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25 de novembro de 2010

Como sempre...?

Há dias assim, em que por mais que tente não consigo concentrar-me. Voltar ao local do crime não é fácil, não percebo por que os criminosos insistem em fazê-lo, se acabam sempre por ser apanhados por isso mesmo. Mas eu não tive escolha, tive mesmo de voltar ao local de sempre, ver as pessoas de sempre, ouvir as conversas de sempre, os assuntos de sempre, o trabalho de sempre… Só a concentração e a vontade não são as de sempre. Porque há frases, situações, assuntos que não me saem da cabeça, porque basta olhar em volta e ouvir as conversas. Eu tento. Tenho os papéis na secretária à minha frente, tenho o ecrã do computador ligado, tenho o rádio sintonizado na estação de sempre e já conheço até a sequência das músicas que tocam. Mas olho para os papéis e o que vejo é uma sequência ininteligível de letras, olho para o ecrã e não consigo perceber onde tenho de carregar para avançar, oiço o rádio e nada do que dizem faz sentido. Porque o meu corpo está aqui, mas a minha alma não.

O dia seguinte

Depois dos murros no estômago preciso de me afastar, sempre. Não falo, escondo-me no meu canto, isolo-me e rezo para que não me procurem - principalmente porque reajo mal a qualquer mínima contrariedade. Trato mal quem me rodeia, respondo torto, chego mesmo a gritar, dizem, não que me aperceba disso. Trata-se de um escape, apenas isso, estes conflitos que invento onde não existem. Servem simplesmente para desabafar, para deitar fora tudo o que estava preso cá dentro. E na verdade aliviam, de facto, embora depois fique de rastos por ter reagido assim com quem não merece. Desta vez... Desta vez foi como de todas as outras vezes. Descarreguei na pessoa errada, mesmo tentando não o fazer. Mas decidi afastar-me durante mais tempo daquilo que me fez mal. Um dia inteiro longe, sem ver, sem ouvir, sem pensar. Serviu, pelo menos, para acalmar, para corrigir o mal feito no dia anterior, para descansar a cabeça e o corpo. Agora... Agora é outro dia. Agora é ter Compensan à mão para as dores de estômago que se vão seguir.

23 de novembro de 2010

Difícil

Difícil é ter de fazer cara alegre quando me apetece chorar. Difícil é lutar durante anos e não ter resultados. Difícil é levantar a cabeça depois. Difícil é arranjar coragem para continuar a tentar. Difícil é ouvir que alguém fez tudo o que eu mais quero fazer e não consigo. Difícil é mostrar-me feliz por terem conseguido o que eu tanto desejo. Difícil é não sentir inveja. Difícil é não sentir a injustiça. Difícil é não pensar que o universo está todo contra mim. Difícil é encontrar o lado positivo. Difícil é não desabar quando estou sozinha.

Difícil é ter um sorriso no rosto quando por dentro…

10 de novembro de 2010

Efeitos do Outono

O frio, a chuva, o céu cinzento há cinco dias convidam a ficar por casa, aconchegada, embrulhada numa manta, sentada no sofá, um chá quente numa mão, o comando da televisão na outra, um filme romântico no ecrã, a melhor companhia do mundo ao lado.

Mas.

O trabalho, os prazos, as obrigações laborais, os poucos dias de férias que restam e fazem falta para aquela semana que já está programada há tempos, o sentido de responsabilidade, alguma dose de masoquismo, obrigam-me a arrastar-me até ao emprego, embrulhada num casaco, guarda-chuva numa mão, mala na outra, sentar-me numa cadeira dita ergonómica, um filme de terror no ecrã do computador, a pior companhia do mundo nos gabinetes vizinhos. E a repetir tudo amanhã.

9 de novembro de 2010

De repente

Vem não sei de onde, inesperadamente, e atinge-me em cheio como um murro no estômago ou uma onda, um tsunami que primeiro me leva para fora de pé, depois passa-me por cima da cabeça e quase me afoga. Luto para chegar à tona, mas a superfície está cada vez mais longe, a luz do túnel afasta-se como a fugir-me e quanto mais luto mais me canso e sufoco. Perco as forças. E não sei porquê.

