31 de maio de 2010

Inacreditável

Aqui neste canto onde me encontro existe uma rádio portuguesa - o número de tugas e seus descendentes justifica essa existência e, verdade seja dita, não é má de todo. Lembra um bocadinho as rádios locais em Portugal, não é propriamente uma Rádio Comercial, Antena 3 ou outra do género, mas esforça-se por divulgar a cultura e as notícias lusas, e fá-lo com alguma qualidade (se exceptuarmos a hora de almoço de domingo e o programa de discos pedidos ao fim do dia onde passam exclusivamente pimbalhada do melhor gabarito).
Ora bem, esta tarde uma locutora da dita rádio entrevistava uma jovem luso-descendente que trabalha como dietista. A jovem, que sempre estudou numa língua que não o português, mostrava por vezes algumas dificuldades em expressar-se, o que é até compreensível, visto que só fala a língua em casa, com os pais. Ainda assim, desenrascava-se bastante bem. Já a locutora passa o dia a falar português, não sei se em casa, mas pelo menos no trabalho - eu sei, porque a oiço com frequência. Portanto, não há desculpas para não saber o que diz.
A certa altura, a entrevistada falava dos benefícios do azeite na alimentação:
- É a dieta medit..., medi...
- Mediterraneana - interrompeu, convicta e peremptória, a locutora.
...

Ansiedade

Há vários momentos na vida que são decisivos. Por vezes só nos apercebemos disso mais tarde, quando já passou algum tempo. Outras vezes sabemos antecipadamente que determinado acontecimento vai ser crucial para o nosso futuro. Com sorte, hoje é um desses dias.

30 de maio de 2010

Rock in Rio

Depois do dia infantil, hoje é o dia metalúrgico.

Naturalmente...

... belo e majestoso. Sem artifícios nem fingimentos. Se ao menos as pessoas conseguissem ser assim...


Manhã de domingo

Gosto das manhãs de domingo, quando o mundo inteiro ainda dorme. Não há barulho, não se ouvem vozes, nem carros a passar na rua, nem telefones a tocar. O tempo corre devagarinho. Ninguém me incomoda, estou só com os meus pensamentos. Olho pela janela e vejo o dia, pouco a pouco, despertar. Neste momento tudo parece possível. Tudo pode acontecer.

28 de maio de 2010

Leituras e literatura

Tendo feito um curso de letras, fui obrigada a ler muitas obras consideradas clássicos da literatura. No caso, tratou-se essencialmente de textos em inglês e em francês. Algumas das coisas que li eram interessantes, cativaram-me e levaram-me a procurar posteriormente, por gosto e já não por obrigação, outras obras dos mesmos autores. Infelizmente, estes casos foram poucos. Na sua maioria, os considerados clássicos são, na verdade, uma grande estopada. Ainda assim, resistente como sou, consegui ler tudo o que me puseram à frente. Tudo? Bem, na realidade, não... Ainda aguentei Balzac e Flaubert, mais uns quantos americanos de cujo nome não me recordo (tão boa impressão deixaram), mas Oscar Wilde só houve um, Shakespeare também (quer dizer, deste ninguém sabe ao certo, mas avancemos com a teoria de que o homem de facto existiu e era mesmo só uma pessoa por ser mais fácil), dos contemporâneos, por sinal muito maltratados nestes cursos, ficaram David Lodge e Rose Tremain, além de Sartre e Daniel Pennac nos franceses. E pronto.
Mas quando me deram Proust e o seu Em Busca do Tempo Perdido para ler... foi a desgraça completa! De facto, o título assenta muito bem na obra, composta por nem sei já quantos volumes dos quais eu apenas deveria ter lido o primeiro. É mesmo de perda de tempo que se trata! Sei que comecei a ler o livro, como sempre na expectativa do que dali sairia, e a pouco e pouco o interesse foi-se esfumando. No fim da primeira página já não sabia se o protagonista estava acordado, a dormir, a sonhar, a delirar... Eu, sem dúvida, estava a adormecer. E pensar que tudo aquilo era por causa de uma madalena (o bolo)! Se ainda fosse por um belo bolo de chocolate, cheio de creme... Sei que consegui ler 4 páginas. Quatro. Nem mais uma. Sei que, entre os meus colegas, houve alguém que leu 40 - foi um recorde absoluto!
Anos mais tarde, num dia em que me dedicava a arrumar os livros em casa, encontrei novamente Proust. Pensando que talvez o problema tivesse sido da idade, que aos 20 anos não tivesse paciência para coisas assim, sérias, arranjei coragem e peguei-lhe novamente. Em vão. Voltei a não passar da página 4. É frustrante pensar que de tantos livros que tenho este foi, até agora, o único que não consegui mesmo ler. Infelizmente, acho que lhe encontrei um companheiro no último de António Lobo Antunes (Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?). Reconheço que o senhor até escreve bem, mas para deprimente já basta a vida!

