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2 de julho de 2010

Carta ao chefe

Querido Chefe,

Todos sabemos que não é por maldade, nem por defeito, nem por má vontade. Todos sabemos que cada um é como é, e pouco ou nada pode fazer para mudar. Todos sabemos que o querido chefinho sempre foi assim e que não é agora, quase na reforma, que vai mudar. Todos sabemos que, no seu caso, a estupidez, a parvoíce, a burrice e a inconveniência são inatas. Todos sabemos que a incompetência constitui uma característica profundamente enraizada no seu carácter. Todos sabemos que complica as situações mais simples e gosta de armar confusão. Todos sabemos que entra em pânico quando lhe pedem um trabalhito com mais urgência. Todos sabemos que é picuinhas até mais não. Todos sabemos que adora ver-nos a stressar. Todos sabemos que gosta mesmo é de nos irritar e aborrecer com esse feitio insuportável. Todos sabemos que se acha o maior da sua rua e arredores, que é o único que está sempre certo e que tem sempre razão. Todos sabemos que adora fazer-nos perder tempo e repetir até à exaustão os mesmos assuntos. Todos sabemos que gosta muito de se ouvir, nesse tom monocórdico que ninguém aguenta por mais de dois minutos. Todos sabemos que adora ter uma plateia atenta a escutá-lo, a beber cada uma das suas palavras. Todos sabemos que não é isso que acontece, mas não há nada a fazer. A única coisa que não sabemos é como ainda tem quem o ature em casa, mas isso também não nos diz respeito.

Todos sabemos que tudo isto é verdade. Mas nem por isso temos mais paciência para o aturar. Assim sendo, sugerimos que vá ali atirar-se da ponte ou para debaixo do comboio ou que dê um tiro nos miolos. Era um favor tão grande que nos fazia! Acredite, ficar-lhe-íamos eternamente gratos.

Atenciosamente,

Tulipa Negra e colegas

28 de junho de 2010

Afinal, em que ficamos?

Regressar a casa, rever família e amigos, é bom. Muito bom, mesmo. É, não é? Pois é. Excepto quando começa a lengalenga do costume: Então e quando voltas de vez? Aquilo lá não é para ti! Vais ficar mesmo por lá? Mas é tão longe! Gostas de lá estar? E não é muito frio? E as pessoas não são antipáticas? Aqui está-se melhor, faz sol e bom tempo. Vem-te mas é embora que aqui é que se está bem.
A isto seguem-se horas a dizer mal do governo, do país, da economia, do tempo, do desemprego, dos impostos e agora até da selecção nacional de futebol.

27 de maio de 2010

Na minha vida mando eu!

A sociedade espera que sigamos um determinado caminho, ter um emprego, casar, ter filhos. E quando demoramos a cumprir todas as etapas, temos de aturar as críticas em tom de perguntinha de quem se interessa muito pelo nosso bem-estar.
Primeiro, é porque não temos namorado - coisa que não passa pela cabeça de ninguém! Uma rapariga nova, tão jeitosa, e sozinha? Deve ter cá um feitiozinho... (Por acaso, a parte do feitio é verdade.) Claro que se tivermos namorado e, pasme-se!, tivermos o desplante de o trocar por outro somos, obviamente, umas ***.
Depois, durante a fase de namoro, é a pergunta da praxe: então, quando é que casam? Vão casar, não vão? Não andam só aí a passar o tempo, com certeza... Ah, ele é que é um malandro, anda a enganá-la, àquele ninguém o prende! (Nem se supõe que seja ela que não quer, imagine-se uma coisa dessas!) OK, até casamos. Ficam felizes? Por pouco tempo...
Ao fim de mais ou menos um ano de casamento, começam as outras perguntas: então e filhos, não têm? Quando estão a pensar tê-los? Não me digam que não querem! (Que disparate! Haverá alguém que possa não querer?!) E quanto mais tempo passa, mais frequentes começam a ser estas perguntas. Família, amigos, conhecidos, gente que acaba de nos ser apresentada e não faz a mínima ideia de quem somos, de onde vimos ou para onde vamos desata a questionar toda a nossa filosofia de vida e a dar palpites, como se fossem os nossos melhores amigos: aproveitem agora para viajar, porque depois os filhos são uma prisão. (Então não era para ter filhos? Afinal, decidam-se!) A certa altura, começamos a cortar relações com pessoas que até nos são queridas, sem qualquer motivo que não seja o de já não conseguir ouvir a mesma pergunta repetida ad infinitum.
Portanto, já sabem: se não têm notícias minhas há um tempo, é porque me fartei de ter de fazer cara alegre enquanto respondo às vossas perguntas idiotas.

25 de maio de 2010

Já me lixaram o dia

Bolas, será assim tão difícil explicar as coisas à primeira? Por que raio é que não me dizem logo o que é para fazer? Mas será preciso andarmos sempre nisto até à última? Agora é preciso ligar para aqui, depois é mandar o fax para ali, mas não se preocupe que nós é que tratamos de tudo e informamos. OK, fico descansada, à espera que tratem de tudo. Até que a data limite se aproxima, começo a desconfiar que afinal, se calhar, não está nada tratado, e pergunto: afinal, trataram? Ah, pois, não, isso é a senhora que tem de fazer, nós não nos ocupamos desses assuntos.
P**a que pariu! Não sabiam ter dito logo?!?