10 de junho de 2010

Poder da mente

Tinha um amigo que costumava dizer, por brincadeira, que tudo era possível com o poder da mente. No Inverno não tinha frio, no Verão não tinha calor e por aí fora – tudo devido ao poder da mente. Passava o tempo a dizer isto, só para irritar o resto do povo que tiritava de frio ou derretia com o calor. Se bem me lembro, a única coisa que ele não conseguia controlar com a mente era o relógio (era daquelas pessoas que nunca chegam a horas a lado nenhum).

Eu também gostava de acreditar que tudo se pode resolver só com o poder da mente ou do pensamento positivo ou da fé ou do que lhe quiserem chamar. Mas desconfio que não é verdade.

9 de junho de 2010

Já vem a caminho



Até que enfim!
Detesto ter de esperar um ano pelo livro de bolso, mas recuso-me a pagar mais de 20 euros por um livro que me pode custar 5.
Vamos lá ver se os correios se portam bem...

Os animais são nossos amigos

Tenho medo de animais. Pronto, já disse. Não é só de cães, é de gatos, pássaros, insectos, rastejantes, roedores… basicamente, tudo o que mexa e não tenha aparência de ser humano. Bem sei que os humanos são muito mais perigosos do que qualquer animal, que estes, em princípio, se não lhes fizermos mal também não nos atacam, que são muito mais fiéis e companheiros do que qualquer humano, etc., etc. Sei disso tudo e até acredito que seja verdade. Também sei que continuo a ter medo e que não há nada a fazer. É perfeitamente irracional, pois é. Na verdade, nunca fui atacada por nenhum animal, mordida, arranhada, bicada (o pior mesmo foi uma ferroada de abelha em criança). Mas isso só ainda não aconteceu porque eu não me aproximo deles, obviamente. Qual é a dúvida? Eu tento, juro que tento controlar o medo. É que o meu primeiro instinto ao ver um bicho qualquer é fugir a sete pés na direcção contrária. Ora isto coloca alguns problemas, quando se anda na rua e nos aparece um cão vadio à frente. Antigamente, atravessava a estrada. Agora já me controlo um bocadinho, passo o mais longe possível, mas consigo cruzar-me com a fera.

(Um pequeno esclarecimento antes que me ponham a sociedade protectora dos animais nos calcanhares: nunca fiz mal a bicho nenhum, excepto uns mosquitos, moscas, melgas e aranhiços, e não gosto, odeio mesmo, ver animais maltratados e abandonados! Continuemos.)

Mas há algumas pequeninas, mínimas excepções. Primeiro houve o Pluto, cãozito rafeiro que os donos abandonaram no Verão perto do prédio onde eu morava e que foi imediatamente adoptado por toda a vizinhança. Depois, houve a Fifi, caniche de uma amiga minha, que me perseguia constantemente até que acabou por conseguir conquistar-me, claro. Mais tarde o Perdigoto, outro rafeiro que conheci mal nasceu e que era das coisinhas mais queridas ao cimo da Terra, era impossível não gostar dele. A certa altura apareceu o Proxy/Rupert, gato doido com dupla personalidade (a sério!), acabadinho de nascer debaixo de um carro à porta da empresa onde trabalhava e que, claro, adoptámos durante uns meses. E agora, já há uns tempos, temos o Júnior, o modelo aqui da foto ao lado. Supostamente, é um cão de guarda. Na verdade, ladra que se farta mas basta fazer-lhe uma festa para se derreter aos nossos pés. Destes perdi o medo. Dos outros…

8 de junho de 2010

Uma ajudinha, please!

Qual é a forma mais diplomática, se é que existe, de dizer a uns amigos que acabámos de reencontrar ao fim de uma data de anos e com quem estamos a combinar um jantar que não tragam os outros de quem só eles é que se lembram mas que não nos dizem nada porque nem do raio do nome nos lembramos (às vezes nem com foto lá vai) portanto não temos interesse nenhum em (re)vê-los?
Esta coisa do politicamente correcto só complica!

Gentinha insuportável

Há dois tipos de pessoas (deve haver mais, mas agora só interessam dois) insuportáveis: as que acham que sabem tudo e não admitem a opinião de mais ninguém e as que têm de perguntar 50 vezes a 50 pessoas diferentes o que devem fazer, como, quando e onde. Se as primeiras me irritam profundamente por motivos óbvios, as segundas também não têm um efeito melhor. É que não tenho mesmo pachorra nenhuma para estar constantemente a ser interrompida com perguntas idiotas. Agora preciso de saber o que faço porque tenho um prazo apertado e a secretária está doente, agora não sei como copio o texto de um documento para outro, agora o teclado não faz o ponto, agora o e-mail não abre, agora não sei o que fazer com o programa que uso há mais de 20 anos... Ainda por cima, não se limitam a perguntar directamente, não, isso era demasiado fácil! Têm de fazer comentários, apartes cómicos, conversar, dar opinião – basicamente, fazer os outros perder ainda mais tempo. E tudo sempre com um ar muito inocente e ingénuo, nitidamente à espera que alguém se ofereça para fazer as coisas na sua vez.

