21 de setembro de 2010

As legendas da raposa


Inglês: The body was found by Pier 7.
Português: O corpo foi encontrado por Pierre Seven.

Bem sei que há coisas com que embirro que, ao comum dos mortais, parecem mesquinhices. E talvez sejam, não digo que não, mas é mais forte do que eu. Por exemplo, incomoda-me ler um texto mal escrito, com erros ortográficos (ou outros, mas estes perturbam-me especialmente). Por mais interessante que seja o assunto, por mais estruturadas que estejam as ideias, para mim perde o interesse assim que vejo um "tive" quando devia ser "estive". Da mesma forma, não suporto ver más legendas na televisão ou no cinema (raramente as leio, de qualquer forma). E por esta altura estão a dizer que todas as legendas são uma porcaria. Não é verdade. Há até algumas legendagens muito boas, bem feitas, com soluções inteligentes para certas peculiaridades da língua de que se está a traduzir. Além de que legendar não é só traduzir (como se traduzir fosse "só" qualquer coisa, mas isso fica para outra altura). Há que ter em conta determinadas regras e constrangimentos que não se colocam em outros tipos de tradução, como o espaço disponível e o tempo que demora a ler cada frase. O comum dos mortais não sabe, nem tem de saber, destas coisas, mas se o soubesse talvez pensasse duas vezes antes de criticar a legenda que acabou de ler.

Apesar de tudo isto, há algumas legendagens que são, simplesmente, ridículas - e inadmissíveis. Não há explicação possível, ainda que gostasse de ouvir o que o tradutor teria a dizer... A frase que coloquei no iníco é disso um exemplo: este Domingo à noite, no canal Fox, passava um episódio da série Fringe. Mesmo no início, aparece um morto e ouve-se uma locutora da televisão dizer "The body was found by Pier 7". Eu ouvi, mesmo sem estar a olhar para a televisão. E percebi à primeira. Calhei olhar para o ecrã no momento em que aparecia a legenda: "O corpo foi encontrado por Pierre Seven".

Que dizer a isto? Que o tradutor não sabe que a preposição "by" não significa sempre "por"? É tão básico, que não posso acreditar... Que o tradutor não reviu sequer a tradução que fez? Também não me parece possível, lá está, de tão básico que é. Que não houve mais ninguém a rever a tradução? Já será mais provável, embora não devesse acontecer. Que o tradutor não conhece a palavra "pier", parecendo-lhe mais normal tratar-se de um nome francês numa série americana? É tão estranho que nem merece comentários. E por último, mas não menos importante: quem é o Pierre que encontrou o corpo e não apareceu mais no episódio todo?!?

Simplesmente delicioso


Descobri isto há uns dias. É giro e divertido e só por isso merece a visita. Basta clicar aqui e vão lá direitinhos.

20 de setembro de 2010

Nada e coisa nenhuma

Apetece-me escrever, mas não sei o quê. Olho para o ecrã e não me vem nada à ideia. É a metafórica folha em branco do escritor, que tanto o faz desesperar, não que me considere escritora, atenção, nada disso. Conheço bem as minhas limitações e nunca me passaria pela cabeça comparar-me a um escritor. Excepto talvez na acepção mais literal de “aquele que escreve”. Nesse sentido, sim, sou escritora. Ou seria, se conseguisse escrever alguma coisa. Mas não consigo. Olho para o ecrã, pouso as mãos no teclado - que é feito das canetas? Já ninguém escreve à mão... Também nunca tive uma caligrafia bonita, pelo que talvez seja melhor assim. Mas dizia: olho para a folha em branco no ecrã e, com as mãos no teclado, procuro as palavras que não encontro, o assunto, qualquer assunto, e só consigo pensar em disparates, idiotices, anedotas que até nem devem ter piada nenhuma, mas que me fazem rir sozinha - estarei doida? É possível. Doida por doida, ao menos que o seja oficialmente, de papel passado, sempre dava para justificar determinadas atitudes que me apetece tomar mas não posso, porque dizem que sou normal. Sabem lá! Se imaginassem o que me passa pela cabeça… No mínimo, internavam-me na hora, isolavam-me num quarto almofadado, trancavam a porta e deitavam a chave fora, ao rio ou ao mar, para nunca mais a encontrarem.

Gostava de conseguir escrever só porque sim, quando quero. Há pessoas assim (acho que também já fui assim), que sem pensar deitam cá para fora tudo o que lhes vai na cabeça, capazes de discorrer durante páginas seguidas sobre qualquer assunto, desde a plantação das batatas à teoria mais recente da física quântica. Podem não perceber nada do assunto, os conhecimentos que têm podem advir do cabeçalho da notícia que acabaram de ler, provavelmente nem deram atenção à notícia toda, basta-lhes só o título para logo ali formarem uma opinião e terem assunto para, pelo menos, umas quinhentas palavras. A qualidade ou não do produto final não vem agora ao caso. A qualidade dos meus produtos finais, provavelmente, também deixa muito a desejar, em comparação com os de outros seres mais dotados para a escrita. Se bem que, não é para me gabar, mas parece-me que de vez em quando consigo escrever qualquer coisa de jeito. Não será uma obra-prima, pois não, que eu não vim aqui inventar a roda nem descobrir o fogo, mas é uma obra minha, e isso já é mais do que muita gente pode dizer. Boa ou má, de qualquer forma, são conceitos subjectivos. Quem define o que é bom ou mau? Camões é bom? Dizem que sim, mas os estudantes do ensino secundário acham que não. Margarida Rebelo Pinto é boa (refiro-me à sua escrita, claro, que do resto julgarão outros)? Dizem os críticos que a leram que não, mas as vendas dos seus livros apontam no sentido contrário. E então? Acreditamos nos críticos, académicos, (em princípio) conhecedores do que falam, se não levarmos à letra a velha história de "quem sabe faz, quem não sabe critica", ou seguimos a opinião do povo, inculto na sua maioria, praticamente analfabeto até, que isto de saber ler tem muito que se lhe diga e não é só juntar as letrinhas e perceber que b+a=ba, mas que sabe do que gosta e por isso compra? Mas estamos a falar do mesmo povo que lê a revista Maria e o jornal O Crime e acredita em tudo o que lá vem escrito, que idolatra o Tony Carreira e que não vai ao teatro porque é caro mas não perde um jogo de futebol no estádio...

Podia, talvez, escrever sobre o tempo ou sobre o último filme que vi. Calhou ser o Salt, com a Angelina Jolie, mais um filme-chiclete, mastiga e deita fora, sem demora, já cantavam os outros e com razão, com uma tal confusão entre espiões americanos e russos e estes sãos os bons mas afinal já não são e daí a dez minutos já são outra vez e aquele que era mau afinal é a vítima e a coisa é tão confusa que termina da única forma que conseguiram, mesmo, mesmo a cheirar a sequela para ver se arranjam um final decente para a história.

Ou então podia dedicar umas linhas à última guerra blogoesférica de que me apercebi, que estas coisas passam-me todas ao lado, felizmente. Alguém teve a infeliz ideia de fazer um post a perguntar qualquer coisa como "qual o blog que mais odeiam?" e, pasme-se!, ouve centenas de respostas, cada uma menos fundamentada do que a anterior, odeio porque sim, pronto, é o meu direito, sem razão, simplesmente porque não gosto do que este ou aquele escreve e mais nada, não que eu seja melhor ou pior, mas odeio mesmo e acabou a conversa. E foi tanto o veneno destilado naquela caixa de comentários que fiquei a pensar: se um destes tem o azar de morder a língua, morre envenenado. Apeteceu-me apenas perguntar, se não gostam por que raio continuam a ler?, que eu quando não gosto de alguma coisa não volto lá, é tão simples e cansa muito menos, mas isto sou eu que, como já disse, sou doida e só estou aqui a fazer tempo até chegarem os senhores da bata branca para me levarem.

Também podia comentar a actualidade, hoje em dia qualquer um é comentador e ainda para mais na Internet, é largar postas de pescada a torto e a direito que toda a gente pode e deve ter opinião. São os arguidos do caso Casa Pia que agora já são os culpados do caso Casa Pia, excepto o Carlos Cruz que, por maioria de razão do povinho que adorava o 1, 2, 3 e a Bota Botilde, continua hoje e sempre inocente, ou pelo menos não foi só ele, os outros também lá estavam, que isto de ser condenado sozinho não tem piada nenhuma. São os franceses a expulsar os romenos e os búlgaros, perdão, é o Sarkozy a expulsar os ciganos, assim é que é, mais o nosso adorado Cherne a dar-lhe na cabeça, vá lá, haja alguma coisa que o homem faz que se pode dizer que até nem foi mal feita. Mas como acho que não tenho nada de novo a acrescentar às milhares de linhas que já foram escritas sobre estes assuntos, calo-me.

