7 de maio de 2010

Cá está!

Para que não restem dúvidas, aqui fica o meu outro carro: o tal Porsche cor-de-rosa. Descapotável e tudo, agora que o Verão se aproxima. Voltei a vê-lo, desta vez num estacionamento, e não resisti a fotografá-lo.


6 de maio de 2010

Ofereço-te uma rosa

Uma música italiana com um poema lindo, ainda que um pouco deprimente. Vale a pena ouvir e ler.
Ti regalerò una rosa, de Simone Cristicchi





Ti regalerò una rosa
Una rosa rossa per dipingere ogni cosa
Una rosa per ogni tua lacrima da consolare
E una rosa per poterti amare
Ti regalerò una rosa
Una rosa bianca come fossi la mia sposa
Una rosa bianca che ti serva per dimenticare
Ogni piccolo dolore


Mi chiamo Antonio e sono matto
Sono nato nel ’54 e vivo qui da quando ero bambino
Credevo di parlare col demonio
Così mi hanno chiuso quarant’anni dentro a un manicomio
Ti scrivo questa lettera perché non so parlare
Perdona la calligrafia da prima elementare
E mi stupisco se provo ancora un’emozione
Ma la colpa è della mano che non smette di tremare


Io sono come un pianoforte con un tasto rotto
L’accordo dissonante di un’orchestra di ubriachi
E giorno e notte si assomigliano
Nella poca luce che trafigge i vetri opachi
Me la faccio ancora sotto perché ho paura
Per la società dei sani siamo sempre stati spazzatura
Puzza di piscio e segatura
Questa è malattia mentale e non esiste cura


Ti regalerò una rosa
Una rosa rossa per dipingere ogni cosa
Una rosa per ogni tua lacrima da consolare
E una rosa per poterti amare
Ti regalerò una rosa
Una rosa bianca come fossi la mia sposa
Una rosa bianca che ti serva per dimenticare
Ogni piccolo dolore


I matti sono punti di domanda senza frase
Migliaia di astronavi che non tornano alla base
Sono dei pupazzi stesi ad asciugare al sole
I matti sono apostoli di un Dio che non li vuole
Mi fabbrico la neve col polistirolo
La mia patologia è che son rimasto solo
Ora prendete un telescopio… misurate le distanze
E guardate tra me e voi… chi è più pericoloso?


Dentro ai padiglioni ci amavamo di nascosto
Ritagliando un angolo che fosse solo il nostro
Ricordo i pochi istanti in cui ci sentivamo vivi
Non come le cartelle cliniche stipate negli archivi
Dei miei ricordi sarai l’ultimo a sfumare
Eri come un angelo legato ad un termosifone
Nonostante tutto io ti aspetto ancora
E se chiudo gli occhi sento la tua mano che mi sfiora


Ti regalerò una rosa
Una rosa rossa per dipingere ogni cosa
Una rosa per ogni tua lacrima da consolare
E una rosa per poterti amare
Ti regalerò una rosa
Una rosa bianca come fossi la mia sposa
Una rosa bianca che ti serva per dimenticare
Ogni piccolo dolore


Mi chiamo Antonio e sto sul tetto
Cara Margherita sono vent’anni che ti aspetto
I matti siamo noi quando nessuno ci capisce
Quando pure il tuo migliore amico ti tradisce
Ti lascio questa lettera, adesso devo andare
Perdona la calligrafia da prima elementare
E ti stupisci che io provi ancora un’emozione?
Sorprenditi di nuovo perché Antonio sa volare.

Banda sonora para hoje

Há dias assim

A paciência não é uma das minhas virtudes. Nunca foi e com a idade tem ficado pior. Nunca gostei de esperar por ninguém nem de ter de me explicar duas, três, quatro vezes até que a outra pessoa perceba. Por isso mesmo, nunca coloquei sequer a hipótese de ser professora “quando fosse grande”. Só a ideia de aturar um bando de adolescentes com as hormonas aos saltos e a capacidade de concentração de um peixe deixa-me logo os nervos em franja.

Mas há uns dias piores do que outros. Dias em que não tenho paciência para nada nem para ninguém. Não quero que me falem, que me dirijam palavra, não quero sequer ouvir as pessoas a falarem entre si. Quero que me deixem sozinha. Não me venham interromper os pensamentos, os devaneios e as telenovelas que se desenrolam só na minha cabeça. Não me convidem para tomar um café, para almoçar ou para passear. Deixem-me. Não vos quero ver. E já nem vos posso ouvir!

Há dias assim, um bocadinho deprimentes. Sem motivo. Sem razão nenhuma. Apenas porque acordei assim. Apenas porque está de chuva, ou o sol não brilha, ou… Apenas porque sim.

