Há 12 horas
19 de julho de 2010
Silly Season
Desde manhã que só oiço gente na conversa, a rir, bebés a palrar, copos e talheres a tilintar… Só falta uma musiquinha para a festa ser completa. Tudo aqui à minha porta. Entre o pessoal que foi de férias e os outros que não foram mas gostavam de ter ido, começo a achar que devo ser a única pessoa por aqui que ainda trabalha alguma coisa.
Eu pensava que já tinha visto tudo
Eis senão quando abro a minha conta do Facebook, logo pela manhã, e vejo fotos de um joelho todo rebentado, com sangue a escorrer pela perna, só faltava mesmo ver-se o osso. Ainda por cima, o caramelo achou que era giro ter esta imagem como fotografia do perfil.
Que se lixe a quintarola, está na hora de mudar de amigos!
Que se lixe a quintarola, está na hora de mudar de amigos!
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Pânico!
Acabei de perceber que durante esta semana vou estar sozinha com o chefe aqui no serviço. Agora é que dava mesmo jeito o tal atestado médico.
18 de julho de 2010
Telefonemas
Tomara que todos os telefonemas com a família durassem os 2 minutos do costume pois era sinal de que estava tudo bem. Sempre que a conversa é mais prolongada é porque há algum problema, e normalmente grave.
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pensamentos
Sair da rotina
Sentada à secretária, deu por si a pensar que não gostava da vida que tinha. Não gostava do emprego, do que fazia, do sítio onde morava, de ainda viver com os pais quase aos 30 anos. Sentia-se presa e acomodada naquela rotina de onde ainda não tinha tido coragem para sair. Levantava-se todos os dias à mesma hora, saía de casa, entrava no carro, fazia os 50km de auto-estrada até chegar ao emprego, entrava e sentava-se atrás da secretária. Falava com os colegas apenas o indispensável, pois não gostava deles - e parecia-lhe que eles também não gostavam dela. Até com o patrão falava apenas quando não podia deixar de ser. Afinal, aquele era um emprego provisório, enquanto não arranjava outro mais de acordo com as suas capacidades e habilitações. Não tinha andado a estudar tantos anos para acabar como assistente de um tipo que não tinha sequer o ensino secundário completo.
Ao fim do dia, voltava a entrar no carro e a fazer os mesmos 50Km de auto-estrada até chegar a casa. Cansada, sem vontade de estar com ninguém, ainda assim arranjava forças para conversar com os pais durante o jantar, antes de sair com o namorado. O namorado, de quem também não sabia se gostava. Ou antes, gostava dele, não sabia se gostava de estar com ele, o que são coisas bem distintas. Ele parecia gostar realmente dela, fazia de tudo para a ver feliz. Mas ela não se sentia feliz. Ele trabalhava e estudava ao mesmo tempo, mas a ela parecia-lhe que ele não se esforçava por terminar o curso, embora se queixasse constantemente do emprego que tinha. Um falso ambicioso, sem vontade de fazer fosse o que fosse por mudar a situação, era assim que ela o via. E a certa altura começou a arranjar desculpas para se verem cada vez com menos frequência
Naquele dia, sentada à secretária, decidiu que tinha de fazer alguma coisa para mudar a sua vida. Levantou-se, entrou no gabinete do patrão e despediu-se. Sentiu um alívio, como se lhe tirassem um peso de cima dos ombros. Saiu sem olhar para trás, entrou no carro e ligou ao namorado. Disse-lhe que queria acabar tudo, não por não gostar dele, mas porque às vezes não basta gostar. Sentiu-se ainda mais aliviada.
E agora sem emprego, sem namorado, sem saber o que iria ser a sua vida, estava finalmente livre. E feliz.
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Sabemos que...
...alguma coisa não está bem quando durante horas temos na cara uns óculos que não são os nossos e só damos por isso quando os tiramos.
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17 de julho de 2010
79 anos, viúva, 3 filhos, 6 netos
Sempre teve alguns problemas de saúde, embora nada de muito grave. Naturalmente, com a idade esses problemas agravaram-se e outros surgiram inesperadamente. Nos últimos tempos, com a artrite reumatóide que entretanto também a atacou, quase não consegue andar. Ainda assim, quase sem se poder mexer, todos os dias faz o almoço para os netos mais novos. Desde que ficou viúva, a sua companhia é um gato que a neta lhe arranjou. Continua a sair de casa, quando pode, para fazer as suas compras, ir ao médico ou ao convívio da terceira idade. Mas como é, e sempre foi, muito teimosa, não pede ajuda a ninguém e acha que consegue fazer tudo sozinha. Nem ao filho que mora no apartamento do lado. Tem um feitio insuportável. É daquelas pessoas que acha que tem sempre razão e nem quando lhe provam, sem margem para dúvidas que está errada, nem aí dá o braço a torcer. Orgulhosa até dizer basta.
