Há 44 minutos
31 de julho de 2010
30 de julho de 2010
Da minha janela
Ele para à esquina ao vê-la subir a rua. Ela apressa o passo, desvia-se de um carro estacionado em cima do passeio e vai ter com ele, o sorriso rasgado nos lábios, inconscientemente. Ele disfarça os nervos olhando para o telemóvel, como a indicar que há outras pessoas com quem poderia estar - mas não há, e ambos o sabem muito bem. Quando finalmente se aproximam, ele beija-lhe a face, junto ao pescoço, um único beijo muito mais revelador do que se a tivesse beijado nos lábios. Tira-lhe o saco do ginásio que ela carregava ao ombro, dá-lhe a mão, e seguem o seu caminho a olhar-se nos olhos.
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Lei de Murphy, versão Tulipa Negra
O ar condicionado do carro avaria sempre no pino do Verão, quando as temperaturas se aproximam perigosamente dos 40º, imediatamente antes de uma viagem longa e quando a oficina habitual está fechada para férias.
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29 de julho de 2010
Ainda a TV diurna
Por que é que existe um programa chamado "As Tardes da Júlia" cuja apresentadora se chama Cristina Ferreira?
Ouvido na TV
E diz uma senhora do público assim que lhe põem o microfone à frente:
- O homem que eu mais amei, e com quem não casei, conheci-o aqui.
- O homem que eu mais amei, e com quem não casei, conheci-o aqui.
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televisão
O verdadeiro serviço público
Isto de ir de férias e apanhar uma gripe logo no primeiro dia tem as suas vantagens. Já que não posso sair de casa, aproveito para ver os maravilhosos programas que a televisão tem para oferecer durante o dia. Precisamente num desses programas (no caso, na RTP 1) descobri alguma da melhor música portuguesa actual, devidamente acompanhada pelo João Baião aos saltos (há que reconhecer que não é qualquer um que aguenta um programa de mais de 5 horas sempre naquele ritmo, que ele tem energia, lá isso tem). Ora bem, deixo-vos aqui alguns exemplos que achei por bem partilhar convosco, já que não sou egoísta.
O primeiro é o Zé do Pipo, pelo que me parece um pretendente ao trono do Quim Barreiros. Embora neste vídeo não se veja bem, o bigode é falso e, na actuação durante o programa, estava meio descolado, o que lhe dava um ar ainda mais parvo interessante.
Seguiram-se as Cravo e Canela, duas moças com tanto jeito para cantar e dançar como eu, com a diferença que eu não vou fazer figuras tristes para a televisão.
Houve ainda o José Qualquercoisa Reis, que nitidamente pretende capitalizar com a utilização de um nome parecido com o do José Alberto Reis, esse grande vulto da pimbalhada música romântica portuguesa. O melhor deste era mesmo o coro, com fatos a lembrar os vestidos de espanhola que as meninas usam no Carnaval. Mas como não me lembro do nome exacto do senhor, não há vídeo a ilustrar.
Ainda actuaram também o Emanuel, que dispensa apresentações, o Graciano Saga, mas esse já teve direito a destaque aqui há uns dias, assim como um grupo de Kuduro que se queixava do calor que estava para andar a fazer aquelas piruetas. Pudera! Estavam na praia do Baleal, às 4 da tarde, à torreira do sol, todos vestidos incluindo gravata. Esperavam o quê, neve?
Escusado será dizer que todas estas actuações em directo foram realizadas no mais puro e mal disfarçado playback. E pronto, assim se alargam os horizontes musicais das domésticas, doentes, reclusos e outras pessoas que não podem sair de casa. Este sim, é o verdadeiro serviço público.
24 de julho de 2010
Programa para as próximas semanas
Férias. Sol. Mar. Praia. Família. Amigos. Descansar. Dormir. Viajar. Passear. Livros. Cinema. E tudo o que não consigo fazer durante o resto do ano.
Primeiro destino
Seguem-se uns dias por estas bandas
E mais uns num sítio parecido com este
O que significa que, durante uns tempos, isto por aqui vai andar (um bocadinho) parado. Mas eu volto...
Primeiro destino
Seguem-se uns dias por estas bandas
Foto tirada da Internet
Foto tirada da Internet
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23 de julho de 2010
Ainda bem que eu vou de avião
Oiçam bem até ao fim. A história é trágica e a letra é de fazer chorar as pedras da calçada.
Agradeço à minha amiga L. por me ter dado a conhecer esta pérola da música portuguesa.
Agradeço à minha amiga L. por me ter dado a conhecer esta pérola da música portuguesa.