Amanhã será outro dia.

5 de maio de 2010

Liberdade de imprensa

Aqui está, para tirar as dúvidas a quem ainda as tinha. Existe realmente liberdade de imprensa, desde que se façam as perguntas a que o entrevistado quer responder. Se começar a ser demasiado incómodo, "confiscam-se" os gravadores. Mas foi descuidado e deixou a câmara de filmar. Cá para mim, o acto irreflectido foi esse - se Ricardo Rodrigues tivesse pensado um bocadinho mais, tinha levado a câmara, o bloco de notas e até os cérebros dos jornalistas, só por via das dúvidas.

Ericeira, Abril de 2010


Outro sítio onde não ia há alguns anos. Gosto muito da Ericeira, mas tive a sensação de estar numa cidade-fantasma. A um sábado, à hora de almoço, quase não se via gente na rua. Até os restaurantes estavam vazios. É certo que estava frio e o Verão ainda vem longe, mas mesmo assim. Onde andam as pessoas? Provavelmente, encafuadas num qualquer centro comercial. É pena.

4 de maio de 2010

E o mundo todo lá fora...




3 de maio de 2010

Refúgio

Em Lisboa ainda é possível encontrar espaços assim. Bem no coração da cidade, mas afastado da confusão. Aqui, os únicos sons são a água que corre, o vento nas árvores e as conversas sussurradas entre pares de namorados que para aqui continuam a vir. É bom ver que a tradição ainda é o que era.

São os Jardins da Gulbenkian, um dos meus espaços preferidos e onde, infelizmente, não ia há muitos anos.






Outra vez?

Vulcão islandês está a libertar novas nuvens de cinzas - TSF

Já chega! Da primeira vez, quase me estragava o regresso de férias. Quer dizer, vendo bem a coisa, até teria sido uma boa ideia...

Vamos lá ver se conseguem adormecer a criança antes de a outra acordar. É que daqui a pouco são as férias de Verão e não me apetece mesmo nada ter de ir de carro até Lisboa.

1 de maio de 2010

O meu outro carro é um Porsche cor-de-rosa

Eu não percebo patavina de automóveis. A sério. Não me falem em potências, cilindradas, motores e companhia porque é o mesmo que me falarem em chinês. Para mim, desde que ande e não me dê problemas, o carrito está óptimo. Até pode ter 15 ou 20 anos, que não me aflige mesmo nada. Mas há coisas que me intrigam.


Por exemplo, esta moda (sim, deve ser uma moda) de ter carros em cores… diferentes, digamos. Começaram por ser os carros mais pequenos, como o Twingo, o Mini ou o C3, a aparecer com cores berrantes. Mas, de repente, a epidemia alastrou a todos os outros modelos e marcas. Amarelos, é aos magotes. Verde-alface, cor-de-laranja, azul-cueca, dourado nas suas mais variadas tonalidades... Que raio aconteceu ao preto, vermelho, azul-escuro, verde-escuro, cinzento metalizado…? Já não se usam? Se calhar, só se fabricam por encomenda especial... A última aberração destas que vi passar ao meu lado na estrada foi mesmo um Porsche cor-de-rosa - logo seguido por outro em cor-de-laranja. Por acaso, são duas cores de que gosto muito, mas não numa viatura automóvel.

Pergunto eu, que sou ingénua e, repito, não percebo nada de carros: quem é o cromo que está disposto a gastar num carro mais do que muito boa gente pode gastar numa casa e escolhe uma cor destas? Se alguém souber, que me esclareça, por favor…

Ouvido ontem no rádio

- O homem borrifou-se de combustível e incendiou-se em seguida.

Ainda bem que foram só uns borrifos, caso contrário a coisa podia ter sido grave!

30 de abril de 2010

Ganhei uma alma nova

Esta brincadeira valeu-me ficar com as calças molhadas até ao joelho, mas deu-me uma alma nova. Não há como o mar, o sol e a praia para me deixarem assim.



Pirataria? Por que não?

Pelos vistos, há alguns políticos minimamente esclarecidos em relação a determinados assuntos. A questão da pirataria é complexa, obviamente que quem trabalha quer ser pago pelo que faz, mas é preciso acompanhar a evolução da tecnologia e adaptar-se aos novos tempos. Sem dúvida que a Internet permite divulgar de forma muito mais rápida e abrangente um produto cultural, seja ele qual for - filme, música, até livro. E enquanto os artistas e respectivas associações que supostamente os representam não perceberem isto e insistirem em vender os seus produtos a preços estupidamente caros, não vão conseguir lutar contra este fenómeno.