Agora, há coisa de uma semana, adoeceu a sério. Foi parar ao hospital, de urgência, e tem estado de cama nos últimos dias. O filho mais velho mora a uns 40Km de distância, o do meio no apartamento do lado e a filha mais nova emigrou, embora esteja actualmente de férias em Lisboa. Todos têm família e uma vida ocupada, naturalmente. Ainda assim, é a mãe que está doente, de cama. Pois quem tem ido ajudá-la é uma irmã, que mora longe e vem todos os dias, e uma vizinha. A nora que mora ao lado diz que anda doente e até ontem nem a tinha ido ver. A filha, passou por lá ontem e hoje, sendo que segunda-feira regressa ao trabalho. O outro filho apareceu hoje. Decidiram que vão arranjar alguém para lhe dar o almoço e limpar a casa. Como para compensar o facto de terem estado ausentes durante estes dias, agora tomam decisões, discutem, dão murros na mesa e trocam acusações.
O certo é que esta mulher de 79 anos, viúva, com 3 filhos e 6 netos, que sempre gostou de mandar nos outros e de dar ordens, de repente se vê numa cama, sozinha, indefesa e dependente da boa vontade alheia. Esperamos que seja apenas uma fase passageira e que daqui a dias já esteja a reclamar com toda a gente, como é seu hábito. Ainda assim, esta situação é um vislumbre do que a (nos?) espera. E não é nada bonito.
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Nunca mais é segunda-feira
E quando finalmente há um dia em que posso dormir até mais tarde, os queridos do departamento de obras da câmara municipal lembram-se de acabar os trabalho que já duram aqui na rua pelo menos há 3 anos, mesmo por baixo da janela do meu quarto. E de começar logo de manhã, pela fresquinha, que isto durante o dia aquece e ninguém aguenta trabalhar com o calor. E como não conseguem acabar tudo hoje que aquilo é obra para durar muito tempo, parece que amanhã voltam à carga, para colocar o asfalto novo. Com a diferença que amanhã a rua vai estar completamente cortada ao trânsito, não se podendo sequer entrar ou sair das garagens. Ou seja, não só fazem o favor de me acordar cedo ao fim-de-semana, como ainda me deixam presa em casa. Eu não mereço tanto carinho...
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16 de julho de 2010
Aos papéis
Pedem-nos encarecidamente, que é como quem diz dão-nos uma ordem, que passemos a destruir todos os documentos de que já não precisamos nas maquinetas existentes para o efeito. Não interessa se são confidenciais ou não, é tudo para destruir. E porquê? Porque um iluminado responsável pela segurança diz que encontrou alguns documentos num caixote do lixo na rua.
A pergunta que se impõe: a que propósito é que um tipo com um cargo importante anda aos caixotes? E que mais é que ele terá encontrado que não nos disse?
A pergunta que se impõe: a que propósito é que um tipo com um cargo importante anda aos caixotes? E que mais é que ele terá encontrado que não nos disse?
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Ser ou não estar, eis a questão
Explicar a um estrangeiro a diferença entre ser e estar é uma tarefa quase impossível. No mínimo, é difícil. Isto porque essa diferença não existe na maioria das línguas europeias (das que eu conheço, pelo menos, que eu não falo do que não sei, portanto não me perguntem se em letão, checo, húngaro ou outra do género também é assim que eu não vos sei responder - mas posso tentar informar-me, se estiverem mesmo muito interessados. Não? Óptimo.). Esta situação pode complicar a vida a um estrangeiro que se esforce por falar português - e cada vez são mais, acreditem, vá-se lá saber porquê. Só mesmo um povo complicadinho como o português para se lembrar de distinguir entre um estado permanente e um estado passageiro, mas o que se vai fazer?
Ora bem, depois da cena que o meu chefe fez aqui logo pela manhã, posso dizer com toda a certeza: eu estou parva; o meu chefe é.
