão vazios.

7 de outubro de 2010

Dois segundos

Dois segundos de distracção são o suficiente. Dois segundos em que a atenção se desvia do importante para o acessório, em que os olhos são atraídos por um qualquer movimento e, inconscientemente, aí se concentram. Dois segundos, não mais. Nesse período de tempo, aparentemente curto, tudo pode acontecer.

A criança, dos seus dois anos, talvez, caracóis loiros, olhos azuis, chupeta na boca, peluche na mão, linda de morrer, na ingenuidade e inocência naturais da idade, seguiu quem pensou ser a mãe. Aos seus olhos, os adultos parecem todos iguais e no meio da multidão é tão fácil confundi-los. A mulher que a criança seguiu estava vestida como a mãe, com uns jeans e umas sabrinas nos pés - os únicos elementos que a menina conseguia ver por estarem ao nível dos seus olhos. Mas não era a mãe. Era eu.

Apercebi-me de que ela me seguia e me agarrava as calças quando estava já à porta da loja, pronta para sair. Olhei para trás e vi a mãe, de vinte e tal anos, lá ao fundo, distraída com qualquer objecto numa prateleira. Nem notara que a filha tinha saído dali. A menina olhava-me, com a incompreensão estampada no rosto, os olhos grandes esbugalhados e o peluche bem agarrado e encostado ao peito, sem perceber de que forma a mãe se tinha transformado tanto. Calmamente, expliquei-lhe que tinha de voltar para trás e ir ter com a mãe. Esboçou um sorriso, voltou costas e começou a andar na direcção da mãe e, quando estava quase a chegar ao pé dela, esta abriu os braços para a receber, dando-se finalmente conta de que a filha se tinha afastado.

Não falei com ela, limitei-me a sair da loja depois de ver que a menina estava entregue à família, mas fiquei com a sensação de que aquela mãe não teve noção de como esteve perto de perder a filha, possivelmente para sempre. Fosse eu uma raptora e a esta hora estaria mais uma família destroçada, desesperada, a polícia em alvoroço, e aquela criança sabe-se lá em que estado.

Foram dois segundos. Não mais.

Já não é novo

Mas continua a ser genial!

6 de outubro de 2010

Coisas que podendo fazer mal ao corpo fazem muito bem à alma

Estar horas a conversar com amigos de longa data no Facebook, por ser impossível fazê-lo pessoalmente. Espremendo bem, o sumo não é nenhum. Não se falam de problemas, não se discutem políticas nem filosofias nem economia nem nada de jeito. Dizem-se disparates, muitos. Tantos que a certa altura a barriga dói de tanto rirmos. Perdemos a noção das horas e quando damos por isso passa da 1 da manhã e não temos sono e queremos continuar ali. Insultamo-nos como sempre fizemos, mas sabemos bem que o fazemos porque nos adoramos. Implicamos e ridicularizamos uns e outros, e visto de fora até pode parecer ofensivo, mas entre nós sempre foi assim e vai continuar a ser. Como dizia uma das intervenientes: há coisas que nunca mudam.
Ainda bem.

5 de outubro de 2010

Estranho é

receber um e-mail do chefe não só a agradecer um trabalho feito mas também a despedir-se com smiles.

Welcome to the Twilight Zone!

4 de outubro de 2010

Lembras-te?

- Cheira a chuva.
- Cheira a quê?
- A chuva.
- Mas a que cheira a chuva? A chuva é água, não tem cheiro...
- Não digas disparates! Claro que a chuva tem cheiro.
- Eu nunca senti o cheiro da chuva. Sinto o toque da chuva, as gotas a caírem-me na cabeça, e até já lhe senti o sabor, mas o cheiro nunca.
- O sabor da chuva?
- Sim. Quando chove, abro a boca e deito a língua de fora para apanhar as gotas que caem.
- E consegues apanhá-las?
- Claro que sim! Fecho os olhos, inclino a cabeça para trás, abro a boca e espero.
- Deves ficar com um ar de doida...
- E a mim que me importa? Sabe-me bem, sinto-me bem assim. Gosto do sabor da água fria da chuva. Mata-me a sede.
- Mata-te a sede? Mas não deves conseguir apanhar mais de umas poucas gotas...
- Não se trata de quantidade, mas de qualidade.
- Qualidade? Agora queres convencer-me de que a água da chuva é melhor do que a outra?
- Nada disso. Não sei se é melhor ou pior, nunca me informei sobre o assunto. Mas o prazer que sinto com aquela meia-dúzia de gotas de água é incomparável. Naquele instante, por uns segundos, sou novamente criança. Não tenho preocupações, nem obrigações, nem prisões... Sou feliz.
- E agora não és feliz?
- Sou, claro. Não tenho motivos para não ser. Mas não tanto como quando sinto o sabor da chuva.
- ...
- Não dizes nada?
- Não sei que te responda...
- É assim tão estranho gostar de beber a chuva?
- Não sei. Eu prefiro sentir-lhe o cheiro.
- E ele a dar-lhe... Qual cheiro?
- O cheiro da terra molhada pelas primeiras chuvas...
- Sabes que não passa do cheiro das bactérias em contacto com a água?
- Sei. Nem por isso deixa de ser bom. Mas não é só esse cheiro.
- Não é?
- Não. É o cheiro da renovação, é o cheiro do amor, é o cheiro da vida a recomeçar.
- Não quererás dizer a acabar?
- Claro que não! Com a chuva recomeça o ciclo da vida.
- Seja como for, agora não está a chover. Como podes dizer que cheira a chuva?
- Sinto o cheiro da chuva a chegar.
- Ah! Agora também és meteorologista?
- Não brinques, estou a falar a sério. Sinto no ar um aroma especial, que nem sei definir...
- Mas sabes que é aroma de chuva?
- Sei.
- Como podes ter a certeza?
- Porque é o cheiro que senti quando te beijei a primeira vez. Estava a chover, lembras-te?

O Cheiro da Chuva, Fábrica de Letras

3 de outubro de 2010

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.

Camões

Nonsense (ou talvez não), agora em língua de gente

Ao fim do dia, no autocarro, uma senhora que acabou de fazer a limpeza nos escritórios conversa com outra que é empregada de mesa, mas que actualmente não trabalha porque está de baixa. Aparentemente, o marido da primeira é ladrilhador e trabalha ali naquele edifício ao fundo da rua que tem os andaimes encostados à parede. Amanhã tem um dia muito ocupado pois tem de pôr os azulejos na entrada.

E depois há o outro que bate à porta do escritório e pergunta, antes de entrar: 
- Posso incomodá-la?


(A primeira versão não era muito mais divertida? Era.)

1 de outubro de 2010

Nonsense (ou talvez não)

Ao fim do dia, no bus, uma senhora que acabou de fazer os birús conversa com outra que é servosa, mas que actualmente não trabalha porque está de maladia. Aparentemente, o marido da primeira é carrelor e trabalha ali naquele batimento ao fundo da rua que tem a chafurdagem encostada aos muros. Amanhã tem um dia muito ocupado pois tem de pôr a carrelagem na entrada.

E depois há o outro que bate à porta do birú e pergunta, antes de entrar: 
- Posso desarranjá-la?

A cadeira do escritório


A cadeira do escritório é reclinável. Ou era, deveria antes dizer. Não há muito tempo, o mecanismo ter-se-á estragado, deixando o encosto da dita cadeira preso sempre na mesma posição, imóvel. Quando se tentava recliná-la, forçando as costas do corpo nas costas da cadeira, sentia-se qualquer peça presa, a impedir o movimento desejado. Durou meses a imobilidade das costas da cadeira do escritório. Meses durante os quais, quem ali se sentasse, ficaria limitado à posição ergonomicamente recomendável de costas direitas.