Claro, podia sempre falar de desgostos de amor, que toda a gente tem, se tiver sorte, porque é como dizia o outro "It's better to have loved and lost than never to have loved at all", mas o mais certo era sair um relambório de tal forma deprimente que ninguém teria paciência para aqui voltar, provavelmente nem eu. Ou das histórias da minha infância, dos dias de Verão passados na rua, com os amigos que terão para sempre um lugar especial no meu coração, apesar de todos termos seguido vidas muito diferentes e a amizade acabar por se perder, ou dos outros que fui encontrando ao longo da vida, uns desapareceram, outros ficaram, outros ainda reapareceram e é tão bom, tão bom, reencontrar estas pessoas, e as histórias que vivemos juntos, tantas histórias que poderia contar, ainda que ao fazê-lo corresse o risco de me internarem mais depressa. A minha vida não dava um filme, não tenho ilusões, sei que é apenas mais uma e que há gente com vidas muito mais interessantes do que a minha, com aventura e tragédia e tudo o mais, mas é a minha vida e só por isso é muito mais importante do que todas as outras, até porque é a única que ainda consigo, de vez em quando, controlar.

Outra hipótese seria entrar no domínio da ficção. Escrever uma história policial, cheia de mistério, daquelas com reviravoltas inesperadas capazes de deixar o leitor de boca aberta, com vítimas ingénuas e criminosos diabólicos, piores do que os da série Criminal Minds, de que não perco um único episódio, gosto tanto daquilo que me assusta pensar que algumas daquelas coisas podem ser reais. Ou uma história de amor, um amor impossível, claro, são as únicas histórias de amor que interessam, a luta dos apaixonados pelo amor que os une, contra tudo e contra todos - está mais que visto, bem sei, Shakespeare escreveu a primeira, a última e a definitiva, a tragédia de Romeu que se mata por pensar que Julieta morreu, Julieta que acorda e se suicida ao ver Romeu morto... é impossível fazer melhor, ninguém o fez até agora e também não tenho pretensões disso, credo!, como disse no início: conheço bem as minhas limitações.

Vendo bem, parece que ideias até não me faltam, a imaginação é fértil e não tem limites. Falta talvez a vontade de me alongar sobre os assuntos, ou a coragem de pôr tudo isto no papel, ainda que virtual.

E assim se escreve um texto sobre nada, a falar de coisa nenhuma.

Tema Livre, Fábrica de Letras

19 de setembro de 2010

Fa fa l'americano

Uma das músicas mais divertidas dos últimos tempos - e o vídeo é o máximo!

18 de setembro de 2010

Amor é...

... chegar a casa e ter um frasco de Nutella à minha espera.

Sem pedir.

17 de setembro de 2010

Bella e apaixonada

A Bella apaixonou-se. Assim que encontrou o meu e-mail na Internet, foi um sentimento incontrolável. Não conseguiu resistir e, ao fim de um tempo (imagino que muito pouco), ganhou coragem e escreveu-me. É uma querida, é o que é. Embora não faça o meu género, ainda assim fiquei sensibilizada. Nem sei o que diga... Ora vejam o que ela me escreveu e digam lá se isto não é amor:

Hello
Greetings,
I saw your e-mail in the net while browsing, and i pick interest in you
as such i came here to look for my second half, my soul mate,my friend It is to tell about myself to you, as I haven't seen you ever before. But I feel something inside. I feel like a little sign of hope that I am not doing this in vain.I feel that you have the friendly soul to mine.What I want to find is Love. please get back to me with the above e-mail. i will detail more about myself to you.and all so send my picture to you if you reply this mail.
regard.
From Bella.

Não há como a caixa de Spam do Gmail para me deixar bem disposta logo de manhã. Se bem que prefiro as mensagens que recebo escritas em chinês...

15 de setembro de 2010

Mais uma cabeça queimada

Para o choque não ser muito grande, ao regressar de férias volta tudo ao normal. Isto que se passou há uns meses, está a repetir-se hoje. Felizmente, com algumas pequenas diferenças: primeiro, já nem tentei mexer em nada porque já sei que não vale a pena; segundo, o vigarista que gere o condomínio já é outro e ainda não desapareceu; terceiro, o vizinho já voltou de férias, portanto é possível aceder ao telhado para mexer na antena. Menos mal... espero é que não se torne moda!

14 de setembro de 2010



Don't forget to breathe!


It's that time of the year again

Volto a adormecer no sofá em frente à televisão, embrulhada num cobertor, depois de reclamar vezes sem conta que não são horas para transmitir aquele programa, que no dia seguinte as pessoas têm de se levantar cedo para trabalhar. Como disse, adormeço. Acordo já passa das 2h, o programa terminou há muito e eu não o vi, no ecrã a Filipa Vacondeus e um rapazola armado em cozinheiro fazem publicidade a um trem de cozinha, ambos com quase tanto à-vontade e naturalidade como a Nayma no tal programa dos aspirantes a estilistas de cujo nome agora não me lembro. Desligo o aparelho e vou-me deitar. Mas já não tenho sono e fico horas acordada, a pensar em tudo e mais alguma coisa (olho para o relógio e passa das 4h), no que aconteceu, no que não aconteceu, no que podia ou devia ou teria acontecido se (e agora já são 5h e tal), no que disse e não disse, no que devia ter dito, ou não... Continuo sem sono, não sei como foi o programa que tanto queria ver e daí a poucas horas tenho de ir trabalhar.



Nota: ao procurar no Google a forma correcta de escrever o nome da senhora, descobri que no IMDB há uma entrada relativa a Filipa Vacondeus. Estou sem palavras...

13 de setembro de 2010

Ao desafio

O Ulisses (cuidado ao clicar, o aviso de que é para maiores de 18 não é brincadeira), que não tem nada melhor para fazer e pensa que os outros também não, achou por bem lançar-me um desafio. Parece que tenho de dizer cinco factos sobre mim e dez coisas de que gosto. Ora ele não especificou se tinha de dizer a verdade, mas parto do princípio que sim... Posto isto, aqui vai.

Cinco factos sobre mim:

1. O meu primeiro emprego foi num call-center (dou-vos uns segundos para imaginarem o que quiserem) de uma operadora de telemóveis. Lembro-me, por exemplo, de tentar explicar por telefone a um senhor invisual quais as teclas onde devia carregar para resolver o problema a situação que o afligia com o telefone o telemóvel o móvel (já foi há muitos anos mas ainda me recordo das palavras proibidas!).

2. Fui jornalista durante 4 anos, embora nunca tenha chegado a ter a carteira. Desse tempo, recordo as viagens e as pessoas que tive oportunidade de conhecer. E umas histórias bem divertida, mas que não convém contar.

3. Tenho medo de animais. Tudo por culpa de um caniche do demónio que me "atacou" quando eu tinha uns 3 anos.

4. Odeio agulhas. Contam-se, aliás, umas histórias vergonhosas de quando eu era criança. Claro que não passam de calúnias...

5. Em criança, queria ser o Homem-Aranha. Ou a Mulher-Aranha, suponho...


Dez coisas de que gosto, não necessariamente por esta ordem:

1. Chocolate. Na verdade, tudo quanto são doces (bolos, gelados...). É verdade, também sou muito gulosa.

2. O meu marido.

3. Praia, sol, mar...

4. Portugal, especialmente Lisboa.

5. Viajar e conhecer sítios novos, mas também voltar aos que já conheço.

6. Rever a família e os amigos.

7. Andar de bicicleta, embora não tenha muito jeito para a coisa.

8. Ler. Não é um gosto, é um vício.

9. Flores.

10. Nadar, de preferência no mar, mas não sendo possível, basta-me uma piscina.


Diz que tenho de passar isto a mais sete incautos. E os (in)felizes contemplados são, por ordem alfabética:

João - Match Point
Kawamura - All These Things
Lou Alma - Viciada em Loucura
Manuela - A Turista Acidental
Princesa Ventania - Princesa Ventania
Tulipa - Sobre o Tempo e Outros Assuntos
Vício - Chépélé... sopinha de Massa!

Vá lá, pessoal: isto afinal não dói nada...

11 de setembro de 2010

O dia em que o meu mundo mudou

O despertador tocou à hora marcada, acordando-me de uma noite mal dormida. Estava na hora. Como um zombie, arrastei-me pela casa, terminando as tarefas que ainda tinha de fazer antes de sair. Uma hora depois, tinha as malas à porta. Olhei uma última vez para trás, respirei fundo, saí e fechei a porta, mal conseguindo conter as lágrimas. Desci no elevador e entrei no carro que havia de me levar ao aeroporto. Pelo caminho, ia pensando na decisão que tomara uns meses antes. Não tinha agora a certeza de ser a mais correcta. Partir assim, à aventura, largar tudo, deixar para trás a família, os amigos, a cidade, o rio e o mar… Para quê? E repetia para mim mesma que era em prol de um futuro melhor, que nada seria como antes e tudo se resolveria. Que um dia teria a certeza que tudo valera a pena.

Vários anos passados, continuo a repetir: um dia terei a certeza que tudo valeu a pena. Apesar das lágrimas, apesar da tristeza, apesar da distância. Um dia...