Para acabar em beleza
Por que carga de água é que no último dia de trabalho antes das férias tem sempre de aparecer alguma coisa grande, importante e urgente para fazer?
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22 de julho de 2010
A parvoíce continua, agora na TV
Eu não dizia que isto tinha saído da mente brilhante de um publicitário?
Gosto especialmente do ar convincente do senhor com idade para ser meu avô, representante de uma geração que provavelmente nunca bebeu um chá (nem quente, quanto mais gelado!) que isso é coisa de meninos, tragam-lhe mas é uma mine e uma sandes de torresmos. Foi com esta que me convenceram a assinar a petição.
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E ao terceiro dia...
... a parabólica ressuscitou.
Não faço ideia se lhe deram a volta à cabeça, se o caramelo arranjou alguma coisa, se o vigarista reapareceu nem se o vizinho regressou de férias mais cedo por receber um telefonema anónimo a informá-lo de uma fuga de gás em casa. O que sei é que liguei a televisão e a RTP, a SIC e a TVI voltaram (obra do demo, de certeza absoluta), assim como todos os outros canais que tinham desaparecido para parte incerta. Pronto, esta noite já me posso informar do estado do país. Ou se calhar é melhor não...
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Regresso ao futuro
O programa informático onde tenho de fazer o pedido de férias fez o favor de me dar esta informação preciosa:
Error: you cannot return before you leave!!!!
Ora ainda bem que me avisam, não fosse eu decidir regressar de férias ainda antes de partir. Sei lá que consequências é que isso teria para a minha saúde. E além disso não quero ir presa por desrespeitar as leis da física...
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21 de julho de 2010
A parabólica queimou os neurónios
De repente, deixei de ter uma série de canais da TVCabo, que recebo por satélite. Assim, de um minuto para o outro, livrei-me da RTP, da SIC, da TVI (é nestes momentos que acredito piamente que Deus existe), entre outros. Restam-me uns quantos de séries, a SIC Mulher e Radical, a MTV e pouco mais.
Embora não seja perita na coisa, andei às voltas com as definições do receptor, procurando os canais de forma automática, manual, por frequência, por estação, por cor do cabelo do apresentador do programa... Em vão. Nada. Niente. Nothing. Rien. Nichts. (Agora reparo que os franceses têm mesmo a mania de ser diferentes, até para “nada” tinham de começar a palavra por outra letra… mas isto fica para outra altura.)
Liguei para o cigano (nas palavras de um colega meu e sem desprimor para qualquer cigano verdadeiro que por acaso calhe a passar por aqui) que me vendeu o sistema todo há mais de um ano, a perguntar o que fazer. Depois de ele muito falar e eu nada entender, lá consegui perceber que ele me aconselhava a repor as definições de origem do aparelho. Assim fiz. Foi pior a emenda que o soneto: se até aí ainda tinha meia dúzia de canais, agora não tenho nenhum. Voltei a tentar a pesquisa, de toda a maneira e feitio, mas o resultado foi o mesmo: nada. Entretanto, e como a hora já ia avançada, decidi deixar para hoje para tentar resolver a questão.
Liguei para o caramelo (aparentemente este não é cigano) que instalou a antena parabólica e fez as ligações todas no prédio. Diz-me ele que o problema deve ser da cabeça da antena, que deve ter avariado. (Pois, cabeças avariadas é o que não falta para aí, pensei eu...) Para resolver, tem de ir lá ver ao vivo e a cores, mas para isso é preciso que a administração do condomínio o contacte directamente e que o vizinho, cujo apartamento dá acesso ao telhado, esteja em casa. Aqui só vejo dois pequeninos, minúsculos, quase invisíveis problemas: o primeiro, é que o vigarista que gere o condomínio anda desaparecido há mais de um ano, embora continue a receber todos os meses; o segundo, é que, com a sorte que tenho, provavelmente o vizinho já foi de férias.
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20 de julho de 2010
Sinto-me uma princesa
E não é que os queridos do departamento de obras da câmara municipal que me acordaram cedo no sábado e me prenderam em casa no domingo voltaram à carga? Não só não asfaltaram coisa nenhuma como ainda abriram um fosso ao longo da rua com, pelo menos, uns 2 metros de profundidade. De maneira que agora, para entrar ou sair da garagem, tenho de passar por cima de umas chapas metálicas com um ar ferrugento e periclitante que parecem estar prestes a cair a qualquer momento, basta o carro ou o condutor ser ligeiramente mais pesado. Estacionar na rua está fora de questão, porque o local previsto para o efeito é actualmente um fosso. Se chover esta noite, como parece que está previsto, podemos arranjar um crocodilos e ficamos protegidos dos invasores.
