14 de julho de 2010

A melhor condutora do mundo

Tenho uma colega que faz de tudo para evitar conduzir, embora tenha carta há uns 20 anos. Só pega no carro quando não pode deixar de o fazer, como para ir de casa para o trabalho e vice-versa. De resto, pendura-se sempre à boleia dos outros ou, quando não consegue, prefere ir a pé, se não for longe. Chega a dizer que não gosta de meter a marcha-atrás e, uma vez em que íamos na auto-estrada, nem sabia como meter a 5ª mudança, porque não estava habituada a usá-la. (Um pequeno parênteses para explicar que isto é verídico, não é invenção da minha fértil imaginação, eu estava lá e vi. Podem continuar a rir.) Logicamente, mesmo na auto-estrada só anda pela faixa da direita, para ultrapassar outro carro demora meia hora a pensar se faz, como faz, quando faz e, finalmente, desiste porque já não vale a pena, afinal saímos já ali na próxima. Mesmo a conduzir a direito, o pé está sempre no travão, a carregar a fundo no pedal, não vá o da frente parar e ela não ter tempo. As rotundas, como facilmente se imagina, são todas contornadas por fora, independentemente do tamanho e da saída que queira tomar. Num estacionamento coberto, dá voltas e voltas até encontrar um lugar que não esteja entre dois carros, porque já não consegue estacionar - e nem pensar em estacionar de traseira! Além do mais, tem uma atracção especial pelas colunas dos parques de estacionamento e há umas quantas onde já deixou a sua marca. Conduzir em Lisboa está fora de questão, que aquilo é tudo gente doida e sem civismo nenhum e só apitam por tudo e por nada e ela enerva-se e aí é que o caldo entorna de vez.

Pois bem, foi com esta colega que eu fui hoje almoçar. Ao contrário do habitual, não fomos no meu carro, mas no dela. A viagem dura, no máximo e parando no semáforo, cinco minutos. Foi o tempo suficiente para eu decidir que regressava a pé.

Pensamento da manhã

Se em vez de andar na Internet estivesse a trabalhar, se calhar já tinha acabado o que tenho para fazer.

13 de julho de 2010

Apetece-me

Sair daqui. Ir embora e não voltar. Levantar-me da cadeira, abrir a porta do escritório, descer no elevador, sair para a rua e ir apanhar ar fresco, sol, o vento na cara. Deixar para trás o ar condicionado e o trabalho por fazer. Passear na floresta, na cidade, junto ao rio, a pé, de bicicleta. Comer um gelado. Conversar. Sentar-me num banco de jardim a ler um livro. Cheirar as flores. Ver as crianças a brincar, os cães a correr. Abraçar-te. Beijar-te…

Motivos para gostar de andar de transportes públicos

Num autocarro enorme vão, além do motorista, cinco passageiros. Logicamente, há vários lugares vagos. Numa paragem, entra uma senhora dos seus 50 anos, carregada de sacos, saquinhos e sacolas. Onde decide sentar-se? Ao meu lado, claro. Não contente com isto, quando me levanto para sair, em vez de erguer o seu real traseiro para me deixar passar, a senhora pega nos milhentos sacos e coloca-os no lugar de onde acabei de sair. De maneira que dei por mim presa, entre o lugar onde estava e o da frente. E eu que me encolha e me desvie, se não quiser ir em pé até à última paragem do autocarro.

12 de julho de 2010

O Fim?

 
Saiu de manhã, sem destino. Fez-se à estrada sem saber onde ia. Contentou-se em seguir o caminho que a vontade lhe ia ditando. Deu por si numa praia, afinal o caminho era o que tantas vezes tinha feito. Inconscientemente, tinha seguido a estrada que lhe era mais familiar, como se fosse o carro que conhecesse o caminho e ela apenas se limitasse a girar o volante, acelerar e travar, ao sabor da vontade da máquina. No parque de estacionamento deserto, na falésia em frente à praia que tão bem conhecia, parou. Deixou-se ficar dentro do carro, cruzou os braços no volante e pousou o queixo nas mãos. Ficou assim, a olhar o mar, as ondas que rebentavam nas rochas, as gaivotas que revolteavam no céu, por entre as lágrimas que lhe escorriam pelo rosto. E pensou em tudo o que lhe acontecera e a trouxera até àquele momento. Como pudera ter sido tão ingénua? Como pudera ter ido contra todos os seus instintos? Se desde o início sabia, tinha a certeza no seu íntimo, que dali nada de bom poderia vir. E ainda assim deixara-se levar pelo coração, ignorando a razão, os amigos, a família. Acreditara, quisera acreditar, que todos estavam errados, que tudo iria correr bem. Acabara por se afastar de todos por não conseguirem vê-lo como ela o via. Agora que tudo acabara, estava só. Não tinha com quem falar, em quem confiar, nem sabia se conseguiria voltar a confiar em alguém. Sentia-se num beco sem saída, sem saber para onde se virar, sem qualquer objectivo na vida e, principalmente, sem coragem para voltar atrás e procurar ajuda. Deixara de ter uma razão para viver. E decidiu, ainda que não tivesse essa ideia quando saíra de casa umas horas antes, que o seu sofrimento acabava ali, naquele momento. Ligou o carro, olhou uma última vez o mar, as ondas, as rochas e as gaivotas...