Até que um dia, sem explicação alguma, sem intervenção de qualquer espécie a não ser divina para quem acreditar nessas coisas, a peça ter-se-á desprendido ou partido ou soltado e o encosto da cadeira voltou a mover-se. A cadeira voltou a ser reclinável, tornou-se mais flexível e permitiu maior conforto aos seus utilizadores. Um conforto que será talvez passageiro, por provocar eventualmente danos futuros na anatomia, mas que é também imediato. E como vivemos no imediato, no hoje, mesmo que a lembrar demasiado o ontem e a pensar excessivamente no amanhã, o conforto proporcionado pelo encosto reclinável não só é desejado, como é o único que temos capacidade para contemplar devidamente. Por isso é o mais importante. Até porque amanhã este ou outro mecanismo pode voltar a estragar-se.

30 de setembro de 2010

E se de repente...

...eu desaparecesse? Não voltasse aqui, não publicasse mais nenhum post, não aparecesse no Facebook, não respondesse aos e-mails, não voltasse a comentar os vossos blogs nem respondesse aos vossos comentários no meu...?

Ninguém saberia se me aconteceu alguma coisa, se tive um acidente e estou no hospital, se fiquei doente com uma simples gripe, se o trabalho é tanto e tão cansativo que não me deixa tempo para estas futilidades, se parti numa viagem prolongada de volta ao mundo em balão e não tenho acesso à Internet, ou se simplesmente me cansei disto e desisti.

Não somos amigos, se nos cruzarmos na rua não nos falamos pois nem nos conhecemos e nem os nomes reais sabemos, mas habituamo-nos a visitar as casas uns dos outros. E certamente, ao fim de uns dias ou de umas semanas (talvez) a pensar no que me poderia ter acontecido, deixariam de se lembrar de mim e do meu cantinho blogoesférico - que, afinal, não faz falta a ninguém, a não ser a mim para aqui ir deixando os disparates que me vão passando pela cabeça (este é só mais um). É perfeitamente normal.



...mas não deixa de ser um pouco triste.

Obrigadinha, mas já chega

Agradeço encarecidamente ao poder superior que me ofereceu a montanha-russa desta manhã, eu sempre gostei de divertimentos destes em que não sei o que vem a seguir, mas se calhar já parávamos, pode ser?

Quando quiser mais prefiro ir visitar o Mickey aos arredores Paris.

29 de setembro de 2010

Palavras

enfoque, focalizar, focar, foco

(como traduções mal amanhadas do inglês "focus / to focus")

Odeio, simplesmente. E não percebo por que raio de motivo, numa língua tão rica quanto o português, muito mais do que o inglês digam o que disserem, havemos de nos sujeitar à tirania anglo-saxónica e nem sequer fazer um esforço para procurar um termo mais adequado. Camões e Pessoa às voltas nos respectivos túmulos, imagino.

Eu sei que estas palavras existem, sei até que se calhar já são aceites com o sentido de "to focus" (embora, a meu ver, erradamente, mas quem sou eu para falar). Porém, naquilo que depender de mim, vão continuar a ser banidas de todo e qualquer texto que me apareça pela frente.

Pronto, era só isso. Podem ir à vossa vida.

Please mind the gap between the island and the continent

Impressões de uns dias em Londres

Big Ben e Houses of Parliament

1. Londres está em obras. Ruas, estradas, estações de metro, linhas de metro, edifícios, monumentos... para qualquer lado que se olhe só se vêem guindastes.
 
2. Não fui feita para andar a pé. Também é verdade que fazer Oxford Street e Regent Street duas vezes para cada lado, logo na primeira tarde, não ajuda.

3. Não fui feita para andar ao frio e à chuva.

4. Também há ingleses simpáticos.

5. É impossível ir a Londres e não apanhar, pelo menos, um dia de chuva. Mas também apanhei sol.

6. Os ingleses também se atrasam.

7. É-me impossível ir a Londres e não vir carregada de livros novos. Não sei o que fizeram à Borders de Oxford Street (deve estar perdida nos escombros das obras), mas vinguei-me na Waterstones de Piccadilly.

 London Eye

8. O gingerbread latte do Costa Coffee deve ser uma das melhores invenções dos últimos tempos. E acompanhado por um rocky road cupcake... De-li-ci-ous!

9. Ando quilómetros debaixo de terra para andar meia-dúzia de metros ao ar livre.

10. É impossível ir ao estrangeiro e não encontrar portugueses (e brasileiros e franceses e espanhóis e italianos, também).

11. Em todos os hotéis do mundo há, pelo menos, um empregado português.

12. É-me impossível ir a Londres sem ter de passar por uma Boots, nem que seja para comprar uma embalagem de pensos rápidos.

13. Continuo sem saber de que lado vêm os carros, mesmo com as indicações escritas em letras bem grandes no passeio. Ainda assim, consigo evitar ser atropelada.

14. Andar de metro ao Sábado à noite é melhor do que ir ao circo.

15. Londres continua a ser uma das minhas cidades preferidas - logo a seguir a Lisboa.

... e não me importava nada de lá viver.

 Piccadilly Circus

28 de setembro de 2010

O meu primeiro selo

Este blog faz-me ver e rever, e assim reviver




1. Dizer quem ofereceu o selo:
Foi a Manuela, a Turista Acidental*, que é uma querida.

2. Responder a duas perguntas:

2.1. Refere um momento que gostasses de reviver:
O primeiro dia de aulas na universidade.

2.2. Porquê?
Porque marcou o início de uma nova etapa na minha vida, porque da primeira vez era demasiado nova para perceber a importância que esse dia teve, porque foi o dia em que travei amizades que duram até hoje (e já lá vão muitos aninhos, oh se vão!), porque estava de tal forma nervosa e excitada que não o aproveitei como devia. E ainda porque durante os quatro anos seguintes houve muitos momentos que gostaria de reviver, mas não consigo isolar só um.

3. Reenvia para 5 blogues:
Para não serem sempre as mesmas vítimas, desta vez calhou a estes
Malena, Da Malena
Vera, a Loira, Também Quero um Blog

Tulipa Negra, uma terrorista ao seu serviço

"When you've gathered all your belongings, would you please follow me? You've been randomly selected for a full body scan."

Respondi com uma gargalhada que deixou o funcionário a pensar que eu era doida varrida.

É que esta história de ser seleccionada de forma aleatória tem muito que se lhe diga. A mim, em Londres (e até já perdi a conta às vezes que lá fui, na maioria em trabalho), sai-me sempre a rifa. Até aqui, limitavam-se a querer ver-me a mala depois de passar o controlo da bagagem de mão. Agora, já não querem saber da mala, querem logo ver-me o esqueleto. Modernices...

Uma vez em que me queixei e disse que nunca traria nada proibido de Londres por saber que me fazem sempre abrir a mala, uma funcionária teve a distinta lata de me responder que era pelo meu lindo sorriso. Pois, está bem. Devo ter é cara de terrorista!

27 de setembro de 2010

I left...

...my feet in London.

I'll get back to blogging as soon as I grow a new pair.
[I do write with my feet, you know!]

23 de setembro de 2010

Se o Facebook existisse há mais tempo

Encontrei isto aqui e não resisti a partilhar.

 

Tirem-me daqui!



Rapidamente. A paciência tem limites, os da minha são especialmente curtos, e estou a deixar de conseguir aguentar tamanha estupidez. Ainda bem que vou de fim-de-semana prolongado, pode ser que quando voltar esteja tudo mais normal. Ou que eu venha com maior capacidade para suportar esta gente.

