Há 48 minutos
7 de julho de 2010
Sabemos que o filme é europeu (parte 2)...
...quando o amante do morto se apaixona pela viúva. Que entretanto descobre que está grávida. Do morto.
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A dura verdade
Se D. Afonso Henriques não tivesse ido às trombas à mãe, estávamos agora a disputar as meias-finais do Mundial!
recebida por e-mail
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When I was young I had an imaginary friend. Thanks to Facebook, I now have millions!
Segundo esta notícia do DN, as redes sociais duplicam o número de amizades de cada um, porque tornam mais fácil conhecer outras pessoas e manter os contactos. Ou seja, o Facebook e companhia substituíram os bares, cafés e outros sítios onde antigamente as pessoas se conheciam. E o telefone, para manter o contacto. Pois, isso é verdade, mas daí até considerá-los amigos vai uma grande distância. Serão conhecidos, e às vezes nem isso. Alguns são, de facto, amigos, mas porque já o eram antes de aderirem à rede. Até agora, ainda não fiz nenhum amigo novo por ter conta no Facebook, embora tenha reencontrado muitos dos antigos. Como já disse antes, tenho na minha conta pessoal "amigos" dos Estados Unidos à Índia, passando pela Itália e pela Turquia, que nunca vi antes, não sei quem são, que vida têm, se têm problemas ou se são as pessoas mais felizes do mundo e arredores. Não sei, nem quero saber. Porque não são amigos, são desconhecidos com quem jogo Farmville.
Essa é a grande diferença.
Essa é a grande diferença.
6 de julho de 2010
Aviso à navegação
Hoje o Blogger decidiu ter vida própria. Eu sei que vocês comentaram alguns dos meus posts e eu até queria responder-vos, mas não aparece aqui nada. Pelo que percebi, o mal é geral. Por isso, vamos esperar para ver se a coisa se resolve ou se é preciso contratar uns albaneses para ir dar um enxoval de porrada ao pessoal que trata disto.
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Banda sonora da minha vida
Depois de uma conversa com amigos, comecei a pensar no facto de haver músicas que marcam momentos importantes das nossas vidas e que, por mais anos que passem, lhes ficam para sempre associadas. A música que tocava no rádio quando beijámos alguém a primeira vez (não faço ideia, mas é o exemplo clássico), a música que ouvíamos quando tivemos o acidente de carro (era Bon Jovi, vá lá alguém saber porquê), o primeiro concerto a que assistimos com aquela pessoa (Garbage)... Tudo momentos inesquecíveis, pelos melhores ou pelos piores motivos, e sempre associados a uma música.
Porém, no meu caso, a banda sonora que me tem acompanhado ao longo da vida é, digamos, diferente do que eu desejaria. Podia ser música clássica, podia ser rock ou pop ou até qualquer coisa indie, que agora parece que está na moda e fica bem. Mas não. Por exemplo, durante anos acordei todos os dias às 7h da manhã com a música da vizinha de cima: Marco Paulo, entrecortado pelos gritos da vizinha a tentar acordar os filhos. Acabei por ficar a conhecer as letras praticamente todas de cor. Eu sei, é triste. Já os tempos de estudante ficaram marcados para sempre pela obra desse grande senhor da música portuguesa: Quim Barreiros. Nós bem víamos a MTV (quando ainda passava música e não reality shows), mas nem me lembro do que ouvia, tirando uma ou outra excepção. Em contrapartida, do Quim, não me consigo esquecer. Começou pela tortura do dia de praxe, em que ouvi o Bacalhau da Maria durante algumas 8 horas ininterruptamente, e continuou nos concertos anuais durante a semana académica (admito, ainda fui ver alguns - era jovem, não pensava).
Ou seja, a música da minha vida resume-se aos amores do Marquinho e ao bacalhau do Quim, com uns intervalos menos maus pelo meio. A manter-se esta tendência, o meu velório terá o acompanhamento musical do Tony Carreira...
Porém, no meu caso, a banda sonora que me tem acompanhado ao longo da vida é, digamos, diferente do que eu desejaria. Podia ser música clássica, podia ser rock ou pop ou até qualquer coisa indie, que agora parece que está na moda e fica bem. Mas não. Por exemplo, durante anos acordei todos os dias às 7h da manhã com a música da vizinha de cima: Marco Paulo, entrecortado pelos gritos da vizinha a tentar acordar os filhos. Acabei por ficar a conhecer as letras praticamente todas de cor. Eu sei, é triste. Já os tempos de estudante ficaram marcados para sempre pela obra desse grande senhor da música portuguesa: Quim Barreiros. Nós bem víamos a MTV (quando ainda passava música e não reality shows), mas nem me lembro do que ouvia, tirando uma ou outra excepção. Em contrapartida, do Quim, não me consigo esquecer. Começou pela tortura do dia de praxe, em que ouvi o Bacalhau da Maria durante algumas 8 horas ininterruptamente, e continuou nos concertos anuais durante a semana académica (admito, ainda fui ver alguns - era jovem, não pensava).
Ou seja, a música da minha vida resume-se aos amores do Marquinho e ao bacalhau do Quim, com uns intervalos menos maus pelo meio. A manter-se esta tendência, o meu velório terá o acompanhamento musical do Tony Carreira...
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Notícia de última hora
Acabaram de me informar que amanhã será instalado no meu PC do emprego o Internet Explorer 8.
Afinal, o bicho só tem um ano e meio, coisa pouca, e nós demo-nos tão bem com a versão 6, que já nem sequer permite aceder à maioria dos sites (o que, na verdade, poupa trabalho ao serviço informático, que assim não tem de andar a bloquear aqueles onde não quer que vamos), para quê mudar?
Por aqui é assim: sempre na crista da onda!
Afinal, o bicho só tem um ano e meio, coisa pouca, e nós demo-nos tão bem com a versão 6, que já nem sequer permite aceder à maioria dos sites (o que, na verdade, poupa trabalho ao serviço informático, que assim não tem de andar a bloquear aqueles onde não quer que vamos), para quê mudar?
Por aqui é assim: sempre na crista da onda!
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5 de julho de 2010
Coisas que eu gostava mesmo de saber
O que será que o Rui Reininho consome quando escreve as letras das músicas dos GNR?
Afinal é segunda-feira
Não que eu tivesse dúvidas, atenção. Mas o dia até estava a correr bem e tudo e convenci-me que podia não ser a típica segunda-feira. Otária. Ingénua. É que neste momento, a única pessoa que não tem trabalho (literalmente) é o chefe. Estão a chegar 27 (vinte e sete, sim!) trabalhos novos. Felizmente, são coisas pequenas, mas ainda assim são 27. E o que decide o supra-sumo da beterraba? Pois claro: chuta para a Tulipa Negra, que afinal só tem mais 3 coisas em mãos ao mesmo tempo, mas é jovem, esperta, gira e desenrascada (ok, esta parte ele não disse - e ainda bem! - mas deve ter pensado), portanto não há problema e afinal é para isso que lhe pagam. 27. Esta semana promete…
Para o caso de estarem curiosos
Foi o Ben Harper. Não é muito a minha onda, conheço apenas uma ou outra música que passa mais no rádio, mas como era ao ar livre e gratuito, decidi aproveitar. Reconheço que o rapaz tem uma voz bonita e toca bem, assim como os músicos que o acompanham. Ainda assim, durante o concerto que vi pela televis…, perdão, pelo ecrã gigante, não consegui deixar de pensar em duas coisas:
- O Ben Harper pode perceber muito de música, mas não sabe contar. A banda chama-se Ben Harper and the Relentless 7, portanto eu estava à espera de ver 8 tipos em cima do palco. Só lá estavam 4, os outros perderam-se pelo caminho, com certeza. Ou então, quando deram o nome à banda, estavam a ver a dobrar. Também é possível.
- Fazer tatuagens à volta dos cotovelos é coisa para doer, e muito. Imagino, porque eu fujo das agulhas como o diabo da cruz!
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Ouvido ontem durante o concerto
- Eu sou o guarda-costas do segurança, passei a noite toda atrás dele.
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Sabemos que estamos a ficar velhos...
…quando, num concerto, escolhemos ir para o lado mais afastado do palco, longe da multidão, e ver tudo pelo ecrã gigante. Não foi assim há tantos anos que eu fui várias horas antes acampar à porta do estádio de Alvalade para arranjar lugar na primeira fila, pois não?
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4 de julho de 2010
A explicação que faltava
Aí está! É por isto que a selecção não podia ficar mais tempo no Mundial da África do Sul. Então o rapaz ia perder o nascimento do seu primogénito? Ainda se o campeonato fosse na Europa, agora lá tão longe como é que ele fazia?
Actualização: afinal, parece que o cachopo já nasceu no início de Junho. Lá se foi a minha teoria. E se os senhores jornalistas aprendessem a dar a notícia completa logo de início? Se calhar era boa ideia. Digo eu...
Actualização: afinal, parece que o cachopo já nasceu no início de Junho. Lá se foi a minha teoria. E se os senhores jornalistas aprendessem a dar a notícia completa logo de início? Se calhar era boa ideia. Digo eu...
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3 de julho de 2010
Inocência perdida
- Dispara, rapaz! - Exortava o avô, enquanto lhe metia à força a arma de pressão de ar nos braços fracos e frágeis de criança.
Miguel olhava, assustado, a arma, o avô, as inocentes latas de cerveja vazias alinhadas em cima do muro, à espera de morrer com um tiro seu. Não queria disparar. E se acertasse nos pássaros que passavam por ali no exacto momento em que o fazia? Tinha medo das armas, o simples som dos disparos dos caçadores, lá longe no meio do mato, assustava-o. Tremia e lutava por conter as lágrimas, não queria dar parte de fraco perante o avô, homem do campo, à antiga, que nunca conseguiria compreendê-lo.
- Um homem não tem medo! Um homem pega na arma e dispara. De que é que estás à espera, rapaz?
Mal conseguia segurar a arma que parecia pesar uma tonelada. Mas não sabia como sair daquela situação e acabou por encostar a coronha ao ombro. Pesadíssima, aquela arma. Fechou o olho esquerdo e espreitou pela mira da arma.
- Isso, agora apontas para uma lata e carregas no gatilho. Vá lá ver, não custa nada. Faz-te homem, rapaz!
Miguel cedeu e assim fez: apontou para uma lata e fechou os olhos, enquanto pensava "É melhor acabar com isto de uma vez". Contrariando os seus instintos, os seus medos e tudo aquilo em que acreditava, disparou. Fez um esforço sobre-humano para não saltar ao ouvir o tiro. Ainda assim, encolheu-se e fez um esgar de susto que o avô não deixou passar:
- Então, assustaste-te? É só um tirinho, não faz mal a ninguém. Olha, até acertaste na lata! Nada mal, para primeira vez. Agora tens de continuar a treinar.
