Há 8 horas
2 de setembro de 2010
1 de setembro de 2010
Literatura e tecnologia
O Alexandre O'Neill não tem televisões, mas com o Almeida Garrett já usei o telemóvel.
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modernices
31 de agosto de 2010
Rendo-me
à moda dos cupcakes. Quero lá saber se são queques com mania das grandezas, só sei que são muito bons. Estes Merry Cupcakes, então, são deliciosos. Pelo menos os que provei, tenho de experimentar os outros. Vejam só que lindos... é que os olhos também comem!
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30 de agosto de 2010
Reality Check
Estar no serviço de urgências do hospital, perceber que está lá também um trabalhador da construção civil, que calhou ser chinês e não falar uma palavra de português, com a mão esmagada por uma empilhadora, ouvir médicos e enfermeiros a falar sobre o assunto como se nada fosse, embora preocupados, e a ligar para o cirurgião plástico de prevenção, assistir a um amigo ou conhecido do doente desesperado a fazer de tradutor para os serviços administrativos poderem preencher a ficha do doente, sem a qual nem sequer o podem tratar, ter a certeza de que se fosse um cidadão nacional a besta do funcionário administrativo não o trataria assim, perceber que por se tratar de um hospital privado o doente terá de avançar com um sinal de 3000 euros caso tenha de ficar internado, desconfiar que o coitado não terá essa quantia disponível e provavelmente nem seguro de saúde, visto que nem deve estar legalizado, e que por isso deve sair dali com a mão ligada e ser enviado para um hospital público, e ouvir de repente um enfermeiro dizer para um médico acabado de chegar:
- Doutor, quer ver uma ferida a sério?
Definitivamente, há muitas vidas piores do que a minha.
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29 de agosto de 2010
As férias não são férias sem
Lisboa
Comer gelados Santini no Chiado
Bom tempo
Praia
Sol
Comer gelados Santini em Cascais
Sofrer com o calor abrasador e adorar
Notícias de incêndios e o cheiro a fumo, mesmo em Lisboa
Viagens de avião, de carro e de comboio, só faltou mesmo um barco
Passeios à beira-mar
Nadar no mar e na piscina
Acabar de ler os livros que tinha previsto para durante as férias e comprar mais um monte deles, aproveitando as promoções de "Pague 2, Leve 3" da Fnac
Comer gelados Santini no Chiado
Almoçar com a família
Passear com a família
Visitar a família
Jantar com a família
Ficar farta de aturar a família, mas ter de continuar a fazê-lo para não ofender ninguém (até porque dentro de alguns dias afasto-me novamente e depois sinto-lhes a falta, por isso o melhor é aproveitar enquanto posso)
Comer gelados Santini em Cascais
Almoçar numa esplanada da praia com uma amiga de longa data a quem tinha perdido o rasto
Jantar com um grupo de amigos numa esplanada e fazer uma chinfrineira como quando tínhamos 20 anos
Ir a um jogo de futebol pela primeira vez e jurar para nunca mais, está feito, está feito, mas não é para repetir
Comer uma bola de Berlim cheia de creme ao pequeno-almoço, acompanhada por um leite de chocolate Ucal gelado
Comer gelados Santini no Chiado
Pelo menos um dia de chuva
Picadelas de mosquitos porque, para variar, me esqueci do repelente
Almoçar peixe grelhado, do bom, e pagar uma ninharia
Comer gelados Santini em Cascais
Tirar uma montanha de fotografias e aproveitar apenas meia-dúzia
Ir ao cinema
Ir ao Alentejo comer migas de espargos com entrecosto
Ter a sensação de que havia muito mais para fazer, mas o tempo foi pouco
Apanhar uma gripe à chegada e ter uma crise alérgica à partida. Nenhumas férias de Verão ficam completas sem a devida passagem pelas urgências de um hospital...
Comer gelados Santini no Chiado
Bom tempo
Praia
Sol
Comer gelados Santini em Cascais
Sofrer com o calor abrasador e adorar
Notícias de incêndios e o cheiro a fumo, mesmo em Lisboa
Viagens de avião, de carro e de comboio, só faltou mesmo um barco
Passeios à beira-mar
Nadar no mar e na piscina
Acabar de ler os livros que tinha previsto para durante as férias e comprar mais um monte deles, aproveitando as promoções de "Pague 2, Leve 3" da Fnac
Comer gelados Santini no Chiado
Almoçar com a família
Passear com a família
Visitar a família
Jantar com a família
Ficar farta de aturar a família, mas ter de continuar a fazê-lo para não ofender ninguém (até porque dentro de alguns dias afasto-me novamente e depois sinto-lhes a falta, por isso o melhor é aproveitar enquanto posso)
Comer gelados Santini em Cascais
Almoçar numa esplanada da praia com uma amiga de longa data a quem tinha perdido o rasto
Jantar com um grupo de amigos numa esplanada e fazer uma chinfrineira como quando tínhamos 20 anos
Ir a um jogo de futebol pela primeira vez e jurar para nunca mais, está feito, está feito, mas não é para repetir
Comer uma bola de Berlim cheia de creme ao pequeno-almoço, acompanhada por um leite de chocolate Ucal gelado
Comer gelados Santini no Chiado
Pelo menos um dia de chuva
Picadelas de mosquitos porque, para variar, me esqueci do repelente
Almoçar peixe grelhado, do bom, e pagar uma ninharia
Comer gelados Santini em Cascais
Tirar uma montanha de fotografias e aproveitar apenas meia-dúzia
Ir ao cinema
Ir ao Alentejo comer migas de espargos com entrecosto
Ter a sensação de que havia muito mais para fazer, mas o tempo foi pouco
Apanhar uma gripe à chegada e ter uma crise alérgica à partida. Nenhumas férias de Verão ficam completas sem a devida passagem pelas urgências de um hospital...
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28 de agosto de 2010
O mistério do post desaparecido
Tinha escrito um post tão, tão, tão que até parecia um sino quando, sem saber como, apaguei o texto todo. Resta-me confiar na minha memória, que convenhamos já não é o que era, e esperar que consiga reproduzi-lo. Ora bolas. E o dia que até nem tinha corrido mal de todo...
No restaurante
No fim da refeição
Empregado: Desejam café?
Cliente convencido que é engraçado: Tem cevada?
Empregado (com voz de quem acha a pergunta idiota mas não pode dizer nada porque está a falar com um cliente): Não...
Cliente cada vez mais convencido que é engraçado: Então era uma imperial!
Empregado: Desejam café?
Cliente convencido que é engraçado: Tem cevada?
Empregado (com voz de quem acha a pergunta idiota mas não pode dizer nada porque está a falar com um cliente): Não...
Cliente cada vez mais convencido que é engraçado: Então era uma imperial!
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26 de agosto de 2010
E se de repente...
...descobrirmos que uma antiga colega de curso, de quem ninguém gostava porque era de tal forma idiota e parva que só tinha uma amiga, publicou um livro de poesia e que esse livro está a receber grandes elogios da crítica, embora pela amostra dos poemas que tivemos oportunidade de ler pareça uma bela merda, isso é...
E não, não é inveja!
25 de agosto de 2010
Serviço público
Na Estrada Nacional 125, no Algarve portanto, perto de Faro, está um veículo automóvel para venda (ou estava na semana passada quando lá passei, é possível que já tenha sido despachado entretanto). Aqui ficam as fotos ilucidativas. É bom saber que já não se usa só o tradicional "Trata" seguido de um número de telefone (penso sempre que o carro em causa deve ter alguma doença terminal). Só por isso, já merecia ter sido vendido.
Ou isso, ou o proprietário tem uma profissão interessante...
Ou isso, ou o proprietário tem uma profissão interessante...
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férias
O Trincas
Não sei, e penso que ninguém sabe, ao certo de onde lhe vem a alcunha, mas o Trincas é possivelmente o toxicodependente mais conhecido lá do bairro. Entra apressado na farmácia apinhada de gente, ignorando todos os clientes, e dirige-se ao balcão:
- Arranje-me aí uns pensos rápidos que me cortei e isto está práqui a deitar sangue!
O farmacêutico olha-o de soslaio, com ar de quem está habituado a estas cenas, e continua a atender a cliente. O Trincas repete o pedido, com o mesmo resultado. Até que, das entranhas da farmácia (sempre desconfiei do que se passa nas traseiras das farmácias), surge o outro farmacêutico, mais jovem, que dá atenção a outra cliente, mais próxima do local onde se encontra o Trincas. E ele que repete, mostrando o dedo em causa:
- Arranje-me aí uns pensos rápidos que me cortei. Para ver se pára o sangue.
O novo farmacêutico olha para o dedo estendido na sua direcção, lança um olhar como que a dizer "desculpe lá, é melhor despachar este" à cliente, e começa a procurar os pensos rápidos no balcão onde se encontra. Como não consiga encontrá-los logo, o Trincas, sempre solícito, diz-lhe:
- Veja antes deste lado, é aqui que estão!
E era.
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24 de agosto de 2010
À beira da piscina
Uma jovem espanhola, de vinte e poucos anos, arranja as unhas. Primeiro usa o corta-unhas, depois a lima e, por fim, deve ter usado o verniz. Faz sentido, já que ela passava o dia inteiro ali estendida, portanto não tinha outro sítio onde fazer este tipo de coisas. Vim-me embora e ela ainda lá ficou, pelo que não assisti à sessão de depilação com bandas de cera que certamente deve ter ocorrido uns dias depois...
Quem poderia ter usufruído dessa sessão de depilação, se não tivesse ido embora mais cedo, era uma senhora alemã, mãe de 2 filhos adolescentes, com pêlos nas axilas que lhe chegavam ao cotovelo. Pronto, exagero, mas havia por lá homens com menos pilosidade corporal do que ela. E teimava em usar vestidos de alças todos os dias, a toda a hora.
E não posso deixar de referir uma família polaca (enfim, da Europa de leste, pelo menos). Mãe e filha comportavam-se quais estrelas de Hollywood, de saltos altos à beira da piscina, aparecendo todos os dias com uma indumentária diferente, inclusivamente mudando de roupa a meio da manhã, e sempre, sempre, muito produzidas. A indumentária nocturna então, era demasiado cómica para ser verdade! É possível que fossem famosas lá na terra delas, mas ali ninguém as conhecia de parte nenhuma. Já o pai/marido, que seguia sempre religiosamente pelo menos meio metro atrás delas e se deitava numa espreguiçadeira afastada, desempenhava o papel de criado obediente.