27 de maio de 2010

Quem me leva os meus fantasmas?

Na minha vida mando eu!

A sociedade espera que sigamos um determinado caminho, ter um emprego, casar, ter filhos. E quando demoramos a cumprir todas as etapas, temos de aturar as críticas em tom de perguntinha de quem se interessa muito pelo nosso bem-estar.
Primeiro, é porque não temos namorado - coisa que não passa pela cabeça de ninguém! Uma rapariga nova, tão jeitosa, e sozinha? Deve ter cá um feitiozinho... (Por acaso, a parte do feitio é verdade.) Claro que se tivermos namorado e, pasme-se!, tivermos o desplante de o trocar por outro somos, obviamente, umas ***.
Depois, durante a fase de namoro, é a pergunta da praxe: então, quando é que casam? Vão casar, não vão? Não andam só aí a passar o tempo, com certeza... Ah, ele é que é um malandro, anda a enganá-la, àquele ninguém o prende! (Nem se supõe que seja ela que não quer, imagine-se uma coisa dessas!) OK, até casamos. Ficam felizes? Por pouco tempo...
Ao fim de mais ou menos um ano de casamento, começam as outras perguntas: então e filhos, não têm? Quando estão a pensar tê-los? Não me digam que não querem! (Que disparate! Haverá alguém que possa não querer?!) E quanto mais tempo passa, mais frequentes começam a ser estas perguntas. Família, amigos, conhecidos, gente que acaba de nos ser apresentada e não faz a mínima ideia de quem somos, de onde vimos ou para onde vamos desata a questionar toda a nossa filosofia de vida e a dar palpites, como se fossem os nossos melhores amigos: aproveitem agora para viajar, porque depois os filhos são uma prisão. (Então não era para ter filhos? Afinal, decidam-se!) A certa altura, começamos a cortar relações com pessoas que até nos são queridas, sem qualquer motivo que não seja o de já não conseguir ouvir a mesma pergunta repetida ad infinitum.
Portanto, já sabem: se não têm notícias minhas há um tempo, é porque me fartei de ter de fazer cara alegre enquanto respondo às vossas perguntas idiotas.

Passeio de domingo



26 de maio de 2010

S. Pedro, filho, vê lá se atinas!

Vamos lá ver uma coisa: estamos em Maio. No fim de Maio. A primavera, oficialmente, já começou há 2 meses. Dois meses, assim por extenso a ver se me entendes melhor. Daqui a menos de um mês começa o verão. Nesta altura, já por outras paragens se aproveita a praia e o sol e as esplanadas e a roupinha fresca e…

Então por que carga de água é que neste buraco no meio da Europa continua a chover torrencialmente, está frio e o inverno dura quase há 9 meses? A que propósito é que ontem estavam 26ºC e hoje estão 15ºC? Onde é que enfiaste o sol?

Se continuas assim armado em puto birrento, a gente zanga-se!

Se não tivesse visto, não acreditava

Mais uma história incrível da empresa onde trabalhei, neste caso a que viria a falir, com o patrão como protagonista.

Nos últimos tempos de vida da empresa, o clima de ansiedade e de revolta entre os funcionários era evidente - e justificado, também. A partir do dia 24 de cada mês o patrão desaparecia, para apenas voltar a ser visto depois do dia 4 do mês seguinte. Comunicava com o pessoal através de recados deixados nas respectivas secretárias durante a noite, a que cada um respondia com outro recado colocado na secretária do patrão durante o dia. Tudo isto porque ele, que nunca gostara de pagar os ordenados, agora não tinha sequer dinheiro para o fazer e o seu orgulho de macho latino, pois assim se considerava e comportava, não lhe permitia admitir tal situação perante os funcionários.
Ora calhou que em certo mês o patrão, que já nem cheques tinha, tivesse conseguido juntar uns trocos para pagar ao pessoal, tarde e a más horas, mas sempre era melhor que nada. E aí entrou ele na sala de trabalho (um espaço aberto sem divisórias físicas), todo pimpão, inchado que nem um peru como se fosse o maior feito da humanidade pagar ordenados a quem trabalhou um mês inteiro no duro, fazendo até horas extraordinárias, sem reclamar nem ser compensado por isso. Trazia na mão um envelope recheado, viemos depois a perceber que de notas (ainda de escudos), e falava e ria como há muito ninguém o via fazer.
Já diz o povo que quando a esmola é muita o pobre desconfia, pelo que na sala onde trabalhávamos o ambiente ficou bem pesado, fez-se um silêncio sepulcral, trocámos olhares desconfiados, franzimos as testas e sentámo-nos, à espera da bomba que iria certamente rebentar.
Qual não foi o espanto geral quando, inesperadamente, o patrão começou a dar a volta pelos vários lugares e, tirando notas de dentro do envelope, ia pagando o ordenado a cada um. Parecia inacreditável e, se algum de nós tivesse um aparelhómetro daqueles que permitem detectar notas falsas, certamente tê-lo-ia utilizado. Mas não era preciso, era mesmo verdade. Até que chegou a vez dos últimos, cujas secretárias ficavam do lado contrário àquele por onde o patrão tinha iniciado o seu périplo. Sorridente, tirou as últimas notas do envelope, pagou a mais um funcionário e deu por terminada a sua função. Voltou costas e... deu de caras com alguém que ainda não tinha recebido. Sem perder tempo, sem pestanejar, sem sequer se atrapalhar, dirigiu-se ao último funcionário a quem tinha pago (e que ainda estava a contar as notas, não fosse haver enganos) e disse, alto e em bom som:
- R., empresta aí cem contos para pagar ao S.
...