Arregalou os olhos em pânico. Não queria continuar a treinar! Só tinha tentado uma vez para fazer a vontade ao avô, porque não sabia como o contrariar. Se o pai não conseguia contrariá-lo, como o faria ele, apenas uma criança? Naquele momento, odiava a sua vida. Odiava a arma que lhe cansava o braço, odiava as latas de cerveja perfiladas no muro a desafiá-lo, odiava o pai por nunca o defender, odiava o avô por o obrigar a usar uma arma. E principalmente odiava-se a si próprio por não ter coragem de dizer não.
Sem saber porquê, Miguel recordava este episódio enquanto apontava a arma ao empregado da bomba de gasolina, segundos antes de disparar.
Disparou, Fábrica de Letras
Miguel olhava, assustado, a arma, o avô, as inocentes latas de cerveja vazias alinhadas em cima do muro, à espera de morrer com um tiro seu. Não queria disparar. E se acertasse nos pássaros que passavam por ali no exacto momento em que o fazia? Tinha medo das armas, o simples som dos disparos dos caçadores, lá longe no meio do mato, assustava-o. Tremia e lutava por conter as lágrimas, não queria dar parte de fraco perante o avô, homem do campo, à antiga, que nunca conseguiria compreendê-lo.
- Um homem não tem medo! Um homem pega na arma e dispara. De que é que estás à espera, rapaz?
Mal conseguia segurar a arma que parecia pesar uma tonelada. Mas não sabia como sair daquela situação e acabou por encostar a coronha ao ombro. Pesadíssima, aquela arma. Fechou o olho esquerdo e espreitou pela mira da arma.
- Isso, agora apontas para uma lata e carregas no gatilho. Vá lá ver, não custa nada. Faz-te homem, rapaz!
Miguel cedeu e assim fez: apontou para uma lata e fechou os olhos, enquanto pensava "É melhor acabar com isto de uma vez". Contrariando os seus instintos, os seus medos e tudo aquilo em que acreditava, disparou. Fez um esforço sobre-humano para não saltar ao ouvir o tiro. Ainda assim, encolheu-se e fez um esgar de susto que o avô não deixou passar:
- Então, assustaste-te? É só um tirinho, não faz mal a ninguém. Olha, até acertaste na lata! Nada mal, para primeira vez. Agora tens de continuar a treinar.
Arregalou os olhos em pânico. Não queria continuar a treinar! Só tinha tentado uma vez para fazer a vontade ao avô, porque não sabia como o contrariar. Se o pai não conseguia contrariá-lo, como o faria ele, apenas uma criança? Naquele momento, odiava a sua vida. Odiava a arma que lhe cansava o braço, odiava as latas de cerveja perfiladas no muro a desafiá-lo, odiava o pai por nunca o defender, odiava o avô por o obrigar a usar uma arma. E principalmente odiava-se a si próprio por não ter coragem de dizer não.
Sem saber porquê, Miguel recordava este episódio enquanto apontava a arma ao empregado da bomba de gasolina, segundos antes de disparar.
Disparou, Fábrica de Letras
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2 de julho de 2010
Mas isto lembra a alguém?
O Facebook atingiu novos limites. Quando pensava que não era possível, que já tinha visto tudo… eis que uma amiga (que, felizmente, não conheço pessoalmente - pronto, confesso, sou viciada no Farmville e tenho “amigos” que não conheço de parte nenhuma só para ter vizinhos no jogo) se lembra de colocar uma fotografia de um familiar na maca do hospital, antes de entrar para o bloco operatório onde vai ser submetido a uma cirurgia. Oh minha amiga, mas está parva ou faz-se? O que se segue, a fotografia de um morto no caixão, no dia do funeral?
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o mundo está perdido
Patrão fora...
E como se não bastasse o urso-mor ter saído mais cedo, assim que se apanharam sem chefe, piraram-se os outros todos. De maneiras que agora só cá estou eu, que por acaso até fui a primeira a chegar esta manhã. Isto hoje está mesmo giro, não haja dúvida! Bem podem esperar aí sentadinhos que eu já vou trabalhar e tudo, está bem?
Assim é que eu gosto!
Ando há semanas a ouvir o chefe (e os colegas, mas principalmente o chefe) a queixar-se que tem muito trabalho, que não tem tempo para respirar, que não pode fazer mais nada, ai ai ai o que é que eu faço à minha vida e nem sei para onde me virar!
E de repente, sexta-feira, ainda nem são 15h (três da tarde, para os mais distraídos) e aí vai ele, todo pimpão, de fim-de-semana. Pois sim senhor, que os escravos cá ficam para tocar o burro para a frente. Ora que tenha um excelente fim-de-semana, chefe! E já agora, aproveite para pôr em prática as sugestõezinhas que lhe demos esta manhã, sim?
E de repente, sexta-feira, ainda nem são 15h (três da tarde, para os mais distraídos) e aí vai ele, todo pimpão, de fim-de-semana. Pois sim senhor, que os escravos cá ficam para tocar o burro para a frente. Ora que tenha um excelente fim-de-semana, chefe! E já agora, aproveite para pôr em prática as sugestõezinhas que lhe demos esta manhã, sim?
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Também tu?
O Expresso decidiu começar a escrever segundo as regras do malfadado acordo ortográfico (parece que desde a edição da semana passada, mas só dei por isso agora, ando tão actualizada que eu sei lá!). Eu já não o lia muitas vezes, principalmente por falta de tempo e paciência para tanto papel, mas agora então ainda vou ler menos. Chamem-me o que quiserem, mas para mim este acordo é uma pura aberração, que até pode simplificar algumas coisas, mas harmonizar, que era em princípio o objectivo, não harmoniza nada. Tenho a sorte ou o azar de trabalhar com a língua - a portuguesa, suas mentes indecentes! E no emprego, mais cedo ou mais tarde, serei obrigada a adoptar a nova ortografia. Não terei remédio, ordens são ordens, a lei é a lei, e nada a fazer quanto a isso. Por enquanto, vamos protelando a mudança até ser de todo impossível continuar a insistir na ortografia que aprendemos na escola.
Mas, por aqui, vou continuar a escrever como sempre. É que neste cantinho, quem manda sou eu.
Mas, por aqui, vou continuar a escrever como sempre. É que neste cantinho, quem manda sou eu.
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Carta ao chefe
Querido Chefe,
Todos sabemos que não é por maldade, nem por defeito, nem por má vontade. Todos sabemos que cada um é como é, e pouco ou nada pode fazer para mudar. Todos sabemos que o querido chefinho sempre foi assim e que não é agora, quase na reforma, que vai mudar. Todos sabemos que, no seu caso, a estupidez, a parvoíce, a burrice e a inconveniência são inatas. Todos sabemos que a incompetência constitui uma característica profundamente enraizada no seu carácter. Todos sabemos que complica as situações mais simples e gosta de armar confusão. Todos sabemos que entra em pânico quando lhe pedem um trabalhito com mais urgência. Todos sabemos que é picuinhas até mais não. Todos sabemos que adora ver-nos a stressar. Todos sabemos que gosta mesmo é de nos irritar e aborrecer com esse feitio insuportável. Todos sabemos que se acha o maior da sua rua e arredores, que é o único que está sempre certo e que tem sempre razão. Todos sabemos que adora fazer-nos perder tempo e repetir até à exaustão os mesmos assuntos. Todos sabemos que gosta muito de se ouvir, nesse tom monocórdico que ninguém aguenta por mais de dois minutos. Todos sabemos que adora ter uma plateia atenta a escutá-lo, a beber cada uma das suas palavras. Todos sabemos que não é isso que acontece, mas não há nada a fazer. A única coisa que não sabemos é como ainda tem quem o ature em casa, mas isso também não nos diz respeito.
Todos sabemos que tudo isto é verdade. Mas nem por isso temos mais paciência para o aturar. Assim sendo, sugerimos que vá ali atirar-se da ponte ou para debaixo do comboio ou que dê um tiro nos miolos. Era um favor tão grande que nos fazia! Acredite, ficar-lhe-íamos eternamente gratos.
Atenciosamente,
Tulipa Negra e colegas
Todos sabemos que não é por maldade, nem por defeito, nem por má vontade. Todos sabemos que cada um é como é, e pouco ou nada pode fazer para mudar. Todos sabemos que o querido chefinho sempre foi assim e que não é agora, quase na reforma, que vai mudar. Todos sabemos que, no seu caso, a estupidez, a parvoíce, a burrice e a inconveniência são inatas. Todos sabemos que a incompetência constitui uma característica profundamente enraizada no seu carácter. Todos sabemos que complica as situações mais simples e gosta de armar confusão. Todos sabemos que entra em pânico quando lhe pedem um trabalhito com mais urgência. Todos sabemos que é picuinhas até mais não. Todos sabemos que adora ver-nos a stressar. Todos sabemos que gosta mesmo é de nos irritar e aborrecer com esse feitio insuportável. Todos sabemos que se acha o maior da sua rua e arredores, que é o único que está sempre certo e que tem sempre razão. Todos sabemos que adora fazer-nos perder tempo e repetir até à exaustão os mesmos assuntos. Todos sabemos que gosta muito de se ouvir, nesse tom monocórdico que ninguém aguenta por mais de dois minutos. Todos sabemos que adora ter uma plateia atenta a escutá-lo, a beber cada uma das suas palavras. Todos sabemos que não é isso que acontece, mas não há nada a fazer. A única coisa que não sabemos é como ainda tem quem o ature em casa, mas isso também não nos diz respeito.
Todos sabemos que tudo isto é verdade. Mas nem por isso temos mais paciência para o aturar. Assim sendo, sugerimos que vá ali atirar-se da ponte ou para debaixo do comboio ou que dê um tiro nos miolos. Era um favor tão grande que nos fazia! Acredite, ficar-lhe-íamos eternamente gratos.
Atenciosamente,
Tulipa Negra e colegas
1 de julho de 2010
Diálogos verídicos
As frases seguintes estão, obviamente, retiradas do contexto original. Mas garanto que, se conhecessem o contexto, não ficariam mais esclarecidos (lamento, vão ter de acreditar em mim). Começo a achar que tenho amigos muito estranhos...
- Quando vou meter gasolina e abro a folha de Excel não dá jeito nenhum!
Minutos depois, a mesma alminha:
- Vocês não têm nada para apertar?
- Quando vou meter gasolina e abro a folha de Excel não dá jeito nenhum!
Minutos depois, a mesma alminha:
- Vocês não têm nada para apertar?
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Pensamento da tarde
A vontade de trabalhar é inversamente proporcional à quantidade de trabalho que tenho para fazer.
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Sabemos que...
...o filme é europeu quando, nos primeiros dois minutos, vemos um nu frontal masculino.
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30 de junho de 2010
Só pode ser gozo
Então no dia seguinte à derrota de Portugal aos pés da Espanha mandam-me um convite para a festa de Verão aqui da barraca e têm a lata de dizer que vai haver especialidades culinárias espanholas?