Depois havia ainda uma família portuguesa com um filho dos seus 3 anos que era igualzinho ao Harry Potter, só lhe faltava a varinha, uma avó idosa, de bengala, que mal se podia mexer, um filho adolescente sempre de t-shirt preta, um pai que fumava cachimbo e uma mãe sempre preocupada em reunir o máximo de espreguiçadeiras possível, mesmo que fossem apenas 5 pessoas. É verdade que cada um valia por dois, e não fossem as camas partir o melhor era juntar duas...
Ah, e também não posso esquecer o outro casal que reservava sempre as mesmas duas espreguiçadeiras estendendo um cobertor (sim, cobertor!) que tinha a foto de uma flor gigante. Não sei se se levantavam de madrugada para ir estender o belo do cobertor ou se o deixavam lá durante a noite, mas o certo é que estava constantemente estendido.
Além disto, o normal: pais que gritam com os filhos, hóspedes gordos que se atiram para a piscina, despejando-a, pessoas que participam em tudo quanto sejam actividades físicas nas férias mesmo que durante o resto do ano não levantem o traseiro do sofá, e crianças que choram, que riem, que correm, que molham toda a gente à sua passagem.
Ah, as férias...
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23 de agosto de 2010
Ferpeito, ferpeito...
...é percorrer 50Km para ir ver um concerto dos Xutos e Pontapés (que não vejo ao vivo há uns bons anos) ao Festival do Marisco a Olhão, chegar lá e perceber que foram substituídos pela Daniela Mercury, voltar para trás e percorrer mais 50Km de volta ao local de partida. O que vale é que a gasolina está barata.
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Dia de férias ferpeito
Passear de manhã numa praia quase deserta.
Passar a tarde à beira da piscina, à sombra das palmeiras, com um bom livro.
Ler, nadar, apanhar sol, descansar. Era capaz de me habituar a esta vida...
Passar a tarde à beira da piscina, à sombra das palmeiras, com um bom livro.
Ler, nadar, apanhar sol, descansar. Era capaz de me habituar a esta vida...
10 de agosto de 2010
Silly Season ao jantar
Explanada no Parque das Nações, não interessa o nome porque não quero um processo em cima mesmo sendo verdade o que vou contar. 8h30 da noite de segunda-feira, mais de 30º na rua. Duas pessoas sentam-se numa mesa, mais tarde chega uma terceira.
O pedido:
- um crepe
- uma tosta de frango e queijo
- um jarro de chá gelado.
- um café para o terceiro elemento, que já tinha jantado.
Passado algum tempo, o empregado traz o chá gelado e pergunta:
- A senhora pediu alguma coisa para comer?
Repeti o pedido e percebi logo que esta noite ia correr bem...
O que o empregado trouxe, parte 1:
- o crepe
- a tosta ainda está a tostar.
O que o empregado trouxe, parte 2 (muuuiiiito tempo depois)
- o café (os grãos tiveram de ser torrados, claro está)
- da tosta, nem sinal - os frangos custam a morrer, com este calor...
A explicação surreal:
- Houve um problema é que perdeu-se o papel onde estava o pedido e o cozinheiro fez uma tosta de queijo simples mas dissemos-lhe que era de frango e queijo e já está a fazer a nova. Peço desculpa mas foi por causa de se perder o papel...
Novo pedido:
- uma água das Pedras com sabor a limão
- um quarto de água - um quarto de litro, obviamente, mas isto devia ter sido bem explicadinho...
O que o empregado trouxe, parte 3 (entretanto são quase 10 da noite):
- finalmente, a tosta: menos mal, ainda como no dia em que encomendei...
- água das Pedras com sabor a maçã e cidreira
- um copo meio de água.
Fiquei sem saber se era do calor ou se o empregado era marciano...
O pedido:
- um crepe
- uma tosta de frango e queijo
- um jarro de chá gelado.
- um café para o terceiro elemento, que já tinha jantado.
Passado algum tempo, o empregado traz o chá gelado e pergunta:
- A senhora pediu alguma coisa para comer?
Repeti o pedido e percebi logo que esta noite ia correr bem...
O que o empregado trouxe, parte 1:
- o crepe
- a tosta ainda está a tostar.
O que o empregado trouxe, parte 2 (muuuiiiito tempo depois)
- o café (os grãos tiveram de ser torrados, claro está)
- da tosta, nem sinal - os frangos custam a morrer, com este calor...
A explicação surreal:
- Houve um problema é que perdeu-se o papel onde estava o pedido e o cozinheiro fez uma tosta de queijo simples mas dissemos-lhe que era de frango e queijo e já está a fazer a nova. Peço desculpa mas foi por causa de se perder o papel...
Novo pedido:
- uma água das Pedras com sabor a limão
- um quarto de água - um quarto de litro, obviamente, mas isto devia ter sido bem explicadinho...
O que o empregado trouxe, parte 3 (entretanto são quase 10 da noite):
- finalmente, a tosta: menos mal, ainda como no dia em que encomendei...
- água das Pedras com sabor a maçã e cidreira
- um copo meio de água.
Fiquei sem saber se era do calor ou se o empregado era marciano...
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Verão
9 de agosto de 2010
How, indeed?
Be harmless. Be helpful. Make friends. Lie. But how did you lie to friends?
Terry Pratchett, Unseen Academicals
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pensamentos
7 de agosto de 2010
Cansaço
Esta sensação que me vai roendo por dentro, este pensamento que não me sai da cabeça e não me deixa descansar. Quase não durmo, tenho insónias, não consigo concentrar-me em mais nada a não ser nisto, e vai-me consumindo até ocupar todo o espaço e não me deixar respirar. Alastra como um vírus, contagia tudo à minha volta, pinta o dia de cinzento escuro por mais brilhante que esteja o sol, levanta um vento frio que me gela até aos ossos, congela-me o sangue nas veias e nem o calor abrasador de Agosto o consegue aquecer. Fecho-me em mim, adoeço, escondo-me dos outros por receio de os afastar, calo-me para não dizer o que sinto, ninguém conseguiria compreender. Isso resolve-se, não dramatizes, não é o fim do mundo. Pois não. Mas estou cansada de esperar.
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6 de agosto de 2010
Sabemos que estamos em Portugal...
...quando, ao atravessar um parque natural, deparamos com uma cimenteira.
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4 de agosto de 2010
Insatisfação
Abri as asas e voei. Subi em linha recta até às nuvens, depois virei à direita e planei paralela ao solo. Lá em baixo, a cidade. Os prédios enormes, as casas, as ruas, os carros, as árvores (poucas, muito poucas) e as pessoas. Visto aqui de cima, tudo é tão pequeno, insignificante. Fico assim uns minutos, a observar a vida frenética. Oiço os sons da vida a passar normalmente, observo as pessoas apressadas, a correr de um lado para o outro, aquele condutor a discutir com o outro, a esbracejar, furioso, ainda tem um ataque cardíaco antes do tempo, o rosto vermelho de raiva, as veias do pescoço a latejar. E admiro-me de conseguir ver tantos pormenores a esta distância. Mas não estou longe, afinal. Sem me aperceber, desci quase até ao nível do solo, estou a pairar pouco acima dos tejadilhos dos carros parados em filas intermináveis de trânsito.
Volto a subir, desta vez rodopiando até atingir a altitude certa, acima das nuvens, fecho os olhos e sinto o vento no cabelo e o sol a aquecer-me o rosto. Cansei-me da cidade. Decido seguir viagem ao longo do rio até chegar ao mar. A praia quase deserta a esta hora, estão a chegar os madrugadores, avós com netos, principalmente, carregados de chapéus de sol, cestas de verga e geleiras, toalhas de praia ao ombro, baldes de plástico, pás e ancinhos... Também estes falam alto, as crianças aos guinchos, a fazer birra logo de manhã, a avó a gritar para se calarem, o avô a ralhar com a avó para deixar o neto em paz que é uma criança e tem de se divertir e logo ali começa uma discussão que há-de durar até à noite. Aproximo-me mais, fito nos olhos a criança que se cala subitamente, subo novamente tão depressa como desci, os avós voltam-se sem perceber o que se passou, mas aliviados por ter acabado a gritaria.
Sigo o meu caminho e atravesso o mar. Vejo barcos de pesca, depois veleiros, por fim cargueiros e navios de cruzeiro. Vejo baleias a saltar e tubarões a caçar, vejo focas e leões marinhos e vejo gelo, muito gelo. Está frio, por isso decido dar meia-volta e seguir noutra direcção. Volto a entrar em terra, atravesso campos, passo por rios, vales, montanhas, aldeias, vilas, cidades, países. Ali a estátua da Liberdade, daquele lado a Torre Eiffel, lá ao fundo o casario branco das ilhas gregas, deste lado o deserto, acolá a selva africana mesmo juntinha à muralha da China. Vejo tigres, leões, pinguins, cangurus, macacos, pássaros de todas as cores acompanham-me por onde vou. E as pessoas, afinal, que são iguais em todo o mundo.
Vi tudo o que havia para ver. Dei a volta ao mundo inteiro e percebi que já não há nada de novo, nada de interessante, nada de estimulante. Aterrei novamente em casa por alguns minutos. Olho em redor e o que vejo? Fotografias das pessoas que foram importantes na minha vida, mas já nenhuma existe. Objectos acumulados ao longo de uma vida inteira e que a certa altura significavam tudo. Sorri ao perceber finalmente que nada daquilo era importante, não passavam de objectos, como era possível ter pensado que não conseguia viver sem tudo isto?
E de sorriso rasgado no rosto voltei a levantar voo, subi a direito, passei as nuvens, passei o sol, e continuei a minha viagem pelo espaço à procura de um novo mundo.
Uma longa viagem, Fábrica de Letras
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3 de agosto de 2010
As coisas que se fazem por amor
Eu, por exemplo, interrompo as minhas férias para ir ver um jogo de futebol entre o Benfica e o Tottenham ao estádio da Luz. Eu que nem ligo ao futebol e, mal por mal, prefiro o verde, eu que na vida só vi um jogo de futebol profissional ao vivo e foi a selecção nacional contra o Liechtenstein algures no século passado (ganhámos para aí por 10 a 0) vou embrenhar-me no mundo dos grunhos vermelhos, vou torcer para que desta vez a águia prefira atacar a cabeleira loira do Jorge Jesus em vez do naco de carne, vou atirar amendoins às bancadas de baixo e vou gritar penalti sempre que me der na cabeça. Já que me estragam metade de um dia de férias e nem sequer me permitem refastelar-me com um faustoso jantar porque decidem marcar a coisa para a pior hora possível, ao menos divirto-me. Portanto, se mais logo virem nas notícias que a espectadora mais gira do estádio, a única com um aspecto decente mas que teve o azar de estar vestida de verde, foi selvaticamente atacada por uma cambada de energúmenos, já sabem que sou eu.