Tema Livre, Fábrica de Letras

O dia em que o mundo mudou

Foto, obviamente, encontrada na net

Já lá vão 9 anos e parece que foi ontem.

10 de setembro de 2010

Com o fim-de-semana à porta

I'll drink water when fish climb out of it to take a piss, but thank you all the same.


Terry Pratchett, Unseen Academicals

Se o Queiroz percebesse isto, talvez ainda tivesse emprego

...this is a game of football. I believe  that the procedure is to put the football down and when the whistle is blown each side will attempt to hit the goal of the opposing side with the ball while trying to prevent the ball hitting their own goal. Have we all understood that?

Terry Pratchett, Unseen Academicals

9 de setembro de 2010

Hoje, especialmente

Mais do que ontem...


...menos do que amanhã.

8 de setembro de 2010

Já está!

Tudo tratado, agora é só ir...

O que me preocupa...

...relativamente à conversa que mencionei no post anterior, é que quando estamos juntos, ao vivo e a cores, as conversas costumam ser ainda piores. E isto já dura há quase 20 anos. Estava capaz de apostar que isto deve ter um nome clínico qualquer...

7 de setembro de 2010

À noite, no Facebook, todos os intervenientes são... doidos!

De que outra forma se explica que uma música dos Queen, no caso Friends will be friends, dê origem a uma conversa que começa por falar de amigos (óbvio...), segue com a meteorologia, avança para a possibilidade de um reencontro que acaba por ficar combinado para a época do Natal, continua com a atribuição dos papéis das personagens do Presépio aos intervenientes, aliás um Presépio muito original onde também entram a Branca de Neve, o Nemo e até o Buzz Lightyear, pelo meio ainda dá direito a uma anedota de gosto duvidoso, e acaba com a criação do evento e envio dos respectivos convites, muito embora ainda não se saiba onde nem quando vai decorrer?

Eu tenho amigos muito estranhos, eu sei. E antes que certas pessoas perguntem, estes são mesmo amigos, daqueles que conheço há séculos e já os vi e sei onde moram e tudo!

Apetece-me voltar aqui

foto tirada da net
Vou tratar disso.

Pensamento positivo

Já só faltam 4 dias para o fim-de-semana

6 de setembro de 2010

Independência, já!

E não é que há doidos para tudo? Este quer a independência de um ilhéu ao largo da Madeira. Acho bem. Mas depois exijam-lhe visto, vacinas em dia e certificado do registo criminal para entrar em Portugal. É que parecendo que não, ainda pode ser considerado imigrante ilegal...

Flower Blog IX



5 de setembro de 2010

I wanna do real bad things with you




Maratona de True Blood durante o fim-de-semana. É oficial: estou viciada nestes vampiros.

Flower Blog VIII





4 de setembro de 2010

2 de setembro de 2010

Rentrée

Regressar ao trabalho mais de um mês depois é duro. Pensar em horários, rotinas, obrigações depois de um mês a dormir quando queria, a fazer o que me apetecia, todos os dias, custa muito. Voltar a vestir roupa de gente crescida depois de semanas seguidas de havaianas nos pés é difícil. Passar dos quase 40º de Lisboa para uns míseros 16º, e ainda estamos no início de Setembro, é caso para dar cabo do sistema a qualquer um, quanto mais a mim que sou sensível a estas coisas. De um dia para o outro deixar de ver o mar, o Tejo, Lisboa e, não tarda nada, o sol. Deixar lá longe a família e os amigos e pensar que só os revejo daqui a uns meses. E de repente parece que tudo o que é bom ficou ali, naquele mês de Agosto (cliché, eu sei), passado entre as casas da família e a praia e a cidade e o trânsito e os jantares com os amigos e tudo o resto que faz de mim o que sou e que me faz tanta falta durante o resto do ano. A começar já hoje.

Ainda agora voltei

E já me ia embora outra vez.

1 de setembro de 2010

Literatura e tecnologia

O Alexandre O'Neill não tem televisões, mas com o Almeida Garrett já usei o telemóvel.
Time flies  
when you're having fun

31 de agosto de 2010

Rendo-me

à moda dos cupcakes. Quero lá saber se são queques com mania das grandezas, só sei que são muito bons. Estes Merry Cupcakes, então, são deliciosos. Pelo menos os que provei, tenho de experimentar os outros. Vejam só que lindos... é que os olhos também comem!

30 de agosto de 2010

Reality Check

Estar no serviço de urgências do hospital, perceber que está lá também um trabalhador da construção civil, que calhou ser chinês e não falar uma palavra de português, com a mão esmagada por uma empilhadora, ouvir médicos e enfermeiros a falar sobre o assunto como se nada fosse, embora preocupados, e a ligar para o cirurgião plástico de prevenção, assistir a um amigo ou conhecido do doente desesperado a fazer de tradutor para os serviços administrativos poderem preencher a ficha do doente, sem a qual nem sequer o podem tratar, ter a certeza de que se fosse um cidadão nacional a besta do funcionário administrativo não o trataria assim, perceber que por se tratar de um hospital privado o doente terá de avançar com um sinal de 3000 euros caso tenha de ficar internado, desconfiar que o coitado não terá essa quantia disponível e provavelmente nem seguro de saúde, visto que nem deve estar legalizado, e que por isso deve sair dali com a mão ligada e ser enviado para um hospital público, e ouvir de repente um enfermeiro dizer para um médico acabado de chegar:

- Doutor, quer ver uma ferida a sério?

Definitivamente, há muitas vidas piores do que a minha.

29 de agosto de 2010

As férias não são férias sem

Lisboa
Comer gelados Santini no Chiado
Bom tempo
Praia
Sol
Comer gelados Santini em Cascais
Sofrer com o calor abrasador e adorar
Notícias de incêndios e o cheiro a fumo, mesmo em Lisboa
Viagens de avião, de carro e de comboio, só faltou mesmo um barco
Passeios à beira-mar
Nadar no mar e na piscina
Acabar de ler os livros que tinha previsto para durante as férias e comprar mais um monte deles, aproveitando as promoções de "Pague 2, Leve 3" da Fnac
Comer gelados Santini no Chiado
Almoçar com a família
Passear com a família
Visitar a família
Jantar com a família
Ficar farta de aturar a família, mas ter de continuar a fazê-lo para não ofender ninguém (até porque dentro de alguns dias afasto-me novamente e depois sinto-lhes a falta, por isso o melhor é aproveitar enquanto posso)
Comer gelados Santini em Cascais
Almoçar numa esplanada da praia com uma amiga de longa data a quem tinha perdido o rasto
Jantar com um grupo de amigos numa esplanada e fazer uma chinfrineira como quando tínhamos 20 anos
Ir a um jogo de futebol pela primeira vez e jurar para nunca mais, está feito, está feito, mas não é para repetir
Comer uma bola de Berlim cheia de creme ao pequeno-almoço, acompanhada por um leite de chocolate Ucal gelado
Comer gelados Santini no Chiado
Pelo menos um dia de chuva
Picadelas de mosquitos porque, para variar, me esqueci do repelente
Almoçar peixe grelhado, do bom, e pagar uma ninharia
Comer gelados Santini em Cascais
Tirar uma montanha de fotografias e aproveitar apenas meia-dúzia
Ir ao cinema
Ir ao Alentejo comer migas de espargos com entrecosto
Ter a sensação de que havia muito mais para fazer, mas o tempo foi pouco

Apanhar uma gripe à chegada e ter uma crise alérgica à partida. Nenhumas férias de Verão ficam completas sem a devida passagem pelas urgências de um hospital...

28 de agosto de 2010

O mistério do post desaparecido

Tinha escrito um post tão, tão, tão que até parecia um sino quando, sem saber como, apaguei o texto todo. Resta-me confiar na minha memória, que convenhamos já não é o que era, e esperar que consiga reproduzi-lo. Ora bolas. E o dia que até nem tinha corrido mal de todo...

No restaurante

No fim da refeição
Empregado: Desejam café?
Cliente convencido que é engraçado: Tem cevada?
Empregado (com voz de quem acha a pergunta idiota mas não pode dizer nada porque está a falar com um cliente): Não...
Cliente cada vez mais convencido que é engraçado: Então era uma imperial!

26 de agosto de 2010

E se de repente...

...descobrirmos que uma antiga colega de curso, de quem ninguém gostava porque era de tal forma idiota e parva que só tinha uma amiga, publicou um livro de poesia e que esse livro está a receber grandes elogios da crítica, embora pela amostra dos poemas que tivemos oportunidade de ler pareça uma bela merda, isso é...

E não, não é inveja!

25 de agosto de 2010

Serviço público

Na Estrada Nacional 125, no Algarve portanto, perto de Faro, está um veículo automóvel para venda (ou estava na semana passada quando lá passei, é possível que já tenha sido despachado entretanto). Aqui ficam as fotos ilucidativas. É bom saber que já não se usa só o tradicional "Trata" seguido de um número de telefone (penso sempre que o carro em causa deve ter alguma doença terminal). Só por isso, já merecia ter sido vendido.