Pois pela parte que me toca, hoje estão com azar!

Se não puder ajudar, atrapalhe

Este parece ser o mote aqui do circo onde trabalho. Então não é que na época de maior aperto de todo o ano o palhaço-mor ainda se lembra de nos convocar, perdão, convidar para reuniões inúteis?
É como dizia o outro: deixem-me trabalhar!

Quando o tecto nos caiu em cima da cabeça

Hoje lembrei-me de mais uma história do antigamente, dos tempos em que tudo corria mal, mas nos divertíamos à brava. Pelo mesmo motivo que nos rimos quando alguém cai, naquele tempo achávamos piada à nossa desgraça e a tudo o que nos acontecia. Das duas, uma: ou éramos uma cambada de inconscientes (provável) ou era um mecanismo de defesa para não darmos em doidos (mais provável). Seja como for…

Certo dia, começámos a ouvir uns ruídos estranhos por cima das nossas cabeças. Olhando para cima, só se via o tecto falso, mas nitidamente andava por ali algum animal. De repente, o barulho aumentou e percebemos que se tratava de felinos de rua assanhados, furiosos, que entraram por engano pela janela minúscula ao nível do passeio (trabalhávamos na cave que deveria servir de garagem a um prédio em Lisboa, cujo senhorio, típico xico-esperto tuga, decidira alugar para ganhar mais uns trocos). Os gatos corriam, lutavam, berravam, dando a volta à sala por dentro do tecto falso. Conforme se deslocavam, nós íamo-nos encolhendo e desviando, por via das dúvidas.

Até que o inevitável acabou por acontecer: uma da placas do tecto partiu-se, os gatos caíram embrulhados e em pânico em cima de uma secretária, falhando por pouco o ocupante da dita, e dispararam que nem setas na direcção da porta. Só tivemos tempo de nos afastar para os deixar passar e nunca mais os vimos.

7 de junho de 2010

A minha terra

Em criança, Lembro-me de os meus amigos irem “à terra” nas férias de Verão e de ficar triste por não ter terra para onde ir. E a terra deles parecia um sítio mágico, algures noutro mundo, numa outra dimensão, assim uma coisa saída de um filme da Disney, com fadas, duendes, gente boa, para onde se ia no fim de Junho e de onde só se regressava em Setembro. Mas eu, nascida em Lisboa, assim como os meus pais, era uma sem-terra. Não é bem verdade, porque Monsanto, na Beira Baixa, sempre foi um bocadinho a minha terra - ia para lá desde muito pequena, tínhamos lá amigos que eram (ainda são) mais família do que alguns familiares. Mas terra, terra mesmo, oficial, onde os pais nasceram e onde ainda viviam os avós, os tios e os primos, isso não tinha.

Tudo isso mudou quando, quase aos 30 anos, emigrei. De repente, sem dar por isso, passei a ter uma terra onde regressar nas férias. Fica ali a pouco mais de 2 horas de avião, num cantinho junto ao mar, com um clima estupendo de fazer inveja a muitos países. Não tem fadas nem duendes, mas tem família, amigos e gente muito boa.

Mais duas semanas e vou à terra.

Eu vi...

...um tipo a andar a grande velocidade numa bicicleta cor-de-rosa dentro do supermercado.

Informáticos, e dos bons!

Há uns tempos, fomos informados aqui no serviço que tinha sido criada uma assinatura electrónica uniforme a utilizar nos e-mails. A ordem, disfarçada de pedido, era de a utilizarmos em todos os e-mails a partir de determinada data. A acompanhar a informação, vinham as instruções sobre com activar a boa da assinatura de modo a que fosse automaticamente incluída em todas as mensagens. Menina bem-mandada, tratei logo de fazer a coisa, antes que o e-mail ficasse irremediavelmente perdido no meio de todos os outros, e descansei. Nunca mais me lembrei do caso, até que, um dia, percebi que os meus e-mails seguiam sem a assinatura. Intrigada com o assunto, decidi ligar ao helpdesk – coisa que só faço depois de tentar por todos os meus meios resolver a questão (não sendo um génio dos computadores, ainda assim desenrasco-me e não tenho medo do bicho). Adiante. Liguei e atendeu-me um técnico que, aparentemente, resolveu a coisa através do acesso à distância, depois de andar às voltas nas várias opções. Encantada da vida, mais uma vez, descansei.
Ora qual não é o meu espanto quando, no dia seguinte, a assinatura voltou a desaparecer. Novo telefonema para o helpdesk, nova voz do outro lado, novo acesso remoto, nova viagem pelas várias opções do programa de e-mail. Até que o técnico, especialista, possivelmente tão engenheiro como o Sócrates, me diz:

- Viu o que alterei aqui nesta opção?
- Vi.
- Terá de fazer isto todos os dias. Também acontece comigo.

Percebi que não valia a pena insistir. É que, aparentemente, desta vez não bastava sair e voltar a entrar…

6 de junho de 2010

Flower Blog IV




Nota-se muito que adoro flores?

5 de junho de 2010

Hoje, finalmente



 A falta que faz uma praia...

4 de junho de 2010

Já vejo uma luz ao fundo do túnel

Finalmente é fim-de-semana!

Outra que precisa de um chazinho

Aqui no serviço, é habitual festejar o dia de Portugal com um cocktail oferecido pelo chefe máximo cá da casa. Mais ou menos duas semanas antes, recebemos o convite para a festarola, a que nos pedem que respondamos, embora sem indicar a data limite. Sendo uma característica tipicamente tuga esperar pela última hora para fazer seja o que for, normalmente uma das secretárias contacta-nos a perguntar se afinal vamos ou não. Até aqui, tudo normal. Só que este ano, a rapariga deve ter dormido mal, tinha as hormonas desreguladas, acordou com os pés de fora, ou o marido não lhe deu o que ela queria, sabe-se lá, e enviou-nos este simpático e, sobretudo, delicado texto por e-mail:
Caros Colegas,
Dadas as estatísticas das respostas ao convite para o "cocktail" do dia 10 de junho, suponho que não é suficientemente claro que espero resposta...
Assim para completar:
"r.s.f.f. até ao dia 4 de junho 2010".
Obrigada.
C.
Não dá vontade de a mandar logo para o outro lado? Escusado será dizer que ainda não respondi e que só o vou fazer 5 minutos antes de sair.

Friends forever

Encontrei o meu melhor amigo dos tempos da universidade. É daquelas pessoas com quem falava de tudo, que tinha sempre um ombro disponível, ou às vezes até os dois, e com quem nunca tive uma discussão, que me lembre. Era um pinga-amor, coitado. Sofria amargamente por uma namorada que o deixara, mas depois não o queria deixar, mas afinal já queria outra vez… enfim, coisas de putos aos 20 anos. O certo é que acabava por se apoiar em mim e na nossa amizade. De tal forma que, a certa altura, a namorada começou a ter ciúmes. Foi cómico, até, tendo em conta que nunca houve, nem poderia haver, nada mais entre nós a não ser uma grande amizade. Nem tal coisa nos passava pela cabeça, aliás!
Não nos vemos há mais de 15 anos, cada um seguiu a sua vida e nunca mais soubemos um do outro. Mas ontem, quando nos encontrámos, foi como se nunca nos tivéssemos afastado. É de facto uma pessoa muito especial e ainda bem que voltou a entrar na minha vida. Sinto-me mais feliz por saber que está ali, para o que for preciso, mesmo estando fisicamente longe.

3 de junho de 2010

Imaginação não nos falta

Qual bandeira, qual cachecol, qual corneta rebaptizada de vuvuzela, qual quê! O que está a dar para apoiar a selecção é o garrafão lusitano. Não me admirava nada de começar a ver o povo com uma coisa destas enfiada na cabeça...


Acho especialmente delicioso o pormenor do galo.

Um verdadeiro cavaleiro andante

Estava marcada uma reunião para esta manhã, às 10h. Uma colega minha está em regime de teletrabalho, portanto desloca-se de casa aqui ao serviço sempre que há este tipo de coisas. Pois bem, a moçoila telefona entretanto a dizer que teve um problema com o carro e, portanto, vai chegar mais tarde. Até aqui, tudo bem, coitada, é chato, esperamos que não seja nada complicado e que se despache depressa, etc. e tal. Mas qual não é o espanto quando o chefe nos informa que a reunião fica adiada até ele voltar porque vai socorrer a donzela em apuros.
Querem ver que o homem é mecânico e ninguém sabia?