(Já para não dizer que nem sei a que se referem, porque além da paelha, do presunto, dos churros e da sangria, não estou a ver que outras especialidades aquela gente tem... E ainda assim prefiro um arroz de pato, um queijo da serra ou um travesseiro da Piriquita. E até acho que a sangria tuga é melhor que a deles.)
(Já para não dizer que nem sei a que se referem, porque além da paelha, do presunto, dos churros e da sangria, não estou a ver que outras especialidades aquela gente tem... E ainda assim prefiro um arroz de pato, um queijo da serra ou um travesseiro da Piriquita. E até acho que a sangria tuga é melhor que a deles.)
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29 de junho de 2010
Para desintoxicar da bola
(Ou para inspirar os mais aguerridos a dar uma coça ao primeiro espanhol que encontrarem. Que eu até sou pacífica e condeno a violência gratuita. Excepto contra espanhóis, porque toda a gente sabe que de Espanha nem bom vento nem bom casamento. Adiante.)
Uma sugestão cinéfila: Tropa de Elite 2, que estreia em Agosto.
mais informações aqui
Uma sugestão cinéfila: Tropa de Elite 2, que estreia em Agosto.
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Carlos La Palice Queiroz
Diz ele: "Foi um jogo difícil".
Digo eu: Se fosse fácil, tinhas ganho.
Digo eu: Se fosse fácil, tinhas ganho.
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Futebol para cardíacos
Se o vosso coração é fraco e não aguenta, não vejam o jogo. Refugiem-se no quarto ou escondam-se na casa-de-banho e, sempre que ouvirem um barulho mais estranho, perguntem o que aconteceu. Assim evitam
(e eis que a Espanha marcou um golo)
exaltar-se e excitar-se desnecessariamente. Quando for golo podem festejar ou praguejar na mesma. E no fim, seja qual for o resultado, pelo menos não tiveram nenhuma crise cardíaca. Podem ter um acesso de raiva e vontade de enfiar uma vuvuzela pela goela de cada espanhol que vos aparecer à frente nos tempos mais próximos, mas crise cardíaca não tiveram.
(e eis que a Espanha marcou um golo)
exaltar-se e excitar-se desnecessariamente. Quando for golo podem festejar ou praguejar na mesma. E no fim, seja qual for o resultado, pelo menos não tiveram nenhuma crise cardíaca. Podem ter um acesso de raiva e vontade de enfiar uma vuvuzela pela goela de cada espanhol que vos aparecer à frente nos tempos mais próximos, mas crise cardíaca não tiveram.
Preferia sofrer de amnésia
Reencontro com amigos de longa data que não via desde o século passado. Grande festa, claro, há tanto tempo, que bom! Mesmo, mesmo muito bom, voltar a falar com pessoas com quem partilhei tanto, como se tivessem passado apenas dois dias desde que nos despedimos a última vez. São estes os verdadeiros amigos, diria, aqueles com quem falamos como se nunca nos tivéssemos separado.
Só que de repente, uma palavra, um gesto, uma expressão facial, qualquer coisa insignificante, faz-me lembrar o motivo pelo qual nunca mais nos tínhamos visto e o ambiente torna-se constrangedor. Ninguém fala disso, mudamos de assunto, mas o certo é que nos zangámos e tivemos atitudes de que nos arrependemos. Era tão importante, naquela altura. E agora, ainda será? Talvez não, mas é impossível não recordar o que senti, o que dissemos, a forma como nos afastámos para nunca mais nos vermos. Fingimos que não se passou nada e tentamos voltar a ser amigos como antes, mas a verdade é que no fundo, bem lá no fundo, eu sei que também vocês se lembram de tudo, bem podem negar! E receio que a qualquer momento…
Só que de repente, uma palavra, um gesto, uma expressão facial, qualquer coisa insignificante, faz-me lembrar o motivo pelo qual nunca mais nos tínhamos visto e o ambiente torna-se constrangedor. Ninguém fala disso, mudamos de assunto, mas o certo é que nos zangámos e tivemos atitudes de que nos arrependemos. Era tão importante, naquela altura. E agora, ainda será? Talvez não, mas é impossível não recordar o que senti, o que dissemos, a forma como nos afastámos para nunca mais nos vermos. Fingimos que não se passou nada e tentamos voltar a ser amigos como antes, mas a verdade é que no fundo, bem lá no fundo, eu sei que também vocês se lembram de tudo, bem podem negar! E receio que a qualquer momento…
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Será o Areias?
Notícias de trânsito no rádio esta manhã:
- Atenção ao camelo na estrada X perto da localidade Y.
Isso mesmo: camelo na estrada. Não ouvi mal. O locutor até repetiu. E eu que pensava estar na Europa, afinal devo estar em Marrocos...
- Atenção ao camelo na estrada X perto da localidade Y.
Isso mesmo: camelo na estrada. Não ouvi mal. O locutor até repetiu. E eu que pensava estar na Europa, afinal devo estar em Marrocos...
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28 de junho de 2010
Afinal, em que ficamos?
Regressar a casa, rever família e amigos, é bom. Muito bom, mesmo. É, não é? Pois é. Excepto quando começa a lengalenga do costume: Então e quando voltas de vez? Aquilo lá não é para ti! Vais ficar mesmo por lá? Mas é tão longe! Gostas de lá estar? E não é muito frio? E as pessoas não são antipáticas? Aqui está-se melhor, faz sol e bom tempo. Vem-te mas é embora que aqui é que se está bem.
A isto seguem-se horas a dizer mal do governo, do país, da economia, do tempo, do desemprego, dos impostos e agora até da selecção nacional de futebol.
A isto seguem-se horas a dizer mal do governo, do país, da economia, do tempo, do desemprego, dos impostos e agora até da selecção nacional de futebol.
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Há coisas que nunca mudam
Uma pessoa passa uma semana de férias, sem pensar no trabalho, faz por ignorar as confusões e os problemas, consegue até esquecer as passwords e os códigos que usa todos os dias, quase nem se lembra da cara dos doidos com quem tem de conviver oito horas por dia, cinco dias por semana. Regressa, fresca que nem uma alface e pronta para se agarrar ao trabalho com unhas e dentes (é mentira, mas não importa), e começa logo a levar com os números todos do costume. Em menos de duas horas, os efeitos das férias foram-se. Extraordinário.
Worst. Day. Ever.
Talvez seja um pouco exagerado, mas a verdade é que o primeiro dia de trabalho depois de umas férias é para esquecer. Se eu mandasse, instituía uns dias de pós-férias para permitir ao trabalhador voltar a adaptar-se à ideia de ter de se levantar cedo para ir aturar gente doida durante oito horas.
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27 de junho de 2010
Se é para pertencer a uma seita...
A Visão desta semana fala da Seita do Sexo, onde até é preciso fazer testes de HIV para poder entrar. Eu tenho para mim que, seita por seita, ao menos nesta o pessoal sempre se distrai, diverte-se e deve vir lá dos retiros muito mais feliz. Que o diga o repórter que por lá andou durante 4 dias. (No entanto, lendo o artigo percebe-se que, das duas, uma: ou o repórter não contou tudo, ou de sexo aquilo tem muito pouco, é mais a história do amor livre e da liberdade e da desinibição e etc.)
Infelizmente, ontem quando me tocaram à campainha para vender religião, eram as Testemunhas de Jeová. Claro que, não sendo tão divertidos como os outros, não angariaram clientes.
Infelizmente, ontem quando me tocaram à campainha para vender religião, eram as Testemunhas de Jeová. Claro que, não sendo tão divertidos como os outros, não angariaram clientes.
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A trabalhar para o melanoma
Não vale a pena. As campanhas de sensibilização, a publicidade, os alertas, os avisos, os anúncios e tudo o resto que surge por altura do Verão não fazem qualquer efeito. Continua a haver muito boa gente, inclusivamente com crianças, que chega à praia depois do meio-dia, não usa protector solar (isso é coisa de meninos!), abusa dos bronzeadores, e deita-se a estorricar ao sol até ficar negra que nem um tição. Mesmo que já tenham um escaldão de fazer inveja à lagosta mais suada, insistem em comportar-se da mesma forma. E há ainda os banhistas-girassol, que vão virando a toalha na areia para acompanhar a posição do sol, de tal forma que a certa altura estão de cabeça para baixo, só para terem a certeza que não perdem nem um raiozinho ultravioleta.
Depois, quando surgem os problemas, ai coitado, o que havia de lhe acontecer, apanhou um cancro de pele (como quem apanha uma gripe, com certeza), nunca teve sorte nenhuma na vida, só desgraças! E agora o que vai ser dele? Agora? Agora, batatas! Tivesse pensado nisso antes!
Depois, quando surgem os problemas, ai coitado, o que havia de lhe acontecer, apanhou um cancro de pele (como quem apanha uma gripe, com certeza), nunca teve sorte nenhuma na vida, só desgraças! E agora o que vai ser dele? Agora? Agora, batatas! Tivesse pensado nisso antes!
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25 de junho de 2010
23 de junho de 2010
23 de Junho de 2001
Nove anos. Quase uma década. É muito tempo? Não. Parece que foi ontem.
O caminho nem sempre foi fácil, tivemos altos e baixos, muitos obstáculos a ultrapassar, vivemos momentos bons, momentos menos bons e até alguns momentos maus. Houve certezas e dúvidas, tristezas e alegrias, muitas lágrimas, mas muitos mais risos. Fizemos sacrifícios e fomos recompensados por isso. É de tudo isto que é feita uma vida em comum. E valeu a pena.
O caminho nem sempre foi fácil, tivemos altos e baixos, muitos obstáculos a ultrapassar, vivemos momentos bons, momentos menos bons e até alguns momentos maus. Houve certezas e dúvidas, tristezas e alegrias, muitas lágrimas, mas muitos mais risos. Fizemos sacrifícios e fomos recompensados por isso. É de tudo isto que é feita uma vida em comum. E valeu a pena.
Porque te amo cada dia um bocadinho mais.
18 de junho de 2010
17 de junho de 2010
Companheiros de viagem
A pouco mais de 24 horas de viajar, lembrei-me de alguns episódios engraçados que me aconteceram em viagem. Uma vez, durante um voo para Lisboa com escala no Porto, fui sentada ao lado de um rapaz de pouco mais de 20 anos. Durante as 2 horas de viagem até ao Porto não lhe ouvi a voz, o que até agradeci porque assim pude concentrar-me no meu livro sem ter de fazer conversa de circunstância. Ao aterrar no Porto, o rapaz perguntou-me se para seguir até Lisboa continuava no mesmo avião ou apanhava outro. Logicamente, respondi-lhe que teria de perguntar às hospedeiras, porque dependia do bilhete. Para mim, a conversa acabava ali. E de repente, sem mais nem menos, o rapaz diz-me:
- Ainda ontem falei com o pai. Hoje está morto.