22 de setembro de 2010

Uma coisa sem importância nenhuma

Habituei-me há muitos anos a ter a televisão ligada no Telejornal à hora do jantar - mau gosto, bem sei, que a maior parte das notícias tiram o apetite a qualquer um e eu nem sequer faço dieta, desse ponto de vista até poderia ser útil. Adiante. Mas na última semana, para poder ver o Telejornal, tenho de ligar o aparelho na RTP África, porque os outros canais generalistas e de notícias (entre outros) continuam de férias lá no satélite onde a minha parabólica se recusa a ir buscá-los. Pois bem, ontem, antes do Telejornal que dá em simultâneo com a RTP (a normal, a da Alameda das Linhas de Torres ou lá de onde transmitem agora aquela coisa), passava um noticiário de África. Fiquei a saber que agora em Cabo Verde é possível fazer consultas de cardiologia pediátrica e fetal por telemedicina com o Hospital Pediátrico de Coimbra. Óptima notícia, sem dúvida, porque evita deslocações, ganha-se em tempo, etc. (a notícia completa está aqui). A certa altura na reportagem, mostram uma dessas consultas a decorrer. Um médico em Coimbra, em frente a um monitor, observa o coração de uma criança de 6 anos e diz qualquer coisa como "esta menina tem aqui um canal XPTO (lenga-lenga científica que ninguém entende) que tem de ser laqueado". Tudo bem. E logo de seguida, com o ar mais natural do mundo: "Diz aí à mãe que está aí ao lado que isto é uma coisa sem importância nenhuma". Pois, deve ser. Para o médico. A mãe é que é capaz de não achar…

Se quiserem, podem ver o vídeo aqui, mais ou menos aos 15 minutos de emissão.

Outono

(Foto de Pedro Casquilho, Olhares.com)

Parece que começa hoje o Outono. Ou amanhã, talvez. Na verdade, até há pouco tempo, começava a 21 de Setembro, mas agora há estas modernices de querer ser exacto, de maneira que todos os anos é num dia diferente. E até numa hora diferente, parece. Seja como for, ou já começou ontem, ou começa hoje, ou começará amanhã. O Outono. Para mim, começou no dia 1, mas eu sou assim, esquisita, e acho que só é Verão enquanto está calor, a partir do momento em que começa a chuva e as temperaturas descem, acabou-se.

Não gosto do frio e da chuva, das manhãs de nevoeiro (ainda se voltasse D. Sebastião, mas desconfio que já deve ter morrido há uns tempos), do Sol que não aquece, das flores murchas e das árvores despidas. Não gosto de arrumar a roupa de Verão e ter de voltar a vestir casacos e a calçar botas. Não gosto dos dias mais curtos, das noites mais longas, é de noite quando acordo e é de noite quando volto para casa e há dias em que parece que a noite não acaba…

Gosto das cores do Outono nas árvores. O verde das folhas a dar lugar ao castanho, ao vermelho e ao laranja. Gosto de pisar as folhas secas caídas no chão e de saltitar enquanto o faço. Gosto de ouvir o barulho debaixo dos meus pés e de me sentir criança novamente. Gosto até do cheiro a terra molhada das primeiras chuvas. Mas não gosto do frio e da chuva - já disse? Paciência, repito-me. Não gosto sobretudo porque pressagiam o Inverno. E desse é que eu não gosto mesmo nada.

Expliquem-me como se eu tivesse 6 anos

Esta notícia do DN deixa-me sem palavras – se calhar, porque não comprei o dito dicionário. Sinceramente, não entendo a polémica. Os "vulgarismos" não existem na língua? Existem. Só por isso, justificam a entrada no dicionário. Que se queira poupar as crianças em tenra idade ao contacto com essas palavras, eu até entendo. Mas isso faz-se em casa, em família, não se faz num dicionário, que deve ser o repositório de todos os vocábulos da língua*. Aliás: quem “descobriu” este facto? Seja quem for, só encontrou os palavrões porque foi à procura deles. Eu sempre tive dicionários, até preciso deles para trabalhar todos os dias, e nunca lá fui procurar essas palavras. De resto, aposto o que quiserem que qualquer puto de 6 anos conhece tudo quanto são palavrões, mesmo que não os use por uma questão de educação – mas essa, lá está, começa em casa. E mais: com esta polémica toda, estou mesmo a ver as crianças, mesmo as mais inocentes, a pegarem no dicionário às escondidas e a procurarem as palavras proibidas. Sempre tem a vantagem de as ensinar a utilizar o bicho, porque conheço muito boa gente bem mais crescida que não o sabe fazer…

*Isto, claro, se não tivermos em conta o tal da Academia de Ciências que até o robalo ignora…

21 de setembro de 2010

Como é possível...

...dizeres que fizeste 40 anos há uns dias se ainda ontem nem 30 tinhas?

Constato mais uma vez que há amizades que nunca se perdem, por mais que nos afastemos, que percamos o contacto, que não saibamos um do outro durante décadas. É tão fácil voltar a falar sobre tudo e sobre nada, voltar a dizer as parvoíces que sempre dissemos, voltar a insultar-nos, dizendo as verdades a brincar, voltar a falar de acontecimentos, de situações, de pessoas, esquecendo-nos até de contar o que se passou na vida de cada um durante o tempo em que estivemos afastados… Porque parece que ainda ontem falámos pela última vez. Mas ontem já foi há mais de dez anos.

E por muitos aspectos negativos que o Facebook tenha, pelo menos também tem estas surpresas muito, muito boas.

As legendas da raposa


Inglês: The body was found by Pier 7.
Português: O corpo foi encontrado por Pierre Seven.

Bem sei que há coisas com que embirro que, ao comum dos mortais, parecem mesquinhices. E talvez sejam, não digo que não, mas é mais forte do que eu. Por exemplo, incomoda-me ler um texto mal escrito, com erros ortográficos (ou outros, mas estes perturbam-me especialmente). Por mais interessante que seja o assunto, por mais estruturadas que estejam as ideias, para mim perde o interesse assim que vejo um "tive" quando devia ser "estive". Da mesma forma, não suporto ver más legendas na televisão ou no cinema (raramente as leio, de qualquer forma). E por esta altura estão a dizer que todas as legendas são uma porcaria. Não é verdade. Há até algumas legendagens muito boas, bem feitas, com soluções inteligentes para certas peculiaridades da língua de que se está a traduzir. Além de que legendar não é só traduzir (como se traduzir fosse "só" qualquer coisa, mas isso fica para outra altura). Há que ter em conta determinadas regras e constrangimentos que não se colocam em outros tipos de tradução, como o espaço disponível e o tempo que demora a ler cada frase. O comum dos mortais não sabe, nem tem de saber, destas coisas, mas se o soubesse talvez pensasse duas vezes antes de criticar a legenda que acabou de ler.

Apesar de tudo isto, há algumas legendagens que são, simplesmente, ridículas - e inadmissíveis. Não há explicação possível, ainda que gostasse de ouvir o que o tradutor teria a dizer... A frase que coloquei no iníco é disso um exemplo: este Domingo à noite, no canal Fox, passava um episódio da série Fringe. Mesmo no início, aparece um morto e ouve-se uma locutora da televisão dizer "The body was found by Pier 7". Eu ouvi, mesmo sem estar a olhar para a televisão. E percebi à primeira. Calhei olhar para o ecrã no momento em que aparecia a legenda: "O corpo foi encontrado por Pierre Seven".

Que dizer a isto? Que o tradutor não sabe que a preposição "by" não significa sempre "por"? É tão básico, que não posso acreditar... Que o tradutor não reviu sequer a tradução que fez? Também não me parece possível, lá está, de tão básico que é. Que não houve mais ninguém a rever a tradução? Já será mais provável, embora não devesse acontecer. Que o tradutor não conhece a palavra "pier", parecendo-lhe mais normal tratar-se de um nome francês numa série americana? É tão estranho que nem merece comentários. E por último, mas não menos importante: quem é o Pierre que encontrou o corpo e não apareceu mais no episódio todo?!?