Afinal moro num país tropical

7h – sol, céu azul, 24º C

10h – sol, nuvens, 27º C

10h30 – calor sufocante, muitas nuvens, céu negro, vento forte

13h – calor sufocante, céu negro, chuva torrencial

13h15 – calor sufocante, céu negro



16h – trovoada, provavelmente (a hora pode não estar certa, mas a trovoada hoje é garantida)



Se tivesse praia, diria que estava no Brasil.

11 de julho de 2010

Mundial da bicharada

Periquito Mani 0 - Polvo Paul 1

10 de julho de 2010

Motivos para odiar esta terra

- O Outono (entre Setembro e Novembro): Chove o tempo todo, faz um frio de cão, começa a anoitecer cada vez mais cedo e não há nada para fazer.

- O Inverno (de Novembro a Maio): Neva, faz um frio de cão, anoitece às 4h30 da tarde e não há nada para fazer.

- A Primavera (entre Maio e Julho): Chove o tempo todo, faz um frio... de cachorro, vá lá, e não há nada para fazer.

- O Verão (Julho e Agosto, com sorte): Quando não chove o tempo todo, está um calor insuportável, não se consegue respirar, troveja ao fim de 3 dias de bom tempo, é de dia até às 10h da noite e não há nada para fazer.

Hoje apetecia-me

Almoçar um pastel de massa tenra do Frutalmeidas. Seguido de uma fatia de bolo de morango com chantilly.

Ainda não foi desta

...que o Euromilhões acertou nos meus números.

9 de julho de 2010

Longe

Eu costumo dizer que só quem passa por elas é que sabe o que custa. Visto de fora, é tudo muito bonito, parece um mar de rosas. Desenganem-se: não é. De todo. Simplesmente, colocamos um sorriso no rosto a disfarçar a dor que vai cá dentro e seguimos em frente. Fazemos de conta que está tudo bem, que corre tudo às mil maravilhas, para não preocupar os outros, porque não queremos sentir-nos culpados pelas suas angústias. Brincamos, dizemos disparates e rimos à gargalhada, mas na verdade somos como o palhaço que tem um sorriso gigante pintado no rosto, enquanto a alma está triste. Por isso ninguém compreende o que sentimos, acham estranho quando dizemos que estamos fartos e não acreditam que possa ser verdade. De vez em quando, muito raramente, descaímo-nos e confessamos que há qualquer coisa que não está bem – porque também precisamos de desabafar. Mas lembramo-nos subitamente que não queremos preocupar aquela pessoa e acabamos por dizer que é só uma dor de estômago, nada de especial. Não é nada. Nunca é. O que dói não é o estômago, é a alma e o coração. O que dói é não estar lá, naquele lugar especial, com aquelas pessoas. O que dói é a saudade. O que dói é estar longe.

Infelizmente, confirma-se

Por mais bonito que esteja o dia, por mais azul que esteja o céu, por mais brilhante que esteja o sol, por mais calor que faça, sempre que a empresa de limpezas vem lavar os vidros do edifício, chove.
Hoje não é excepção.

Assim se reconhecem os bons actores

Ben Kingsley como Itzhak Stern, em Schindler's List (1993)

Itzhak Stern: By law I have to tell you, sir, I'm a Jew.
Oskar Schindler: Well, I'm a German, so there we are.