Ou isso, ou o proprietário tem uma profissão interessante...

O Trincas

Não sei, e penso que ninguém sabe, ao certo de onde lhe vem a alcunha, mas o Trincas é possivelmente o toxicodependente mais conhecido lá do bairro. Entra apressado na farmácia apinhada de gente, ignorando todos os clientes, e dirige-se ao balcão:

- Arranje-me aí uns pensos rápidos que me cortei e isto está práqui a deitar sangue!

O farmacêutico olha-o de soslaio, com ar de quem está habituado a estas cenas, e continua a atender a cliente. O Trincas repete o pedido, com o mesmo resultado. Até que, das entranhas da farmácia (sempre desconfiei do que se passa nas traseiras das farmácias), surge o outro farmacêutico, mais jovem, que dá atenção a outra cliente, mais próxima do local onde se encontra o Trincas. E ele que repete, mostrando o dedo em causa:

- Arranje-me aí uns pensos rápidos que me cortei. Para ver se pára o sangue.

O novo farmacêutico olha para o dedo estendido na sua direcção, lança um olhar como que a dizer "desculpe lá, é melhor despachar este" à cliente, e começa a procurar os pensos rápidos no balcão onde se encontra. Como não consiga encontrá-los logo, o Trincas, sempre solícito, diz-lhe:

- Veja antes deste lado, é aqui que estão!

E era.

Modern Family Entertainment


No meu tempo, jogávamos às cartas. Hoje se calhar também, mas das electrónicas.

24 de agosto de 2010

À beira da piscina II

E para além do que descrevi no post anterior, também se via disto:

À beira da piscina

Uma jovem espanhola, de vinte e poucos anos, arranja as unhas. Primeiro usa o corta-unhas, depois a lima e, por fim, deve ter usado o verniz. Faz sentido, já que ela passava o dia inteiro ali estendida, portanto não tinha outro sítio onde fazer este tipo de coisas. Vim-me embora e ela ainda lá ficou, pelo que não assisti à sessão de depilação com bandas de cera que certamente deve ter ocorrido uns dias depois...

Quem poderia ter usufruído dessa sessão de depilação, se não tivesse ido embora mais cedo, era uma senhora alemã, mãe de 2 filhos adolescentes, com pêlos nas axilas que lhe chegavam ao cotovelo. Pronto, exagero, mas havia por lá homens com menos pilosidade corporal do que ela. E teimava em usar vestidos de alças todos os dias, a toda a hora.

E não posso deixar de referir uma família polaca (enfim, da Europa de leste, pelo menos). Mãe e filha comportavam-se quais estrelas de Hollywood, de saltos altos à beira da piscina, aparecendo todos os dias com uma indumentária diferente, inclusivamente mudando de roupa a meio da manhã, e sempre, sempre, muito produzidas. A indumentária nocturna então, era demasiado cómica para ser verdade! É possível que fossem famosas lá na terra delas, mas ali ninguém as conhecia de parte nenhuma. Já o pai/marido, que seguia sempre religiosamente pelo menos meio metro atrás delas e se deitava numa espreguiçadeira afastada, desempenhava o papel de criado obediente.

Depois havia ainda uma família portuguesa com um filho dos seus 3 anos que era igualzinho ao Harry Potter, só lhe faltava a varinha, uma avó idosa, de bengala, que mal se podia mexer, um filho adolescente sempre de t-shirt preta, um pai que fumava cachimbo e uma mãe sempre preocupada em reunir o máximo de espreguiçadeiras possível, mesmo que fossem apenas 5 pessoas. É verdade que cada um valia por dois, e não fossem as camas partir o melhor era juntar duas...

Ah, e também não posso esquecer o outro casal que reservava sempre as mesmas duas espreguiçadeiras estendendo um cobertor (sim, cobertor!) que tinha a foto de uma flor gigante. Não sei se se levantavam de madrugada para ir estender o belo do cobertor ou se o deixavam lá durante a noite, mas o certo é que estava constantemente estendido.

Além disto, o normal: pais que gritam com os filhos, hóspedes gordos que se atiram para a piscina, despejando-a, pessoas que participam em tudo quanto sejam actividades físicas nas férias mesmo que durante o resto do ano não levantem o traseiro do sofá, e crianças que choram, que riem, que correm, que molham toda a gente à sua passagem.

Ah, as férias...

23 de agosto de 2010

Ferpeito, ferpeito...

...é percorrer 50Km para ir ver um concerto dos Xutos e Pontapés (que não vejo ao vivo há uns bons anos) ao Festival do Marisco a Olhão, chegar lá e perceber que foram substituídos pela Daniela Mercury, voltar para trás e percorrer mais 50Km de volta ao local de partida. O que vale é que a gasolina está barata.

Dia de férias ferpeito

Passear de manhã numa praia quase deserta.



Passar a tarde à beira da piscina, à sombra das palmeiras, com um bom livro.


Ler, nadar, apanhar sol, descansar. Era capaz de me habituar a esta vida...

11 de agosto de 2010

Fui

...mas volto.

10 de agosto de 2010

Silly Season ao jantar

Explanada no Parque das Nações, não interessa o nome porque não quero um processo em cima mesmo sendo verdade o que vou contar. 8h30 da noite de segunda-feira, mais de 30º na rua. Duas pessoas sentam-se numa mesa, mais tarde chega uma terceira.

O pedido:
- um crepe
- uma tosta de frango e queijo
- um jarro de chá gelado.
- um café para o terceiro elemento, que já tinha jantado.

Passado algum tempo, o empregado traz o chá gelado e pergunta:
- A senhora pediu alguma coisa para comer?

Repeti o pedido e percebi logo que esta noite ia correr bem...

O que o empregado trouxe, parte 1:
- o crepe
- a tosta ainda está a tostar.

O que o empregado trouxe, parte 2 (muuuiiiito tempo depois)
- o café (os grãos tiveram de ser torrados, claro está)
- da tosta, nem sinal - os frangos custam a morrer, com este calor...

A explicação surreal:
- Houve um problema é que perdeu-se o papel onde estava o pedido e o cozinheiro fez uma tosta de queijo simples mas dissemos-lhe que era de frango e queijo e já está a fazer a nova. Peço desculpa mas foi por causa de se perder o papel...

Novo pedido:
- uma água das Pedras com sabor a limão
- um quarto de água - um quarto de litro, obviamente, mas isto devia ter sido bem explicadinho...

O que o empregado trouxe, parte 3 (entretanto são quase 10 da noite):
- finalmente, a tosta: menos mal, ainda como no dia em que encomendei...
- água das Pedras com sabor a maçã e cidreira
- um copo meio de água.

Fiquei sem saber se era do calor ou se o empregado era marciano...

9 de agosto de 2010

How, indeed?

Be harmless. Be helpful. Make friends. Lie. But how did you lie to friends?

Terry Pratchett, Unseen Academicals

7 de agosto de 2010

Cansaço

Esta sensação que me vai roendo por dentro, este pensamento que não me sai da cabeça e não me deixa descansar. Quase não durmo, tenho insónias, não consigo concentrar-me em mais nada a não ser nisto, e vai-me consumindo até ocupar todo o espaço e não me deixar respirar. Alastra como um vírus, contagia tudo à minha volta, pinta o dia de cinzento escuro por mais brilhante que esteja o sol, levanta um vento frio que me gela até aos ossos, congela-me o sangue nas veias e nem o calor abrasador de Agosto o consegue aquecer. Fecho-me em mim, adoeço, escondo-me dos outros por receio de os afastar, calo-me para não dizer o que sinto, ninguém conseguiria compreender. Isso resolve-se, não dramatizes, não é o fim do mundo. Pois não. Mas estou cansada de esperar.

6 de agosto de 2010

Sabemos que estamos em Portugal...

...quando, ao atravessar um parque natural, deparamos com uma cimenteira.

Buzz Lightyear al resgate

A rever!

4 de agosto de 2010

Insatisfação

Abri as asas e voei. Subi em linha recta até às nuvens, depois virei à direita e planei paralela ao solo. Lá em baixo, a cidade. Os prédios enormes, as casas, as ruas, os carros, as árvores (poucas, muito poucas) e as pessoas. Visto aqui de cima, tudo é tão pequeno, insignificante. Fico assim uns minutos, a observar a vida frenética. Oiço os sons da vida a passar normalmente, observo as pessoas apressadas, a correr de um lado para o outro, aquele condutor a discutir com o outro, a esbracejar, furioso, ainda tem um ataque cardíaco antes do tempo, o rosto vermelho de raiva, as veias do pescoço a latejar. E admiro-me de conseguir ver tantos pormenores a esta distância. Mas não estou longe, afinal. Sem me aperceber, desci quase até ao nível do solo, estou a pairar pouco acima dos tejadilhos dos carros parados em filas intermináveis de trânsito.

