<p>Clara, como talvez tu antes da última esquina da noite,<br>uma imagem redonda colava-se aos meus dedos por entre<br>as folhas de papel que lentamente ardiam. Foram sempre<br>mais as páginas que juntei do que aquelas de que pude<br>separar-me, naquele T1 pequeno com vista para Monsanto<br>e para o teu corpo sempre azul.<br>Infelizmente, não fora capaz de preparar<br>o silêncio que sempre se segue a tudo o que<br>não somos, dirias tu, o rumor de instantes que nos apanha<br>na canga e nos sugere o vale sem luzes e a varanda grande.<br>Parado sei que isso é poesia, um sonho, pequenas alucinações<br>de primavera sem apelo no fundo destas veias e sei também<br>que continuas a existir e vais ser minha muitas vezes,<br>como eu quero ser teu intermitentemente em cada lua nossa.<br>Mas tu sabes como os astros nos pregam partidas ao telefone,<br>como em certos dias a pique para o sol embatem nas antenas,<br>e este ligeiro pesadelo é apenas o desconforto baço de saber<br>que há coisas demasiado belas para não serem tristes.</p>
2 comentários:
Muito bom!
João, também achei.
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