2 de agosto de 2010
Alguém me sabe explicar
O que raio é um Sing Along Alentejano?
É Verão, está calor e eu tenho preguiça de procurar no Google...
É Verão, está calor e eu tenho preguiça de procurar no Google...
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dúvidas
Nem sei como sobrevivi sem isto
Segundo o DN, foi lançado o Manual de etiqueta nos transportes públicos. O documento destina-se a ensinar as regras básicas de comportamento nos autocarros, metro e comboios. Muito bem, à primeira vista e tendo em conta o nível de civismo dos utilizadores, pode até ser pertinente. E conselhos como "usar roupa fresca" no Verão são, de facto, úteis. O que não falta por aí é gente de camisolas de lã em Agosto, realmente. Também gosto destes: "manter acessos livres" e "não bloquear saídas". Especialmente em hora de ponta, deve ser fácil.
Mas já que se deram ao trabalho de elaborar um documento tão importante, como é que puderam esquecer-se de aconselhar os passageiros a tomar banho regularmente e a não assaltar os outros? E já agora aproveitavam e redigiam também uma coisa semelhante para os motoristas de autocarro - no mínimo, a aconselhá-los a ser simpáticos.
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1 de agosto de 2010
No restaurante
Na televisão, o telejornal mostrava mais uma vez a mesma peça sobre a morte de António Feio, as mesmas imagens, as mesmas pessoas e as mesmas palavras repetidas tantas vezes que já todos as conhecíamos de cor e salteado, mas ainda assim fez-se silêncio e ninguém desviava o olhar do aparelho pendurado praticamente no tecto. Até que uma senhora na mesa ao lado da minha exclama para o companheiro:
- Eu vi-o uma vez fazer um monólogo genial. Sozinho!
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como disse?
31 de julho de 2010
30 de julho de 2010
Da minha janela
Ele para à esquina ao vê-la subir a rua. Ela apressa o passo, desvia-se de um carro estacionado em cima do passeio e vai ter com ele, o sorriso rasgado nos lábios, inconscientemente. Ele disfarça os nervos olhando para o telemóvel, como a indicar que há outras pessoas com quem poderia estar - mas não há, e ambos o sabem muito bem. Quando finalmente se aproximam, ele beija-lhe a face, junto ao pescoço, um único beijo muito mais revelador do que se a tivesse beijado nos lábios. Tira-lhe o saco do ginásio que ela carregava ao ombro, dá-lhe a mão, e seguem o seu caminho a olhar-se nos olhos.
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Lei de Murphy, versão Tulipa Negra
O ar condicionado do carro avaria sempre no pino do Verão, quando as temperaturas se aproximam perigosamente dos 40º, imediatamente antes de uma viagem longa e quando a oficina habitual está fechada para férias.
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29 de julho de 2010
Ainda a TV diurna
Por que é que existe um programa chamado "As Tardes da Júlia" cuja apresentadora se chama Cristina Ferreira?
Ouvido na TV
E diz uma senhora do público assim que lhe põem o microfone à frente:
- O homem que eu mais amei, e com quem não casei, conheci-o aqui.
- O homem que eu mais amei, e com quem não casei, conheci-o aqui.
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televisão
O verdadeiro serviço público
Isto de ir de férias e apanhar uma gripe logo no primeiro dia tem as suas vantagens. Já que não posso sair de casa, aproveito para ver os maravilhosos programas que a televisão tem para oferecer durante o dia. Precisamente num desses programas (no caso, na RTP 1) descobri alguma da melhor música portuguesa actual, devidamente acompanhada pelo João Baião aos saltos (há que reconhecer que não é qualquer um que aguenta um programa de mais de 5 horas sempre naquele ritmo, que ele tem energia, lá isso tem). Ora bem, deixo-vos aqui alguns exemplos que achei por bem partilhar convosco, já que não sou egoísta.
O primeiro é o Zé do Pipo, pelo que me parece um pretendente ao trono do Quim Barreiros. Embora neste vídeo não se veja bem, o bigode é falso e, na actuação durante o programa, estava meio descolado, o que lhe dava um ar ainda mais parvo interessante.
Seguiram-se as Cravo e Canela, duas moças com tanto jeito para cantar e dançar como eu, com a diferença que eu não vou fazer figuras tristes para a televisão.
Houve ainda o José Qualquercoisa Reis, que nitidamente pretende capitalizar com a utilização de um nome parecido com o do José Alberto Reis, esse grande vulto da pimbalhada música romântica portuguesa. O melhor deste era mesmo o coro, com fatos a lembrar os vestidos de espanhola que as meninas usam no Carnaval. Mas como não me lembro do nome exacto do senhor, não há vídeo a ilustrar.
Ainda actuaram também o Emanuel, que dispensa apresentações, o Graciano Saga, mas esse já teve direito a destaque aqui há uns dias, assim como um grupo de Kuduro que se queixava do calor que estava para andar a fazer aquelas piruetas. Pudera! Estavam na praia do Baleal, às 4 da tarde, à torreira do sol, todos vestidos incluindo gravata. Esperavam o quê, neve?
Escusado será dizer que todas estas actuações em directo foram realizadas no mais puro e mal disfarçado playback. E pronto, assim se alargam os horizontes musicais das domésticas, doentes, reclusos e outras pessoas que não podem sair de casa. Este sim, é o verdadeiro serviço público.
24 de julho de 2010
Programa para as próximas semanas
Férias. Sol. Mar. Praia. Família. Amigos. Descansar. Dormir. Viajar. Passear. Livros. Cinema. E tudo o que não consigo fazer durante o resto do ano.
Primeiro destino
Seguem-se uns dias por estas bandas
E mais uns num sítio parecido com este
O que significa que, durante uns tempos, isto por aqui vai andar (um bocadinho) parado. Mas eu volto...
Primeiro destino
Seguem-se uns dias por estas bandas
Foto tirada da Internet
Foto tirada da Internet
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23 de julho de 2010
Ainda bem que eu vou de avião
Oiçam bem até ao fim. A história é trágica e a letra é de fazer chorar as pedras da calçada.
Agradeço à minha amiga L. por me ter dado a conhecer esta pérola da música portuguesa.
Agradeço à minha amiga L. por me ter dado a conhecer esta pérola da música portuguesa.
Para acabar em beleza
Por que carga de água é que no último dia de trabalho antes das férias tem sempre de aparecer alguma coisa grande, importante e urgente para fazer?
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22 de julho de 2010
A parvoíce continua, agora na TV
Eu não dizia que isto tinha saído da mente brilhante de um publicitário?
Gosto especialmente do ar convincente do senhor com idade para ser meu avô, representante de uma geração que provavelmente nunca bebeu um chá (nem quente, quanto mais gelado!) que isso é coisa de meninos, tragam-lhe mas é uma mine e uma sandes de torresmos. Foi com esta que me convenceram a assinar a petição.
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E ao terceiro dia...
... a parabólica ressuscitou.
Não faço ideia se lhe deram a volta à cabeça, se o caramelo arranjou alguma coisa, se o vigarista reapareceu nem se o vizinho regressou de férias mais cedo por receber um telefonema anónimo a informá-lo de uma fuga de gás em casa. O que sei é que liguei a televisão e a RTP, a SIC e a TVI voltaram (obra do demo, de certeza absoluta), assim como todos os outros canais que tinham desaparecido para parte incerta. Pronto, esta noite já me posso informar do estado do país. Ou se calhar é melhor não...
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televisão
Regresso ao futuro
O programa informático onde tenho de fazer o pedido de férias fez o favor de me dar esta informação preciosa:
Error: you cannot return before you leave!!!!
Ora ainda bem que me avisam, não fosse eu decidir regressar de férias ainda antes de partir. Sei lá que consequências é que isso teria para a minha saúde. E além disso não quero ir presa por desrespeitar as leis da física...
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21 de julho de 2010
A parabólica queimou os neurónios
De repente, deixei de ter uma série de canais da TVCabo, que recebo por satélite. Assim, de um minuto para o outro, livrei-me da RTP, da SIC, da TVI (é nestes momentos que acredito piamente que Deus existe), entre outros. Restam-me uns quantos de séries, a SIC Mulher e Radical, a MTV e pouco mais.
Embora não seja perita na coisa, andei às voltas com as definições do receptor, procurando os canais de forma automática, manual, por frequência, por estação, por cor do cabelo do apresentador do programa... Em vão. Nada. Niente. Nothing. Rien. Nichts. (Agora reparo que os franceses têm mesmo a mania de ser diferentes, até para “nada” tinham de começar a palavra por outra letra… mas isto fica para outra altura.)
Liguei para o cigano (nas palavras de um colega meu e sem desprimor para qualquer cigano verdadeiro que por acaso calhe a passar por aqui) que me vendeu o sistema todo há mais de um ano, a perguntar o que fazer. Depois de ele muito falar e eu nada entender, lá consegui perceber que ele me aconselhava a repor as definições de origem do aparelho. Assim fiz. Foi pior a emenda que o soneto: se até aí ainda tinha meia dúzia de canais, agora não tenho nenhum. Voltei a tentar a pesquisa, de toda a maneira e feitio, mas o resultado foi o mesmo: nada. Entretanto, e como a hora já ia avançada, decidi deixar para hoje para tentar resolver a questão.
Liguei para o caramelo (aparentemente este não é cigano) que instalou a antena parabólica e fez as ligações todas no prédio. Diz-me ele que o problema deve ser da cabeça da antena, que deve ter avariado. (Pois, cabeças avariadas é o que não falta para aí, pensei eu...) Para resolver, tem de ir lá ver ao vivo e a cores, mas para isso é preciso que a administração do condomínio o contacte directamente e que o vizinho, cujo apartamento dá acesso ao telhado, esteja em casa. Aqui só vejo dois pequeninos, minúsculos, quase invisíveis problemas: o primeiro, é que o vigarista que gere o condomínio anda desaparecido há mais de um ano, embora continue a receber todos os meses; o segundo, é que, com a sorte que tenho, provavelmente o vizinho já foi de férias.