Simplesmente delicioso


Descobri isto há uns dias. É giro e divertido e só por isso merece a visita. Basta clicar aqui e vão lá direitinhos.

20 de setembro de 2010

Nada e coisa nenhuma

Apetece-me escrever, mas não sei o quê. Olho para o ecrã e não me vem nada à ideia. É a metafórica folha em branco do escritor, que tanto o faz desesperar, não que me considere escritora, atenção, nada disso. Conheço bem as minhas limitações e nunca me passaria pela cabeça comparar-me a um escritor. Excepto talvez na acepção mais literal de “aquele que escreve”. Nesse sentido, sim, sou escritora. Ou seria, se conseguisse escrever alguma coisa. Mas não consigo. Olho para o ecrã, pouso as mãos no teclado - que é feito das canetas? Já ninguém escreve à mão... Também nunca tive uma caligrafia bonita, pelo que talvez seja melhor assim. Mas dizia: olho para a folha em branco no ecrã e, com as mãos no teclado, procuro as palavras que não encontro, o assunto, qualquer assunto, e só consigo pensar em disparates, idiotices, anedotas que até nem devem ter piada nenhuma, mas que me fazem rir sozinha - estarei doida? É possível. Doida por doida, ao menos que o seja oficialmente, de papel passado, sempre dava para justificar determinadas atitudes que me apetece tomar mas não posso, porque dizem que sou normal. Sabem lá! Se imaginassem o que me passa pela cabeça… No mínimo, internavam-me na hora, isolavam-me num quarto almofadado, trancavam a porta e deitavam a chave fora, ao rio ou ao mar, para nunca mais a encontrarem.

Gostava de conseguir escrever só porque sim, quando quero. Há pessoas assim (acho que também já fui assim), que sem pensar deitam cá para fora tudo o que lhes vai na cabeça, capazes de discorrer durante páginas seguidas sobre qualquer assunto, desde a plantação das batatas à teoria mais recente da física quântica. Podem não perceber nada do assunto, os conhecimentos que têm podem advir do cabeçalho da notícia que acabaram de ler, provavelmente nem deram atenção à notícia toda, basta-lhes só o título para logo ali formarem uma opinião e terem assunto para, pelo menos, umas quinhentas palavras. A qualidade ou não do produto final não vem agora ao caso. A qualidade dos meus produtos finais, provavelmente, também deixa muito a desejar, em comparação com os de outros seres mais dotados para a escrita. Se bem que, não é para me gabar, mas parece-me que de vez em quando consigo escrever qualquer coisa de jeito. Não será uma obra-prima, pois não, que eu não vim aqui inventar a roda nem descobrir o fogo, mas é uma obra minha, e isso já é mais do que muita gente pode dizer. Boa ou má, de qualquer forma, são conceitos subjectivos. Quem define o que é bom ou mau? Camões é bom? Dizem que sim, mas os estudantes do ensino secundário acham que não. Margarida Rebelo Pinto é boa (refiro-me à sua escrita, claro, que do resto julgarão outros)? Dizem os críticos que a leram que não, mas as vendas dos seus livros apontam no sentido contrário. E então? Acreditamos nos críticos, académicos, (em princípio) conhecedores do que falam, se não levarmos à letra a velha história de "quem sabe faz, quem não sabe critica", ou seguimos a opinião do povo, inculto na sua maioria, praticamente analfabeto até, que isto de saber ler tem muito que se lhe diga e não é só juntar as letrinhas e perceber que b+a=ba, mas que sabe do que gosta e por isso compra? Mas estamos a falar do mesmo povo que lê a revista Maria e o jornal O Crime e acredita em tudo o que lá vem escrito, que idolatra o Tony Carreira e que não vai ao teatro porque é caro mas não perde um jogo de futebol no estádio...

Podia, talvez, escrever sobre o tempo ou sobre o último filme que vi. Calhou ser o Salt, com a Angelina Jolie, mais um filme-chiclete, mastiga e deita fora, sem demora, já cantavam os outros e com razão, com uma tal confusão entre espiões americanos e russos e estes sãos os bons mas afinal já não são e daí a dez minutos já são outra vez e aquele que era mau afinal é a vítima e a coisa é tão confusa que termina da única forma que conseguiram, mesmo, mesmo a cheirar a sequela para ver se arranjam um final decente para a história.

Ou então podia dedicar umas linhas à última guerra blogoesférica de que me apercebi, que estas coisas passam-me todas ao lado, felizmente. Alguém teve a infeliz ideia de fazer um post a perguntar qualquer coisa como "qual o blog que mais odeiam?" e, pasme-se!, ouve centenas de respostas, cada uma menos fundamentada do que a anterior, odeio porque sim, pronto, é o meu direito, sem razão, simplesmente porque não gosto do que este ou aquele escreve e mais nada, não que eu seja melhor ou pior, mas odeio mesmo e acabou a conversa. E foi tanto o veneno destilado naquela caixa de comentários que fiquei a pensar: se um destes tem o azar de morder a língua, morre envenenado. Apeteceu-me apenas perguntar, se não gostam por que raio continuam a ler?, que eu quando não gosto de alguma coisa não volto lá, é tão simples e cansa muito menos, mas isto sou eu que, como já disse, sou doida e só estou aqui a fazer tempo até chegarem os senhores da bata branca para me levarem.

Também podia comentar a actualidade, hoje em dia qualquer um é comentador e ainda para mais na Internet, é largar postas de pescada a torto e a direito que toda a gente pode e deve ter opinião. São os arguidos do caso Casa Pia que agora já são os culpados do caso Casa Pia, excepto o Carlos Cruz que, por maioria de razão do povinho que adorava o 1, 2, 3 e a Bota Botilde, continua hoje e sempre inocente, ou pelo menos não foi só ele, os outros também lá estavam, que isto de ser condenado sozinho não tem piada nenhuma. São os franceses a expulsar os romenos e os búlgaros, perdão, é o Sarkozy a expulsar os ciganos, assim é que é, mais o nosso adorado Cherne a dar-lhe na cabeça, vá lá, haja alguma coisa que o homem faz que se pode dizer que até nem foi mal feita. Mas como acho que não tenho nada de novo a acrescentar às milhares de linhas que já foram escritas sobre estes assuntos, calo-me.

Claro, podia sempre falar de desgostos de amor, que toda a gente tem, se tiver sorte, porque é como dizia o outro "It's better to have loved and lost than never to have loved at all", mas o mais certo era sair um relambório de tal forma deprimente que ninguém teria paciência para aqui voltar, provavelmente nem eu. Ou das histórias da minha infância, dos dias de Verão passados na rua, com os amigos que terão para sempre um lugar especial no meu coração, apesar de todos termos seguido vidas muito diferentes e a amizade acabar por se perder, ou dos outros que fui encontrando ao longo da vida, uns desapareceram, outros ficaram, outros ainda reapareceram e é tão bom, tão bom, reencontrar estas pessoas, e as histórias que vivemos juntos, tantas histórias que poderia contar, ainda que ao fazê-lo corresse o risco de me internarem mais depressa. A minha vida não dava um filme, não tenho ilusões, sei que é apenas mais uma e que há gente com vidas muito mais interessantes do que a minha, com aventura e tragédia e tudo o mais, mas é a minha vida e só por isso é muito mais importante do que todas as outras, até porque é a única que ainda consigo, de vez em quando, controlar.

