3 de agosto de 2010

As coisas que se fazem por amor

Eu, por exemplo, interrompo as minhas férias para ir ver um jogo de futebol entre o Benfica e o Tottenham ao estádio da Luz. Eu que nem ligo ao futebol e, mal por mal, prefiro o verde, eu que  na vida só vi um jogo de futebol profissional ao vivo e foi a selecção nacional contra o Liechtenstein algures no século passado (ganhámos para aí por 10 a 0) vou embrenhar-me no mundo dos grunhos vermelhos, vou torcer para que desta vez a águia prefira atacar a cabeleira loira do Jorge Jesus em vez do naco de carne, vou atirar amendoins às bancadas de baixo e vou gritar penalti sempre que me der na cabeça. Já que me estragam metade de um dia de férias e nem sequer me permitem refastelar-me com um faustoso jantar porque decidem marcar a coisa para a pior hora possível, ao menos divirto-me. Portanto, se mais logo virem nas notícias que a espectadora mais gira do estádio, a única com um aspecto decente mas que teve o azar de estar vestida de verde, foi selvaticamente atacada por uma cambada de energúmenos, já sabem que sou eu.

2 de agosto de 2010

Alguém me sabe explicar

O que raio é um Sing Along Alentejano?

É Verão, está calor e eu tenho preguiça de procurar no Google...

Nem sei como sobrevivi sem isto

Segundo o DN, foi lançado o Manual de etiqueta nos transportes públicos. O documento destina-se a ensinar as regras básicas de comportamento nos autocarros, metro e comboios. Muito bem, à primeira vista e tendo em conta o nível de civismo dos utilizadores, pode até ser pertinente. E conselhos como "usar roupa fresca" no Verão são, de facto, úteis. O que não falta por aí é gente de camisolas de lã em Agosto, realmente. Também gosto destes: "manter acessos livres" e "não bloquear saídas". Especialmente em hora de ponta, deve ser fácil.
Mas já que se deram ao trabalho de elaborar um documento tão importante, como é que puderam esquecer-se de aconselhar os passageiros a tomar banho regularmente e a não assaltar os outros? E já agora aproveitavam e redigiam também uma coisa semelhante para os motoristas de autocarro - no mínimo, a aconselhá-los a ser simpáticos.

1 de agosto de 2010

No restaurante

Na televisão, o telejornal mostrava mais uma vez a mesma peça sobre a morte de António Feio, as mesmas imagens, as mesmas pessoas e as mesmas palavras repetidas tantas vezes que já todos as conhecíamos de cor e salteado, mas ainda assim fez-se silêncio e ninguém desviava o olhar do aparelho pendurado praticamente no tecto. Até que uma senhora na mesa ao lado da minha exclama para o companheiro:

- Eu vi-o uma vez fazer um monólogo genial. Sozinho!

31 de julho de 2010

Dia Mundial do Orgasmo

É hoje. Sabiam? Vão comemorar, vá.

30 de julho de 2010

Da minha janela

Ele para à esquina ao vê-la subir a rua. Ela apressa o passo, desvia-se de um carro estacionado em cima do passeio e vai ter com ele, o sorriso rasgado nos lábios, inconscientemente. Ele disfarça os nervos olhando para o telemóvel, como a indicar que há outras pessoas com quem poderia estar - mas não há, e ambos o sabem muito bem. Quando finalmente se aproximam, ele beija-lhe a face, junto ao pescoço, um único beijo muito mais revelador do que se a tivesse beijado nos lábios. Tira-lhe o saco do ginásio que ela carregava ao ombro, dá-lhe a mão, e seguem o seu caminho a olhar-se nos olhos.

Lei de Murphy, versão Tulipa Negra

O ar condicionado do carro avaria sempre no pino do Verão, quando as temperaturas se aproximam perigosamente dos 40º, imediatamente antes de uma viagem longa e quando a oficina habitual está fechada para férias.

A última mensagem

29 de julho de 2010

Ainda a TV diurna

Por que é que existe um programa chamado "As Tardes da Júlia" cuja apresentadora se chama Cristina Ferreira?

Ouvido na TV

E diz uma senhora do público assim que lhe põem o microfone à frente:

- O homem que eu mais amei, e com quem não casei, conheci-o aqui.

O verdadeiro serviço público

Isto de ir de férias e apanhar uma gripe logo no primeiro dia tem as suas vantagens. Já que não posso sair de casa, aproveito para ver os maravilhosos programas que a televisão tem para oferecer durante o dia. Precisamente num desses programas (no caso, na RTP 1) descobri alguma da melhor música portuguesa actual, devidamente acompanhada pelo João Baião aos saltos (há que reconhecer que não é qualquer um que aguenta um programa de mais de 5 horas sempre naquele ritmo, que ele tem energia, lá isso tem). Ora bem, deixo-vos aqui alguns exemplos que achei por bem partilhar convosco, já que não sou egoísta.

O primeiro é o Zé do Pipo, pelo que me parece um pretendente ao trono do Quim Barreiros. Embora neste vídeo não se veja bem, o bigode é falso e, na actuação durante o programa, estava meio descolado, o que lhe dava um ar ainda mais parvo interessante.



Seguiram-se as Cravo e Canela, duas moças com tanto jeito para cantar e dançar como eu, com a diferença que eu não vou fazer figuras tristes para a televisão.




Houve ainda o José Qualquercoisa Reis, que nitidamente pretende capitalizar com a utilização de um nome parecido com o do José Alberto Reis, esse grande vulto da pimbalhada música romântica portuguesa. O melhor deste era mesmo o coro, com fatos a lembrar os vestidos de espanhola que as meninas usam no Carnaval. Mas como não me lembro do nome exacto do senhor, não há vídeo a ilustrar.