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20 de julho de 2010
Sinto-me uma princesa
E não é que os queridos do departamento de obras da câmara municipal que me acordaram cedo no sábado e me prenderam em casa no domingo voltaram à carga? Não só não asfaltaram coisa nenhuma como ainda abriram um fosso ao longo da rua com, pelo menos, uns 2 metros de profundidade. De maneira que agora, para entrar ou sair da garagem, tenho de passar por cima de umas chapas metálicas com um ar ferrugento e periclitante que parecem estar prestes a cair a qualquer momento, basta o carro ou o condutor ser ligeiramente mais pesado. Estacionar na rua está fora de questão, porque o local previsto para o efeito é actualmente um fosso. Se chover esta noite, como parece que está previsto, podemos arranjar um crocodilos e ficamos protegidos dos invasores.
Quando era criança, eu costumava imaginar como seria viver num castelo ou num palácio. Obrigada aos senhores das obras por me proporcionarem essa experiência. Repito: eu não mereço tanto carinho!
Quando era criança, eu costumava imaginar como seria viver num castelo ou num palácio. Obrigada aos senhores das obras por me proporcionarem essa experiência. Repito: eu não mereço tanto carinho!
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coisas que me irritam
Silly Season
Pois é, parece que a festa continua, embora hoje não haja bebés nem pratos nem talheres e nem copos. Só há mesmo um monte de gente sentada à conversa. Durante o horário de trabalho.
Eu também não estou a fazer nada de muito útil, mas pelo menos estou enfiada no meu gabinete, a disfarçar.
Eu também não estou a fazer nada de muito útil, mas pelo menos estou enfiada no meu gabinete, a disfarçar.
Dia do Amigo
A todos os meus amigos.
Procura-se um amigo
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinicius de Moraes
Procura-se um amigo
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinicius de Moraes
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amizades
19 de julho de 2010
Sai um dicionário prá mesa do canto!
Se calhar isto já não é novidade para ninguém, mas eu acabei de descobrir que há por aí um movimento que quer incluir no dicionário de língua portuguesa a palavra Mudasti. Até têm uma petição online e tudo (no momento em que escrevo, tem 113 assinaturas - vá lá, os doidos ainda não são assim tantos).
Pelo que me lembro, isto foi um termo inventado por uma marca de refrigerantes para uma campanha publicitária. Evitavam dizer Iced Tea (a marca concorrente) e incentivavam à mudança. Pronto, percebe-se. Sinceramente, sempre achei a palavra perfeitamente idiota, mas pronto, é publicidade e de vez em quando aparecem uma coisas parvas. Tudo bem até aqui.
Só que agora, não contentes com a publicidade, que é paga, e talvez aproveitando a onda do novo acordo ortográfico, lembraram-se que afinal a palavra já é tão usada que até deve figurar no dicionário. Ora, é certo que eu já não pertenço à geração mais jovem, mas conheço alguns elementos e nunca, mas nunca em ocasião nenhuma, os ouvi usar tal palavra. De resto, o texto da petição reza o seguinte:
Somos o “Movimento Mudasti no Dicionário”.
Representamos todos os portugueses que desejam ver definido nos dicionários da Língua Portuguesa - começando por aquele compilado pela Academia de Ciências de Lisboa - o significado desta nova palavra já utilizada por grande parte dos cidadãos nacionais, independentemente da região de onde são naturais.
Defendemos que a palavra “MUDASTI” merece uma chamada no dicionário.
Trata-se, de facto, de uma palavra que se impôs no léxico da nova geração e cujo significado já está enraizado na cultura popular portuguesa.
Como novo termo do Português moderno, “MUDASTI” começou a ser utilizada em 2005, a partir de um repto publicitário que incitava todos os portugueses a mudar de iced tea (chá gelado).
Mas, rapidamente os portugueses se apoderaram da palavra, encontrando nela a definição ideal para incentivar a mudança de um modo geral. Uma palavra curta e facilmente mnemonizável, que se converteu num incentivo ao abandono de um passado pouco memorável e ao agarrar de um futuro digno dos sonhos de cada um.
Hoje, são imensas as palavras insignificantes com sentidos imperceptíveis como “opidano”, “ingresia” ou “exaurir” que se mantêm presentes nos dicionários da Língua Portuguesa.
Ao mesmo tempo, encontramos nos mesmos dicionários palavras que há muito gostaríamos de ter deixado de utilizar como “crise”, “imposto”, “desemprego” ou “pobreza”.
Se palavras como estas têm um espaço no dicionário, “MUDASTI” merece o seu lugar.
Posto isto, só me resta acrescentar duas ou três coisinhas:
A primeira é que o dicionário da Academia de Ciência de Lisboa é uma bela mer... porcaria. Se nem "robalo" lá vem mencionado, havia de vir agora o mudasti! (Se não acreditam, vão lá ver.)
A segunda é que um dicionário não é um repositório de palavras agradáveis. Por muito que nos custe, a crise, o imposto, o desemprego, a pobreza, e eu acrescentaria a guerra, a fome, a miséria, a catástrofe, entre tantas outras, irão continuar a aparecer em todos os dicionários pelo simples motivo de serem palavras da língua portuguesa.
A terceira é que os dicionários existem também para ajudar a perceber essas palavras com sentidos imperceptíveis.
Alguém devia informar disto os senhores da agência publicitária da Nestea - sim, porque esta ideia brilhante só pode ter saído da cabeça de um publicitário.
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Silly Season
Desde manhã que só oiço gente na conversa, a rir, bebés a palrar, copos e talheres a tilintar… Só falta uma musiquinha para a festa ser completa. Tudo aqui à minha porta. Entre o pessoal que foi de férias e os outros que não foram mas gostavam de ter ido, começo a achar que devo ser a única pessoa por aqui que ainda trabalha alguma coisa.
Eu pensava que já tinha visto tudo
Eis senão quando abro a minha conta do Facebook, logo pela manhã, e vejo fotos de um joelho todo rebentado, com sangue a escorrer pela perna, só faltava mesmo ver-se o osso. Ainda por cima, o caramelo achou que era giro ter esta imagem como fotografia do perfil.
Que se lixe a quintarola, está na hora de mudar de amigos!
Que se lixe a quintarola, está na hora de mudar de amigos!
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Pânico!
Acabei de perceber que durante esta semana vou estar sozinha com o chefe aqui no serviço. Agora é que dava mesmo jeito o tal atestado médico.
18 de julho de 2010
Telefonemas
Tomara que todos os telefonemas com a família durassem os 2 minutos do costume pois era sinal de que estava tudo bem. Sempre que a conversa é mais prolongada é porque há algum problema, e normalmente grave.
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Sair da rotina
Sentada à secretária, deu por si a pensar que não gostava da vida que tinha. Não gostava do emprego, do que fazia, do sítio onde morava, de ainda viver com os pais quase aos 30 anos. Sentia-se presa e acomodada naquela rotina de onde ainda não tinha tido coragem para sair. Levantava-se todos os dias à mesma hora, saía de casa, entrava no carro, fazia os 50km de auto-estrada até chegar ao emprego, entrava e sentava-se atrás da secretária. Falava com os colegas apenas o indispensável, pois não gostava deles - e parecia-lhe que eles também não gostavam dela. Até com o patrão falava apenas quando não podia deixar de ser. Afinal, aquele era um emprego provisório, enquanto não arranjava outro mais de acordo com as suas capacidades e habilitações. Não tinha andado a estudar tantos anos para acabar como assistente de um tipo que não tinha sequer o ensino secundário completo.
Ao fim do dia, voltava a entrar no carro e a fazer os mesmos 50Km de auto-estrada até chegar a casa. Cansada, sem vontade de estar com ninguém, ainda assim arranjava forças para conversar com os pais durante o jantar, antes de sair com o namorado. O namorado, de quem também não sabia se gostava. Ou antes, gostava dele, não sabia se gostava de estar com ele, o que são coisas bem distintas. Ele parecia gostar realmente dela, fazia de tudo para a ver feliz. Mas ela não se sentia feliz. Ele trabalhava e estudava ao mesmo tempo, mas a ela parecia-lhe que ele não se esforçava por terminar o curso, embora se queixasse constantemente do emprego que tinha. Um falso ambicioso, sem vontade de fazer fosse o que fosse por mudar a situação, era assim que ela o via. E a certa altura começou a arranjar desculpas para se verem cada vez com menos frequência
Naquele dia, sentada à secretária, decidiu que tinha de fazer alguma coisa para mudar a sua vida. Levantou-se, entrou no gabinete do patrão e despediu-se. Sentiu um alívio, como se lhe tirassem um peso de cima dos ombros. Saiu sem olhar para trás, entrou no carro e ligou ao namorado. Disse-lhe que queria acabar tudo, não por não gostar dele, mas porque às vezes não basta gostar. Sentiu-se ainda mais aliviada.
E agora sem emprego, sem namorado, sem saber o que iria ser a sua vida, estava finalmente livre. E feliz.
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Sabemos que...
...alguma coisa não está bem quando durante horas temos na cara uns óculos que não são os nossos e só damos por isso quando os tiramos.
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17 de julho de 2010
79 anos, viúva, 3 filhos, 6 netos
Sempre teve alguns problemas de saúde, embora nada de muito grave. Naturalmente, com a idade esses problemas agravaram-se e outros surgiram inesperadamente. Nos últimos tempos, com a artrite reumatóide que entretanto também a atacou, quase não consegue andar. Ainda assim, quase sem se poder mexer, todos os dias faz o almoço para os netos mais novos. Desde que ficou viúva, a sua companhia é um gato que a neta lhe arranjou. Continua a sair de casa, quando pode, para fazer as suas compras, ir ao médico ou ao convívio da terceira idade. Mas como é, e sempre foi, muito teimosa, não pede ajuda a ninguém e acha que consegue fazer tudo sozinha. Nem ao filho que mora no apartamento do lado. Tem um feitio insuportável. É daquelas pessoas que acha que tem sempre razão e nem quando lhe provam, sem margem para dúvidas que está errada, nem aí dá o braço a torcer. Orgulhosa até dizer basta.
Agora, há coisa de uma semana, adoeceu a sério. Foi parar ao hospital, de urgência, e tem estado de cama nos últimos dias. O filho mais velho mora a uns 40Km de distância, o do meio no apartamento do lado e a filha mais nova emigrou, embora esteja actualmente de férias em Lisboa. Todos têm família e uma vida ocupada, naturalmente. Ainda assim, é a mãe que está doente, de cama. Pois quem tem ido ajudá-la é uma irmã, que mora longe e vem todos os dias, e uma vizinha. A nora que mora ao lado diz que anda doente e até ontem nem a tinha ido ver. A filha, passou por lá ontem e hoje, sendo que segunda-feira regressa ao trabalho. O outro filho apareceu hoje. Decidiram que vão arranjar alguém para lhe dar o almoço e limpar a casa. Como para compensar o facto de terem estado ausentes durante estes dias, agora tomam decisões, discutem, dão murros na mesa e trocam acusações.