2 de junho de 2010

É mau demais

Estava sem nada para fazer e decidi distrair-me com os quizzes do Facebook. Não devia, está visto. Transcrevo na íntegra a pérola que encontrei. Além do conteúdo (mas nestas coisas ninguém espera um estudo científico, portanto tudo bem), o que mais me impressionou foi o talento do autor para a escrita. Sim, porque só pode ser talento. Desafio-vos a encontrarem uma frase correcta de princípio ao fim...
qual a palavra para te caracterizar?
podes ser muita coisa,mas soa uma que te caracteriza
1. se encntrasses um cao perdido na rua,o que fazias?
  • levava-o a um canil ou um sitio do genero onde os donos o pudessem encontrar rapidamente
  • de certeza que os donos oencontraam rapidamente,eu so ndo em ruas pequenas
  • dava-lhe um pontape e escarravalhe em cima!
  • levaa o cao para casa e ficava cm ele,claro que os meus pais nao podiam saber!
  • pegava nele e depois metiao dentro de um jardim de alguem que tambem tivesse cao
  • nao podia fazer nada,porque quando ando na rua e porque tenho que ir algum sitio,e nao posso chegar tarde
  • levavao ara casa ,davalhe de comer, abrigo,e depois procurava o seu dono
  • ficava lá a espera que alguem fosse buscalo
2. se algum colega te pedisse as canetas de filtro que os teus pais te compraram ontem,tu emprestavas?
  • claro que sim!tambem gostava que me emprestassem se eu precisasse!
  • claro!eu sei que esse colega nao me iria estragar as canetas
  • claro e ainda lhe dava o corrector se essa pessoa precisasse!
  • por mim podia ficar com elas!
  • nao!ele que va enfiar enfiar canetas no cu!!
  • atiravalhe a caneta a cabeca
  • canetas?!nem me lembro onde as pus...
  • claro que nao!!essas bestas ainda me estragavam as canetas!
3. o que farias para mudar este mundo?
  • ajudava as pessoas com problemas(pobreza,doença,etc....)
  • nao tenho medo deste mundo,o que tiver que vir,que venha
  • tudo o que fosse preciso
  • mmmmm....mudar o mundo?porque?
  • peace & love ^_^
  • fazia ganda fogueira e queimava todos os plasticos
  • acabava com os que estao a mais!
  • nada,desde que eu esteja bem...
4. a/o tua/o namorada/o chegasse tarde a um encontro ,o que fazias?
  • nem esperava por ela/e,ia-me logo embora!
  • acabava com ela/e,nem queria desculpas
  • nada,é na boa ; )
  • comprimenta-va??????????
  • namorada/o?! isso nao e comigo!
  • ficava preocupado/a,e preguntavalhe porque e que se tinha atrasado
  • acho que seria eu a fazer esse papel
  • ah!ja nem me lembrava!
5. cual destas cores gostas mais?
  • branco
  • verde
  • laranja
  • amarelo
  • bege
  • roxo
  • dourado
  • vermelho

Passo os dias a ler e a escrever

É verdade, leio e escrevo de manhã à noite. À primeira vista, este seria um emprego de sonho, pelo menos para quem, como eu, gosta de ler e de escrever. Seria, mas não é.

Para que uma qualquer actividade seja agradável e nos dê prazer, existe uma condição essencial: que seja interessante. Ter um mínimo de interesse, vá, não é preciso ser o mais recente filme do Spielberg que nos deixa agarrados ao ecrã do cinema durante horas, mas pelo menos que nos consiga cativar a atenção. O problema aqui é precisamente esse. Pois é, eu leio e escrevo o dia todo sobre os assuntos menos interessantes que se possam imaginar. Não é literatura, não são notícias de jornal, não são sequer folhetos publicitários do supermercado. São textos técnicos, relatórios, economia, auditorias e o diabo a quatro. Cada texto é único, dizem-me. Trata de um assunto específico, diferente dos outros. Sim, é verdade, um fala de vacas, o outro de azeite, aquele é sobre estações de tratamento de águas residuais e este sobre auto-estradas. E então? Espremendo, o sumo é o mesmo: contas e mais contas, números, percentagens, legislação, isto foi bem feito, aquilo não cumpriu as regras, aqueloutro tem de ser alterado. Sempre a mesma lengalenga, o mesmo tipo de linguagem, em alguns casos até as mesmas frases. Juro. Criatividade, zero. Originalidade, menos um.

Passo os dias a ler e a escrever, pois passo, mas…

Num recanto da cidade

Ainda se consegue encontrar uma réstia da natureza.