Outra hipótese seria entrar no domínio da ficção. Escrever uma história policial, cheia de mistério, daquelas com reviravoltas inesperadas capazes de deixar o leitor de boca aberta, com vítimas ingénuas e criminosos diabólicos, piores do que os da série Criminal Minds, de que não perco um único episódio, gosto tanto daquilo que me assusta pensar que algumas daquelas coisas podem ser reais. Ou uma história de amor, um amor impossível, claro, são as únicas histórias de amor que interessam, a luta dos apaixonados pelo amor que os une, contra tudo e contra todos - está mais que visto, bem sei, Shakespeare escreveu a primeira, a última e a definitiva, a tragédia de Romeu que se mata por pensar que Julieta morreu, Julieta que acorda e se suicida ao ver Romeu morto... é impossível fazer melhor, ninguém o fez até agora e também não tenho pretensões disso, credo!, como disse no início: conheço bem as minhas limitações.

Vendo bem, parece que ideias até não me faltam, a imaginação é fértil e não tem limites. Falta talvez a vontade de me alongar sobre os assuntos, ou a coragem de pôr tudo isto no papel, ainda que virtual.

E assim se escreve um texto sobre nada, a falar de coisa nenhuma.

Tema Livre, Fábrica de Letras

19 de setembro de 2010

Fa fa l'americano

Uma das músicas mais divertidas dos últimos tempos - e o vídeo é o máximo!

18 de setembro de 2010

Amor é...

... chegar a casa e ter um frasco de Nutella à minha espera.

Sem pedir.

17 de setembro de 2010

Bella e apaixonada

A Bella apaixonou-se. Assim que encontrou o meu e-mail na Internet, foi um sentimento incontrolável. Não conseguiu resistir e, ao fim de um tempo (imagino que muito pouco), ganhou coragem e escreveu-me. É uma querida, é o que é. Embora não faça o meu género, ainda assim fiquei sensibilizada. Nem sei o que diga... Ora vejam o que ela me escreveu e digam lá se isto não é amor:

Hello
Greetings,
I saw your e-mail in the net while browsing, and i pick interest in you
as such i came here to look for my second half, my soul mate,my friend It is to tell about myself to you, as I haven't seen you ever before. But I feel something inside. I feel like a little sign of hope that I am not doing this in vain.I feel that you have the friendly soul to mine.What I want to find is Love. please get back to me with the above e-mail. i will detail more about myself to you.and all so send my picture to you if you reply this mail.
regard.
From Bella.

Não há como a caixa de Spam do Gmail para me deixar bem disposta logo de manhã. Se bem que prefiro as mensagens que recebo escritas em chinês...

15 de setembro de 2010

Mais uma cabeça queimada

Para o choque não ser muito grande, ao regressar de férias volta tudo ao normal. Isto que se passou há uns meses, está a repetir-se hoje. Felizmente, com algumas pequenas diferenças: primeiro, já nem tentei mexer em nada porque já sei que não vale a pena; segundo, o vigarista que gere o condomínio já é outro e ainda não desapareceu; terceiro, o vizinho já voltou de férias, portanto é possível aceder ao telhado para mexer na antena. Menos mal... espero é que não se torne moda!

14 de setembro de 2010



Don't forget to breathe!


It's that time of the year again

Volto a adormecer no sofá em frente à televisão, embrulhada num cobertor, depois de reclamar vezes sem conta que não são horas para transmitir aquele programa, que no dia seguinte as pessoas têm de se levantar cedo para trabalhar. Como disse, adormeço. Acordo já passa das 2h, o programa terminou há muito e eu não o vi, no ecrã a Filipa Vacondeus e um rapazola armado em cozinheiro fazem publicidade a um trem de cozinha, ambos com quase tanto à-vontade e naturalidade como a Nayma no tal programa dos aspirantes a estilistas de cujo nome agora não me lembro. Desligo o aparelho e vou-me deitar. Mas já não tenho sono e fico horas acordada, a pensar em tudo e mais alguma coisa (olho para o relógio e passa das 4h), no que aconteceu, no que não aconteceu, no que podia ou devia ou teria acontecido se (e agora já são 5h e tal), no que disse e não disse, no que devia ter dito, ou não... Continuo sem sono, não sei como foi o programa que tanto queria ver e daí a poucas horas tenho de ir trabalhar.



Nota: ao procurar no Google a forma correcta de escrever o nome da senhora, descobri que no IMDB há uma entrada relativa a Filipa Vacondeus. Estou sem palavras...

13 de setembro de 2010

Ao desafio

O Ulisses (cuidado ao clicar, o aviso de que é para maiores de 18 não é brincadeira), que não tem nada melhor para fazer e pensa que os outros também não, achou por bem lançar-me um desafio. Parece que tenho de dizer cinco factos sobre mim e dez coisas de que gosto. Ora ele não especificou se tinha de dizer a verdade, mas parto do princípio que sim... Posto isto, aqui vai.

Cinco factos sobre mim:

1. O meu primeiro emprego foi num call-center (dou-vos uns segundos para imaginarem o que quiserem) de uma operadora de telemóveis. Lembro-me, por exemplo, de tentar explicar por telefone a um senhor invisual quais as teclas onde devia carregar para resolver o problema a situação que o afligia com o telefone o telemóvel o móvel (já foi há muitos anos mas ainda me recordo das palavras proibidas!).

2. Fui jornalista durante 4 anos, embora nunca tenha chegado a ter a carteira. Desse tempo, recordo as viagens e as pessoas que tive oportunidade de conhecer. E umas histórias bem divertida, mas que não convém contar.

3. Tenho medo de animais. Tudo por culpa de um caniche do demónio que me "atacou" quando eu tinha uns 3 anos.

4. Odeio agulhas. Contam-se, aliás, umas histórias vergonhosas de quando eu era criança. Claro que não passam de calúnias...

5. Em criança, queria ser o Homem-Aranha. Ou a Mulher-Aranha, suponho...


Dez coisas de que gosto, não necessariamente por esta ordem:

1. Chocolate. Na verdade, tudo quanto são doces (bolos, gelados...). É verdade, também sou muito gulosa.

2. O meu marido.

3. Praia, sol, mar...

4. Portugal, especialmente Lisboa.

5. Viajar e conhecer sítios novos, mas também voltar aos que já conheço.

6. Rever a família e os amigos.

7. Andar de bicicleta, embora não tenha muito jeito para a coisa.

8. Ler. Não é um gosto, é um vício.

9. Flores.

10. Nadar, de preferência no mar, mas não sendo possível, basta-me uma piscina.


Diz que tenho de passar isto a mais sete incautos. E os (in)felizes contemplados são, por ordem alfabética:

João - Match Point
Kawamura - All These Things
Lou Alma - Viciada em Loucura
Manuela - A Turista Acidental
Princesa Ventania - Princesa Ventania
Tulipa - Sobre o Tempo e Outros Assuntos
Vício - Chépélé... sopinha de Massa!

Vá lá, pessoal: isto afinal não dói nada...

11 de setembro de 2010

O dia em que o meu mundo mudou

O despertador tocou à hora marcada, acordando-me de uma noite mal dormida. Estava na hora. Como um zombie, arrastei-me pela casa, terminando as tarefas que ainda tinha de fazer antes de sair. Uma hora depois, tinha as malas à porta. Olhei uma última vez para trás, respirei fundo, saí e fechei a porta, mal conseguindo conter as lágrimas. Desci no elevador e entrei no carro que havia de me levar ao aeroporto. Pelo caminho, ia pensando na decisão que tomara uns meses antes. Não tinha agora a certeza de ser a mais correcta. Partir assim, à aventura, largar tudo, deixar para trás a família, os amigos, a cidade, o rio e o mar… Para quê? E repetia para mim mesma que era em prol de um futuro melhor, que nada seria como antes e tudo se resolveria. Que um dia teria a certeza que tudo valera a pena.

Vários anos passados, continuo a repetir: um dia terei a certeza que tudo valeu a pena. Apesar das lágrimas, apesar da tristeza, apesar da distância. Um dia...