Faz-me falta

Foto daqui
O Sol.

22 de outubro de 2010

Ansiedade

Imagino situações, diálogos, pessoas, tenho o mau hábito de fantasiar que aquilo que imagino pode ser real. Mas como nem sempre o que imagino é agradável, dou por mim a viver estados de ansiedade que muitas vezes não são justificados. Ouvi dizer que não vale a pena sofrer por antecipação. É verdade que não, mas eu não consigo fazê-lo de outra forma – e invejo quem consegue, confesso. Nessas alturas preciso de ficar sozinha, sem ter de falar com ninguém, até porque tudo o que me possam dizer serve apenas de motivo de discussão, de veículo para descarregar a tensão acumulada. Chego ao fim do dia cansada mas, olhando para trás, não consigo vislumbrar nada de útil que tenha feito. A concentração voou para longe, não há nada que me prenda a atenção e a ansiedade prolonga-se pela noite dentro e tira-me o sono, acorda-me de madrugada e não me deixa dormir mais. Enquanto aquilo que imagino não se resolve, não tem uma conclusão, seja positiva ou negativa, não descanso. Tenho medo de ter esperança. Porque sempre que a tenho, sempre que acredito que desta vez é que vai ser, que tudo vai correr bem... tenho desilusões. Daquelas grandes, de me deixar de rastos durante dias e dias, sem conseguir fazer nada, pensar em nada... Não consigo ser paciente e ter calma e cabeça fria, ou morna sequer, e preciso de resolver tudo, logo. Irrito-me por tudo e por nada, sem motivo, com a pessoa errada, porque quando quero alguma coisa quero mesmo, com força, com todas as minhas forças, que às vezes são tão poucas! Talvez deseje o impossível.

E as lágrimas caem pelo rosto, incontroláveis.

20 de outubro de 2010

Medos

Do futuro. Do que poderá ser, do que poderá não ser, do desconhecido, sobretudo. Medo de que os desejos não se concretizem, mas principalmente do contrário. Porque não se realizando os desejos, é fácil viver. Estou habituada a viver sendo os desejos apenas isso mesmo, desejos. E um não é sempre certo, pode até doer mas é confortável. Ao fim de um tempo, volto à vidinha de sempre e, afinal, nada mudou, tudo continua igual. O contrário é assustador. A possibilidade de se concretizar um desejo aterroriza-me. Porque se o desejo o é realmente, é de tal forma ansiado que tenho até medo do que virá a seguir. Be careful what you wish for, dizem os americanos com razão. Concretizando-se esse desejo, especificamente, nada será como antes. Tudo mudará, de um dia para o outro. Espero sempre que mude para melhor, porque para pior antes assim, mas a verdade é que não o sei. Não tenho a certeza. E assusta-me. Muito.

19 de outubro de 2010

Hoje

Não sai nada de jeito desta cabeça. Ou antes, há qualquer coisa que não me sai da cabeça e me impede de fazer seja o que for. Assim sendo, mais vale ficar quietinha no meu canto.
Pode ser que amanhã seja melhor.

6 de outubro de 2010

Coisas que podendo fazer mal ao corpo fazem muito bem à alma

Estar horas a conversar com amigos de longa data no Facebook, por ser impossível fazê-lo pessoalmente. Espremendo bem, o sumo não é nenhum. Não se falam de problemas, não se discutem políticas nem filosofias nem economia nem nada de jeito. Dizem-se disparates, muitos. Tantos que a certa altura a barriga dói de tanto rirmos. Perdemos a noção das horas e quando damos por isso passa da 1 da manhã e não temos sono e queremos continuar ali. Insultamo-nos como sempre fizemos, mas sabemos bem que o fazemos porque nos adoramos. Implicamos e ridicularizamos uns e outros, e visto de fora até pode parecer ofensivo, mas entre nós sempre foi assim e vai continuar a ser. Como dizia uma das intervenientes: há coisas que nunca mudam.
Ainda bem.