O certo é que esta mulher de 79 anos, viúva, com 3 filhos e 6 netos, que sempre gostou de mandar nos outros e de dar ordens, de repente se vê numa cama, sozinha, indefesa e dependente da boa vontade alheia. Esperamos que seja apenas uma fase passageira e que daqui a dias já esteja a reclamar com toda a gente, como é seu hábito. Ainda assim, esta situação é um vislumbre do que a (nos?) espera. E não é nada bonito.
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Nunca mais é segunda-feira
E quando finalmente há um dia em que posso dormir até mais tarde, os queridos do departamento de obras da câmara municipal lembram-se de acabar os trabalho que já duram aqui na rua pelo menos há 3 anos, mesmo por baixo da janela do meu quarto. E de começar logo de manhã, pela fresquinha, que isto durante o dia aquece e ninguém aguenta trabalhar com o calor. E como não conseguem acabar tudo hoje que aquilo é obra para durar muito tempo, parece que amanhã voltam à carga, para colocar o asfalto novo. Com a diferença que amanhã a rua vai estar completamente cortada ao trânsito, não se podendo sequer entrar ou sair das garagens. Ou seja, não só fazem o favor de me acordar cedo ao fim-de-semana, como ainda me deixam presa em casa. Eu não mereço tanto carinho...
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16 de julho de 2010
Aos papéis
Pedem-nos encarecidamente, que é como quem diz dão-nos uma ordem, que passemos a destruir todos os documentos de que já não precisamos nas maquinetas existentes para o efeito. Não interessa se são confidenciais ou não, é tudo para destruir. E porquê? Porque um iluminado responsável pela segurança diz que encontrou alguns documentos num caixote do lixo na rua.
A pergunta que se impõe: a que propósito é que um tipo com um cargo importante anda aos caixotes? E que mais é que ele terá encontrado que não nos disse?
A pergunta que se impõe: a que propósito é que um tipo com um cargo importante anda aos caixotes? E que mais é que ele terá encontrado que não nos disse?
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Ser ou não estar, eis a questão
Explicar a um estrangeiro a diferença entre ser e estar é uma tarefa quase impossível. No mínimo, é difícil. Isto porque essa diferença não existe na maioria das línguas europeias (das que eu conheço, pelo menos, que eu não falo do que não sei, portanto não me perguntem se em letão, checo, húngaro ou outra do género também é assim que eu não vos sei responder - mas posso tentar informar-me, se estiverem mesmo muito interessados. Não? Óptimo.). Esta situação pode complicar a vida a um estrangeiro que se esforce por falar português - e cada vez são mais, acreditem, vá-se lá saber porquê. Só mesmo um povo complicadinho como o português para se lembrar de distinguir entre um estado permanente e um estado passageiro, mas o que se vai fazer?
Ora bem, depois da cena que o meu chefe fez aqui logo pela manhã, posso dizer com toda a certeza: eu estou parva; o meu chefe é.
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15 de julho de 2010
Hipocondríacos cibernéticos
Antigamente, quando estávamos doentes, íamos ao médico (não sem antes passar pela farmácia, não fosse o farmacêutico de serviço conhecer a cura, vender-nos logo ali o remédio e poupávamos uma horas no centro de saúde). Depois, quando um médico nos diagnosticava uma qualquer doença, mais ou menos grave, limitávamo-nos a confiar e a acreditar no que ele dizia. Se o tratamento prescrito é este, nada a fazer, segue-se à risca. Quanto muito, em casos mais graves, pensávamos em pedir uma segunda ou terceira opinião (normalmente, até encontrar uma que estivesse mais de acordo com o que desejávamos). De resto, ninguém sonhava sequer em pôr em causa o que o médico dizia. Ele é que estudou, ele é que sabe. E resignávamo-nos ao destino que aquele médico nos traçava.
Hoje em dia, quando estamos doentes, consultamos a Internet para ver a que doença fatal correspondem os sintomas. Depois, já aterrorizados, em pânico, convencidos de que a qualquer segundo vamos cair para o lado, decidimos ir ao médico. Quando este nos diagnostica uma doença, mais ou menos grave, vamos direitinhos ao computador procurar novamente na Internet tudo e mais alguma coisa sobre essa doença. Em várias línguas, de preferência, porque no estrangeiro eles estão mais avançados e sabem mais do que os portuguesinhos. E qual é o resultado de horas e horas de pesquisa? Dos estudos aparentemente científicos realizados por uma universidade perdida no meio do deserto, aos artigos publicados em jornais e revistas ditos científicos que só um especialista na matéria consegue compreender, passando pelas histórias “verídicas” de quem tem ou teve a mesma doença (algumas são verdadeiros filmes de terror) e terminando nos tratamentos convencionais, alternativos, experimentais... Basicamente, uma grandessíssima confusão. Seguem-se a angústia e o medo provavelmente infundados, acompanhados por um estado depressivo, que de certeza só ajuda a piorar a situação.
Há alturas em que preferia voltar a ter só dois canais de televisão, jornais e telefonia para me informar.
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Classificados
Precisa-se de uma injecção de energia. Com urgência.
Ou, em alternativa, de um atestado médico, com ar realista, a dizer que não posso trabalhar hoje porque estou sem paciência para aturar malucos e o que me faz falta é mesmo ir embora e não voltar tão cedo.
Ou, em alternativa, de um atestado médico, com ar realista, a dizer que não posso trabalhar hoje porque estou sem paciência para aturar malucos e o que me faz falta é mesmo ir embora e não voltar tão cedo.
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14 de julho de 2010
A melhor condutora do mundo
Tenho uma colega que faz de tudo para evitar conduzir, embora tenha carta há uns 20 anos. Só pega no carro quando não pode deixar de o fazer, como para ir de casa para o trabalho e vice-versa. De resto, pendura-se sempre à boleia dos outros ou, quando não consegue, prefere ir a pé, se não for longe. Chega a dizer que não gosta de meter a marcha-atrás e, uma vez em que íamos na auto-estrada, nem sabia como meter a 5ª mudança, porque não estava habituada a usá-la. (Um pequeno parênteses para explicar que isto é verídico, não é invenção da minha fértil imaginação, eu estava lá e vi. Podem continuar a rir.) Logicamente, mesmo na auto-estrada só anda pela faixa da direita, para ultrapassar outro carro demora meia hora a pensar se faz, como faz, quando faz e, finalmente, desiste porque já não vale a pena, afinal saímos já ali na próxima. Mesmo a conduzir a direito, o pé está sempre no travão, a carregar a fundo no pedal, não vá o da frente parar e ela não ter tempo. As rotundas, como facilmente se imagina, são todas contornadas por fora, independentemente do tamanho e da saída que queira tomar. Num estacionamento coberto, dá voltas e voltas até encontrar um lugar que não esteja entre dois carros, porque já não consegue estacionar - e nem pensar em estacionar de traseira! Além do mais, tem uma atracção especial pelas colunas dos parques de estacionamento e há umas quantas onde já deixou a sua marca. Conduzir em Lisboa está fora de questão, que aquilo é tudo gente doida e sem civismo nenhum e só apitam por tudo e por nada e ela enerva-se e aí é que o caldo entorna de vez.
Pois bem, foi com esta colega que eu fui hoje almoçar. Ao contrário do habitual, não fomos no meu carro, mas no dela. A viagem dura, no máximo e parando no semáforo, cinco minutos. Foi o tempo suficiente para eu decidir que regressava a pé.
Pois bem, foi com esta colega que eu fui hoje almoçar. Ao contrário do habitual, não fomos no meu carro, mas no dela. A viagem dura, no máximo e parando no semáforo, cinco minutos. Foi o tempo suficiente para eu decidir que regressava a pé.
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Pensamento da manhã
Se em vez de andar na Internet estivesse a trabalhar, se calhar já tinha acabado o que tenho para fazer.
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13 de julho de 2010
Apetece-me
Sair daqui. Ir embora e não voltar. Levantar-me da cadeira, abrir a porta do escritório, descer no elevador, sair para a rua e ir apanhar ar fresco, sol, o vento na cara. Deixar para trás o ar condicionado e o trabalho por fazer. Passear na floresta, na cidade, junto ao rio, a pé, de bicicleta. Comer um gelado. Conversar. Sentar-me num banco de jardim a ler um livro. Cheirar as flores. Ver as crianças a brincar, os cães a correr. Abraçar-te. Beijar-te…
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Motivos para gostar de andar de transportes públicos
Num autocarro enorme vão, além do motorista, cinco passageiros. Logicamente, há vários lugares vagos. Numa paragem, entra uma senhora dos seus 50 anos, carregada de sacos, saquinhos e sacolas. Onde decide sentar-se? Ao meu lado, claro. Não contente com isto, quando me levanto para sair, em vez de erguer o seu real traseiro para me deixar passar, a senhora pega nos milhentos sacos e coloca-os no lugar de onde acabei de sair. De maneira que dei por mim presa, entre o lugar onde estava e o da frente. E eu que me encolha e me desvie, se não quiser ir em pé até à última paragem do autocarro.
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12 de julho de 2010
O Fim?
Saiu de manhã, sem destino. Fez-se à estrada sem saber onde ia. Contentou-se em seguir o caminho que a vontade lhe ia ditando. Deu por si numa praia, afinal o caminho era o que tantas vezes tinha feito. Inconscientemente, tinha seguido a estrada que lhe era mais familiar, como se fosse o carro que conhecesse o caminho e ela apenas se limitasse a girar o volante, acelerar e travar, ao sabor da vontade da máquina. No parque de estacionamento deserto, na falésia em frente à praia que tão bem conhecia, parou. Deixou-se ficar dentro do carro, cruzou os braços no volante e pousou o queixo nas mãos. Ficou assim, a olhar o mar, as ondas que rebentavam nas rochas, as gaivotas que revolteavam no céu, por entre as lágrimas que lhe escorriam pelo rosto. E pensou em tudo o que lhe acontecera e a trouxera até àquele momento. Como pudera ter sido tão ingénua? Como pudera ter ido contra todos os seus instintos? Se desde o início sabia, tinha a certeza no seu íntimo, que dali nada de bom poderia vir. E ainda assim deixara-se levar pelo coração, ignorando a razão, os amigos, a família. Acreditara, quisera acreditar, que todos estavam errados, que tudo iria correr bem. Acabara por se afastar de todos por não conseguirem vê-lo como ela o via. Agora que tudo acabara, estava só. Não tinha com quem falar, em quem confiar, nem sabia se conseguiria voltar a confiar em alguém. Sentia-se num beco sem saída, sem saber para onde se virar, sem qualquer objectivo na vida e, principalmente, sem coragem para voltar atrás e procurar ajuda. Deixara de ter uma razão para viver. E decidiu, ainda que não tivesse essa ideia quando saíra de casa umas horas antes, que o seu sofrimento acabava ali, naquele momento. Ligou o carro, olhou uma última vez o mar, as ondas, as rochas e as gaivotas...