A primeira vez que me lembro de ver Ben Kingsley no cinema foi com A Lista de Schindler. Provavelmente já tinha visto outros filmes com ele, nomeadamente Gandhi, mas era demasiado jovem para reconhecer um grande actor (era aquela fase parva em que um bom actor equivale a um tipo giro, todas as meninas passam por ela). De maneira que só com o drama da Segunda Guerra Mundial me rendi ao talento de Ben Kingsley. Itzhak Stern foi, aliás, uma das personagens que mais me marcou nesse filme, a par de Amon Goeth (interpretado por Ralph Fiennes). Desde aí, sinto uma simpatia especial pela pessoa de Ben Kingsley. Acho que tem um ar simpático e inteligente e não consigo desligar a pessoa da personagem. Não consigo, pronto. Para mim, será sempre boa pessoa, mesmo que na realidade seja o maior filho da mãe ao cimo da terra.

Por tudo isto, faz-me impressão vê-lo em papéis de mau da fita. Incomoda-me. Não sinto que seja realista. Por muito boa que seja a sua interpretação do papel de mau, eu recuso-me a acreditar que ele seja mesmo mau. A culpa é toda dele. Quem o mandou desempenhar tão bem o papel de Itzhak Stern?

8 de julho de 2010

O mau feitio saiu à rua

Hoje já é o segundo a levar uma corrida em osso. Em menos de 24 horas. Isto promete...

Não me faltava mais nada

Adoro quando pessoas que não me conhecem de parte nenhuma decidem criticar-me e corrigir-me. É que adoro mesmo. É assim uma coisa que me satisfaz, que me deixa realizada. Ainda mais quando o fazem em tom de brincadeira, como se não quisessem criticar, somos todos amigos e tal. E gosto principalmente quando depois venho a descobrir que nem sequer têm qualquer tipo de habilitação para poderem criticar e nem sabem do que falam. Gosto mesmo.

Claro que gosto ainda mais de lhes responder com conhecimento de causa e de os deixar completamente à toa e sem resposta. Provam logo uma dose do meu mau feitio e fica o caso resolvido. Depois é vê-los voltar com um sorrisinho acanhado, o rabinho entre as pernas, as falinhas mansas. Nem imaginam o gozo que isto me dá.

A propósito do post anterior

Lembrei-me que emprestei o DVD do Donnie Darko a uma colega já há uns bons 5 anos e nunca mais o vi. Por estas e por outras é que prefiro não emprestar nada a ninguém. Depois chamem-me egoísta!

The dreams in which I'm dying are the best I've ever had

7 de julho de 2010

Vou já enviar o e-mail. Espera aí sentadinho, que vai já de seguida.

Eu estava convencida que estes esquemas para sacar dinheiro aos incautos já tinham desaparecido. Pelo menos, há anos que não recebia nenhuma mensagem destas. Mas agora recebi não uma, nem duas, mas cinco de uma só vez. Todas diferentes, todas a oferecerem mundos e fundos em troca de dados pessoais (e fotos!), mas a que se segue é a minha preferida.

Diz o Sr. Miles que o meu apelido é igual ao de um falecido, pelo que tenho direito à herança. Ora tendo em conta que o Sr. Miles diz que é britânico, que o falecido também seria britânico e que o apelido em causa é "Negra"... Bom, não conheço todos os nomes existentes na Grã-Bretanha, mas suponho, imagino, calculo (para não dizer que tenho a certeza) que Negra não será um deles.

Assim sendo, Sr. Miles, agradeço imenso a sua gentileza e a preocupação com os meus direitos, mas acho que vou deixar a herança nas suas mãos, pois tenho a certeza absoluta que saberá dar-lhe o destino mais adequado.

Good Day, Be informed that my previous mail was not responded and I am not sure if it did get to you since I have not heard from you. I wish to notify you again that you were listed as a beneficiary to the total sum of 6,000,000.00 GBP (Six Million British Pounds) in the codicil and last testament of the deceased. (Name now withheld since this is our second letter to you). I contacted you because you bear the surname identity and therefore can present you as the beneficiary to the inheritance. I therefore reckoned that you could receive these funds as you are qualified by your name identity. All the legal papers will be processed upon your acceptance. Upon your acceptance of this deal, we request that you kindly forward to us your letter of acceptance, your current telephone and fax numbers and a forwarding address to enable us file necessary LEGAL documents in your name at our high court probate division for the release of the fund in question. Contact me immediately so that we can get this done. Kind regards, Mr.John Miles

Sabemos que o filme é europeu (parte 2)...

...quando o amante do morto se apaixona pela viúva. Que entretanto descobre que está grávida. Do morto.

A dura verdade

Se D. Afonso Henriques não tivesse ido às trombas à mãe, estávamos agora a disputar as meias-finais do Mundial!

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