3 de outubro de 2010

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.

Camões

22 de setembro de 2010

Outono

(Foto de Pedro Casquilho, Olhares.com)

Parece que começa hoje o Outono. Ou amanhã, talvez. Na verdade, até há pouco tempo, começava a 21 de Setembro, mas agora há estas modernices de querer ser exacto, de maneira que todos os anos é num dia diferente. E até numa hora diferente, parece. Seja como for, ou já começou ontem, ou começa hoje, ou começará amanhã. O Outono. Para mim, começou no dia 1, mas eu sou assim, esquisita, e acho que só é Verão enquanto está calor, a partir do momento em que começa a chuva e as temperaturas descem, acabou-se.

Não gosto do frio e da chuva, das manhãs de nevoeiro (ainda se voltasse D. Sebastião, mas desconfio que já deve ter morrido há uns tempos), do Sol que não aquece, das flores murchas e das árvores despidas. Não gosto de arrumar a roupa de Verão e ter de voltar a vestir casacos e a calçar botas. Não gosto dos dias mais curtos, das noites mais longas, é de noite quando acordo e é de noite quando volto para casa e há dias em que parece que a noite não acaba…

Gosto das cores do Outono nas árvores. O verde das folhas a dar lugar ao castanho, ao vermelho e ao laranja. Gosto de pisar as folhas secas caídas no chão e de saltitar enquanto o faço. Gosto de ouvir o barulho debaixo dos meus pés e de me sentir criança novamente. Gosto até do cheiro a terra molhada das primeiras chuvas. Mas não gosto do frio e da chuva - já disse? Paciência, repito-me. Não gosto sobretudo porque pressagiam o Inverno. E desse é que eu não gosto mesmo nada.

20 de setembro de 2010

Nada e coisa nenhuma

Apetece-me escrever, mas não sei o quê. Olho para o ecrã e não me vem nada à ideia. É a metafórica folha em branco do escritor, que tanto o faz desesperar, não que me considere escritora, atenção, nada disso. Conheço bem as minhas limitações e nunca me passaria pela cabeça comparar-me a um escritor. Excepto talvez na acepção mais literal de “aquele que escreve”. Nesse sentido, sim, sou escritora. Ou seria, se conseguisse escrever alguma coisa. Mas não consigo. Olho para o ecrã, pouso as mãos no teclado - que é feito das canetas? Já ninguém escreve à mão... Também nunca tive uma caligrafia bonita, pelo que talvez seja melhor assim. Mas dizia: olho para a folha em branco no ecrã e, com as mãos no teclado, procuro as palavras que não encontro, o assunto, qualquer assunto, e só consigo pensar em disparates, idiotices, anedotas que até nem devem ter piada nenhuma, mas que me fazem rir sozinha - estarei doida? É possível. Doida por doida, ao menos que o seja oficialmente, de papel passado, sempre dava para justificar determinadas atitudes que me apetece tomar mas não posso, porque dizem que sou normal. Sabem lá! Se imaginassem o que me passa pela cabeça… No mínimo, internavam-me na hora, isolavam-me num quarto almofadado, trancavam a porta e deitavam a chave fora, ao rio ou ao mar, para nunca mais a encontrarem.