Tema Livre, Fábrica de Letras

O dia em que o mundo mudou

Foto, obviamente, encontrada na net

Já lá vão 9 anos e parece que foi ontem.

10 de setembro de 2010

Com o fim-de-semana à porta

I'll drink water when fish climb out of it to take a piss, but thank you all the same.


Terry Pratchett, Unseen Academicals

Se o Queiroz percebesse isto, talvez ainda tivesse emprego

...this is a game of football. I believe  that the procedure is to put the football down and when the whistle is blown each side will attempt to hit the goal of the opposing side with the ball while trying to prevent the ball hitting their own goal. Have we all understood that?

Terry Pratchett, Unseen Academicals

9 de setembro de 2010

Hoje, especialmente

Mais do que ontem...


...menos do que amanhã.

8 de setembro de 2010

Já está!

Tudo tratado, agora é só ir...

O que me preocupa...

...relativamente à conversa que mencionei no post anterior, é que quando estamos juntos, ao vivo e a cores, as conversas costumam ser ainda piores. E isto já dura há quase 20 anos. Estava capaz de apostar que isto deve ter um nome clínico qualquer...

7 de setembro de 2010

À noite, no Facebook, todos os intervenientes são... doidos!

De que outra forma se explica que uma música dos Queen, no caso Friends will be friends, dê origem a uma conversa que começa por falar de amigos (óbvio...), segue com a meteorologia, avança para a possibilidade de um reencontro que acaba por ficar combinado para a época do Natal, continua com a atribuição dos papéis das personagens do Presépio aos intervenientes, aliás um Presépio muito original onde também entram a Branca de Neve, o Nemo e até o Buzz Lightyear, pelo meio ainda dá direito a uma anedota de gosto duvidoso, e acaba com a criação do evento e envio dos respectivos convites, muito embora ainda não se saiba onde nem quando vai decorrer?

Eu tenho amigos muito estranhos, eu sei. E antes que certas pessoas perguntem, estes são mesmo amigos, daqueles que conheço há séculos e já os vi e sei onde moram e tudo!

Apetece-me voltar aqui

foto tirada da net
Vou tratar disso.

Pensamento positivo

Já só faltam 4 dias para o fim-de-semana

6 de setembro de 2010

Independência, já!

E não é que há doidos para tudo? Este quer a independência de um ilhéu ao largo da Madeira. Acho bem. Mas depois exijam-lhe visto, vacinas em dia e certificado do registo criminal para entrar em Portugal. É que parecendo que não, ainda pode ser considerado imigrante ilegal...

Flower Blog IX



5 de setembro de 2010

I wanna do real bad things with you




Maratona de True Blood durante o fim-de-semana. É oficial: estou viciada nestes vampiros.

Flower Blog VIII





4 de setembro de 2010

2 de setembro de 2010

Rentrée

Regressar ao trabalho mais de um mês depois é duro. Pensar em horários, rotinas, obrigações depois de um mês a dormir quando queria, a fazer o que me apetecia, todos os dias, custa muito. Voltar a vestir roupa de gente crescida depois de semanas seguidas de havaianas nos pés é difícil. Passar dos quase 40º de Lisboa para uns míseros 16º, e ainda estamos no início de Setembro, é caso para dar cabo do sistema a qualquer um, quanto mais a mim que sou sensível a estas coisas. De um dia para o outro deixar de ver o mar, o Tejo, Lisboa e, não tarda nada, o sol. Deixar lá longe a família e os amigos e pensar que só os revejo daqui a uns meses. E de repente parece que tudo o que é bom ficou ali, naquele mês de Agosto (cliché, eu sei), passado entre as casas da família e a praia e a cidade e o trânsito e os jantares com os amigos e tudo o resto que faz de mim o que sou e que me faz tanta falta durante o resto do ano. A começar já hoje.

Ainda agora voltei

E já me ia embora outra vez.

1 de setembro de 2010

Literatura e tecnologia

O Alexandre O'Neill não tem televisões, mas com o Almeida Garrett já usei o telemóvel.
Time flies  
when you're having fun

31 de agosto de 2010

Rendo-me

à moda dos cupcakes. Quero lá saber se são queques com mania das grandezas, só sei que são muito bons. Estes Merry Cupcakes, então, são deliciosos. Pelo menos os que provei, tenho de experimentar os outros. Vejam só que lindos... é que os olhos também comem!

30 de agosto de 2010

Reality Check

Estar no serviço de urgências do hospital, perceber que está lá também um trabalhador da construção civil, que calhou ser chinês e não falar uma palavra de português, com a mão esmagada por uma empilhadora, ouvir médicos e enfermeiros a falar sobre o assunto como se nada fosse, embora preocupados, e a ligar para o cirurgião plástico de prevenção, assistir a um amigo ou conhecido do doente desesperado a fazer de tradutor para os serviços administrativos poderem preencher a ficha do doente, sem a qual nem sequer o podem tratar, ter a certeza de que se fosse um cidadão nacional a besta do funcionário administrativo não o trataria assim, perceber que por se tratar de um hospital privado o doente terá de avançar com um sinal de 3000 euros caso tenha de ficar internado, desconfiar que o coitado não terá essa quantia disponível e provavelmente nem seguro de saúde, visto que nem deve estar legalizado, e que por isso deve sair dali com a mão ligada e ser enviado para um hospital público, e ouvir de repente um enfermeiro dizer para um médico acabado de chegar:

- Doutor, quer ver uma ferida a sério?

Definitivamente, há muitas vidas piores do que a minha.

29 de agosto de 2010

As férias não são férias sem

Lisboa
Comer gelados Santini no Chiado
Bom tempo
Praia
Sol
Comer gelados Santini em Cascais
Sofrer com o calor abrasador e adorar
Notícias de incêndios e o cheiro a fumo, mesmo em Lisboa
Viagens de avião, de carro e de comboio, só faltou mesmo um barco
Passeios à beira-mar
Nadar no mar e na piscina
Acabar de ler os livros que tinha previsto para durante as férias e comprar mais um monte deles, aproveitando as promoções de "Pague 2, Leve 3" da Fnac
Comer gelados Santini no Chiado
Almoçar com a família
Passear com a família
Visitar a família
Jantar com a família
Ficar farta de aturar a família, mas ter de continuar a fazê-lo para não ofender ninguém (até porque dentro de alguns dias afasto-me novamente e depois sinto-lhes a falta, por isso o melhor é aproveitar enquanto posso)
Comer gelados Santini em Cascais
Almoçar numa esplanada da praia com uma amiga de longa data a quem tinha perdido o rasto
Jantar com um grupo de amigos numa esplanada e fazer uma chinfrineira como quando tínhamos 20 anos
Ir a um jogo de futebol pela primeira vez e jurar para nunca mais, está feito, está feito, mas não é para repetir
Comer uma bola de Berlim cheia de creme ao pequeno-almoço, acompanhada por um leite de chocolate Ucal gelado
Comer gelados Santini no Chiado
Pelo menos um dia de chuva
Picadelas de mosquitos porque, para variar, me esqueci do repelente
Almoçar peixe grelhado, do bom, e pagar uma ninharia
Comer gelados Santini em Cascais
Tirar uma montanha de fotografias e aproveitar apenas meia-dúzia
Ir ao cinema
Ir ao Alentejo comer migas de espargos com entrecosto
Ter a sensação de que havia muito mais para fazer, mas o tempo foi pouco

Apanhar uma gripe à chegada e ter uma crise alérgica à partida. Nenhumas férias de Verão ficam completas sem a devida passagem pelas urgências de um hospital...