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Afinal moro num país tropical
7h – sol, céu azul, 24º C
10h – sol, nuvens, 27º C
10h30 – calor sufocante, muitas nuvens, céu negro, vento forte
13h – calor sufocante, céu negro, chuva torrencial
13h15 – calor sufocante, céu negro
…
16h – trovoada, provavelmente (a hora pode não estar certa, mas a trovoada hoje é garantida)
…
Se tivesse praia, diria que estava no Brasil.
10h – sol, nuvens, 27º C
10h30 – calor sufocante, muitas nuvens, céu negro, vento forte
13h – calor sufocante, céu negro, chuva torrencial
13h15 – calor sufocante, céu negro
…
16h – trovoada, provavelmente (a hora pode não estar certa, mas a trovoada hoje é garantida)
…
Se tivesse praia, diria que estava no Brasil.
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tempo
11 de julho de 2010
10 de julho de 2010
Motivos para odiar esta terra
- O Outono (entre Setembro e Novembro): Chove o tempo todo, faz um frio de cão, começa a anoitecer cada vez mais cedo e não há nada para fazer.
- O Inverno (de Novembro a Maio): Neva, faz um frio de cão, anoitece às 4h30 da tarde e não há nada para fazer.
- A Primavera (entre Maio e Julho): Chove o tempo todo, faz um frio... de cachorro, vá lá, e não há nada para fazer.
- O Verão (Julho e Agosto, com sorte): Quando não chove o tempo todo, está um calor insuportável, não se consegue respirar, troveja ao fim de 3 dias de bom tempo, é de dia até às 10h da noite e não há nada para fazer.
- O Inverno (de Novembro a Maio): Neva, faz um frio de cão, anoitece às 4h30 da tarde e não há nada para fazer.
- A Primavera (entre Maio e Julho): Chove o tempo todo, faz um frio... de cachorro, vá lá, e não há nada para fazer.
- O Verão (Julho e Agosto, com sorte): Quando não chove o tempo todo, está um calor insuportável, não se consegue respirar, troveja ao fim de 3 dias de bom tempo, é de dia até às 10h da noite e não há nada para fazer.
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em Lisboa é que se está bem
Hoje apetecia-me
Almoçar um pastel de massa tenra do Frutalmeidas. Seguido de uma fatia de bolo de morango com chantilly.
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9 de julho de 2010
Longe
Eu costumo dizer que só quem passa por elas é que sabe o que custa. Visto de fora, é tudo muito bonito, parece um mar de rosas. Desenganem-se: não é. De todo. Simplesmente, colocamos um sorriso no rosto a disfarçar a dor que vai cá dentro e seguimos em frente. Fazemos de conta que está tudo bem, que corre tudo às mil maravilhas, para não preocupar os outros, porque não queremos sentir-nos culpados pelas suas angústias. Brincamos, dizemos disparates e rimos à gargalhada, mas na verdade somos como o palhaço que tem um sorriso gigante pintado no rosto, enquanto a alma está triste. Por isso ninguém compreende o que sentimos, acham estranho quando dizemos que estamos fartos e não acreditam que possa ser verdade. De vez em quando, muito raramente, descaímo-nos e confessamos que há qualquer coisa que não está bem – porque também precisamos de desabafar. Mas lembramo-nos subitamente que não queremos preocupar aquela pessoa e acabamos por dizer que é só uma dor de estômago, nada de especial. Não é nada. Nunca é. O que dói não é o estômago, é a alma e o coração. O que dói é não estar lá, naquele lugar especial, com aquelas pessoas. O que dói é a saudade. O que dói é estar longe.
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Infelizmente, confirma-se
Por mais bonito que esteja o dia, por mais azul que esteja o céu, por mais brilhante que esteja o sol, por mais calor que faça, sempre que a empresa de limpezas vem lavar os vidros do edifício, chove.
Hoje não é excepção.
Hoje não é excepção.
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Assim se reconhecem os bons actores
Ben Kingsley como Itzhak Stern, em Schindler's List (1993)
Itzhak Stern: By law I have to tell you, sir, I'm a Jew.
Oskar Schindler: Well, I'm a German, so there we are.
A primeira vez que me lembro de ver Ben Kingsley no cinema foi com A Lista de Schindler. Provavelmente já tinha visto outros filmes com ele, nomeadamente Gandhi, mas era demasiado jovem para reconhecer um grande actor (era aquela fase parva em que um bom actor equivale a um tipo giro, todas as meninas passam por ela). De maneira que só com o drama da Segunda Guerra Mundial me rendi ao talento de Ben Kingsley. Itzhak Stern foi, aliás, uma das personagens que mais me marcou nesse filme, a par de Amon Goeth (interpretado por Ralph Fiennes). Desde aí, sinto uma simpatia especial pela pessoa de Ben Kingsley. Acho que tem um ar simpático e inteligente e não consigo desligar a pessoa da personagem. Não consigo, pronto. Para mim, será sempre boa pessoa, mesmo que na realidade seja o maior filho da mãe ao cimo da terra.
Por tudo isto, faz-me impressão vê-lo em papéis de mau da fita. Incomoda-me. Não sinto que seja realista. Por muito boa que seja a sua interpretação do papel de mau, eu recuso-me a acreditar que ele seja mesmo mau. A culpa é toda dele. Quem o mandou desempenhar tão bem o papel de Itzhak Stern?
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8 de julho de 2010
O mau feitio saiu à rua
Hoje já é o segundo a levar uma corrida em osso. Em menos de 24 horas. Isto promete...
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Não me faltava mais nada
Adoro quando pessoas que não me conhecem de parte nenhuma decidem criticar-me e corrigir-me. É que adoro mesmo. É assim uma coisa que me satisfaz, que me deixa realizada. Ainda mais quando o fazem em tom de brincadeira, como se não quisessem criticar, somos todos amigos e tal. E gosto principalmente quando depois venho a descobrir que nem sequer têm qualquer tipo de habilitação para poderem criticar e nem sabem do que falam. Gosto mesmo.
Claro que gosto ainda mais de lhes responder com conhecimento de causa e de os deixar completamente à toa e sem resposta. Provam logo uma dose do meu mau feitio e fica o caso resolvido. Depois é vê-los voltar com um sorrisinho acanhado, o rabinho entre as pernas, as falinhas mansas. Nem imaginam o gozo que isto me dá.
Claro que gosto ainda mais de lhes responder com conhecimento de causa e de os deixar completamente à toa e sem resposta. Provam logo uma dose do meu mau feitio e fica o caso resolvido. Depois é vê-los voltar com um sorrisinho acanhado, o rabinho entre as pernas, as falinhas mansas. Nem imaginam o gozo que isto me dá.
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A propósito do post anterior
Lembrei-me que emprestei o DVD do Donnie Darko a uma colega já há uns bons 5 anos e nunca mais o vi. Por estas e por outras é que prefiro não emprestar nada a ninguém. Depois chamem-me egoísta!
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7 de julho de 2010
Vou já enviar o e-mail. Espera aí sentadinho, que vai já de seguida.
Eu estava convencida que estes esquemas para sacar dinheiro aos incautos já tinham desaparecido. Pelo menos, há anos que não recebia nenhuma mensagem destas. Mas agora recebi não uma, nem duas, mas cinco de uma só vez. Todas diferentes, todas a oferecerem mundos e fundos em troca de dados pessoais (e fotos!), mas a que se segue é a minha preferida.
Diz o Sr. Miles que o meu apelido é igual ao de um falecido, pelo que tenho direito à herança. Ora tendo em conta que o Sr. Miles diz que é britânico, que o falecido também seria britânico e que o apelido em causa é "Negra"... Bom, não conheço todos os nomes existentes na Grã-Bretanha, mas suponho, imagino, calculo (para não dizer que tenho a certeza) que Negra não será um deles.
Assim sendo, Sr. Miles, agradeço imenso a sua gentileza e a preocupação com os meus direitos, mas acho que vou deixar a herança nas suas mãos, pois tenho a certeza absoluta que saberá dar-lhe o destino mais adequado.
Diz o Sr. Miles que o meu apelido é igual ao de um falecido, pelo que tenho direito à herança. Ora tendo em conta que o Sr. Miles diz que é britânico, que o falecido também seria britânico e que o apelido em causa é "Negra"... Bom, não conheço todos os nomes existentes na Grã-Bretanha, mas suponho, imagino, calculo (para não dizer que tenho a certeza) que Negra não será um deles.
Assim sendo, Sr. Miles, agradeço imenso a sua gentileza e a preocupação com os meus direitos, mas acho que vou deixar a herança nas suas mãos, pois tenho a certeza absoluta que saberá dar-lhe o destino mais adequado.
Good Day, Be informed that my previous mail was not responded and I am not sure if it did get to you since I have not heard from you. I wish to notify you again that you were listed as a beneficiary to the total sum of 6,000,000.00 GBP (Six Million British Pounds) in the codicil and last testament of the deceased. (Name now withheld since this is our second letter to you). I contacted you because you bear the surname identity and therefore can present you as the beneficiary to the inheritance. I therefore reckoned that you could receive these funds as you are qualified by your name identity. All the legal papers will be processed upon your acceptance. Upon your acceptance of this deal, we request that you kindly forward to us your letter of acceptance, your current telephone and fax numbers and a forwarding address to enable us file necessary LEGAL documents in your name at our high court probate division for the release of the fund in question. Contact me immediately so that we can get this done. Kind regards, Mr.John Miles
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Sabemos que o filme é europeu (parte 2)...
...quando o amante do morto se apaixona pela viúva. Que entretanto descobre que está grávida. Do morto.
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A dura verdade
Se D. Afonso Henriques não tivesse ido às trombas à mãe, estávamos agora a disputar as meias-finais do Mundial!
recebida por e-mail
recebida por e-mail
When I was young I had an imaginary friend. Thanks to Facebook, I now have millions!