Gostava de conseguir escrever só porque sim, quando quero. Há pessoas assim (acho que também já fui assim), que sem pensar deitam cá para fora tudo o que lhes vai na cabeça, capazes de discorrer durante páginas seguidas sobre qualquer assunto, desde a plantação das batatas à teoria mais recente da física quântica. Podem não perceber nada do assunto, os conhecimentos que têm podem advir do cabeçalho da notícia que acabaram de ler, provavelmente nem deram atenção à notícia toda, basta-lhes só o título para logo ali formarem uma opinião e terem assunto para, pelo menos, umas quinhentas palavras. A qualidade ou não do produto final não vem agora ao caso. A qualidade dos meus produtos finais, provavelmente, também deixa muito a desejar, em comparação com os de outros seres mais dotados para a escrita. Se bem que, não é para me gabar, mas parece-me que de vez em quando consigo escrever qualquer coisa de jeito. Não será uma obra-prima, pois não, que eu não vim aqui inventar a roda nem descobrir o fogo, mas é uma obra minha, e isso já é mais do que muita gente pode dizer. Boa ou má, de qualquer forma, são conceitos subjectivos. Quem define o que é bom ou mau? Camões é bom? Dizem que sim, mas os estudantes do ensino secundário acham que não. Margarida Rebelo Pinto é boa (refiro-me à sua escrita, claro, que do resto julgarão outros)? Dizem os críticos que a leram que não, mas as vendas dos seus livros apontam no sentido contrário. E então? Acreditamos nos críticos, académicos, (em princípio) conhecedores do que falam, se não levarmos à letra a velha história de "quem sabe faz, quem não sabe critica", ou seguimos a opinião do povo, inculto na sua maioria, praticamente analfabeto até, que isto de saber ler tem muito que se lhe diga e não é só juntar as letrinhas e perceber que b+a=ba, mas que sabe do que gosta e por isso compra? Mas estamos a falar do mesmo povo que lê a revista Maria e o jornal O Crime e acredita em tudo o que lá vem escrito, que idolatra o Tony Carreira e que não vai ao teatro porque é caro mas não perde um jogo de futebol no estádio...

Podia, talvez, escrever sobre o tempo ou sobre o último filme que vi. Calhou ser o Salt, com a Angelina Jolie, mais um filme-chiclete, mastiga e deita fora, sem demora, já cantavam os outros e com razão, com uma tal confusão entre espiões americanos e russos e estes sãos os bons mas afinal já não são e daí a dez minutos já são outra vez e aquele que era mau afinal é a vítima e a coisa é tão confusa que termina da única forma que conseguiram, mesmo, mesmo a cheirar a sequela para ver se arranjam um final decente para a história.

Ou então podia dedicar umas linhas à última guerra blogoesférica de que me apercebi, que estas coisas passam-me todas ao lado, felizmente. Alguém teve a infeliz ideia de fazer um post a perguntar qualquer coisa como "qual o blog que mais odeiam?" e, pasme-se!, ouve centenas de respostas, cada uma menos fundamentada do que a anterior, odeio porque sim, pronto, é o meu direito, sem razão, simplesmente porque não gosto do que este ou aquele escreve e mais nada, não que eu seja melhor ou pior, mas odeio mesmo e acabou a conversa. E foi tanto o veneno destilado naquela caixa de comentários que fiquei a pensar: se um destes tem o azar de morder a língua, morre envenenado. Apeteceu-me apenas perguntar, se não gostam por que raio continuam a ler?, que eu quando não gosto de alguma coisa não volto lá, é tão simples e cansa muito menos, mas isto sou eu que, como já disse, sou doida e só estou aqui a fazer tempo até chegarem os senhores da bata branca para me levarem.

Também podia comentar a actualidade, hoje em dia qualquer um é comentador e ainda para mais na Internet, é largar postas de pescada a torto e a direito que toda a gente pode e deve ter opinião. São os arguidos do caso Casa Pia que agora já são os culpados do caso Casa Pia, excepto o Carlos Cruz que, por maioria de razão do povinho que adorava o 1, 2, 3 e a Bota Botilde, continua hoje e sempre inocente, ou pelo menos não foi só ele, os outros também lá estavam, que isto de ser condenado sozinho não tem piada nenhuma. São os franceses a expulsar os romenos e os búlgaros, perdão, é o Sarkozy a expulsar os ciganos, assim é que é, mais o nosso adorado Cherne a dar-lhe na cabeça, vá lá, haja alguma coisa que o homem faz que se pode dizer que até nem foi mal feita. Mas como acho que não tenho nada de novo a acrescentar às milhares de linhas que já foram escritas sobre estes assuntos, calo-me.