28 de agosto de 2010

O mistério do post desaparecido

Tinha escrito um post tão, tão, tão que até parecia um sino quando, sem saber como, apaguei o texto todo. Resta-me confiar na minha memória, que convenhamos já não é o que era, e esperar que consiga reproduzi-lo. Ora bolas. E o dia que até nem tinha corrido mal de todo...

No restaurante

No fim da refeição
Empregado: Desejam café?
Cliente convencido que é engraçado: Tem cevada?
Empregado (com voz de quem acha a pergunta idiota mas não pode dizer nada porque está a falar com um cliente): Não...
Cliente cada vez mais convencido que é engraçado: Então era uma imperial!

26 de agosto de 2010

E se de repente...

...descobrirmos que uma antiga colega de curso, de quem ninguém gostava porque era de tal forma idiota e parva que só tinha uma amiga, publicou um livro de poesia e que esse livro está a receber grandes elogios da crítica, embora pela amostra dos poemas que tivemos oportunidade de ler pareça uma bela merda, isso é...

E não, não é inveja!

25 de agosto de 2010

Serviço público

Na Estrada Nacional 125, no Algarve portanto, perto de Faro, está um veículo automóvel para venda (ou estava na semana passada quando lá passei, é possível que já tenha sido despachado entretanto). Aqui ficam as fotos ilucidativas. É bom saber que já não se usa só o tradicional "Trata" seguido de um número de telefone (penso sempre que o carro em causa deve ter alguma doença terminal). Só por isso, já merecia ter sido vendido.



Ou isso, ou o proprietário tem uma profissão interessante...

O Trincas

Não sei, e penso que ninguém sabe, ao certo de onde lhe vem a alcunha, mas o Trincas é possivelmente o toxicodependente mais conhecido lá do bairro. Entra apressado na farmácia apinhada de gente, ignorando todos os clientes, e dirige-se ao balcão:

- Arranje-me aí uns pensos rápidos que me cortei e isto está práqui a deitar sangue!

O farmacêutico olha-o de soslaio, com ar de quem está habituado a estas cenas, e continua a atender a cliente. O Trincas repete o pedido, com o mesmo resultado. Até que, das entranhas da farmácia (sempre desconfiei do que se passa nas traseiras das farmácias), surge o outro farmacêutico, mais jovem, que dá atenção a outra cliente, mais próxima do local onde se encontra o Trincas. E ele que repete, mostrando o dedo em causa:

- Arranje-me aí uns pensos rápidos que me cortei. Para ver se pára o sangue.

O novo farmacêutico olha para o dedo estendido na sua direcção, lança um olhar como que a dizer "desculpe lá, é melhor despachar este" à cliente, e começa a procurar os pensos rápidos no balcão onde se encontra. Como não consiga encontrá-los logo, o Trincas, sempre solícito, diz-lhe:

- Veja antes deste lado, é aqui que estão!

E era.

Modern Family Entertainment


No meu tempo, jogávamos às cartas. Hoje se calhar também, mas das electrónicas.

24 de agosto de 2010

À beira da piscina II

E para além do que descrevi no post anterior, também se via disto:

À beira da piscina

Uma jovem espanhola, de vinte e poucos anos, arranja as unhas. Primeiro usa o corta-unhas, depois a lima e, por fim, deve ter usado o verniz. Faz sentido, já que ela passava o dia inteiro ali estendida, portanto não tinha outro sítio onde fazer este tipo de coisas. Vim-me embora e ela ainda lá ficou, pelo que não assisti à sessão de depilação com bandas de cera que certamente deve ter ocorrido uns dias depois...

Quem poderia ter usufruído dessa sessão de depilação, se não tivesse ido embora mais cedo, era uma senhora alemã, mãe de 2 filhos adolescentes, com pêlos nas axilas que lhe chegavam ao cotovelo. Pronto, exagero, mas havia por lá homens com menos pilosidade corporal do que ela. E teimava em usar vestidos de alças todos os dias, a toda a hora.

E não posso deixar de referir uma família polaca (enfim, da Europa de leste, pelo menos). Mãe e filha comportavam-se quais estrelas de Hollywood, de saltos altos à beira da piscina, aparecendo todos os dias com uma indumentária diferente, inclusivamente mudando de roupa a meio da manhã, e sempre, sempre, muito produzidas. A indumentária nocturna então, era demasiado cómica para ser verdade! É possível que fossem famosas lá na terra delas, mas ali ninguém as conhecia de parte nenhuma. Já o pai/marido, que seguia sempre religiosamente pelo menos meio metro atrás delas e se deitava numa espreguiçadeira afastada, desempenhava o papel de criado obediente.

Depois havia ainda uma família portuguesa com um filho dos seus 3 anos que era igualzinho ao Harry Potter, só lhe faltava a varinha, uma avó idosa, de bengala, que mal se podia mexer, um filho adolescente sempre de t-shirt preta, um pai que fumava cachimbo e uma mãe sempre preocupada em reunir o máximo de espreguiçadeiras possível, mesmo que fossem apenas 5 pessoas. É verdade que cada um valia por dois, e não fossem as camas partir o melhor era juntar duas...

Ah, e também não posso esquecer o outro casal que reservava sempre as mesmas duas espreguiçadeiras estendendo um cobertor (sim, cobertor!) que tinha a foto de uma flor gigante. Não sei se se levantavam de madrugada para ir estender o belo do cobertor ou se o deixavam lá durante a noite, mas o certo é que estava constantemente estendido.

Além disto, o normal: pais que gritam com os filhos, hóspedes gordos que se atiram para a piscina, despejando-a, pessoas que participam em tudo quanto sejam actividades físicas nas férias mesmo que durante o resto do ano não levantem o traseiro do sofá, e crianças que choram, que riem, que correm, que molham toda a gente à sua passagem.

Ah, as férias...

23 de agosto de 2010

Ferpeito, ferpeito...

...é percorrer 50Km para ir ver um concerto dos Xutos e Pontapés (que não vejo ao vivo há uns bons anos) ao Festival do Marisco a Olhão, chegar lá e perceber que foram substituídos pela Daniela Mercury, voltar para trás e percorrer mais 50Km de volta ao local de partida. O que vale é que a gasolina está barata.

Dia de férias ferpeito

Passear de manhã numa praia quase deserta.



Passar a tarde à beira da piscina, à sombra das palmeiras, com um bom livro.


Ler, nadar, apanhar sol, descansar. Era capaz de me habituar a esta vida...

11 de agosto de 2010

Fui

...mas volto.

10 de agosto de 2010

Silly Season ao jantar

Explanada no Parque das Nações, não interessa o nome porque não quero um processo em cima mesmo sendo verdade o que vou contar. 8h30 da noite de segunda-feira, mais de 30º na rua. Duas pessoas sentam-se numa mesa, mais tarde chega uma terceira.

O pedido:
- um crepe
- uma tosta de frango e queijo
- um jarro de chá gelado.
- um café para o terceiro elemento, que já tinha jantado.

Passado algum tempo, o empregado traz o chá gelado e pergunta:
- A senhora pediu alguma coisa para comer?

Repeti o pedido e percebi logo que esta noite ia correr bem...

O que o empregado trouxe, parte 1:
- o crepe
- a tosta ainda está a tostar.

O que o empregado trouxe, parte 2 (muuuiiiito tempo depois)
- o café (os grãos tiveram de ser torrados, claro está)
- da tosta, nem sinal - os frangos custam a morrer, com este calor...

A explicação surreal:
- Houve um problema é que perdeu-se o papel onde estava o pedido e o cozinheiro fez uma tosta de queijo simples mas dissemos-lhe que era de frango e queijo e já está a fazer a nova. Peço desculpa mas foi por causa de se perder o papel...

Novo pedido:
- uma água das Pedras com sabor a limão
- um quarto de água - um quarto de litro, obviamente, mas isto devia ter sido bem explicadinho...