Segundo esta notícia do DN, as redes sociais duplicam o número de amizades de cada um, porque tornam mais fácil conhecer outras pessoas e manter os contactos. Ou seja, o Facebook e companhia substituíram os bares, cafés e outros sítios onde antigamente as pessoas se conheciam. E o telefone, para manter o contacto. Pois, isso é verdade, mas daí até considerá-los amigos vai uma grande distância. Serão conhecidos, e às vezes nem isso. Alguns são, de facto, amigos, mas porque já o eram antes de aderirem à rede. Até agora, ainda não fiz nenhum amigo novo por ter conta no Facebook, embora tenha reencontrado muitos dos antigos. Como já disse antes, tenho na minha conta pessoal "amigos" dos Estados Unidos à Índia, passando pela Itália e pela Turquia, que nunca vi antes, não sei quem são, que vida têm, se têm problemas ou se são as pessoas mais felizes do mundo e arredores. Não sei, nem quero saber. Porque não são amigos, são desconhecidos com quem jogo Farmville.
Essa é a grande diferença.
Essa é a grande diferença.
6 de julho de 2010
Aviso à navegação
Hoje o Blogger decidiu ter vida própria. Eu sei que vocês comentaram alguns dos meus posts e eu até queria responder-vos, mas não aparece aqui nada. Pelo que percebi, o mal é geral. Por isso, vamos esperar para ver se a coisa se resolve ou se é preciso contratar uns albaneses para ir dar um enxoval de porrada ao pessoal que trata disto.
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Banda sonora da minha vida
Depois de uma conversa com amigos, comecei a pensar no facto de haver músicas que marcam momentos importantes das nossas vidas e que, por mais anos que passem, lhes ficam para sempre associadas. A música que tocava no rádio quando beijámos alguém a primeira vez (não faço ideia, mas é o exemplo clássico), a música que ouvíamos quando tivemos o acidente de carro (era Bon Jovi, vá lá alguém saber porquê), o primeiro concerto a que assistimos com aquela pessoa (Garbage)... Tudo momentos inesquecíveis, pelos melhores ou pelos piores motivos, e sempre associados a uma música.
Porém, no meu caso, a banda sonora que me tem acompanhado ao longo da vida é, digamos, diferente do que eu desejaria. Podia ser música clássica, podia ser rock ou pop ou até qualquer coisa indie, que agora parece que está na moda e fica bem. Mas não. Por exemplo, durante anos acordei todos os dias às 7h da manhã com a música da vizinha de cima: Marco Paulo, entrecortado pelos gritos da vizinha a tentar acordar os filhos. Acabei por ficar a conhecer as letras praticamente todas de cor. Eu sei, é triste. Já os tempos de estudante ficaram marcados para sempre pela obra desse grande senhor da música portuguesa: Quim Barreiros. Nós bem víamos a MTV (quando ainda passava música e não reality shows), mas nem me lembro do que ouvia, tirando uma ou outra excepção. Em contrapartida, do Quim, não me consigo esquecer. Começou pela tortura do dia de praxe, em que ouvi o Bacalhau da Maria durante algumas 8 horas ininterruptamente, e continuou nos concertos anuais durante a semana académica (admito, ainda fui ver alguns - era jovem, não pensava).
Ou seja, a música da minha vida resume-se aos amores do Marquinho e ao bacalhau do Quim, com uns intervalos menos maus pelo meio. A manter-se esta tendência, o meu velório terá o acompanhamento musical do Tony Carreira...
Porém, no meu caso, a banda sonora que me tem acompanhado ao longo da vida é, digamos, diferente do que eu desejaria. Podia ser música clássica, podia ser rock ou pop ou até qualquer coisa indie, que agora parece que está na moda e fica bem. Mas não. Por exemplo, durante anos acordei todos os dias às 7h da manhã com a música da vizinha de cima: Marco Paulo, entrecortado pelos gritos da vizinha a tentar acordar os filhos. Acabei por ficar a conhecer as letras praticamente todas de cor. Eu sei, é triste. Já os tempos de estudante ficaram marcados para sempre pela obra desse grande senhor da música portuguesa: Quim Barreiros. Nós bem víamos a MTV (quando ainda passava música e não reality shows), mas nem me lembro do que ouvia, tirando uma ou outra excepção. Em contrapartida, do Quim, não me consigo esquecer. Começou pela tortura do dia de praxe, em que ouvi o Bacalhau da Maria durante algumas 8 horas ininterruptamente, e continuou nos concertos anuais durante a semana académica (admito, ainda fui ver alguns - era jovem, não pensava).
Ou seja, a música da minha vida resume-se aos amores do Marquinho e ao bacalhau do Quim, com uns intervalos menos maus pelo meio. A manter-se esta tendência, o meu velório terá o acompanhamento musical do Tony Carreira...
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Notícia de última hora
Acabaram de me informar que amanhã será instalado no meu PC do emprego o Internet Explorer 8.
Afinal, o bicho só tem um ano e meio, coisa pouca, e nós demo-nos tão bem com a versão 6, que já nem sequer permite aceder à maioria dos sites (o que, na verdade, poupa trabalho ao serviço informático, que assim não tem de andar a bloquear aqueles onde não quer que vamos), para quê mudar?
Por aqui é assim: sempre na crista da onda!
Afinal, o bicho só tem um ano e meio, coisa pouca, e nós demo-nos tão bem com a versão 6, que já nem sequer permite aceder à maioria dos sites (o que, na verdade, poupa trabalho ao serviço informático, que assim não tem de andar a bloquear aqueles onde não quer que vamos), para quê mudar?
Por aqui é assim: sempre na crista da onda!
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5 de julho de 2010
Coisas que eu gostava mesmo de saber
O que será que o Rui Reininho consome quando escreve as letras das músicas dos GNR?
Afinal é segunda-feira
Não que eu tivesse dúvidas, atenção. Mas o dia até estava a correr bem e tudo e convenci-me que podia não ser a típica segunda-feira. Otária. Ingénua. É que neste momento, a única pessoa que não tem trabalho (literalmente) é o chefe. Estão a chegar 27 (vinte e sete, sim!) trabalhos novos. Felizmente, são coisas pequenas, mas ainda assim são 27. E o que decide o supra-sumo da beterraba? Pois claro: chuta para a Tulipa Negra, que afinal só tem mais 3 coisas em mãos ao mesmo tempo, mas é jovem, esperta, gira e desenrascada (ok, esta parte ele não disse - e ainda bem! - mas deve ter pensado), portanto não há problema e afinal é para isso que lhe pagam. 27. Esta semana promete…
Para o caso de estarem curiosos
Foi o Ben Harper. Não é muito a minha onda, conheço apenas uma ou outra música que passa mais no rádio, mas como era ao ar livre e gratuito, decidi aproveitar. Reconheço que o rapaz tem uma voz bonita e toca bem, assim como os músicos que o acompanham. Ainda assim, durante o concerto que vi pela televis…, perdão, pelo ecrã gigante, não consegui deixar de pensar em duas coisas:
- O Ben Harper pode perceber muito de música, mas não sabe contar. A banda chama-se Ben Harper and the Relentless 7, portanto eu estava à espera de ver 8 tipos em cima do palco. Só lá estavam 4, os outros perderam-se pelo caminho, com certeza. Ou então, quando deram o nome à banda, estavam a ver a dobrar. Também é possível.
- Fazer tatuagens à volta dos cotovelos é coisa para doer, e muito. Imagino, porque eu fujo das agulhas como o diabo da cruz!
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Ouvido ontem durante o concerto
- Eu sou o guarda-costas do segurança, passei a noite toda atrás dele.
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Sabemos que estamos a ficar velhos...
…quando, num concerto, escolhemos ir para o lado mais afastado do palco, longe da multidão, e ver tudo pelo ecrã gigante. Não foi assim há tantos anos que eu fui várias horas antes acampar à porta do estádio de Alvalade para arranjar lugar na primeira fila, pois não?
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4 de julho de 2010
A explicação que faltava
Aí está! É por isto que a selecção não podia ficar mais tempo no Mundial da África do Sul. Então o rapaz ia perder o nascimento do seu primogénito? Ainda se o campeonato fosse na Europa, agora lá tão longe como é que ele fazia?
Actualização: afinal, parece que o cachopo já nasceu no início de Junho. Lá se foi a minha teoria. E se os senhores jornalistas aprendessem a dar a notícia completa logo de início? Se calhar era boa ideia. Digo eu...
Actualização: afinal, parece que o cachopo já nasceu no início de Junho. Lá se foi a minha teoria. E se os senhores jornalistas aprendessem a dar a notícia completa logo de início? Se calhar era boa ideia. Digo eu...
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3 de julho de 2010
Inocência perdida
- Dispara, rapaz! - Exortava o avô, enquanto lhe metia à força a arma de pressão de ar nos braços fracos e frágeis de criança.
Miguel olhava, assustado, a arma, o avô, as inocentes latas de cerveja vazias alinhadas em cima do muro, à espera de morrer com um tiro seu. Não queria disparar. E se acertasse nos pássaros que passavam por ali no exacto momento em que o fazia? Tinha medo das armas, o simples som dos disparos dos caçadores, lá longe no meio do mato, assustava-o. Tremia e lutava por conter as lágrimas, não queria dar parte de fraco perante o avô, homem do campo, à antiga, que nunca conseguiria compreendê-lo.
- Um homem não tem medo! Um homem pega na arma e dispara. De que é que estás à espera, rapaz?
Mal conseguia segurar a arma que parecia pesar uma tonelada. Mas não sabia como sair daquela situação e acabou por encostar a coronha ao ombro. Pesadíssima, aquela arma. Fechou o olho esquerdo e espreitou pela mira da arma.
- Isso, agora apontas para uma lata e carregas no gatilho. Vá lá ver, não custa nada. Faz-te homem, rapaz!
Miguel cedeu e assim fez: apontou para uma lata e fechou os olhos, enquanto pensava "É melhor acabar com isto de uma vez". Contrariando os seus instintos, os seus medos e tudo aquilo em que acreditava, disparou. Fez um esforço sobre-humano para não saltar ao ouvir o tiro. Ainda assim, encolheu-se e fez um esgar de susto que o avô não deixou passar:
- Então, assustaste-te? É só um tirinho, não faz mal a ninguém. Olha, até acertaste na lata! Nada mal, para primeira vez. Agora tens de continuar a treinar.