Ainda actuaram também o Emanuel, que dispensa apresentações, o Graciano Saga, mas esse já teve direito a destaque aqui há uns dias, assim como um grupo de Kuduro que se queixava do calor que estava para andar a fazer aquelas piruetas. Pudera! Estavam na praia do Baleal, às 4 da tarde, à torreira do sol, todos vestidos incluindo gravata. Esperavam o quê, neve?

Escusado será dizer que todas estas actuações em directo foram realizadas no mais puro e mal disfarçado playback. E pronto, assim se alargam os horizontes musicais das domésticas, doentes, reclusos e outras pessoas que não podem sair de casa. Este sim, é o verdadeiro serviço público.

24 de julho de 2010

Programa para as próximas semanas

Férias. Sol. Mar. Praia. Família. Amigos. Descansar. Dormir. Viajar. Passear. Livros. Cinema. E tudo o que não consigo fazer durante o resto do ano.

Primeiro destino


Seguem-se uns dias por estas bandas

Foto tirada da Internet

E mais uns num sítio parecido com este

Foto tirada da Internet

O que significa que, durante uns tempos, isto por aqui vai andar (um bocadinho) parado. Mas eu volto...

23 de julho de 2010

Ainda bem que eu vou de avião

Oiçam bem até ao fim. A história é trágica e a letra é de fazer chorar as pedras da calçada.



Agradeço à minha amiga L. por me ter dado a conhecer esta pérola da música portuguesa.

Para acabar em beleza

Por que carga de água é que no último dia de trabalho antes das férias tem sempre de aparecer alguma coisa grande, importante e urgente para fazer?

22 de julho de 2010

A parvoíce continua, agora na TV

Eu não dizia que isto tinha saído da mente brilhante de um publicitário?



Gosto especialmente do ar convincente do senhor com idade para ser meu avô, representante de uma geração que provavelmente nunca bebeu um chá (nem quente, quanto mais gelado!) que isso é coisa de meninos, tragam-lhe mas é uma mine e uma sandes de torresmos. Foi com esta que me convenceram a assinar a petição.

E ao terceiro dia...

... a parabólica ressuscitou.

Não faço ideia se lhe deram a volta à cabeça, se o caramelo arranjou alguma coisa, se o vigarista reapareceu nem se o vizinho regressou de férias mais cedo por receber um telefonema anónimo a informá-lo de uma fuga de gás em casa. O que sei é que liguei a televisão e a RTP, a SIC e a TVI voltaram (obra do demo, de certeza absoluta), assim como todos os outros canais que tinham desaparecido para parte incerta. Pronto, esta noite já me posso informar do estado do país. Ou se calhar é melhor não...

Regresso ao futuro

O programa informático onde tenho de fazer o pedido de férias fez o favor de me dar esta informação preciosa:

Error: you cannot return before you leave!!!!

Ora ainda bem que me avisam, não fosse eu decidir regressar de férias ainda antes de partir. Sei lá que consequências é que isso teria para a minha saúde. E além disso não quero ir presa por desrespeitar as leis da física...

Está explicado

Recebido por e-mail

21 de julho de 2010

Nem mais

 

Tirado daqui

A parabólica queimou os neurónios

De repente, deixei de ter uma série de canais da TVCabo, que recebo por satélite. Assim, de um minuto para o outro, livrei-me da RTP, da SIC, da TVI (é nestes momentos que acredito piamente que Deus existe), entre outros. Restam-me uns quantos de séries, a SIC Mulher e Radical, a MTV e pouco mais.

Embora não seja perita na coisa, andei às voltas com as definições do receptor, procurando os canais de forma automática, manual, por frequência, por estação, por cor do cabelo do apresentador do programa... Em vão. Nada. Niente. Nothing. Rien. Nichts. (Agora reparo que os franceses têm mesmo a mania de ser diferentes, até para “nada” tinham de começar a palavra por outra letra… mas isto fica para outra altura.)

Liguei para o cigano (nas palavras de um colega meu e sem desprimor para qualquer cigano verdadeiro que por acaso calhe a passar por aqui) que me vendeu o sistema todo há mais de um ano, a perguntar o que fazer. Depois de ele muito falar e eu nada entender, lá consegui perceber que ele me aconselhava a repor as definições de origem do aparelho. Assim fiz. Foi pior a emenda que o soneto: se até aí ainda tinha meia dúzia de canais, agora não tenho nenhum. Voltei a tentar a pesquisa, de toda a maneira e feitio, mas o resultado foi o mesmo: nada. Entretanto, e como a hora já ia avançada, decidi deixar para hoje para tentar resolver a questão.

Liguei para o caramelo (aparentemente este não é cigano) que instalou a antena parabólica e fez as ligações todas no prédio. Diz-me ele que o problema deve ser da cabeça da antena, que deve ter avariado. (Pois, cabeças avariadas é o que não falta para aí, pensei eu...) Para resolver, tem de ir lá ver ao vivo e a cores, mas para isso é preciso que a administração do condomínio o contacte directamente e que o vizinho, cujo apartamento dá acesso ao telhado, esteja em casa. Aqui só vejo dois pequeninos, minúsculos, quase invisíveis problemas: o primeiro, é que o vigarista que gere o condomínio anda desaparecido há mais de um ano, embora continue a receber todos os meses; o segundo, é que, com a sorte que tenho, provavelmente o vizinho já foi de férias.