Volto a subir, desta vez rodopiando até atingir a altitude certa, acima das nuvens, fecho os olhos e sinto o vento no cabelo e o sol a aquecer-me o rosto. Cansei-me da cidade. Decido seguir viagem ao longo do rio até chegar ao mar. A praia quase deserta a esta hora, estão a chegar os madrugadores, avós com netos, principalmente, carregados de chapéus de sol, cestas de verga e geleiras, toalhas de praia ao ombro, baldes de plástico, pás e ancinhos... Também estes falam alto, as crianças aos guinchos, a fazer birra logo de manhã, a avó a gritar para se calarem, o avô a ralhar com a avó para deixar o neto em paz que é uma criança e tem de se divertir e logo ali começa uma discussão que há-de durar até à noite. Aproximo-me mais, fito nos olhos a criança que se cala subitamente, subo novamente tão depressa como desci, os avós voltam-se sem perceber o que se passou, mas aliviados por ter acabado a gritaria.

Sigo o meu caminho e atravesso o mar. Vejo barcos de pesca, depois veleiros, por fim cargueiros e navios de cruzeiro. Vejo baleias a saltar e tubarões a caçar, vejo focas e leões marinhos e vejo gelo, muito gelo. Está frio, por isso decido dar meia-volta e seguir noutra direcção. Volto a entrar em terra, atravesso campos, passo por rios, vales, montanhas, aldeias, vilas, cidades, países. Ali a estátua da Liberdade, daquele lado a Torre Eiffel, lá ao fundo o casario branco das ilhas gregas, deste lado o deserto, acolá a selva africana mesmo juntinha à muralha da China. Vejo tigres, leões, pinguins, cangurus, macacos, pássaros de todas as cores acompanham-me por onde vou. E as pessoas, afinal, que são iguais em todo o mundo.

Vi tudo o que havia para ver. Dei a volta ao mundo inteiro e percebi que já não há nada de novo, nada de interessante, nada de estimulante. Aterrei novamente em casa por alguns minutos. Olho em redor e o que vejo? Fotografias das pessoas que foram importantes na minha vida, mas já nenhuma existe. Objectos acumulados ao longo de uma vida inteira e que a certa altura significavam tudo. Sorri ao perceber finalmente que nada daquilo era importante, não passavam de objectos, como era possível ter pensado que não conseguia viver sem tudo isto?

E de sorriso rasgado no rosto voltei a levantar voo, subi a direito, passei as nuvens, passei o sol, e continuei a minha viagem pelo espaço à procura de um novo mundo.

Uma longa viagem, Fábrica de Letras

3 de agosto de 2010

As coisas que se fazem por amor

Eu, por exemplo, interrompo as minhas férias para ir ver um jogo de futebol entre o Benfica e o Tottenham ao estádio da Luz. Eu que nem ligo ao futebol e, mal por mal, prefiro o verde, eu que  na vida só vi um jogo de futebol profissional ao vivo e foi a selecção nacional contra o Liechtenstein algures no século passado (ganhámos para aí por 10 a 0) vou embrenhar-me no mundo dos grunhos vermelhos, vou torcer para que desta vez a águia prefira atacar a cabeleira loira do Jorge Jesus em vez do naco de carne, vou atirar amendoins às bancadas de baixo e vou gritar penalti sempre que me der na cabeça. Já que me estragam metade de um dia de férias e nem sequer me permitem refastelar-me com um faustoso jantar porque decidem marcar a coisa para a pior hora possível, ao menos divirto-me. Portanto, se mais logo virem nas notícias que a espectadora mais gira do estádio, a única com um aspecto decente mas que teve o azar de estar vestida de verde, foi selvaticamente atacada por uma cambada de energúmenos, já sabem que sou eu.

2 de agosto de 2010

Alguém me sabe explicar

O que raio é um Sing Along Alentejano?

É Verão, está calor e eu tenho preguiça de procurar no Google...

Nem sei como sobrevivi sem isto

Segundo o DN, foi lançado o Manual de etiqueta nos transportes públicos. O documento destina-se a ensinar as regras básicas de comportamento nos autocarros, metro e comboios. Muito bem, à primeira vista e tendo em conta o nível de civismo dos utilizadores, pode até ser pertinente. E conselhos como "usar roupa fresca" no Verão são, de facto, úteis. O que não falta por aí é gente de camisolas de lã em Agosto, realmente. Também gosto destes: "manter acessos livres" e "não bloquear saídas". Especialmente em hora de ponta, deve ser fácil.
Mas já que se deram ao trabalho de elaborar um documento tão importante, como é que puderam esquecer-se de aconselhar os passageiros a tomar banho regularmente e a não assaltar os outros? E já agora aproveitavam e redigiam também uma coisa semelhante para os motoristas de autocarro - no mínimo, a aconselhá-los a ser simpáticos.

1 de agosto de 2010

No restaurante

Na televisão, o telejornal mostrava mais uma vez a mesma peça sobre a morte de António Feio, as mesmas imagens, as mesmas pessoas e as mesmas palavras repetidas tantas vezes que já todos as conhecíamos de cor e salteado, mas ainda assim fez-se silêncio e ninguém desviava o olhar do aparelho pendurado praticamente no tecto. Até que uma senhora na mesa ao lado da minha exclama para o companheiro:

- Eu vi-o uma vez fazer um monólogo genial. Sozinho!

31 de julho de 2010

Dia Mundial do Orgasmo

É hoje. Sabiam? Vão comemorar, vá.

30 de julho de 2010

Da minha janela

Ele para à esquina ao vê-la subir a rua. Ela apressa o passo, desvia-se de um carro estacionado em cima do passeio e vai ter com ele, o sorriso rasgado nos lábios, inconscientemente. Ele disfarça os nervos olhando para o telemóvel, como a indicar que há outras pessoas com quem poderia estar - mas não há, e ambos o sabem muito bem. Quando finalmente se aproximam, ele beija-lhe a face, junto ao pescoço, um único beijo muito mais revelador do que se a tivesse beijado nos lábios. Tira-lhe o saco do ginásio que ela carregava ao ombro, dá-lhe a mão, e seguem o seu caminho a olhar-se nos olhos.

Lei de Murphy, versão Tulipa Negra

O ar condicionado do carro avaria sempre no pino do Verão, quando as temperaturas se aproximam perigosamente dos 40º, imediatamente antes de uma viagem longa e quando a oficina habitual está fechada para férias.

A última mensagem

29 de julho de 2010

Ainda a TV diurna

Por que é que existe um programa chamado "As Tardes da Júlia" cuja apresentadora se chama Cristina Ferreira?

Ouvido na TV

E diz uma senhora do público assim que lhe põem o microfone à frente:

- O homem que eu mais amei, e com quem não casei, conheci-o aqui.

O verdadeiro serviço público

Isto de ir de férias e apanhar uma gripe logo no primeiro dia tem as suas vantagens. Já que não posso sair de casa, aproveito para ver os maravilhosos programas que a televisão tem para oferecer durante o dia. Precisamente num desses programas (no caso, na RTP 1) descobri alguma da melhor música portuguesa actual, devidamente acompanhada pelo João Baião aos saltos (há que reconhecer que não é qualquer um que aguenta um programa de mais de 5 horas sempre naquele ritmo, que ele tem energia, lá isso tem). Ora bem, deixo-vos aqui alguns exemplos que achei por bem partilhar convosco, já que não sou egoísta.

O primeiro é o Zé do Pipo, pelo que me parece um pretendente ao trono do Quim Barreiros. Embora neste vídeo não se veja bem, o bigode é falso e, na actuação durante o programa, estava meio descolado, o que lhe dava um ar ainda mais parvo interessante.



Seguiram-se as Cravo e Canela, duas moças com tanto jeito para cantar e dançar como eu, com a diferença que eu não vou fazer figuras tristes para a televisão.




Houve ainda o José Qualquercoisa Reis, que nitidamente pretende capitalizar com a utilização de um nome parecido com o do José Alberto Reis, esse grande vulto da pimbalhada música romântica portuguesa. O melhor deste era mesmo o coro, com fatos a lembrar os vestidos de espanhola que as meninas usam no Carnaval. Mas como não me lembro do nome exacto do senhor, não há vídeo a ilustrar.

Ainda actuaram também o Emanuel, que dispensa apresentações, o Graciano Saga, mas esse já teve direito a destaque aqui há uns dias, assim como um grupo de Kuduro que se queixava do calor que estava para andar a fazer aquelas piruetas. Pudera! Estavam na praia do Baleal, às 4 da tarde, à torreira do sol, todos vestidos incluindo gravata. Esperavam o quê, neve?

Escusado será dizer que todas estas actuações em directo foram realizadas no mais puro e mal disfarçado playback. E pronto, assim se alargam os horizontes musicais das domésticas, doentes, reclusos e outras pessoas que não podem sair de casa. Este sim, é o verdadeiro serviço público.