Arregalou os olhos em pânico. Não queria continuar a treinar! Só tinha tentado uma vez para fazer a vontade ao avô, porque não sabia como o contrariar. Se o pai não conseguia contrariá-lo, como o faria ele, apenas uma criança? Naquele momento, odiava a sua vida. Odiava a arma que lhe cansava o braço, odiava as latas de cerveja perfiladas no muro a desafiá-lo, odiava o pai por nunca o defender, odiava o avô por o obrigar a usar uma arma. E principalmente odiava-se a si próprio por não ter coragem de dizer não.
Sem saber porquê, Miguel recordava este episódio enquanto apontava a arma ao empregado da bomba de gasolina, segundos antes de disparar.
Disparou, Fábrica de Letras
Miguel olhava, assustado, a arma, o avô, as inocentes latas de cerveja vazias alinhadas em cima do muro, à espera de morrer com um tiro seu. Não queria disparar. E se acertasse nos pássaros que passavam por ali no exacto momento em que o fazia? Tinha medo das armas, o simples som dos disparos dos caçadores, lá longe no meio do mato, assustava-o. Tremia e lutava por conter as lágrimas, não queria dar parte de fraco perante o avô, homem do campo, à antiga, que nunca conseguiria compreendê-lo.
- Um homem não tem medo! Um homem pega na arma e dispara. De que é que estás à espera, rapaz?
Mal conseguia segurar a arma que parecia pesar uma tonelada. Mas não sabia como sair daquela situação e acabou por encostar a coronha ao ombro. Pesadíssima, aquela arma. Fechou o olho esquerdo e espreitou pela mira da arma.
- Isso, agora apontas para uma lata e carregas no gatilho. Vá lá ver, não custa nada. Faz-te homem, rapaz!
Miguel cedeu e assim fez: apontou para uma lata e fechou os olhos, enquanto pensava "É melhor acabar com isto de uma vez". Contrariando os seus instintos, os seus medos e tudo aquilo em que acreditava, disparou. Fez um esforço sobre-humano para não saltar ao ouvir o tiro. Ainda assim, encolheu-se e fez um esgar de susto que o avô não deixou passar:
- Então, assustaste-te? É só um tirinho, não faz mal a ninguém. Olha, até acertaste na lata! Nada mal, para primeira vez. Agora tens de continuar a treinar.
Arregalou os olhos em pânico. Não queria continuar a treinar! Só tinha tentado uma vez para fazer a vontade ao avô, porque não sabia como o contrariar. Se o pai não conseguia contrariá-lo, como o faria ele, apenas uma criança? Naquele momento, odiava a sua vida. Odiava a arma que lhe cansava o braço, odiava as latas de cerveja perfiladas no muro a desafiá-lo, odiava o pai por nunca o defender, odiava o avô por o obrigar a usar uma arma. E principalmente odiava-se a si próprio por não ter coragem de dizer não.
Sem saber porquê, Miguel recordava este episódio enquanto apontava a arma ao empregado da bomba de gasolina, segundos antes de disparar.
Disparou, Fábrica de Letras
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2 de julho de 2010
Mas isto lembra a alguém?
O Facebook atingiu novos limites. Quando pensava que não era possível, que já tinha visto tudo… eis que uma amiga (que, felizmente, não conheço pessoalmente - pronto, confesso, sou viciada no Farmville e tenho “amigos” que não conheço de parte nenhuma só para ter vizinhos no jogo) se lembra de colocar uma fotografia de um familiar na maca do hospital, antes de entrar para o bloco operatório onde vai ser submetido a uma cirurgia. Oh minha amiga, mas está parva ou faz-se? O que se segue, a fotografia de um morto no caixão, no dia do funeral?
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o mundo está perdido
Patrão fora...
E como se não bastasse o urso-mor ter saído mais cedo, assim que se apanharam sem chefe, piraram-se os outros todos. De maneiras que agora só cá estou eu, que por acaso até fui a primeira a chegar esta manhã. Isto hoje está mesmo giro, não haja dúvida! Bem podem esperar aí sentadinhos que eu já vou trabalhar e tudo, está bem?
Assim é que eu gosto!
Ando há semanas a ouvir o chefe (e os colegas, mas principalmente o chefe) a queixar-se que tem muito trabalho, que não tem tempo para respirar, que não pode fazer mais nada, ai ai ai o que é que eu faço à minha vida e nem sei para onde me virar!
E de repente, sexta-feira, ainda nem são 15h (três da tarde, para os mais distraídos) e aí vai ele, todo pimpão, de fim-de-semana. Pois sim senhor, que os escravos cá ficam para tocar o burro para a frente. Ora que tenha um excelente fim-de-semana, chefe! E já agora, aproveite para pôr em prática as sugestõezinhas que lhe demos esta manhã, sim?
E de repente, sexta-feira, ainda nem são 15h (três da tarde, para os mais distraídos) e aí vai ele, todo pimpão, de fim-de-semana. Pois sim senhor, que os escravos cá ficam para tocar o burro para a frente. Ora que tenha um excelente fim-de-semana, chefe! E já agora, aproveite para pôr em prática as sugestõezinhas que lhe demos esta manhã, sim?
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Também tu?
O Expresso decidiu começar a escrever segundo as regras do malfadado acordo ortográfico (parece que desde a edição da semana passada, mas só dei por isso agora, ando tão actualizada que eu sei lá!). Eu já não o lia muitas vezes, principalmente por falta de tempo e paciência para tanto papel, mas agora então ainda vou ler menos. Chamem-me o que quiserem, mas para mim este acordo é uma pura aberração, que até pode simplificar algumas coisas, mas harmonizar, que era em princípio o objectivo, não harmoniza nada. Tenho a sorte ou o azar de trabalhar com a língua - a portuguesa, suas mentes indecentes! E no emprego, mais cedo ou mais tarde, serei obrigada a adoptar a nova ortografia. Não terei remédio, ordens são ordens, a lei é a lei, e nada a fazer quanto a isso. Por enquanto, vamos protelando a mudança até ser de todo impossível continuar a insistir na ortografia que aprendemos na escola.
Mas, por aqui, vou continuar a escrever como sempre. É que neste cantinho, quem manda sou eu.
Mas, por aqui, vou continuar a escrever como sempre. É que neste cantinho, quem manda sou eu.
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Carta ao chefe
Querido Chefe,
Todos sabemos que não é por maldade, nem por defeito, nem por má vontade. Todos sabemos que cada um é como é, e pouco ou nada pode fazer para mudar. Todos sabemos que o querido chefinho sempre foi assim e que não é agora, quase na reforma, que vai mudar. Todos sabemos que, no seu caso, a estupidez, a parvoíce, a burrice e a inconveniência são inatas. Todos sabemos que a incompetência constitui uma característica profundamente enraizada no seu carácter. Todos sabemos que complica as situações mais simples e gosta de armar confusão. Todos sabemos que entra em pânico quando lhe pedem um trabalhito com mais urgência. Todos sabemos que é picuinhas até mais não. Todos sabemos que adora ver-nos a stressar. Todos sabemos que gosta mesmo é de nos irritar e aborrecer com esse feitio insuportável. Todos sabemos que se acha o maior da sua rua e arredores, que é o único que está sempre certo e que tem sempre razão. Todos sabemos que adora fazer-nos perder tempo e repetir até à exaustão os mesmos assuntos. Todos sabemos que gosta muito de se ouvir, nesse tom monocórdico que ninguém aguenta por mais de dois minutos. Todos sabemos que adora ter uma plateia atenta a escutá-lo, a beber cada uma das suas palavras. Todos sabemos que não é isso que acontece, mas não há nada a fazer. A única coisa que não sabemos é como ainda tem quem o ature em casa, mas isso também não nos diz respeito.
Todos sabemos que tudo isto é verdade. Mas nem por isso temos mais paciência para o aturar. Assim sendo, sugerimos que vá ali atirar-se da ponte ou para debaixo do comboio ou que dê um tiro nos miolos. Era um favor tão grande que nos fazia! Acredite, ficar-lhe-íamos eternamente gratos.
Atenciosamente,
Tulipa Negra e colegas
Todos sabemos que não é por maldade, nem por defeito, nem por má vontade. Todos sabemos que cada um é como é, e pouco ou nada pode fazer para mudar. Todos sabemos que o querido chefinho sempre foi assim e que não é agora, quase na reforma, que vai mudar. Todos sabemos que, no seu caso, a estupidez, a parvoíce, a burrice e a inconveniência são inatas. Todos sabemos que a incompetência constitui uma característica profundamente enraizada no seu carácter. Todos sabemos que complica as situações mais simples e gosta de armar confusão. Todos sabemos que entra em pânico quando lhe pedem um trabalhito com mais urgência. Todos sabemos que é picuinhas até mais não. Todos sabemos que adora ver-nos a stressar. Todos sabemos que gosta mesmo é de nos irritar e aborrecer com esse feitio insuportável. Todos sabemos que se acha o maior da sua rua e arredores, que é o único que está sempre certo e que tem sempre razão. Todos sabemos que adora fazer-nos perder tempo e repetir até à exaustão os mesmos assuntos. Todos sabemos que gosta muito de se ouvir, nesse tom monocórdico que ninguém aguenta por mais de dois minutos. Todos sabemos que adora ter uma plateia atenta a escutá-lo, a beber cada uma das suas palavras. Todos sabemos que não é isso que acontece, mas não há nada a fazer. A única coisa que não sabemos é como ainda tem quem o ature em casa, mas isso também não nos diz respeito.
Todos sabemos que tudo isto é verdade. Mas nem por isso temos mais paciência para o aturar. Assim sendo, sugerimos que vá ali atirar-se da ponte ou para debaixo do comboio ou que dê um tiro nos miolos. Era um favor tão grande que nos fazia! Acredite, ficar-lhe-íamos eternamente gratos.
Atenciosamente,
Tulipa Negra e colegas
1 de julho de 2010
Diálogos verídicos
As frases seguintes estão, obviamente, retiradas do contexto original. Mas garanto que, se conhecessem o contexto, não ficariam mais esclarecidos (lamento, vão ter de acreditar em mim). Começo a achar que tenho amigos muito estranhos...
- Quando vou meter gasolina e abro a folha de Excel não dá jeito nenhum!
Minutos depois, a mesma alminha:
- Vocês não têm nada para apertar?
- Quando vou meter gasolina e abro a folha de Excel não dá jeito nenhum!
Minutos depois, a mesma alminha:
- Vocês não têm nada para apertar?
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conversas
Pensamento da tarde
A vontade de trabalhar é inversamente proporcional à quantidade de trabalho que tenho para fazer.
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trabalho
Sabemos que...
...o filme é europeu quando, nos primeiros dois minutos, vemos um nu frontal masculino.
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