Quando era criança, eu costumava imaginar como seria viver num castelo ou num palácio. Obrigada aos senhores das obras por me proporcionarem essa experiência. Repito: eu não mereço tanto carinho!
Quando era criança, eu costumava imaginar como seria viver num castelo ou num palácio. Obrigada aos senhores das obras por me proporcionarem essa experiência. Repito: eu não mereço tanto carinho!
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coisas que me irritam
Silly Season
Pois é, parece que a festa continua, embora hoje não haja bebés nem pratos nem talheres e nem copos. Só há mesmo um monte de gente sentada à conversa. Durante o horário de trabalho.
Eu também não estou a fazer nada de muito útil, mas pelo menos estou enfiada no meu gabinete, a disfarçar.
Eu também não estou a fazer nada de muito útil, mas pelo menos estou enfiada no meu gabinete, a disfarçar.
Dia do Amigo
A todos os meus amigos.
Procura-se um amigo
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinicius de Moraes
Procura-se um amigo
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinicius de Moraes
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amizades
19 de julho de 2010
Sai um dicionário prá mesa do canto!
Se calhar isto já não é novidade para ninguém, mas eu acabei de descobrir que há por aí um movimento que quer incluir no dicionário de língua portuguesa a palavra Mudasti. Até têm uma petição online e tudo (no momento em que escrevo, tem 113 assinaturas - vá lá, os doidos ainda não são assim tantos).
Pelo que me lembro, isto foi um termo inventado por uma marca de refrigerantes para uma campanha publicitária. Evitavam dizer Iced Tea (a marca concorrente) e incentivavam à mudança. Pronto, percebe-se. Sinceramente, sempre achei a palavra perfeitamente idiota, mas pronto, é publicidade e de vez em quando aparecem uma coisas parvas. Tudo bem até aqui.
Só que agora, não contentes com a publicidade, que é paga, e talvez aproveitando a onda do novo acordo ortográfico, lembraram-se que afinal a palavra já é tão usada que até deve figurar no dicionário. Ora, é certo que eu já não pertenço à geração mais jovem, mas conheço alguns elementos e nunca, mas nunca em ocasião nenhuma, os ouvi usar tal palavra. De resto, o texto da petição reza o seguinte:
Somos o “Movimento Mudasti no Dicionário”.
Representamos todos os portugueses que desejam ver definido nos dicionários da Língua Portuguesa - começando por aquele compilado pela Academia de Ciências de Lisboa - o significado desta nova palavra já utilizada por grande parte dos cidadãos nacionais, independentemente da região de onde são naturais.
Defendemos que a palavra “MUDASTI” merece uma chamada no dicionário.
Trata-se, de facto, de uma palavra que se impôs no léxico da nova geração e cujo significado já está enraizado na cultura popular portuguesa.
Como novo termo do Português moderno, “MUDASTI” começou a ser utilizada em 2005, a partir de um repto publicitário que incitava todos os portugueses a mudar de iced tea (chá gelado).
Mas, rapidamente os portugueses se apoderaram da palavra, encontrando nela a definição ideal para incentivar a mudança de um modo geral. Uma palavra curta e facilmente mnemonizável, que se converteu num incentivo ao abandono de um passado pouco memorável e ao agarrar de um futuro digno dos sonhos de cada um.
Hoje, são imensas as palavras insignificantes com sentidos imperceptíveis como “opidano”, “ingresia” ou “exaurir” que se mantêm presentes nos dicionários da Língua Portuguesa.
Ao mesmo tempo, encontramos nos mesmos dicionários palavras que há muito gostaríamos de ter deixado de utilizar como “crise”, “imposto”, “desemprego” ou “pobreza”.
Se palavras como estas têm um espaço no dicionário, “MUDASTI” merece o seu lugar.
Posto isto, só me resta acrescentar duas ou três coisinhas:
A primeira é que o dicionário da Academia de Ciência de Lisboa é uma bela mer... porcaria. Se nem "robalo" lá vem mencionado, havia de vir agora o mudasti! (Se não acreditam, vão lá ver.)
A segunda é que um dicionário não é um repositório de palavras agradáveis. Por muito que nos custe, a crise, o imposto, o desemprego, a pobreza, e eu acrescentaria a guerra, a fome, a miséria, a catástrofe, entre tantas outras, irão continuar a aparecer em todos os dicionários pelo simples motivo de serem palavras da língua portuguesa.
A terceira é que os dicionários existem também para ajudar a perceber essas palavras com sentidos imperceptíveis.
Alguém devia informar disto os senhores da agência publicitária da Nestea - sim, porque esta ideia brilhante só pode ter saído da cabeça de um publicitário.
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