24 de julho de 2010

Programa para as próximas semanas

Férias. Sol. Mar. Praia. Família. Amigos. Descansar. Dormir. Viajar. Passear. Livros. Cinema. E tudo o que não consigo fazer durante o resto do ano.

Primeiro destino


Seguem-se uns dias por estas bandas

Foto tirada da Internet

E mais uns num sítio parecido com este

Foto tirada da Internet

O que significa que, durante uns tempos, isto por aqui vai andar (um bocadinho) parado. Mas eu volto...

23 de julho de 2010

Ainda bem que eu vou de avião

Oiçam bem até ao fim. A história é trágica e a letra é de fazer chorar as pedras da calçada.



Agradeço à minha amiga L. por me ter dado a conhecer esta pérola da música portuguesa.

Para acabar em beleza

Por que carga de água é que no último dia de trabalho antes das férias tem sempre de aparecer alguma coisa grande, importante e urgente para fazer?

22 de julho de 2010

A parvoíce continua, agora na TV

Eu não dizia que isto tinha saído da mente brilhante de um publicitário?



Gosto especialmente do ar convincente do senhor com idade para ser meu avô, representante de uma geração que provavelmente nunca bebeu um chá (nem quente, quanto mais gelado!) que isso é coisa de meninos, tragam-lhe mas é uma mine e uma sandes de torresmos. Foi com esta que me convenceram a assinar a petição.

E ao terceiro dia...

... a parabólica ressuscitou.

Não faço ideia se lhe deram a volta à cabeça, se o caramelo arranjou alguma coisa, se o vigarista reapareceu nem se o vizinho regressou de férias mais cedo por receber um telefonema anónimo a informá-lo de uma fuga de gás em casa. O que sei é que liguei a televisão e a RTP, a SIC e a TVI voltaram (obra do demo, de certeza absoluta), assim como todos os outros canais que tinham desaparecido para parte incerta. Pronto, esta noite já me posso informar do estado do país. Ou se calhar é melhor não...

Regresso ao futuro

O programa informático onde tenho de fazer o pedido de férias fez o favor de me dar esta informação preciosa:

Error: you cannot return before you leave!!!!

Ora ainda bem que me avisam, não fosse eu decidir regressar de férias ainda antes de partir. Sei lá que consequências é que isso teria para a minha saúde. E além disso não quero ir presa por desrespeitar as leis da física...

Está explicado

Recebido por e-mail

21 de julho de 2010

Nem mais

 

Tirado daqui

A parabólica queimou os neurónios

De repente, deixei de ter uma série de canais da TVCabo, que recebo por satélite. Assim, de um minuto para o outro, livrei-me da RTP, da SIC, da TVI (é nestes momentos que acredito piamente que Deus existe), entre outros. Restam-me uns quantos de séries, a SIC Mulher e Radical, a MTV e pouco mais.

Embora não seja perita na coisa, andei às voltas com as definições do receptor, procurando os canais de forma automática, manual, por frequência, por estação, por cor do cabelo do apresentador do programa... Em vão. Nada. Niente. Nothing. Rien. Nichts. (Agora reparo que os franceses têm mesmo a mania de ser diferentes, até para “nada” tinham de começar a palavra por outra letra… mas isto fica para outra altura.)

Liguei para o cigano (nas palavras de um colega meu e sem desprimor para qualquer cigano verdadeiro que por acaso calhe a passar por aqui) que me vendeu o sistema todo há mais de um ano, a perguntar o que fazer. Depois de ele muito falar e eu nada entender, lá consegui perceber que ele me aconselhava a repor as definições de origem do aparelho. Assim fiz. Foi pior a emenda que o soneto: se até aí ainda tinha meia dúzia de canais, agora não tenho nenhum. Voltei a tentar a pesquisa, de toda a maneira e feitio, mas o resultado foi o mesmo: nada. Entretanto, e como a hora já ia avançada, decidi deixar para hoje para tentar resolver a questão.

Liguei para o caramelo (aparentemente este não é cigano) que instalou a antena parabólica e fez as ligações todas no prédio. Diz-me ele que o problema deve ser da cabeça da antena, que deve ter avariado. (Pois, cabeças avariadas é o que não falta para aí, pensei eu...) Para resolver, tem de ir lá ver ao vivo e a cores, mas para isso é preciso que a administração do condomínio o contacte directamente e que o vizinho, cujo apartamento dá acesso ao telhado, esteja em casa. Aqui só vejo dois pequeninos, minúsculos, quase invisíveis problemas: o primeiro, é que o vigarista que gere o condomínio anda desaparecido há mais de um ano, embora continue a receber todos os meses; o segundo, é que, com a sorte que tenho, provavelmente o vizinho já foi de férias.

20 de julho de 2010

Sinto-me uma princesa

E não é que os queridos do departamento de obras da câmara municipal que me acordaram cedo no sábado e me prenderam em casa no domingo voltaram à carga? Não só não asfaltaram coisa nenhuma como ainda abriram um fosso ao longo da rua com, pelo menos, uns 2 metros de profundidade. De maneira que agora, para entrar ou sair da garagem, tenho de passar por cima de umas chapas metálicas com um ar ferrugento e periclitante que parecem estar prestes a cair a qualquer momento, basta o carro ou o condutor ser ligeiramente mais pesado. Estacionar na rua está fora de questão, porque o local previsto para o efeito é actualmente um fosso. Se chover esta noite, como parece que está previsto, podemos arranjar um crocodilos e ficamos protegidos dos invasores.
Quando era criança, eu costumava imaginar como seria viver num castelo ou num palácio. Obrigada aos senhores das obras por me proporcionarem essa experiência. Repito: eu não mereço tanto carinho!

Silly Season

Pois é, parece que a festa continua, embora hoje não haja bebés nem pratos nem talheres e nem copos. Só há mesmo um monte de gente sentada à conversa. Durante o horário de trabalho.
Eu também não estou a fazer nada de muito útil, mas pelo menos estou enfiada no meu gabinete, a disfarçar.

Dia do Amigo

A todos os meus amigos.

Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinicius de Moraes

19 de julho de 2010

Sai um dicionário prá mesa do canto!

Se calhar isto já não é novidade para ninguém, mas eu acabei de descobrir que há por aí um movimento que quer incluir no dicionário de língua portuguesa a palavra Mudasti. Até têm uma petição online e tudo (no momento em que escrevo, tem 113 assinaturas - vá lá, os doidos ainda não são assim tantos).
Pelo que me lembro, isto foi um termo inventado por uma marca de refrigerantes para uma campanha publicitária. Evitavam dizer Iced Tea (a marca concorrente) e incentivavam à mudança. Pronto, percebe-se. Sinceramente, sempre achei a palavra perfeitamente idiota, mas pronto, é publicidade e de vez em quando aparecem uma coisas parvas. Tudo bem até aqui.
Só que agora, não contentes com a publicidade, que é paga, e talvez aproveitando a onda do novo acordo ortográfico, lembraram-se que afinal a palavra já é tão usada que até deve figurar no dicionário. Ora, é certo que eu já não pertenço à geração mais jovem, mas conheço alguns elementos e nunca, mas nunca em ocasião nenhuma, os ouvi usar tal palavra. De resto, o texto da petição reza o seguinte:

Somos o “Movimento Mudasti no Dicionário”.
Representamos todos os portugueses que desejam ver definido nos dicionários da Língua Portuguesa - começando por aquele compilado pela Academia de Ciências de Lisboa - o significado desta nova palavra já utilizada por grande parte dos cidadãos nacionais, independentemente da região de onde são naturais.
Defendemos que a palavra “MUDASTI” merece uma chamada no dicionário.
Trata-se, de facto, de uma palavra que se impôs no léxico da nova geração e cujo significado já está enraizado na cultura popular portuguesa.
Como novo termo do Português moderno, “MUDASTI” começou a ser utilizada em 2005, a partir de um repto publicitário que incitava todos os portugueses a mudar de iced tea (chá gelado).
Mas, rapidamente os portugueses se apoderaram da palavra, encontrando nela a definição ideal para incentivar a mudança de um modo geral. Uma palavra curta e facilmente mnemonizável, que se converteu num incentivo ao abandono de um passado pouco memorável e ao agarrar de um futuro digno dos sonhos de cada um.
Hoje, são imensas as palavras insignificantes com sentidos imperceptíveis como “opidano”, “ingresia” ou “exaurir” que se mantêm presentes nos dicionários da Língua Portuguesa.
Ao mesmo tempo, encontramos nos mesmos dicionários palavras que há muito gostaríamos de ter deixado de utilizar como “crise”, “imposto”, “desemprego” ou “pobreza”.
Se palavras como estas têm um espaço no dicionário, “MUDASTI” merece o seu lugar. 