...
- Ainda ontem falei com o pai. Hoje está morto.
...
Mais papista que o Papa
Aparece um trabalho urgente. A pessoa mais disponível para o fazer sou eu, desde que possa ser para o fim do dia seguinte. O chefe diz que sim. No dia seguinte, de manhã, o chefe diz que nos pediram o especial favor de tentar fazer o trabalho para antes da hora de almoço, porque é mesmo muito urgente, porque faz muita falta, porque nos ficarão eternamente agradecidos. Não é por ele, são os outros que pedem. OK, vou tentar. Acelero um bocadito e lá consigo despachar a coisa, que afinal nem era tão complicada como parecia. Ligo a dizer que está pronto, porque tinham pedido para avisar. Resposta do outro lado:
- Obrigado, mas podia ser para o fim do dia, não havia problema. O teu chefe é que disse que queria fazê-lo para antes da hora do almoço.
Ó meu grandessíssimo filho duma senhora muito séria, e se fosses para um sítio que eu cá sei e me deixasses em paz?
- Obrigado, mas podia ser para o fim do dia, não havia problema. O teu chefe é que disse que queria fazê-lo para antes da hora do almoço.
Ó meu grandessíssimo filho duma senhora muito séria, e se fosses para um sítio que eu cá sei e me deixasses em paz?
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16 de junho de 2010
Fenómeno do Mundial
Constato com alguma admiração um fenómeno cíclico que acontece durante as competições futebolísticas internacionais: subitamente, toda a gente é perita em bola. Assim de repente, vindo do nada, salta uma conversa sobre o jogo de Portugal com a Costa do Marfim, com críticas aos jogadores em geral e ao treinador em particular, cambada de meninos de coro que só querem é fama e passear lá por África. Que o Ronaldo não joga nada, que o Queirós isto e aquilo, que só defendem e não atacam, que assim não se marcam golos como é que querem ganhar alguma coisa…
E quem tem estas conversas? Pessoal que acompanha regularmente as competições nacionais e internacionais e vibra com os sucessos ou fracassos da sua equipa? Não. Nitidamente, são pessoas que não percebem nada do assunto, nem sequer sabem quantos jogadores tem cada equipa, falam por ouvir os outros falar e criticam porque está na moda e falar mal dos outros é tão bom e tão fácil. Não é que eu perceba muito mais, mas ao menos não ando por aí a deitar postas de pescada como se fosse o maior entendido no assunto que alguma vez existiu.
O que vale é que isto só dura um mês (diz que provavelmente, para Portugal só dura mais uma semana) e depois temos descanso até ao próximo campeonato.
E quem tem estas conversas? Pessoal que acompanha regularmente as competições nacionais e internacionais e vibra com os sucessos ou fracassos da sua equipa? Não. Nitidamente, são pessoas que não percebem nada do assunto, nem sequer sabem quantos jogadores tem cada equipa, falam por ouvir os outros falar e criticam porque está na moda e falar mal dos outros é tão bom e tão fácil. Não é que eu perceba muito mais, mas ao menos não ando por aí a deitar postas de pescada como se fosse o maior entendido no assunto que alguma vez existiu.
O que vale é que isto só dura um mês (diz que provavelmente, para Portugal só dura mais uma semana) e depois temos descanso até ao próximo campeonato.
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Já não se fazem moshes como antigamente
Já não ia a um concerto barulhento há uns tempos. Isto da idade e tal, uma pessoa começa a achar que já não lhe apetece andar metida na confusão e em casa é que se está bem ou numa sala de concerto com cadeiras confortáveis e uma acústica decente. Só que não pensei que as coisas tivessem mudado tanto.
Desde quando é que os punks/roqueiros/metálicos ou lá o que eles são (gajos grandes, gordos, guedelhudos, tatuados e cheios de piercings) usam tampões nos ouvidos durante os concertos???
Desde quando é que os punks/roqueiros/metálicos ou lá o que eles são (gajos grandes, gordos, guedelhudos, tatuados e cheios de piercings) usam tampões nos ouvidos durante os concertos???
15 de junho de 2010
Mas quem és tu?
Acabei de receber um e-mail de um colega a despedir-se porque é o seu último dia de trabalho aqui. Só que não faço a mais pálida ideia de quem seja a criatura.
Será que está na altura de começar a conviver mais com os colegas?
Será que está na altura de começar a conviver mais com os colegas?
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As coisas que se fazem por amor
Eu, por exemplo, vou ver estes gajos logo à noite. Nunca tinha ouvido falar deles, sequer. Espero sobreviver.
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A propósito da bola
Lembrei-me que encontrei o Cristiano Ronaldo no cabeleireiro a fazer madeixas. Já lá vão uns anitos, é verdade. Ainda o moçoilo jogava no Sporting, devia ter uns 17 anitos, mal contados, e uma cara tão borbulhenta que era quase irreconhecível. Também já lá encontrei o Liedson, mais recentemente.
Pensando melhor, acho que vou mudar de cabeleireiro…
Pensando melhor, acho que vou mudar de cabeleireiro…
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14 de junho de 2010
Não me aquenta nem me arrefenta
Nota prévia: post sobre coisas de gaja, o que nem é meu costume, mas pronto, hoje deu-me para aqui e também tenho direito, ou não?
Emagreci. E mesmo antes das férias de Verão. O que seria uma notícia bombástica para a maioria do mulherio que passa metade do ano a olhar para os doces e a dizer ai não posso, ai o meu bikini, ai o vestido de Verão, ai que tenho de perder peso, ai a dieta, ai ai ai… a mim, é-me quase indiferente. (Pronto, a roupa está larga e vou ter de comprar nova, mas é só por aí que isto me afecta.)
É certo que sempre fui magra, na adolescência parecia um esqueleto ambulante, mas mesmo agora não me preocupo por aí além com o peso. Dieta é coisa que nunca fiz e, até há pouco tempo, custava-me a perceber o conceito. Tendo em conta que consumo desalmadamente tudo quanto tenha açúcar, e quanto mais melhor, e ainda assim emagreço... É verdade, juro. Todas as semanas fica uma renda no supermercado só em bolachas, bolos, gelados e chocolates (sobretudo, chocolates). Não resisto, nem vale a pena tentar.
A julgar pelos olhares das minhas amigas, calculo que faça inveja a muito boa gente que, por mais dietas inovadoras que experimente, por mais comprimidos, cápsulas e chás que tome, ou até que deixe de comer de vez, fica sempre na mesma.
Vá meninas, insultem-me que eu aguento.
Emagreci. E mesmo antes das férias de Verão. O que seria uma notícia bombástica para a maioria do mulherio que passa metade do ano a olhar para os doces e a dizer ai não posso, ai o meu bikini, ai o vestido de Verão, ai que tenho de perder peso, ai a dieta, ai ai ai… a mim, é-me quase indiferente. (Pronto, a roupa está larga e vou ter de comprar nova, mas é só por aí que isto me afecta.)
É certo que sempre fui magra, na adolescência parecia um esqueleto ambulante, mas mesmo agora não me preocupo por aí além com o peso. Dieta é coisa que nunca fiz e, até há pouco tempo, custava-me a perceber o conceito. Tendo em conta que consumo desalmadamente tudo quanto tenha açúcar, e quanto mais melhor, e ainda assim emagreço... É verdade, juro. Todas as semanas fica uma renda no supermercado só em bolachas, bolos, gelados e chocolates (sobretudo, chocolates). Não resisto, nem vale a pena tentar.
A julgar pelos olhares das minhas amigas, calculo que faça inveja a muito boa gente que, por mais dietas inovadoras que experimente, por mais comprimidos, cápsulas e chás que tome, ou até que deixe de comer de vez, fica sempre na mesma.
Vá meninas, insultem-me que eu aguento.
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13 de junho de 2010
Sabemos que está tudo bem no Mundo
Quando no Telejornal vemos uma reportagem sobre o supermercado onde os cozinheiros da selecção nacional de futebol se abastecem na África do Sul.
Com certeza, já não há guerras, nem crise, nem desemprego, nem...
Com certeza, já não há guerras, nem crise, nem desemprego, nem...
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Santo António
E eu aqui tão longe... Lisboa nasceu, pertinho do céu
Toda embalada na fé
Lavou-se no rio, ai ai ai menina
Foi baptizada na Sé !
Já se fez mulher e hoje o que ela quer
É bailar e dar ao pé
Vaidosa varina, ai ai ai menina
Mas que linda que ela é!
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12 de junho de 2010
I've got a feeling
Parece-me que os jogos deste campeonato do mundo de futebol vão ser vistos sem som.
Irra, que já não se aguenta o barulho das cornetas! E ainda agora começou.
Irra, que já não se aguenta o barulho das cornetas! E ainda agora começou.
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Eu não queria ir
Mas ainda bem que fui. De facto, não há como umas horas passadas em boa companhia, com bons amigos, para nos fazerem esquecer as tristezas. Pelo menos durante um tempo.
Isso, e quilos de chocolate, claro...
Isso, e quilos de chocolate, claro...
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11 de junho de 2010
Desilusão
Dias e dias a pensar no assunto, a tentar não stressar, diz que a força do pensamento positivo é muito importante. Boa disposição é essencial, não desesperes. E de repente basta um telefonema com a notícia mais temida. Sinto o chão a fugir-me de baixo dos pés.
E agora? Volto ao início? Ou simplesmente desisto?
E agora? Volto ao início? Ou simplesmente desisto?
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É sempre na melhor altura
Deve ser uma lei universal ou coisa do género, mas sempre que tenho um trabalho urgente para entregar alguma coisa tem de correr mal. Normalmente, por culpa do computador. Ou é o Word que deixa de funcionar, ou é o servidor que está em baixo, ou é a porcaria do programa de gestão do trabalho que decide empancar mesmo no momento em que eu mais preciso…
São horas da minha vida perdidas com estas coisas. Horas. Que não voltam! E o que fazem os “técnicos”? Arranjam uma coisa, mas estragam outra. Em tempo de crise, há que garantir que não perdem o emprego…
São horas da minha vida perdidas com estas coisas. Horas. Que não voltam! E o que fazem os “técnicos”? Arranjam uma coisa, mas estragam outra. Em tempo de crise, há que garantir que não perdem o emprego…
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Regime de voluntariado
Sou só eu que tenho chefes estranhos? Começo a achar que atraio os incompetentes todos. Agora aqui o maioral decidiu deixar de distribuir trabalho e passou a perguntar quem se oferece para o fazer. Assim que aparece qualquer coisa, lá vem o e-mail da praxe. Ora a distribuição do trabalho faz parte das funções do chefe, que eu saiba. E é como diz o outro, voluntário só à força!