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15 de julho de 2010
Hipocondríacos cibernéticos
Antigamente, quando estávamos doentes, íamos ao médico (não sem antes passar pela farmácia, não fosse o farmacêutico de serviço conhecer a cura, vender-nos logo ali o remédio e poupávamos uma horas no centro de saúde). Depois, quando um médico nos diagnosticava uma qualquer doença, mais ou menos grave, limitávamo-nos a confiar e a acreditar no que ele dizia. Se o tratamento prescrito é este, nada a fazer, segue-se à risca. Quanto muito, em casos mais graves, pensávamos em pedir uma segunda ou terceira opinião (normalmente, até encontrar uma que estivesse mais de acordo com o que desejávamos). De resto, ninguém sonhava sequer em pôr em causa o que o médico dizia. Ele é que estudou, ele é que sabe. E resignávamo-nos ao destino que aquele médico nos traçava.
Hoje em dia, quando estamos doentes, consultamos a Internet para ver a que doença fatal correspondem os sintomas. Depois, já aterrorizados, em pânico, convencidos de que a qualquer segundo vamos cair para o lado, decidimos ir ao médico. Quando este nos diagnostica uma doença, mais ou menos grave, vamos direitinhos ao computador procurar novamente na Internet tudo e mais alguma coisa sobre essa doença. Em várias línguas, de preferência, porque no estrangeiro eles estão mais avançados e sabem mais do que os portuguesinhos. E qual é o resultado de horas e horas de pesquisa? Dos estudos aparentemente científicos realizados por uma universidade perdida no meio do deserto, aos artigos publicados em jornais e revistas ditos científicos que só um especialista na matéria consegue compreender, passando pelas histórias “verídicas” de quem tem ou teve a mesma doença (algumas são verdadeiros filmes de terror) e terminando nos tratamentos convencionais, alternativos, experimentais... Basicamente, uma grandessíssima confusão. Seguem-se a angústia e o medo provavelmente infundados, acompanhados por um estado depressivo, que de certeza só ajuda a piorar a situação.
Há alturas em que preferia voltar a ter só dois canais de televisão, jornais e telefonia para me informar.
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Classificados
Precisa-se de uma injecção de energia. Com urgência.
Ou, em alternativa, de um atestado médico, com ar realista, a dizer que não posso trabalhar hoje porque estou sem paciência para aturar malucos e o que me faz falta é mesmo ir embora e não voltar tão cedo.
Ou, em alternativa, de um atestado médico, com ar realista, a dizer que não posso trabalhar hoje porque estou sem paciência para aturar malucos e o que me faz falta é mesmo ir embora e não voltar tão cedo.
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14 de julho de 2010
A melhor condutora do mundo
Tenho uma colega que faz de tudo para evitar conduzir, embora tenha carta há uns 20 anos. Só pega no carro quando não pode deixar de o fazer, como para ir de casa para o trabalho e vice-versa. De resto, pendura-se sempre à boleia dos outros ou, quando não consegue, prefere ir a pé, se não for longe. Chega a dizer que não gosta de meter a marcha-atrás e, uma vez em que íamos na auto-estrada, nem sabia como meter a 5ª mudança, porque não estava habituada a usá-la. (Um pequeno parênteses para explicar que isto é verídico, não é invenção da minha fértil imaginação, eu estava lá e vi. Podem continuar a rir.) Logicamente, mesmo na auto-estrada só anda pela faixa da direita, para ultrapassar outro carro demora meia hora a pensar se faz, como faz, quando faz e, finalmente, desiste porque já não vale a pena, afinal saímos já ali na próxima. Mesmo a conduzir a direito, o pé está sempre no travão, a carregar a fundo no pedal, não vá o da frente parar e ela não ter tempo. As rotundas, como facilmente se imagina, são todas contornadas por fora, independentemente do tamanho e da saída que queira tomar. Num estacionamento coberto, dá voltas e voltas até encontrar um lugar que não esteja entre dois carros, porque já não consegue estacionar - e nem pensar em estacionar de traseira! Além do mais, tem uma atracção especial pelas colunas dos parques de estacionamento e há umas quantas onde já deixou a sua marca. Conduzir em Lisboa está fora de questão, que aquilo é tudo gente doida e sem civismo nenhum e só apitam por tudo e por nada e ela enerva-se e aí é que o caldo entorna de vez.
Pois bem, foi com esta colega que eu fui hoje almoçar. Ao contrário do habitual, não fomos no meu carro, mas no dela. A viagem dura, no máximo e parando no semáforo, cinco minutos. Foi o tempo suficiente para eu decidir que regressava a pé.