Posto isto, só me resta acrescentar duas ou três coisinhas:

A primeira é que o dicionário da Academia de Ciência de Lisboa é uma bela mer... porcaria. Se nem "robalo" lá vem mencionado, havia de vir agora o mudasti! (Se não acreditam, vão lá ver.)
A segunda é que um dicionário não é um repositório de palavras agradáveis. Por muito que nos custe, a crise, o imposto, o desemprego, a pobreza, e eu acrescentaria a guerra, a fome, a miséria, a catástrofe, entre tantas outras, irão continuar a aparecer em todos os dicionários pelo simples motivo de serem palavras da língua portuguesa.
A terceira é que os dicionários existem também para ajudar a perceber essas palavras com sentidos imperceptíveis. 

Alguém devia informar disto os senhores da agência publicitária da Nestea - sim, porque esta ideia brilhante só pode ter saído da cabeça de um publicitário.

Silly Season

Desde manhã que só oiço gente na conversa, a rir, bebés a palrar, copos e talheres a tilintar… Só falta uma musiquinha para a festa ser completa. Tudo aqui à minha porta. Entre o pessoal que foi de férias e os outros que não foram mas gostavam de ter ido, começo a achar que devo ser a única pessoa por aqui que ainda trabalha alguma coisa.

Eu pensava que já tinha visto tudo

Eis senão quando abro a minha conta do Facebook, logo pela manhã, e vejo fotos de um joelho todo rebentado, com sangue a escorrer pela perna, só faltava mesmo ver-se o osso. Ainda por cima, o caramelo achou que era giro ter esta imagem como fotografia do perfil.
Que se lixe a quintarola, está na hora de mudar de amigos!

Pânico!

Acabei de perceber que durante esta semana vou estar sozinha com o chefe aqui no serviço. Agora é que dava mesmo jeito o tal atestado médico.

18 de julho de 2010

Telefonemas

Tomara que todos os telefonemas com a família durassem os 2 minutos do costume pois era sinal de que estava tudo bem. Sempre que a conversa é mais prolongada é porque há algum problema, e normalmente grave.

Sair da rotina


 Sentada à secretária, deu por si a pensar que não gostava da vida que tinha. Não gostava do emprego, do que fazia, do sítio onde morava, de ainda viver com os pais quase aos 30 anos. Sentia-se presa e acomodada naquela rotina de onde ainda não tinha tido coragem para sair. Levantava-se todos os dias à mesma hora, saía de casa, entrava no carro, fazia os 50km de auto-estrada até chegar ao emprego, entrava e sentava-se atrás da secretária. Falava com os colegas apenas o indispensável, pois não gostava deles - e parecia-lhe que eles também não gostavam dela. Até com o patrão falava apenas quando não podia deixar de ser. Afinal, aquele era um emprego provisório, enquanto não arranjava outro mais de acordo com as suas capacidades e habilitações. Não tinha andado a estudar tantos anos para acabar como assistente de um tipo que não tinha sequer o ensino secundário completo.

Ao fim do dia, voltava a entrar no carro e a fazer os mesmos 50Km de auto-estrada até chegar a casa. Cansada, sem vontade de estar com ninguém, ainda assim arranjava forças para conversar com os pais durante o jantar, antes de sair com o namorado. O namorado, de quem também não sabia se gostava. Ou antes, gostava dele, não sabia se gostava de estar com ele, o que são coisas bem distintas. Ele parecia gostar realmente dela, fazia de tudo para a ver feliz. Mas ela não se sentia feliz. Ele trabalhava e estudava ao mesmo tempo, mas a ela parecia-lhe que ele não se esforçava por terminar o curso, embora se queixasse constantemente do emprego que tinha. Um falso ambicioso, sem vontade de fazer fosse o que fosse por mudar a situação, era assim que ela o via. E a certa altura começou a arranjar desculpas para se verem cada vez com menos frequência

Naquele dia, sentada à secretária, decidiu que tinha de fazer alguma coisa para mudar a sua vida. Levantou-se, entrou no gabinete do patrão e despediu-se. Sentiu um alívio, como se lhe tirassem um peso de cima dos ombros. Saiu sem olhar para trás, entrou no carro e ligou ao namorado. Disse-lhe que queria acabar tudo, não por não gostar dele, mas porque às vezes não basta gostar. Sentiu-se ainda mais aliviada. 

E agora sem emprego, sem namorado, sem saber o que iria ser a sua vida, estava finalmente livre. E feliz.

Sabemos que...

...alguma coisa não está bem quando durante horas temos na cara uns óculos que não são os nossos e só damos por isso quando os tiramos.

17 de julho de 2010

79 anos, viúva, 3 filhos, 6 netos

Sempre teve alguns problemas de saúde, embora nada de muito grave. Naturalmente, com a idade esses problemas agravaram-se e outros surgiram inesperadamente. Nos últimos tempos, com a artrite reumatóide que entretanto também a atacou, quase não consegue andar. Ainda assim, quase sem se poder mexer, todos os dias faz o almoço para os netos mais novos. Desde que ficou viúva, a sua companhia é um gato que a neta lhe arranjou. Continua a sair de casa, quando pode, para fazer as suas compras, ir ao médico ou ao convívio da terceira idade. Mas como é, e sempre foi, muito teimosa, não pede ajuda a ninguém e acha que consegue fazer tudo sozinha. Nem ao filho que mora no apartamento do lado. Tem um feitio insuportável. É daquelas pessoas que acha que tem sempre razão e nem quando lhe provam, sem margem para dúvidas que está errada, nem aí dá o braço a torcer. Orgulhosa até dizer basta.

Agora, há coisa de uma semana, adoeceu a sério. Foi parar ao hospital, de urgência, e tem estado de cama nos últimos dias. O filho mais velho mora a uns 40Km de distância, o do meio no apartamento do lado e a filha mais nova emigrou, embora esteja actualmente de férias em Lisboa. Todos têm família e uma vida ocupada, naturalmente. Ainda assim, é a mãe que está doente, de cama. Pois quem tem ido ajudá-la é uma irmã, que mora longe e vem todos os dias, e uma vizinha. A nora que mora ao lado diz que anda doente e até ontem nem a tinha ido ver. A filha, passou por lá ontem e hoje, sendo que segunda-feira regressa ao trabalho. O outro filho apareceu hoje. Decidiram que vão arranjar alguém para lhe dar o almoço e limpar a casa. Como para compensar o facto de terem estado ausentes durante estes dias, agora tomam decisões, discutem, dão murros na mesa e trocam acusações.

O certo é que esta mulher de 79 anos, viúva, com 3 filhos e 6 netos, que sempre gostou de mandar nos outros e de dar ordens, de repente se vê numa cama, sozinha, indefesa e dependente da boa vontade alheia. Esperamos que seja apenas uma fase passageira e que daqui a dias já esteja a reclamar com toda a gente, como é seu hábito. Ainda assim, esta situação é um vislumbre do que a (nos?) espera. E não é nada bonito.

Nunca mais é segunda-feira

E quando finalmente há um dia em que posso dormir até mais tarde, os queridos do departamento de obras da câmara municipal lembram-se de acabar os trabalho que já duram aqui na rua pelo menos há 3 anos, mesmo por baixo da janela do meu quarto. E de começar logo de manhã, pela fresquinha, que isto durante o dia aquece e ninguém aguenta trabalhar com o calor. E como não conseguem acabar tudo hoje que aquilo é obra para durar muito tempo, parece que amanhã voltam à carga, para colocar o asfalto novo. Com a diferença que amanhã a rua vai estar completamente cortada ao trânsito, não se podendo sequer entrar ou sair das garagens. Ou seja, não só fazem o favor de me acordar cedo ao fim-de-semana, como ainda me deixam presa em casa. Eu não mereço tanto carinho...

16 de julho de 2010

Aos papéis

Pedem-nos encarecidamente, que é como quem diz dão-nos uma ordem, que passemos a destruir todos os documentos de que já não precisamos nas maquinetas existentes para o efeito. Não interessa se são confidenciais ou não, é tudo para destruir. E porquê? Porque um iluminado responsável pela segurança diz que encontrou alguns documentos num caixote do lixo na rua.

A pergunta que se impõe: a que propósito é que um tipo com um cargo importante anda aos caixotes? E que mais é que ele terá encontrado que não nos disse?

Ser ou não estar, eis a questão

Explicar a um estrangeiro a diferença entre ser e estar é uma tarefa quase impossível. No mínimo, é difícil. Isto porque essa diferença não existe na maioria das línguas europeias (das que eu conheço, pelo menos, que eu não falo do que não sei, portanto não me perguntem se em letão, checo, húngaro ou outra do género também é assim que eu não vos sei responder - mas posso tentar informar-me, se estiverem mesmo muito interessados. Não? Óptimo.). Esta situação pode complicar a vida a um estrangeiro que se esforce por falar português - e cada vez são mais, acreditem, vá-se lá saber porquê. Só mesmo um povo complicadinho como o português para se lembrar de distinguir entre um estado permanente e um estado passageiro, mas o que se vai fazer?

Ora bem, depois da cena que o meu chefe fez aqui logo pela manhã, posso dizer com toda a certeza: eu estou parva; o meu chefe é.