É que se for para eu decidir, pois com certeza, terei muito gosto. Desde que o meu salário passe a ser equivalente ao dele…
É que se for para eu decidir, pois com certeza, terei muito gosto. Desde que o meu salário passe a ser equivalente ao dele…
10 de junho de 2010
Incríveis, de facto
Com o campeonato do mundo de futebol a começar, é impossível escapar à avalanche de programas sobre o assunto que invadiram a televisão. Ainda esta noite, ao jantar, levei com uma coisa chamada "O Regresso dos Incríveis" (e não eram os da Disney).
Do pouco a que assisti, consegui perceber que o estereótipo do jogador de futebol burro, pintarolas e cromo está para durar. O primeiro que vi foi o Deco que tem, no jardim da sua casa em Londres ou arredores (escapou-me esse pormenor), uma cabine telefónica vermelha, tipicamente inglesa. Diz que já lá estava antes e quando o apresentador lhe perguntou, em tom de brincadeira, se funcionava, ele decidiu pegar no telefone e experimentar. Ok. Deco, filho, se não pagas conta desse telefone fixo é porque não está ligado à rede central, logo, provavelmente, não funciona. É decorativo, percebes? Digo eu, mas se calhar lá pelas Inglaterras a coisa funciona de outra maneira.
O resto foi o que se espera destas coisas: casas gigantescas, decoradas com gosto muito duvidoso, tudo em grande, muitos carros muito caros (o Cristiano herói da Pátria até conseguiu a proeza de chutar uma bola contra um Ferrari!)... Enfim, aquilo que estamos habituados a ver.
E o Nani a tocar piano. Isso, confesso, surpreendeu-me.
Do pouco a que assisti, consegui perceber que o estereótipo do jogador de futebol burro, pintarolas e cromo está para durar. O primeiro que vi foi o Deco que tem, no jardim da sua casa em Londres ou arredores (escapou-me esse pormenor), uma cabine telefónica vermelha, tipicamente inglesa. Diz que já lá estava antes e quando o apresentador lhe perguntou, em tom de brincadeira, se funcionava, ele decidiu pegar no telefone e experimentar. Ok. Deco, filho, se não pagas conta desse telefone fixo é porque não está ligado à rede central, logo, provavelmente, não funciona. É decorativo, percebes? Digo eu, mas se calhar lá pelas Inglaterras a coisa funciona de outra maneira.
O resto foi o que se espera destas coisas: casas gigantescas, decoradas com gosto muito duvidoso, tudo em grande, muitos carros muito caros (o Cristiano herói da Pátria até conseguiu a proeza de chutar uma bola contra um Ferrari!)... Enfim, aquilo que estamos habituados a ver.
E o Nani a tocar piano. Isso, confesso, surpreendeu-me.
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Cada vez somos menos
No dia de Portugal aparece esta notícia no DN a dizer que os portugueses estão a desaparecer. Cada vez nascem menos e morrem mais. Diz que a culpa disto também é da crise, pelo menos em parte.
A solução, talvez…
A solução, talvez…
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Pedro Abrunhosa
Poder da mente
Tinha um amigo que costumava dizer, por brincadeira, que tudo era possível com o poder da mente. No Inverno não tinha frio, no Verão não tinha calor e por aí fora – tudo devido ao poder da mente. Passava o tempo a dizer isto, só para irritar o resto do povo que tiritava de frio ou derretia com o calor. Se bem me lembro, a única coisa que ele não conseguia controlar com a mente era o relógio (era daquelas pessoas que nunca chegam a horas a lado nenhum).
Eu também gostava de acreditar que tudo se pode resolver só com o poder da mente ou do pensamento positivo ou da fé ou do que lhe quiserem chamar. Mas desconfio que não é verdade.
Eu também gostava de acreditar que tudo se pode resolver só com o poder da mente ou do pensamento positivo ou da fé ou do que lhe quiserem chamar. Mas desconfio que não é verdade.
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9 de junho de 2010
Já vem a caminho
Até que enfim!
Detesto ter de esperar um ano pelo livro de bolso, mas recuso-me a pagar mais de 20 euros por um livro que me pode custar 5.
Vamos lá ver se os correios se portam bem...
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Discworld
Os animais são nossos amigos
Tenho medo de animais. Pronto, já disse. Não é só de cães, é de gatos, pássaros, insectos, rastejantes, roedores… basicamente, tudo o que mexa e não tenha aparência de ser humano. Bem sei que os humanos são muito mais perigosos do que qualquer animal, que estes, em princípio, se não lhes fizermos mal também não nos atacam, que são muito mais fiéis e companheiros do que qualquer humano, etc., etc. Sei disso tudo e até acredito que seja verdade. Também sei que continuo a ter medo e que não há nada a fazer. É perfeitamente irracional, pois é. Na verdade, nunca fui atacada por nenhum animal, mordida, arranhada, bicada (o pior mesmo foi uma ferroada de abelha em criança). Mas isso só ainda não aconteceu porque eu não me aproximo deles, obviamente. Qual é a dúvida? Eu tento, juro que tento controlar o medo. É que o meu primeiro instinto ao ver um bicho qualquer é fugir a sete pés na direcção contrária. Ora isto coloca alguns problemas, quando se anda na rua e nos aparece um cão vadio à frente. Antigamente, atravessava a estrada. Agora já me controlo um bocadinho, passo o mais longe possível, mas consigo cruzar-me com a fera.
8 de junho de 2010
Uma ajudinha, please!
Qual é a forma mais diplomática, se é que existe, de dizer a uns amigos que acabámos de reencontrar ao fim de uma data de anos e com quem estamos a combinar um jantar que não tragam os outros de quem só eles é que se lembram mas que não nos dizem nada porque nem do raio do nome nos lembramos (às vezes nem com foto lá vai) portanto não temos interesse nenhum em (re)vê-los?
Esta coisa do politicamente correcto só complica!
Esta coisa do politicamente correcto só complica!
Gentinha insuportável
Há dois tipos de pessoas (deve haver mais, mas agora só interessam dois) insuportáveis: as que acham que sabem tudo e não admitem a opinião de mais ninguém e as que têm de perguntar 50 vezes a 50 pessoas diferentes o que devem fazer, como, quando e onde. Se as primeiras me irritam profundamente por motivos óbvios, as segundas também não têm um efeito melhor. É que não tenho mesmo pachorra nenhuma para estar constantemente a ser interrompida com perguntas idiotas. Agora preciso de saber o que faço porque tenho um prazo apertado e a secretária está doente, agora não sei como copio o texto de um documento para outro, agora o teclado não faz o ponto, agora o e-mail não abre, agora não sei o que fazer com o programa que uso há mais de 20 anos... Ainda por cima, não se limitam a perguntar directamente, não, isso era demasiado fácil! Têm de fazer comentários, apartes cómicos, conversar, dar opinião – basicamente, fazer os outros perder ainda mais tempo. E tudo sempre com um ar muito inocente e ingénuo, nitidamente à espera que alguém se ofereça para fazer as coisas na sua vez.
Pois pela parte que me toca, hoje estão com azar!
Pois pela parte que me toca, hoje estão com azar!
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Se não puder ajudar, atrapalhe
Este parece ser o mote aqui do circo onde trabalho. Então não é que na época de maior aperto de todo o ano o palhaço-mor ainda se lembra de nos convocar, perdão, convidar para reuniões inúteis?
É como dizia o outro: deixem-me trabalhar!
É como dizia o outro: deixem-me trabalhar!
Quando o tecto nos caiu em cima da cabeça
Hoje lembrei-me de mais uma história do antigamente, dos tempos em que tudo corria mal, mas nos divertíamos à brava. Pelo mesmo motivo que nos rimos quando alguém cai, naquele tempo achávamos piada à nossa desgraça e a tudo o que nos acontecia. Das duas, uma: ou éramos uma cambada de inconscientes (provável) ou era um mecanismo de defesa para não darmos em doidos (mais provável). Seja como for…
Certo dia, começámos a ouvir uns ruídos estranhos por cima das nossas cabeças. Olhando para cima, só se via o tecto falso, mas nitidamente andava por ali algum animal. De repente, o barulho aumentou e percebemos que se tratava de felinos de rua assanhados, furiosos, que entraram por engano pela janela minúscula ao nível do passeio (trabalhávamos na cave que deveria servir de garagem a um prédio em Lisboa, cujo senhorio, típico xico-esperto tuga, decidira alugar para ganhar mais uns trocos). Os gatos corriam, lutavam, berravam, dando a volta à sala por dentro do tecto falso. Conforme se deslocavam, nós íamo-nos encolhendo e desviando, por via das dúvidas.
Até que o inevitável acabou por acontecer: uma da placas do tecto partiu-se, os gatos caíram embrulhados e em pânico em cima de uma secretária, falhando por pouco o ocupante da dita, e dispararam que nem setas na direcção da porta. Só tivemos tempo de nos afastar para os deixar passar e nunca mais os vimos.
Certo dia, começámos a ouvir uns ruídos estranhos por cima das nossas cabeças. Olhando para cima, só se via o tecto falso, mas nitidamente andava por ali algum animal. De repente, o barulho aumentou e percebemos que se tratava de felinos de rua assanhados, furiosos, que entraram por engano pela janela minúscula ao nível do passeio (trabalhávamos na cave que deveria servir de garagem a um prédio em Lisboa, cujo senhorio, típico xico-esperto tuga, decidira alugar para ganhar mais uns trocos). Os gatos corriam, lutavam, berravam, dando a volta à sala por dentro do tecto falso. Conforme se deslocavam, nós íamo-nos encolhendo e desviando, por via das dúvidas.
Até que o inevitável acabou por acontecer: uma da placas do tecto partiu-se, os gatos caíram embrulhados e em pânico em cima de uma secretária, falhando por pouco o ocupante da dita, e dispararam que nem setas na direcção da porta. Só tivemos tempo de nos afastar para os deixar passar e nunca mais os vimos.
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antigamente é que isto era divertido
7 de junho de 2010
A minha terra
Em criança, Lembro-me de os meus amigos irem “à terra” nas férias de Verão e de ficar triste por não ter terra para onde ir. E a terra deles parecia um sítio mágico, algures noutro mundo, numa outra dimensão, assim uma coisa saída de um filme da Disney, com fadas, duendes, gente boa, para onde se ia no fim de Junho e de onde só se regressava em Setembro. Mas eu, nascida em Lisboa, assim como os meus pais, era uma sem-terra. Não é bem verdade, porque Monsanto, na Beira Baixa, sempre foi um bocadinho a minha terra - ia para lá desde muito pequena, tínhamos lá amigos que eram (ainda são) mais família do que alguns familiares. Mas terra, terra mesmo, oficial, onde os pais nasceram e onde ainda viviam os avós, os tios e os primos, isso não tinha.