Claro, podia sempre falar de desgostos de amor, que toda a gente tem, se tiver sorte, porque é como dizia o outro "It's better to have loved and lost than never to have loved at all", mas o mais certo era sair um relambório de tal forma deprimente que ninguém teria paciência para aqui voltar, provavelmente nem eu. Ou das histórias da minha infância, dos dias de Verão passados na rua, com os amigos que terão para sempre um lugar especial no meu coração, apesar de todos termos seguido vidas muito diferentes e a amizade acabar por se perder, ou dos outros que fui encontrando ao longo da vida, uns desapareceram, outros ficaram, outros ainda reapareceram e é tão bom, tão bom, reencontrar estas pessoas, e as histórias que vivemos juntos, tantas histórias que poderia contar, ainda que ao fazê-lo corresse o risco de me internarem mais depressa. A minha vida não dava um filme, não tenho ilusões, sei que é apenas mais uma e que há gente com vidas muito mais interessantes do que a minha, com aventura e tragédia e tudo o mais, mas é a minha vida e só por isso é muito mais importante do que todas as outras, até porque é a única que ainda consigo, de vez em quando, controlar.

Outra hipótese seria entrar no domínio da ficção. Escrever uma história policial, cheia de mistério, daquelas com reviravoltas inesperadas capazes de deixar o leitor de boca aberta, com vítimas ingénuas e criminosos diabólicos, piores do que os da série Criminal Minds, de que não perco um único episódio, gosto tanto daquilo que me assusta pensar que algumas daquelas coisas podem ser reais. Ou uma história de amor, um amor impossível, claro, são as únicas histórias de amor que interessam, a luta dos apaixonados pelo amor que os une, contra tudo e contra todos - está mais que visto, bem sei, Shakespeare escreveu a primeira, a última e a definitiva, a tragédia de Romeu que se mata por pensar que Julieta morreu, Julieta que acorda e se suicida ao ver Romeu morto... é impossível fazer melhor, ninguém o fez até agora e também não tenho pretensões disso, credo!, como disse no início: conheço bem as minhas limitações.

Vendo bem, parece que ideias até não me faltam, a imaginação é fértil e não tem limites. Falta talvez a vontade de me alongar sobre os assuntos, ou a coragem de pôr tudo isto no papel, ainda que virtual.

E assim se escreve um texto sobre nada, a falar de coisa nenhuma.

Tema Livre, Fábrica de Letras

14 de setembro de 2010

It's that time of the year again

Volto a adormecer no sofá em frente à televisão, embrulhada num cobertor, depois de reclamar vezes sem conta que não são horas para transmitir aquele programa, que no dia seguinte as pessoas têm de se levantar cedo para trabalhar. Como disse, adormeço. Acordo já passa das 2h, o programa terminou há muito e eu não o vi, no ecrã a Filipa Vacondeus e um rapazola armado em cozinheiro fazem publicidade a um trem de cozinha, ambos com quase tanto à-vontade e naturalidade como a Nayma no tal programa dos aspirantes a estilistas de cujo nome agora não me lembro. Desligo o aparelho e vou-me deitar. Mas já não tenho sono e fico horas acordada, a pensar em tudo e mais alguma coisa (olho para o relógio e passa das 4h), no que aconteceu, no que não aconteceu, no que podia ou devia ou teria acontecido se (e agora já são 5h e tal), no que disse e não disse, no que devia ter dito, ou não... Continuo sem sono, não sei como foi o programa que tanto queria ver e daí a poucas horas tenho de ir trabalhar.



Nota: ao procurar no Google a forma correcta de escrever o nome da senhora, descobri que no IMDB há uma entrada relativa a Filipa Vacondeus. Estou sem palavras...

9 de setembro de 2010

Hoje, especialmente

Mais do que ontem...


...menos do que amanhã.

7 de agosto de 2010

Cansaço

Esta sensação que me vai roendo por dentro, este pensamento que não me sai da cabeça e não me deixa descansar. Quase não durmo, tenho insónias, não consigo concentrar-me em mais nada a não ser nisto, e vai-me consumindo até ocupar todo o espaço e não me deixar respirar. Alastra como um vírus, contagia tudo à minha volta, pinta o dia de cinzento escuro por mais brilhante que esteja o sol, levanta um vento frio que me gela até aos ossos, congela-me o sangue nas veias e nem o calor abrasador de Agosto o consegue aquecer. Fecho-me em mim, adoeço, escondo-me dos outros por receio de os afastar, calo-me para não dizer o que sinto, ninguém conseguiria compreender. Isso resolve-se, não dramatizes, não é o fim do mundo. Pois não. Mas estou cansada de esperar.