15 de julho de 2010

Hipocondríacos cibernéticos

Antigamente, quando estávamos doentes, íamos ao médico (não sem antes passar pela farmácia, não fosse o farmacêutico de serviço conhecer a cura, vender-nos logo ali o remédio e poupávamos uma horas no centro de saúde). Depois, quando um médico nos diagnosticava uma qualquer doença, mais ou menos grave, limitávamo-nos a confiar e a acreditar no que ele dizia. Se o tratamento prescrito é este, nada a fazer, segue-se à risca. Quanto muito, em casos mais graves, pensávamos em pedir uma segunda ou terceira opinião (normalmente, até encontrar uma que estivesse mais de acordo com o que desejávamos). De resto, ninguém sonhava sequer em pôr em causa o que o médico dizia. Ele é que estudou, ele é que sabe. E resignávamo-nos ao destino que aquele médico nos traçava.

Hoje em dia, quando estamos doentes, consultamos a Internet para ver a que doença fatal correspondem os sintomas. Depois, já aterrorizados, em pânico, convencidos de que a qualquer segundo vamos cair para o lado, decidimos ir ao médico. Quando este nos diagnostica uma doença, mais ou menos grave, vamos direitinhos ao computador procurar novamente na Internet tudo e mais alguma coisa sobre essa doença. Em várias línguas, de preferência, porque no estrangeiro eles estão mais avançados e sabem mais do que os portuguesinhos. E qual é o resultado de horas e horas de pesquisa? Dos estudos aparentemente científicos realizados por uma universidade perdida no meio do deserto, aos artigos publicados em jornais e revistas ditos científicos que só um especialista na matéria consegue compreender, passando pelas histórias “verídicas” de quem tem ou teve a mesma doença (algumas são verdadeiros filmes de terror) e terminando nos tratamentos convencionais, alternativos, experimentais... Basicamente, uma grandessíssima confusão. Seguem-se a angústia e o medo provavelmente infundados, acompanhados por um estado depressivo, que de certeza só ajuda a piorar a situação.

Há alturas em que preferia voltar a ter só dois canais de televisão, jornais e telefonia para me informar.

Classificados

Precisa-se de uma injecção de energia. Com urgência.

Ou, em alternativa, de um atestado médico, com ar realista, a dizer que não posso trabalhar hoje porque estou sem paciência para aturar malucos e o que me faz falta é mesmo ir embora e não voltar tão cedo.

Queria estar aqui


Ou noutro sítio parecido. Felizmente, já não falta muito.

14 de julho de 2010

A melhor condutora do mundo

Tenho uma colega que faz de tudo para evitar conduzir, embora tenha carta há uns 20 anos. Só pega no carro quando não pode deixar de o fazer, como para ir de casa para o trabalho e vice-versa. De resto, pendura-se sempre à boleia dos outros ou, quando não consegue, prefere ir a pé, se não for longe. Chega a dizer que não gosta de meter a marcha-atrás e, uma vez em que íamos na auto-estrada, nem sabia como meter a 5ª mudança, porque não estava habituada a usá-la. (Um pequeno parênteses para explicar que isto é verídico, não é invenção da minha fértil imaginação, eu estava lá e vi. Podem continuar a rir.) Logicamente, mesmo na auto-estrada só anda pela faixa da direita, para ultrapassar outro carro demora meia hora a pensar se faz, como faz, quando faz e, finalmente, desiste porque já não vale a pena, afinal saímos já ali na próxima. Mesmo a conduzir a direito, o pé está sempre no travão, a carregar a fundo no pedal, não vá o da frente parar e ela não ter tempo. As rotundas, como facilmente se imagina, são todas contornadas por fora, independentemente do tamanho e da saída que queira tomar. Num estacionamento coberto, dá voltas e voltas até encontrar um lugar que não esteja entre dois carros, porque já não consegue estacionar - e nem pensar em estacionar de traseira! Além do mais, tem uma atracção especial pelas colunas dos parques de estacionamento e há umas quantas onde já deixou a sua marca. Conduzir em Lisboa está fora de questão, que aquilo é tudo gente doida e sem civismo nenhum e só apitam por tudo e por nada e ela enerva-se e aí é que o caldo entorna de vez.

Pois bem, foi com esta colega que eu fui hoje almoçar. Ao contrário do habitual, não fomos no meu carro, mas no dela. A viagem dura, no máximo e parando no semáforo, cinco minutos. Foi o tempo suficiente para eu decidir que regressava a pé.

Pensamento da manhã

Se em vez de andar na Internet estivesse a trabalhar, se calhar já tinha acabado o que tenho para fazer.

13 de julho de 2010

Apetece-me

Sair daqui. Ir embora e não voltar. Levantar-me da cadeira, abrir a porta do escritório, descer no elevador, sair para a rua e ir apanhar ar fresco, sol, o vento na cara. Deixar para trás o ar condicionado e o trabalho por fazer. Passear na floresta, na cidade, junto ao rio, a pé, de bicicleta. Comer um gelado. Conversar. Sentar-me num banco de jardim a ler um livro. Cheirar as flores. Ver as crianças a brincar, os cães a correr. Abraçar-te. Beijar-te…

Motivos para gostar de andar de transportes públicos

Num autocarro enorme vão, além do motorista, cinco passageiros. Logicamente, há vários lugares vagos. Numa paragem, entra uma senhora dos seus 50 anos, carregada de sacos, saquinhos e sacolas. Onde decide sentar-se? Ao meu lado, claro. Não contente com isto, quando me levanto para sair, em vez de erguer o seu real traseiro para me deixar passar, a senhora pega nos milhentos sacos e coloca-os no lugar de onde acabei de sair. De maneira que dei por mim presa, entre o lugar onde estava e o da frente. E eu que me encolha e me desvie, se não quiser ir em pé até à última paragem do autocarro.

12 de julho de 2010

O Fim?

 
Saiu de manhã, sem destino. Fez-se à estrada sem saber onde ia. Contentou-se em seguir o caminho que a vontade lhe ia ditando. Deu por si numa praia, afinal o caminho era o que tantas vezes tinha feito. Inconscientemente, tinha seguido a estrada que lhe era mais familiar, como se fosse o carro que conhecesse o caminho e ela apenas se limitasse a girar o volante, acelerar e travar, ao sabor da vontade da máquina. No parque de estacionamento deserto, na falésia em frente à praia que tão bem conhecia, parou. Deixou-se ficar dentro do carro, cruzou os braços no volante e pousou o queixo nas mãos. Ficou assim, a olhar o mar, as ondas que rebentavam nas rochas, as gaivotas que revolteavam no céu, por entre as lágrimas que lhe escorriam pelo rosto. E pensou em tudo o que lhe acontecera e a trouxera até àquele momento. Como pudera ter sido tão ingénua? Como pudera ter ido contra todos os seus instintos? Se desde o início sabia, tinha a certeza no seu íntimo, que dali nada de bom poderia vir. E ainda assim deixara-se levar pelo coração, ignorando a razão, os amigos, a família. Acreditara, quisera acreditar, que todos estavam errados, que tudo iria correr bem. Acabara por se afastar de todos por não conseguirem vê-lo como ela o via. Agora que tudo acabara, estava só. Não tinha com quem falar, em quem confiar, nem sabia se conseguiria voltar a confiar em alguém. Sentia-se num beco sem saída, sem saber para onde se virar, sem qualquer objectivo na vida e, principalmente, sem coragem para voltar atrás e procurar ajuda. Deixara de ter uma razão para viver. E decidiu, ainda que não tivesse essa ideia quando saíra de casa umas horas antes, que o seu sofrimento acabava ali, naquele momento. Ligou o carro, olhou uma última vez o mar, as ondas, as rochas e as gaivotas...

Afinal moro num país tropical

7h – sol, céu azul, 24º C

10h – sol, nuvens, 27º C

10h30 – calor sufocante, muitas nuvens, céu negro, vento forte

13h – calor sufocante, céu negro, chuva torrencial

13h15 – calor sufocante, céu negro



16h – trovoada, provavelmente (a hora pode não estar certa, mas a trovoada hoje é garantida)



Se tivesse praia, diria que estava no Brasil.

11 de julho de 2010

Mundial da bicharada

Periquito Mani 0 - Polvo Paul 1

10 de julho de 2010

Motivos para odiar esta terra

- O Outono (entre Setembro e Novembro): Chove o tempo todo, faz um frio de cão, começa a anoitecer cada vez mais cedo e não há nada para fazer.

- O Inverno (de Novembro a Maio): Neva, faz um frio de cão, anoitece às 4h30 da tarde e não há nada para fazer.

- A Primavera (entre Maio e Julho): Chove o tempo todo, faz um frio... de cachorro, vá lá, e não há nada para fazer.

- O Verão (Julho e Agosto, com sorte): Quando não chove o tempo todo, está um calor insuportável, não se consegue respirar, troveja ao fim de 3 dias de bom tempo, é de dia até às 10h da noite e não há nada para fazer.