Pois bem, foi com esta colega que eu fui hoje almoçar. Ao contrário do habitual, não fomos no meu carro, mas no dela. A viagem dura, no máximo e parando no semáforo, cinco minutos. Foi o tempo suficiente para eu decidir que regressava a pé.
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Pensamento da manhã
Se em vez de andar na Internet estivesse a trabalhar, se calhar já tinha acabado o que tenho para fazer.
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13 de julho de 2010
Apetece-me
Sair daqui. Ir embora e não voltar. Levantar-me da cadeira, abrir a porta do escritório, descer no elevador, sair para a rua e ir apanhar ar fresco, sol, o vento na cara. Deixar para trás o ar condicionado e o trabalho por fazer. Passear na floresta, na cidade, junto ao rio, a pé, de bicicleta. Comer um gelado. Conversar. Sentar-me num banco de jardim a ler um livro. Cheirar as flores. Ver as crianças a brincar, os cães a correr. Abraçar-te. Beijar-te…
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Motivos para gostar de andar de transportes públicos
Num autocarro enorme vão, além do motorista, cinco passageiros. Logicamente, há vários lugares vagos. Numa paragem, entra uma senhora dos seus 50 anos, carregada de sacos, saquinhos e sacolas. Onde decide sentar-se? Ao meu lado, claro. Não contente com isto, quando me levanto para sair, em vez de erguer o seu real traseiro para me deixar passar, a senhora pega nos milhentos sacos e coloca-os no lugar de onde acabei de sair. De maneira que dei por mim presa, entre o lugar onde estava e o da frente. E eu que me encolha e me desvie, se não quiser ir em pé até à última paragem do autocarro.
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12 de julho de 2010
O Fim?
Saiu de manhã, sem destino. Fez-se à estrada sem saber onde ia. Contentou-se em seguir o caminho que a vontade lhe ia ditando. Deu por si numa praia, afinal o caminho era o que tantas vezes tinha feito. Inconscientemente, tinha seguido a estrada que lhe era mais familiar, como se fosse o carro que conhecesse o caminho e ela apenas se limitasse a girar o volante, acelerar e travar, ao sabor da vontade da máquina. No parque de estacionamento deserto, na falésia em frente à praia que tão bem conhecia, parou. Deixou-se ficar dentro do carro, cruzou os braços no volante e pousou o queixo nas mãos. Ficou assim, a olhar o mar, as ondas que rebentavam nas rochas, as gaivotas que revolteavam no céu, por entre as lágrimas que lhe escorriam pelo rosto. E pensou em tudo o que lhe acontecera e a trouxera até àquele momento. Como pudera ter sido tão ingénua? Como pudera ter ido contra todos os seus instintos? Se desde o início sabia, tinha a certeza no seu íntimo, que dali nada de bom poderia vir. E ainda assim deixara-se levar pelo coração, ignorando a razão, os amigos, a família. Acreditara, quisera acreditar, que todos estavam errados, que tudo iria correr bem. Acabara por se afastar de todos por não conseguirem vê-lo como ela o via. Agora que tudo acabara, estava só. Não tinha com quem falar, em quem confiar, nem sabia se conseguiria voltar a confiar em alguém. Sentia-se num beco sem saída, sem saber para onde se virar, sem qualquer objectivo na vida e, principalmente, sem coragem para voltar atrás e procurar ajuda. Deixara de ter uma razão para viver. E decidiu, ainda que não tivesse essa ideia quando saíra de casa umas horas antes, que o seu sofrimento acabava ali, naquele momento. Ligou o carro, olhou uma última vez o mar, as ondas, as rochas e as gaivotas...
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Afinal moro num país tropical
7h – sol, céu azul, 24º C
10h – sol, nuvens, 27º C
10h30 – calor sufocante, muitas nuvens, céu negro, vento forte
13h – calor sufocante, céu negro, chuva torrencial
13h15 – calor sufocante, céu negro
…
16h – trovoada, provavelmente (a hora pode não estar certa, mas a trovoada hoje é garantida)
…
Se tivesse praia, diria que estava no Brasil.
10h – sol, nuvens, 27º C
10h30 – calor sufocante, muitas nuvens, céu negro, vento forte
13h – calor sufocante, céu negro, chuva torrencial
13h15 – calor sufocante, céu negro
…
16h – trovoada, provavelmente (a hora pode não estar certa, mas a trovoada hoje é garantida)
…
Se tivesse praia, diria que estava no Brasil.
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