Tudo isso mudou quando, quase aos 30 anos, emigrei. De repente, sem dar por isso, passei a ter uma terra onde regressar nas férias. Fica ali a pouco mais de 2 horas de avião, num cantinho junto ao mar, com um clima estupendo de fazer inveja a muitos países. Não tem fadas nem duendes, mas tem família, amigos e gente muito boa.
Mais duas semanas e vou à terra.
Tudo isso mudou quando, quase aos 30 anos, emigrei. De repente, sem dar por isso, passei a ter uma terra onde regressar nas férias. Fica ali a pouco mais de 2 horas de avião, num cantinho junto ao mar, com um clima estupendo de fazer inveja a muitos países. Não tem fadas nem duendes, mas tem família, amigos e gente muito boa.
Mais duas semanas e vou à terra.
Informáticos, e dos bons!
Há uns tempos, fomos informados aqui no serviço que tinha sido criada uma assinatura electrónica uniforme a utilizar nos e-mails. A ordem, disfarçada de pedido, era de a utilizarmos em todos os e-mails a partir de determinada data. A acompanhar a informação, vinham as instruções sobre com activar a boa da assinatura de modo a que fosse automaticamente incluída em todas as mensagens. Menina bem-mandada, tratei logo de fazer a coisa, antes que o e-mail ficasse irremediavelmente perdido no meio de todos os outros, e descansei. Nunca mais me lembrei do caso, até que, um dia, percebi que os meus e-mails seguiam sem a assinatura. Intrigada com o assunto, decidi ligar ao helpdesk – coisa que só faço depois de tentar por todos os meus meios resolver a questão (não sendo um génio dos computadores, ainda assim desenrasco-me e não tenho medo do bicho). Adiante. Liguei e atendeu-me um técnico que, aparentemente, resolveu a coisa através do acesso à distância, depois de andar às voltas nas várias opções. Encantada da vida, mais uma vez, descansei.
Ora qual não é o meu espanto quando, no dia seguinte, a assinatura voltou a desaparecer. Novo telefonema para o helpdesk, nova voz do outro lado, novo acesso remoto, nova viagem pelas várias opções do programa de e-mail. Até que o técnico, especialista, possivelmente tão engenheiro como o Sócrates, me diz:
- Viu o que alterei aqui nesta opção?
- Vi.
- Terá de fazer isto todos os dias. Também acontece comigo.
Percebi que não valia a pena insistir. É que, aparentemente, desta vez não bastava sair e voltar a entrar…
Ora qual não é o meu espanto quando, no dia seguinte, a assinatura voltou a desaparecer. Novo telefonema para o helpdesk, nova voz do outro lado, novo acesso remoto, nova viagem pelas várias opções do programa de e-mail. Até que o técnico, especialista, possivelmente tão engenheiro como o Sócrates, me diz:
- Viu o que alterei aqui nesta opção?
- Vi.
- Terá de fazer isto todos os dias. Também acontece comigo.
Percebi que não valia a pena insistir. É que, aparentemente, desta vez não bastava sair e voltar a entrar…
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6 de junho de 2010
5 de junho de 2010
4 de junho de 2010
Outra que precisa de um chazinho
Aqui no serviço, é habitual festejar o dia de Portugal com um cocktail oferecido pelo chefe máximo cá da casa. Mais ou menos duas semanas antes, recebemos o convite para a festarola, a que nos pedem que respondamos, embora sem indicar a data limite. Sendo uma característica tipicamente tuga esperar pela última hora para fazer seja o que for, normalmente uma das secretárias contacta-nos a perguntar se afinal vamos ou não. Até aqui, tudo normal. Só que este ano, a rapariga deve ter dormido mal, tinha as hormonas desreguladas, acordou com os pés de fora, ou o marido não lhe deu o que ela queria, sabe-se lá, e enviou-nos este simpático e, sobretudo, delicado texto por e-mail:
Caros Colegas,Não dá vontade de a mandar logo para o outro lado? Escusado será dizer que ainda não respondi e que só o vou fazer 5 minutos antes de sair.
Dadas as estatísticas das respostas ao convite para o "cocktail" do dia 10 de junho, suponho que não é suficientemente claro que espero resposta...
Assim para completar:
"r.s.f.f. até ao dia 4 de junho 2010".
Obrigada.
C.
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Friends forever
Encontrei o meu melhor amigo dos tempos da universidade. É daquelas pessoas com quem falava de tudo, que tinha sempre um ombro disponível, ou às vezes até os dois, e com quem nunca tive uma discussão, que me lembre. Era um pinga-amor, coitado. Sofria amargamente por uma namorada que o deixara, mas depois não o queria deixar, mas afinal já queria outra vez… enfim, coisas de putos aos 20 anos. O certo é que acabava por se apoiar em mim e na nossa amizade. De tal forma que, a certa altura, a namorada começou a ter ciúmes. Foi cómico, até, tendo em conta que nunca houve, nem poderia haver, nada mais entre nós a não ser uma grande amizade. Nem tal coisa nos passava pela cabeça, aliás!
Não nos vemos há mais de 15 anos, cada um seguiu a sua vida e nunca mais soubemos um do outro. Mas ontem, quando nos encontrámos, foi como se nunca nos tivéssemos afastado. É de facto uma pessoa muito especial e ainda bem que voltou a entrar na minha vida. Sinto-me mais feliz por saber que está ali, para o que for preciso, mesmo estando fisicamente longe.
Não nos vemos há mais de 15 anos, cada um seguiu a sua vida e nunca mais soubemos um do outro. Mas ontem, quando nos encontrámos, foi como se nunca nos tivéssemos afastado. É de facto uma pessoa muito especial e ainda bem que voltou a entrar na minha vida. Sinto-me mais feliz por saber que está ali, para o que for preciso, mesmo estando fisicamente longe.
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3 de junho de 2010
Imaginação não nos falta
Qual bandeira, qual cachecol, qual corneta rebaptizada de vuvuzela, qual quê! O que está a dar para apoiar a selecção é o garrafão lusitano. Não me admirava nada de começar a ver o povo com uma coisa destas enfiada na cabeça...
Acho especialmente delicioso o pormenor do galo.
Acho especialmente delicioso o pormenor do galo.
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quê?
Um verdadeiro cavaleiro andante
Estava marcada uma reunião para esta manhã, às 10h. Uma colega minha está em regime de teletrabalho, portanto desloca-se de casa aqui ao serviço sempre que há este tipo de coisas. Pois bem, a moçoila telefona entretanto a dizer que teve um problema com o carro e, portanto, vai chegar mais tarde. Até aqui, tudo bem, coitada, é chato, esperamos que não seja nada complicado e que se despache depressa, etc. e tal. Mas qual não é o espanto quando o chefe nos informa que a reunião fica adiada até ele voltar porque vai socorrer a donzela em apuros.
Querem ver que o homem é mecânico e ninguém sabia?
Querem ver que o homem é mecânico e ninguém sabia?
2 de junho de 2010
É mau demais
Estava sem nada para fazer e decidi distrair-me com os quizzes do Facebook. Não devia, está visto. Transcrevo na íntegra a pérola que encontrei. Além do conteúdo (mas nestas coisas ninguém espera um estudo científico, portanto tudo bem), o que mais me impressionou foi o talento do autor para a escrita. Sim, porque só pode ser talento. Desafio-vos a encontrarem uma frase correcta de princípio ao fim...
qual a palavra para te caracterizar?
podes ser muita coisa,mas soa uma que te caracteriza
1. se encntrasses um cao perdido na rua,o que fazias?
- levava-o a um canil ou um sitio do genero onde os donos o pudessem encontrar rapidamente
- de certeza que os donos oencontraam rapidamente,eu so ndo em ruas pequenas
- dava-lhe um pontape e escarravalhe em cima!
- levaa o cao para casa e ficava cm ele,claro que os meus pais nao podiam saber!
- pegava nele e depois metiao dentro de um jardim de alguem que tambem tivesse cao
- nao podia fazer nada,porque quando ando na rua e porque tenho que ir algum sitio,e nao posso chegar tarde
- levavao ara casa ,davalhe de comer, abrigo,e depois procurava o seu dono
- ficava lá a espera que alguem fosse buscalo
2. se algum colega te pedisse as canetas de filtro que os teus pais te compraram ontem,tu emprestavas?
- claro que sim!tambem gostava que me emprestassem se eu precisasse!
- claro!eu sei que esse colega nao me iria estragar as canetas
- claro e ainda lhe dava o corrector se essa pessoa precisasse!
- por mim podia ficar com elas!
- nao!ele que va enfiar enfiar canetas no cu!!
- atiravalhe a caneta a cabeca
- canetas?!nem me lembro onde as pus...
- claro que nao!!essas bestas ainda me estragavam as canetas!
3. o que farias para mudar este mundo?
- ajudava as pessoas com problemas(pobreza,doença,etc....)
- nao tenho medo deste mundo,o que tiver que vir,que venha
- tudo o que fosse preciso
- mmmmm....mudar o mundo?porque?
- peace & love ^_^
- fazia ganda fogueira e queimava todos os plasticos
- acabava com os que estao a mais!
- nada,desde que eu esteja bem...
4. a/o tua/o namorada/o chegasse tarde a um encontro ,o que fazias?
- nem esperava por ela/e,ia-me logo embora!
- acabava com ela/e,nem queria desculpas
- nada,é na boa ; )
- comprimenta-va??????????
- namorada/o?! isso nao e comigo!
- ficava preocupado/a,e preguntavalhe porque e que se tinha atrasado
- acho que seria eu a fazer esse papel
- ah!ja nem me lembrava!
5. cual destas cores gostas mais?
- branco
- verde
- laranja
- amarelo
- bege
- roxo
- dourado
- vermelho
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Passo os dias a ler e a escrever
É verdade, leio e escrevo de manhã à noite. À primeira vista, este seria um emprego de sonho, pelo menos para quem, como eu, gosta de ler e de escrever. Seria, mas não é.
Para que uma qualquer actividade seja agradável e nos dê prazer, existe uma condição essencial: que seja interessante. Ter um mínimo de interesse, vá, não é preciso ser o mais recente filme do Spielberg que nos deixa agarrados ao ecrã do cinema durante horas, mas pelo menos que nos consiga cativar a atenção. O problema aqui é precisamente esse. Pois é, eu leio e escrevo o dia todo sobre os assuntos menos interessantes que se possam imaginar. Não é literatura, não são notícias de jornal, não são sequer folhetos publicitários do supermercado. São textos técnicos, relatórios, economia, auditorias e o diabo a quatro. Cada texto é único, dizem-me. Trata de um assunto específico, diferente dos outros. Sim, é verdade, um fala de vacas, o outro de azeite, aquele é sobre estações de tratamento de águas residuais e este sobre auto-estradas. E então? Espremendo, o sumo é o mesmo: contas e mais contas, números, percentagens, legislação, isto foi bem feito, aquilo não cumpriu as regras, aqueloutro tem de ser alterado. Sempre a mesma lengalenga, o mesmo tipo de linguagem, em alguns casos até as mesmas frases. Juro. Criatividade, zero. Originalidade, menos um.