O que o empregado trouxe, parte 3 (entretanto são quase 10 da noite):
- finalmente, a tosta: menos mal, ainda como no dia em que encomendei...
- água das Pedras com sabor a maçã e cidreira
- um copo meio de água.

Fiquei sem saber se era do calor ou se o empregado era marciano...

9 de agosto de 2010

How, indeed?

Be harmless. Be helpful. Make friends. Lie. But how did you lie to friends?

Terry Pratchett, Unseen Academicals

7 de agosto de 2010

Cansaço

Esta sensação que me vai roendo por dentro, este pensamento que não me sai da cabeça e não me deixa descansar. Quase não durmo, tenho insónias, não consigo concentrar-me em mais nada a não ser nisto, e vai-me consumindo até ocupar todo o espaço e não me deixar respirar. Alastra como um vírus, contagia tudo à minha volta, pinta o dia de cinzento escuro por mais brilhante que esteja o sol, levanta um vento frio que me gela até aos ossos, congela-me o sangue nas veias e nem o calor abrasador de Agosto o consegue aquecer. Fecho-me em mim, adoeço, escondo-me dos outros por receio de os afastar, calo-me para não dizer o que sinto, ninguém conseguiria compreender. Isso resolve-se, não dramatizes, não é o fim do mundo. Pois não. Mas estou cansada de esperar.

6 de agosto de 2010

Sabemos que estamos em Portugal...

...quando, ao atravessar um parque natural, deparamos com uma cimenteira.

Buzz Lightyear al resgate

A rever!

4 de agosto de 2010

Insatisfação

Abri as asas e voei. Subi em linha recta até às nuvens, depois virei à direita e planei paralela ao solo. Lá em baixo, a cidade. Os prédios enormes, as casas, as ruas, os carros, as árvores (poucas, muito poucas) e as pessoas. Visto aqui de cima, tudo é tão pequeno, insignificante. Fico assim uns minutos, a observar a vida frenética. Oiço os sons da vida a passar normalmente, observo as pessoas apressadas, a correr de um lado para o outro, aquele condutor a discutir com o outro, a esbracejar, furioso, ainda tem um ataque cardíaco antes do tempo, o rosto vermelho de raiva, as veias do pescoço a latejar. E admiro-me de conseguir ver tantos pormenores a esta distância. Mas não estou longe, afinal. Sem me aperceber, desci quase até ao nível do solo, estou a pairar pouco acima dos tejadilhos dos carros parados em filas intermináveis de trânsito.

Volto a subir, desta vez rodopiando até atingir a altitude certa, acima das nuvens, fecho os olhos e sinto o vento no cabelo e o sol a aquecer-me o rosto. Cansei-me da cidade. Decido seguir viagem ao longo do rio até chegar ao mar. A praia quase deserta a esta hora, estão a chegar os madrugadores, avós com netos, principalmente, carregados de chapéus de sol, cestas de verga e geleiras, toalhas de praia ao ombro, baldes de plástico, pás e ancinhos... Também estes falam alto, as crianças aos guinchos, a fazer birra logo de manhã, a avó a gritar para se calarem, o avô a ralhar com a avó para deixar o neto em paz que é uma criança e tem de se divertir e logo ali começa uma discussão que há-de durar até à noite. Aproximo-me mais, fito nos olhos a criança que se cala subitamente, subo novamente tão depressa como desci, os avós voltam-se sem perceber o que se passou, mas aliviados por ter acabado a gritaria.

Sigo o meu caminho e atravesso o mar. Vejo barcos de pesca, depois veleiros, por fim cargueiros e navios de cruzeiro. Vejo baleias a saltar e tubarões a caçar, vejo focas e leões marinhos e vejo gelo, muito gelo. Está frio, por isso decido dar meia-volta e seguir noutra direcção. Volto a entrar em terra, atravesso campos, passo por rios, vales, montanhas, aldeias, vilas, cidades, países. Ali a estátua da Liberdade, daquele lado a Torre Eiffel, lá ao fundo o casario branco das ilhas gregas, deste lado o deserto, acolá a selva africana mesmo juntinha à muralha da China. Vejo tigres, leões, pinguins, cangurus, macacos, pássaros de todas as cores acompanham-me por onde vou. E as pessoas, afinal, que são iguais em todo o mundo.

Vi tudo o que havia para ver. Dei a volta ao mundo inteiro e percebi que já não há nada de novo, nada de interessante, nada de estimulante. Aterrei novamente em casa por alguns minutos. Olho em redor e o que vejo? Fotografias das pessoas que foram importantes na minha vida, mas já nenhuma existe. Objectos acumulados ao longo de uma vida inteira e que a certa altura significavam tudo. Sorri ao perceber finalmente que nada daquilo era importante, não passavam de objectos, como era possível ter pensado que não conseguia viver sem tudo isto?

E de sorriso rasgado no rosto voltei a levantar voo, subi a direito, passei as nuvens, passei o sol, e continuei a minha viagem pelo espaço à procura de um novo mundo.

Uma longa viagem, Fábrica de Letras

3 de agosto de 2010

As coisas que se fazem por amor

Eu, por exemplo, interrompo as minhas férias para ir ver um jogo de futebol entre o Benfica e o Tottenham ao estádio da Luz. Eu que nem ligo ao futebol e, mal por mal, prefiro o verde, eu que  na vida só vi um jogo de futebol profissional ao vivo e foi a selecção nacional contra o Liechtenstein algures no século passado (ganhámos para aí por 10 a 0) vou embrenhar-me no mundo dos grunhos vermelhos, vou torcer para que desta vez a águia prefira atacar a cabeleira loira do Jorge Jesus em vez do naco de carne, vou atirar amendoins às bancadas de baixo e vou gritar penalti sempre que me der na cabeça. Já que me estragam metade de um dia de férias e nem sequer me permitem refastelar-me com um faustoso jantar porque decidem marcar a coisa para a pior hora possível, ao menos divirto-me. Portanto, se mais logo virem nas notícias que a espectadora mais gira do estádio, a única com um aspecto decente mas que teve o azar de estar vestida de verde, foi selvaticamente atacada por uma cambada de energúmenos, já sabem que sou eu.

2 de agosto de 2010

Alguém me sabe explicar

O que raio é um Sing Along Alentejano?

É Verão, está calor e eu tenho preguiça de procurar no Google...

Nem sei como sobrevivi sem isto

Segundo o DN, foi lançado o Manual de etiqueta nos transportes públicos. O documento destina-se a ensinar as regras básicas de comportamento nos autocarros, metro e comboios. Muito bem, à primeira vista e tendo em conta o nível de civismo dos utilizadores, pode até ser pertinente. E conselhos como "usar roupa fresca" no Verão são, de facto, úteis. O que não falta por aí é gente de camisolas de lã em Agosto, realmente. Também gosto destes: "manter acessos livres" e "não bloquear saídas". Especialmente em hora de ponta, deve ser fácil.
Mas já que se deram ao trabalho de elaborar um documento tão importante, como é que puderam esquecer-se de aconselhar os passageiros a tomar banho regularmente e a não assaltar os outros? E já agora aproveitavam e redigiam também uma coisa semelhante para os motoristas de autocarro - no mínimo, a aconselhá-los a ser simpáticos.

1 de agosto de 2010

No restaurante

Na televisão, o telejornal mostrava mais uma vez a mesma peça sobre a morte de António Feio, as mesmas imagens, as mesmas pessoas e as mesmas palavras repetidas tantas vezes que já todos as conhecíamos de cor e salteado, mas ainda assim fez-se silêncio e ninguém desviava o olhar do aparelho pendurado praticamente no tecto. Até que uma senhora na mesa ao lado da minha exclama para o companheiro:

- Eu vi-o uma vez fazer um monólogo genial. Sozinho!