Flower Blog II







Parece que a solução para a crise económica da Europa está à venda na loja dos chineses.

29 de abril de 2010

Traduções, e das boas!

Na ementa de um restaurante lisboeta, no Bairro Alto (onde, por sinal, se come bastante bem), podem encontrar-se as seguintes pérolas como tradução para inglês dos nomes de sobremesas tipicamente ‘tugas:


Soaked eggs (Encharcada de ovos)
Cake cookie (Bolo de bolacha)
Rançoso cake (Bolo Rançoso)
E a minha preferida: Sweet Grandma.(Doce da avó)

Uma sugestãozinha para os proprietários e gerentes de restaurantes procurados por turistas: em vez de tentarem traduzir os nomes, que tal procurarem antes apresentar uma pequena explicação do que é exactamente a sobremesa? Parece-me que seria mais esclarecedor.

É que já estou mesmo a ver um turista americano, daqueles grandes, gordos e especialmente burros, a pensar se quer comer uma avó doce…

Mas para tirar a carta é preciso fazer exame...

Este tipo de notícias revolta-me. Como é possível estas situações acontecerem em pleno século XXI? Mesmo a uma cidade do interior como São João da Madeira, que afinal fica a poucos quilómetros do Porto, já há muito tempo chegaram os vários métodos contraceptivos disponíveis hoje em dia. E a informação também, já que se fala nisso. Ainda por cima, diz a notícia do DN que já havia antecedentes por uma situação semelhante ocorrida há uns anos. E ninguém fez nada? E desta vez, o que vai acontecer a este monstro?
Essas associações ditas "pró-vida", que tanto se opõem à lei do aborto e à contracepção, o que têm a dizer agora? E essa gentalha que à força quer impedir a educação sexual nas escolas porque acha que as pobres criancinhas vão começar a ter ideias e comportamentos impróprios (esquecem-se que também já foram crianças e tiveram as mesmas ideias e os mesmos comportamentos, sem ter essas aulas), por acaso considera preferível acontecer isto? Não é necessário educar ninguém, aprendemos todos por tentativa e erro?
Não me lixem! É que até para conduzir é preciso ter aulas e passar um exame teórico e outro prático.

Conversa entre amigas

- Lembras-te do namorado dela, o P.?
- Qual era esse? Como é que ele era?
- O madeirense, era mais novo que ela, tinha cara de miúdo.
- Ah, aquele dos caracóis, muita maluco?
- Não, esse foi antes. Este tinha um irmão chamado D. que estudava medicina. Era da Madeira.
- Ah, aquele que era de Setúbal?
- …

A sangria do jantar estava já a fazer efeito.

28 de abril de 2010

E ainda há quem duvide da teoria da evolução

Li esta notícia no Público e não pude deixar de a comentar aqui. Afinal, nós e os chimpanzés não somos tão diferentes como às vezes queremos fazer crer. Parece que há animais selvagens com comportamentos mais humanos do que muitos homens...

Biciclistas*

Parece que está na moda andar de bicicleta. A chegada da Primavera e do bom tempo ajudam, sem dúvida. Mas no país onde vivo, que não é Portugal para muita pena minha (ou talvez não – depende dos dias!), até no pino do Inverno, com chuva, neve ou temperaturas negativas, aí andam eles alegremente, pedalando as suas biclas, estrada acima, estrada abaixo. Não tenho nada contra, muito pelo contrário. Até gosto muito de andar de bicicleta. Tenho pena de não ter aprendido na idade em que devia e portanto não me sinto muito à-vontade em cima do selim, o que não me impede de desfrutar de bons momentos a pedalar. Mas sem exageros. Uma coisa é pedalar uns minutos ou umas horas ao fim do dia, ao fim-de-semana, enfim, nos tempos livres. As ciclovias, que por aqui são muitas, convidam ao passeio. Outra coisa muito diferente é ir de bicicleta para todo o lado. Mesmo todo o lado. É vê-los de manhã a ir para o trabalho, ao fim do dia a regressar a casa...


A minha dúvida é só esta: depois de pedalarem durante vários quilómetros de casa para o trabalho, por montes e vales, subidas íngremes e curvas apertadas, a respirar os fumos dos escapes dos automóveis e a transpirar por todos os poros… quando chegam, tomam um duchezito e mudam de roupa ou sujeitam os colegas às consequências das vossas escolhas?


* Se andam de bicicleta, devem ser biciclistas; se andassem de cicleta então sim, seriam ciclistas. Esta língua de Camões está a precisar de ser actualizada – e não falo de acordos ortográficos e companhia!