Passo os dias a ler e a escrever, pois passo, mas…
Para que uma qualquer actividade seja agradável e nos dê prazer, existe uma condição essencial: que seja interessante. Ter um mínimo de interesse, vá, não é preciso ser o mais recente filme do Spielberg que nos deixa agarrados ao ecrã do cinema durante horas, mas pelo menos que nos consiga cativar a atenção. O problema aqui é precisamente esse. Pois é, eu leio e escrevo o dia todo sobre os assuntos menos interessantes que se possam imaginar. Não é literatura, não são notícias de jornal, não são sequer folhetos publicitários do supermercado. São textos técnicos, relatórios, economia, auditorias e o diabo a quatro. Cada texto é único, dizem-me. Trata de um assunto específico, diferente dos outros. Sim, é verdade, um fala de vacas, o outro de azeite, aquele é sobre estações de tratamento de águas residuais e este sobre auto-estradas. E então? Espremendo, o sumo é o mesmo: contas e mais contas, números, percentagens, legislação, isto foi bem feito, aquilo não cumpriu as regras, aqueloutro tem de ser alterado. Sempre a mesma lengalenga, o mesmo tipo de linguagem, em alguns casos até as mesmas frases. Juro. Criatividade, zero. Originalidade, menos um.
Passo os dias a ler e a escrever, pois passo, mas…
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1 de junho de 2010
Um bocadinho exagerado, não?
Recebemos aqui no serviço a seguinte informação por e-mail:
“Instalação de um abrigo para fumadores no edifício X
Encontra-se actualmente disponível um abrigo para fumadores entre os edifícios X e Y. Os restantes locais dos edifícios, incluindo os exteriores e as esplanadas das cafetarias, passam a ser estritamente não fumadores. A fim de preservar a imagem da instituição, pede-se ao pessoal que não fume nos passeios à entrada dos edifícios.”
Vamos lá ver uma coisa: eu até não fumo, mas não sou fundamentalista e reconheço aos outros o direito de o fazerem, desde que não me incomodem e respeitem as regras básicas da vida em sociedade (basicamente, desde que não me atirem o fumo para cima, por mim está tudo bem, cada um que se mate como quiser). Que criem um “abrigo para fumadores”, até acho muito bem. Tendo em conta que este país é frio e que chove quase continuamente, penso que eles até agradecem. Que não permitam que se fume no interior dos edifícios, OK, percebo, convenhamos que o cheiro a tabaco frio não é dos mais agradáveis. Agora que proíbam que se fume no exterior? Nas esplanadas ao ar livre? À entrada dos edifícios por causa da “imagem da instituição"? O que se segue? Vão-nos arranjar fardas para ter a certeza que andamos todos vestidinhos a preceito? É que se o problema é a imagem, há por aí muito boa gente que não fuma mas tem cá um mau aspecto…
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Criança, sempre
Em criança, o que eu mais queria era uma bicicleta. Mas os meus pais, porque vivíamos na cidade, tinham medo que eu fosse atropelada por algum camião desgovernado, e portanto nunca me compraram uma. De vez em quando, os outros miúdos lá da rua deixavam-me andar nas deles, mas já se sabe que era sempre por grande favor, porque os putos são, de facto, muito mauzinhos uns para os outros. De modos que, em pequenina, andava a pé e era se queria. Mais tarde, os meus pais até um carro me ofereceram, mas a bela da bicla - nada! E que é que eu fiz? Com o primeiro ordenado que ganhei quando comecei a trabalhar, fui a correr comprar uma. Vermelhusca, linda. Usei-a umas quantas vezes, depois enfiei-a na arrecadação onde está até hoje. Mas tenho uma bicicleta. Se isto não é ser criança…
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31 de maio de 2010
Inacreditável
Aqui neste canto onde me encontro existe uma rádio portuguesa - o número de tugas e seus descendentes justifica essa existência e, verdade seja dita, não é má de todo. Lembra um bocadinho as rádios locais em Portugal, não é propriamente uma Rádio Comercial, Antena 3 ou outra do género, mas esforça-se por divulgar a cultura e as notícias lusas, e fá-lo com alguma qualidade (se exceptuarmos a hora de almoço de domingo e o programa de discos pedidos ao fim do dia onde passam exclusivamente pimbalhada do melhor gabarito).
Ora bem, esta tarde uma locutora da dita rádio entrevistava uma jovem luso-descendente que trabalha como dietista. A jovem, que sempre estudou numa língua que não o português, mostrava por vezes algumas dificuldades em expressar-se, o que é até compreensível, visto que só fala a língua em casa, com os pais. Ainda assim, desenrascava-se bastante bem. Já a locutora passa o dia a falar português, não sei se em casa, mas pelo menos no trabalho - eu sei, porque a oiço com frequência. Portanto, não há desculpas para não saber o que diz.
A certa altura, a entrevistada falava dos benefícios do azeite na alimentação:
- É a dieta medit..., medi...
- Mediterraneana - interrompeu, convicta e peremptória, a locutora.
...
Ora bem, esta tarde uma locutora da dita rádio entrevistava uma jovem luso-descendente que trabalha como dietista. A jovem, que sempre estudou numa língua que não o português, mostrava por vezes algumas dificuldades em expressar-se, o que é até compreensível, visto que só fala a língua em casa, com os pais. Ainda assim, desenrascava-se bastante bem. Já a locutora passa o dia a falar português, não sei se em casa, mas pelo menos no trabalho - eu sei, porque a oiço com frequência. Portanto, não há desculpas para não saber o que diz.
A certa altura, a entrevistada falava dos benefícios do azeite na alimentação:
- É a dieta medit..., medi...
- Mediterraneana - interrompeu, convicta e peremptória, a locutora.
...
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Ansiedade
Há vários momentos na vida que são decisivos. Por vezes só nos apercebemos disso mais tarde, quando já passou algum tempo. Outras vezes sabemos antecipadamente que determinado acontecimento vai ser crucial para o nosso futuro. Com sorte, hoje é um desses dias.
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30 de maio de 2010
Naturalmente...
... belo e majestoso. Sem artifícios nem fingimentos. Se ao menos as pessoas conseguissem ser assim...
Manhã de domingo
Gosto das manhãs de domingo, quando o mundo inteiro ainda dorme. Não há barulho, não se ouvem vozes, nem carros a passar na rua, nem telefones a tocar. O tempo corre devagarinho. Ninguém me incomoda, estou só com os meus pensamentos. Olho pela janela e vejo o dia, pouco a pouco, despertar. Neste momento tudo parece possível. Tudo pode acontecer.
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28 de maio de 2010
Leituras e literatura
Tendo feito um curso de letras, fui obrigada a ler muitas obras consideradas clássicos da literatura. No caso, tratou-se essencialmente de textos em inglês e em francês. Algumas das coisas que li eram interessantes, cativaram-me e levaram-me a procurar posteriormente, por gosto e já não por obrigação, outras obras dos mesmos autores. Infelizmente, estes casos foram poucos. Na sua maioria, os considerados clássicos são, na verdade, uma grande estopada. Ainda assim, resistente como sou, consegui ler tudo o que me puseram à frente. Tudo? Bem, na realidade, não... Ainda aguentei Balzac e Flaubert, mais uns quantos americanos de cujo nome não me recordo (tão boa impressão deixaram), mas Oscar Wilde só houve um, Shakespeare também (quer dizer, deste ninguém sabe ao certo, mas avancemos com a teoria de que o homem de facto existiu e era mesmo só uma pessoa por ser mais fácil), dos contemporâneos, por sinal muito maltratados nestes cursos, ficaram David Lodge e Rose Tremain, além de Sartre e Daniel Pennac nos franceses. E pronto.
Mas quando me deram Proust e o seu Em Busca do Tempo Perdido para ler... foi a desgraça completa! De facto, o título assenta muito bem na obra, composta por nem sei já quantos volumes dos quais eu apenas deveria ter lido o primeiro. É mesmo de perda de tempo que se trata! Sei que comecei a ler o livro, como sempre na expectativa do que dali sairia, e a pouco e pouco o interesse foi-se esfumando. No fim da primeira página já não sabia se o protagonista estava acordado, a dormir, a sonhar, a delirar... Eu, sem dúvida, estava a adormecer. E pensar que tudo aquilo era por causa de uma madalena (o bolo)! Se ainda fosse por um belo bolo de chocolate, cheio de creme... Sei que consegui ler 4 páginas. Quatro. Nem mais uma. Sei que, entre os meus colegas, houve alguém que leu 40 - foi um recorde absoluto!
Anos mais tarde, num dia em que me dedicava a arrumar os livros em casa, encontrei novamente Proust. Pensando que talvez o problema tivesse sido da idade, que aos 20 anos não tivesse paciência para coisas assim, sérias, arranjei coragem e peguei-lhe novamente. Em vão. Voltei a não passar da página 4. É frustrante pensar que de tantos livros que tenho este foi, até agora, o único que não consegui mesmo ler. Infelizmente, acho que lhe encontrei um companheiro no último de António Lobo Antunes (Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?). Reconheço que o senhor até escreve bem, mas para deprimente já basta a vida!
Mas quando me deram Proust e o seu Em Busca do Tempo Perdido para ler... foi a desgraça completa! De facto, o título assenta muito bem na obra, composta por nem sei já quantos volumes dos quais eu apenas deveria ter lido o primeiro. É mesmo de perda de tempo que se trata! Sei que comecei a ler o livro, como sempre na expectativa do que dali sairia, e a pouco e pouco o interesse foi-se esfumando. No fim da primeira página já não sabia se o protagonista estava acordado, a dormir, a sonhar, a delirar... Eu, sem dúvida, estava a adormecer. E pensar que tudo aquilo era por causa de uma madalena (o bolo)! Se ainda fosse por um belo bolo de chocolate, cheio de creme... Sei que consegui ler 4 páginas. Quatro. Nem mais uma. Sei que, entre os meus colegas, houve alguém que leu 40 - foi um recorde absoluto!
Anos mais tarde, num dia em que me dedicava a arrumar os livros em casa, encontrei novamente Proust. Pensando que talvez o problema tivesse sido da idade, que aos 20 anos não tivesse paciência para coisas assim, sérias, arranjei coragem e peguei-lhe novamente. Em vão. Voltei a não passar da página 4. É frustrante pensar que de tantos livros que tenho este foi, até agora, o único que não consegui mesmo ler. Infelizmente, acho que lhe encontrei um companheiro no último de António Lobo Antunes (Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?). Reconheço que o senhor até escreve bem, mas para deprimente já basta a vida!
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27 de maio de 2010
Na minha vida mando eu!