25 de maio de 2010

Dia do vizinho

Descobri há uns minutos que hoje se comemora o dia do vizinho e veio-me logo à ideia o meu vizinho do lado, trabalhador da construção civil, barrigudo de fazer inveja a qualquer agente da GNR, que um dia me abriu a porta do elevador em boxers e camisola interior de alças.

Frágil, mas resistente

Já me lixaram o dia

Bolas, será assim tão difícil explicar as coisas à primeira? Por que raio é que não me dizem logo o que é para fazer? Mas será preciso andarmos sempre nisto até à última? Agora é preciso ligar para aqui, depois é mandar o fax para ali, mas não se preocupe que nós é que tratamos de tudo e informamos. OK, fico descansada, à espera que tratem de tudo. Até que a data limite se aproxima, começo a desconfiar que afinal, se calhar, não está nada tratado, e pergunto: afinal, trataram? Ah, pois, não, isso é a senhora que tem de fazer, nós não nos ocupamos desses assuntos.
P**a que pariu! Não sabiam ter dito logo?!?

Flower Blog III








Definitivamente, perdidos!

***Spoiler alert! Se ainda não viram o final de Lost, não leiam!***


Parece-me que a série Lost acabou como começou: uma enorme confusão, sem qualquer explicação para todos os acontecimentos estranhos que nos foram apresentados durante 6 temporadas. É tempo demais a seguir uma história para chegar ao fim e não perceber nada. E a solução do “estavam todos mortos” é uma grandessíssima treta! Isso dizia toda a gente desde o primeiro episódio. Qual é a novidade, onde está a inovação? Numa série que nos surpreendeu em (quase) todos os episódios, o final soube a pouco. O título não poderia ser mais apropriado: perdidos, sem dúvida, ficaram os espectadores…

22 de maio de 2010

Fecho os olhos e vejo

Fecho os olhos e vejo-te sorrir. Vejo o brilho dos teus olhos. Sinto o teu cheiro, o teu perfume na minha pele, o calor do teu corpo junto ao meu. Os teus lábios que se aproximam dos meus, lentamente, vagarosamente, em câmara lenta. Um beijo húmido, ardente. Tremo de prazer, de te sentir perto de mim. Os teus braços envolvem-me num abraço forte, protector e terno. Eterno. Fecho os olhos e vejo o amor.

21 de maio de 2010

O novo Robin dos Bosques


É o Gladiador passado em Inglaterra no século XIII.
Ainda assim, não sendo a história tradicional do Robin dos Bosques, gostei.

E um chazinho quando era pequenino, não?

Em tempos trabalhei numa empresa onde aconteciam as situações mais incríveis que se possam imaginar. (Um parênteses para explicar que, na verdade, foram duas empresas, sendo que a primeira faliu tendo sido comprada pela segunda, mas as personagens e as situações mirabolantes mantiveram-se.) Alguns desses acontecimentos, contados, será difícil de acreditar, mas o certo é que foram verdade e aconteceram mesmo. E tudo porque as pessoas que lá trabalhavam, começando no patrão, passando pelo Director-Geral e acabando na secretária, pareciam tiradas de um filme do Tim Burton, escolhidas a dedo, cada qual com uma mania diferente, mas todas, sem excepção, digamos assim, doidas (sem ofensa para os doidos de papel passado, claro).
Certo dia, visitou-nos um colega de uma outra empresa que pertencia ao mesmo grupo. Eu, que já o conhecia, vim recebê-lo à área da recepção (trabalhávamos num espaço aberto, portanto as várias zonas não estavam fisicamente delimitadas). Estava a fazer aquela converseta de circunstância que se impõe, quando aparece o Director-Geral, relativamente novo na empresa, com o seu ar aluado de quem não sabe muito bem a quantas anda mas se acha o maior lá da rua dele e protagonista desta história (e de outras que, a seu tempo, contarei). Ora mandam as regras da boa-educação que os apresentasse, e assim fiz:
- Sr. Director, conhece Fulano de Tal? É nosso colega da empresa XPTO e…
- Não, ainda não nos conhecemos. É director de quê?

Acabadinho de ouvir

- Bem, tenho de ir ver onde anda a nuvem.