15 de julho de 2010

Hipocondríacos cibernéticos

Antigamente, quando estávamos doentes, íamos ao médico (não sem antes passar pela farmácia, não fosse o farmacêutico de serviço conhecer a cura, vender-nos logo ali o remédio e poupávamos uma horas no centro de saúde). Depois, quando um médico nos diagnosticava uma qualquer doença, mais ou menos grave, limitávamo-nos a confiar e a acreditar no que ele dizia. Se o tratamento prescrito é este, nada a fazer, segue-se à risca. Quanto muito, em casos mais graves, pensávamos em pedir uma segunda ou terceira opinião (normalmente, até encontrar uma que estivesse mais de acordo com o que desejávamos). De resto, ninguém sonhava sequer em pôr em causa o que o médico dizia. Ele é que estudou, ele é que sabe. E resignávamo-nos ao destino que aquele médico nos traçava.

Hoje em dia, quando estamos doentes, consultamos a Internet para ver a que doença fatal correspondem os sintomas. Depois, já aterrorizados, em pânico, convencidos de que a qualquer segundo vamos cair para o lado, decidimos ir ao médico. Quando este nos diagnostica uma doença, mais ou menos grave, vamos direitinhos ao computador procurar novamente na Internet tudo e mais alguma coisa sobre essa doença. Em várias línguas, de preferência, porque no estrangeiro eles estão mais avançados e sabem mais do que os portuguesinhos. E qual é o resultado de horas e horas de pesquisa? Dos estudos aparentemente científicos realizados por uma universidade perdida no meio do deserto, aos artigos publicados em jornais e revistas ditos científicos que só um especialista na matéria consegue compreender, passando pelas histórias “verídicas” de quem tem ou teve a mesma doença (algumas são verdadeiros filmes de terror) e terminando nos tratamentos convencionais, alternativos, experimentais... Basicamente, uma grandessíssima confusão. Seguem-se a angústia e o medo provavelmente infundados, acompanhados por um estado depressivo, que de certeza só ajuda a piorar a situação.

Há alturas em que preferia voltar a ter só dois canais de televisão, jornais e telefonia para me informar.

9 de julho de 2010

Longe

Eu costumo dizer que só quem passa por elas é que sabe o que custa. Visto de fora, é tudo muito bonito, parece um mar de rosas. Desenganem-se: não é. De todo. Simplesmente, colocamos um sorriso no rosto a disfarçar a dor que vai cá dentro e seguimos em frente. Fazemos de conta que está tudo bem, que corre tudo às mil maravilhas, para não preocupar os outros, porque não queremos sentir-nos culpados pelas suas angústias. Brincamos, dizemos disparates e rimos à gargalhada, mas na verdade somos como o palhaço que tem um sorriso gigante pintado no rosto, enquanto a alma está triste. Por isso ninguém compreende o que sentimos, acham estranho quando dizemos que estamos fartos e não acreditam que possa ser verdade. De vez em quando, muito raramente, descaímo-nos e confessamos que há qualquer coisa que não está bem – porque também precisamos de desabafar. Mas lembramo-nos subitamente que não queremos preocupar aquela pessoa e acabamos por dizer que é só uma dor de estômago, nada de especial. Não é nada. Nunca é. O que dói não é o estômago, é a alma e o coração. O que dói é não estar lá, naquele lugar especial, com aquelas pessoas. O que dói é a saudade. O que dói é estar longe.

31 de maio de 2010

Ansiedade

Há vários momentos na vida que são decisivos. Por vezes só nos apercebemos disso mais tarde, quando já passou algum tempo. Outras vezes sabemos antecipadamente que determinado acontecimento vai ser crucial para o nosso futuro. Com sorte, hoje é um desses dias.