A sociedade espera que sigamos um determinado caminho, ter um emprego, casar, ter filhos. E quando demoramos a cumprir todas as etapas, temos de aturar as críticas em tom de perguntinha de quem se interessa muito pelo nosso bem-estar.
Primeiro, é porque não temos namorado - coisa que não passa pela cabeça de ninguém! Uma rapariga nova, tão jeitosa, e sozinha? Deve ter cá um feitiozinho... (Por acaso, a parte do feitio é verdade.) Claro que se tivermos namorado e, pasme-se!, tivermos o desplante de o trocar por outro somos, obviamente, umas ***.
Depois, durante a fase de namoro, é a pergunta da praxe: então, quando é que casam? Vão casar, não vão? Não andam só aí a passar o tempo, com certeza... Ah, ele é que é um malandro, anda a enganá-la, àquele ninguém o prende! (Nem se supõe que seja ela que não quer, imagine-se uma coisa dessas!) OK, até casamos. Ficam felizes? Por pouco tempo...
Ao fim de mais ou menos um ano de casamento, começam as outras perguntas: então e filhos, não têm? Quando estão a pensar tê-los? Não me digam que não querem! (Que disparate! Haverá alguém que possa não querer?!) E quanto mais tempo passa, mais frequentes começam a ser estas perguntas. Família, amigos, conhecidos, gente que acaba de nos ser apresentada e não faz a mínima ideia de quem somos, de onde vimos ou para onde vamos desata a questionar toda a nossa filosofia de vida e a dar palpites, como se fossem os nossos melhores amigos: aproveitem agora para viajar, porque depois os filhos são uma prisão. (Então não era para ter filhos? Afinal, decidam-se!) A certa altura, começamos a cortar relações com pessoas que até nos são queridas, sem qualquer motivo que não seja o de já não conseguir ouvir a mesma pergunta repetida ad infinitum.
Portanto, já sabem: se não têm notícias minhas há um tempo, é porque me fartei de ter de fazer cara alegre enquanto respondo às vossas perguntas idiotas.
Primeiro, é porque não temos namorado - coisa que não passa pela cabeça de ninguém! Uma rapariga nova, tão jeitosa, e sozinha? Deve ter cá um feitiozinho... (Por acaso, a parte do feitio é verdade.) Claro que se tivermos namorado e, pasme-se!, tivermos o desplante de o trocar por outro somos, obviamente, umas ***.
Depois, durante a fase de namoro, é a pergunta da praxe: então, quando é que casam? Vão casar, não vão? Não andam só aí a passar o tempo, com certeza... Ah, ele é que é um malandro, anda a enganá-la, àquele ninguém o prende! (Nem se supõe que seja ela que não quer, imagine-se uma coisa dessas!) OK, até casamos. Ficam felizes? Por pouco tempo...
Ao fim de mais ou menos um ano de casamento, começam as outras perguntas: então e filhos, não têm? Quando estão a pensar tê-los? Não me digam que não querem! (Que disparate! Haverá alguém que possa não querer?!) E quanto mais tempo passa, mais frequentes começam a ser estas perguntas. Família, amigos, conhecidos, gente que acaba de nos ser apresentada e não faz a mínima ideia de quem somos, de onde vimos ou para onde vamos desata a questionar toda a nossa filosofia de vida e a dar palpites, como se fossem os nossos melhores amigos: aproveitem agora para viajar, porque depois os filhos são uma prisão. (Então não era para ter filhos? Afinal, decidam-se!) A certa altura, começamos a cortar relações com pessoas que até nos são queridas, sem qualquer motivo que não seja o de já não conseguir ouvir a mesma pergunta repetida ad infinitum.
Portanto, já sabem: se não têm notícias minhas há um tempo, é porque me fartei de ter de fazer cara alegre enquanto respondo às vossas perguntas idiotas.
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26 de maio de 2010
S. Pedro, filho, vê lá se atinas!
Vamos lá ver uma coisa: estamos em Maio. No fim de Maio. A primavera, oficialmente, já começou há 2 meses. Dois meses, assim por extenso a ver se me entendes melhor. Daqui a menos de um mês começa o verão. Nesta altura, já por outras paragens se aproveita a praia e o sol e as esplanadas e a roupinha fresca e…
Então por que carga de água é que neste buraco no meio da Europa continua a chover torrencialmente, está frio e o inverno dura quase há 9 meses? A que propósito é que ontem estavam 26ºC e hoje estão 15ºC? Onde é que enfiaste o sol?
Se continuas assim armado em puto birrento, a gente zanga-se!
Então por que carga de água é que neste buraco no meio da Europa continua a chover torrencialmente, está frio e o inverno dura quase há 9 meses? A que propósito é que ontem estavam 26ºC e hoje estão 15ºC? Onde é que enfiaste o sol?
Se continuas assim armado em puto birrento, a gente zanga-se!
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Se não tivesse visto, não acreditava
Mais uma história incrível da empresa onde trabalhei, neste caso a que viria a falir, com o patrão como protagonista.
Nos últimos tempos de vida da empresa, o clima de ansiedade e de revolta entre os funcionários era evidente - e justificado, também. A partir do dia 24 de cada mês o patrão desaparecia, para apenas voltar a ser visto depois do dia 4 do mês seguinte. Comunicava com o pessoal através de recados deixados nas respectivas secretárias durante a noite, a que cada um respondia com outro recado colocado na secretária do patrão durante o dia. Tudo isto porque ele, que nunca gostara de pagar os ordenados, agora não tinha sequer dinheiro para o fazer e o seu orgulho de macho latino, pois assim se considerava e comportava, não lhe permitia admitir tal situação perante os funcionários.
Qual não foi o espanto geral quando, inesperadamente, o patrão começou a dar a volta pelos vários lugares e, tirando notas de dentro do envelope, ia pagando o ordenado a cada um. Parecia inacreditável e, se algum de nós tivesse um aparelhómetro daqueles que permitem detectar notas falsas, certamente tê-lo-ia utilizado. Mas não era preciso, era mesmo verdade. Até que chegou a vez dos últimos, cujas secretárias ficavam do lado contrário àquele por onde o patrão tinha iniciado o seu périplo. Sorridente, tirou as últimas notas do envelope, pagou a mais um funcionário e deu por terminada a sua função. Voltou costas e... deu de caras com alguém que ainda não tinha recebido. Sem perder tempo, sem pestanejar, sem sequer se atrapalhar, dirigiu-se ao último funcionário a quem tinha pago (e que ainda estava a contar as notas, não fosse haver enganos) e disse, alto e em bom som:
- R., empresta aí cem contos para pagar ao S.
...
Nos últimos tempos de vida da empresa, o clima de ansiedade e de revolta entre os funcionários era evidente - e justificado, também. A partir do dia 24 de cada mês o patrão desaparecia, para apenas voltar a ser visto depois do dia 4 do mês seguinte. Comunicava com o pessoal através de recados deixados nas respectivas secretárias durante a noite, a que cada um respondia com outro recado colocado na secretária do patrão durante o dia. Tudo isto porque ele, que nunca gostara de pagar os ordenados, agora não tinha sequer dinheiro para o fazer e o seu orgulho de macho latino, pois assim se considerava e comportava, não lhe permitia admitir tal situação perante os funcionários.Ora calhou que em certo mês o patrão, que já nem cheques tinha, tivesse conseguido juntar uns trocos para pagar ao pessoal, tarde e a más horas, mas sempre era melhor que nada. E aí entrou ele na sala de trabalho (um espaço aberto sem divisórias físicas), todo pimpão, inchado que nem um peru como se fosse o maior feito da humanidade pagar ordenados a quem trabalhou um mês inteiro no duro, fazendo até horas extraordinárias, sem reclamar nem ser compensado por isso. Trazia na mão um envelope recheado, viemos depois a perceber que de notas (ainda de escudos), e falava e ria como há muito ninguém o via fazer.
Já diz o povo que quando a esmola é muita o pobre desconfia, pelo que na sala onde trabalhávamos o ambiente ficou bem pesado, fez-se um silêncio sepulcral, trocámos olhares desconfiados, franzimos as testas e sentámo-nos, à espera da bomba que iria certamente rebentar.Qual não foi o espanto geral quando, inesperadamente, o patrão começou a dar a volta pelos vários lugares e, tirando notas de dentro do envelope, ia pagando o ordenado a cada um. Parecia inacreditável e, se algum de nós tivesse um aparelhómetro daqueles que permitem detectar notas falsas, certamente tê-lo-ia utilizado. Mas não era preciso, era mesmo verdade. Até que chegou a vez dos últimos, cujas secretárias ficavam do lado contrário àquele por onde o patrão tinha iniciado o seu périplo. Sorridente, tirou as últimas notas do envelope, pagou a mais um funcionário e deu por terminada a sua função. Voltou costas e... deu de caras com alguém que ainda não tinha recebido. Sem perder tempo, sem pestanejar, sem sequer se atrapalhar, dirigiu-se ao último funcionário a quem tinha pago (e que ainda estava a contar as notas, não fosse haver enganos) e disse, alto e em bom som:
- R., empresta aí cem contos para pagar ao S.
...
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antigamente é que isto era divertido
25 de maio de 2010
Dia do vizinho
Descobri há uns minutos que hoje se comemora o dia do vizinho e veio-me logo à ideia o meu vizinho do lado, trabalhador da construção civil, barrigudo de fazer inveja a qualquer agente da GNR, que um dia me abriu a porta do elevador em boxers e camisola interior de alças.
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Já me lixaram o dia
Bolas, será assim tão difícil explicar as coisas à primeira? Por que raio é que não me dizem logo o que é para fazer? Mas será preciso andarmos sempre nisto até à última? Agora é preciso ligar para aqui, depois é mandar o fax para ali, mas não se preocupe que nós é que tratamos de tudo e informamos. OK, fico descansada, à espera que tratem de tudo. Até que a data limite se aproxima, começo a desconfiar que afinal, se calhar, não está nada tratado, e pergunto: afinal, trataram? Ah, pois, não, isso é a senhora que tem de fazer, nós não nos ocupamos desses assuntos.
P**a que pariu! Não sabiam ter dito logo?!?
P**a que pariu! Não sabiam ter dito logo?!?
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Definitivamente, perdidos!
***Spoiler alert! Se ainda não viram o final de Lost, não leiam!***
Parece-me que a série Lost acabou como começou: uma enorme confusão, sem qualquer explicação para todos os acontecimentos estranhos que nos foram apresentados durante 6 temporadas. É tempo demais a seguir uma história para chegar ao fim e não perceber nada. E a solução do “estavam todos mortos” é uma grandessíssima treta! Isso dizia toda a gente desde o primeiro episódio. Qual é a novidade, onde está a inovação? Numa série que nos surpreendeu em (quase) todos os episódios, o final soube a pouco. O título não poderia ser mais apropriado: perdidos, sem dúvida, ficaram os espectadores…
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